Não há outro amor para mim.
13 Nossa noite de núpcias.
Notas iniciais
O quarto que escolhemos para passar a noite de núpcias era digno dos contos de fada. Emma entrou comigo nos braços, enquanto gargalhávamos de alegria (e eu tenho a impressão que aquele andar inteiro do hotel nos escutou) e nos beijávamos libidinosamente.
Desci de seu colo, esperando ela bater a porta, dando uma breve olhada no recinto enorme que tínhamos a disposição naquela noite: flores, rosas e cestas com diversas frutas sobre mesinhas de vidro escarlate, em uma antessala de onde outra porta dupla mantinha por trás uma cama de casal em perfeita combinação com uma garrafa de champagne que nos esperava no móvel de apoio. Também havia um banheiro em mármore, com um box e uma banheira de hidromassagem. A suíte era inteira revestida por um papel de parede florido e lustres de cristal no teto criando reflexos a meia luz. Tudo tão bonito e impecável. Além do mais, tinha um som ambiente, muito sugestivo para o que eu pretendia fazer.
Apesar do cansaço todo da festa, queríamos muito curtir a noite de um jeito ainda mais romântico e, por que não, sensual? Coloquei um dedo a boca esperando minha mulher me abraçar por trás, do jeito que eu e ela gostávamos. Respirei fundo e fechei os olhos ao senti-la se aproximar e fazê-lo, só que agora tinha um jeito todo diferente. Não sei se foi coisa da minha cabeça, mas depois que nos casamos, os beijos, abraços e o sexo ficaram mais intensos.
Emma começou a me tocar pela cintura, distribuindo beijos por minha nuca. Tentando mudar um pouco o rumo das carícias, me virei e a olhei, mas ela estava apressada e me roubou um beijo bem no momento em que tomei ar para lhe falar algo. Ela começou a tirar o que eu vestia, me fazendo parecer frágil aos seus dedos, por outro lado, se ela continuasse demais, estragaria a surpresa que tinha preparado embaixo do vestido.
Me pegando no colo outra vez, Emma me levou até a cama para me derrubar no macio e continuar. Eu ria das cócegas gostosas que ela me fazia sentir com beijos no pescoço e busto. Quase não soube como contê-la. Segurei suas mãos, reprovando sua ansiedade e a empurrei.
— Para, para... — disse eu.
Ela me olhou sem entender. Tentou se aproximar de novo.
— Regina...
— Calma! Não sem antes eu fazer a minha surpresa. — disse, me erguendo na cama.
— Surpresa?
Levantei, toda travessa e corri pelo quarto. Emma veio atrás de mim e começamos a brincar de pega-pega. Só parei quando ela me alcançou e me agarrou de novo, roubando um beijo bem quente. Eu quase desmaiava com aquela sensação. Meu íntimo já comichava, dando claros sinais da minha excitação.
— Sim, uma surpresa... — disse, quase sem ar.
— Eu adoro surpresas, sabia?
— Por isso mesmo que eu preparei algo para você. — a empurrei e me afastei, apontando para um divã bem perto dela, com cara de quem ia aprontar. Minha loira sorriu, entendendo.
— Isso vai demorar? — ela perguntou, voltando a se sentar.
— Não seja apressada, meu amor, eu prometo que vai valer a pena. — disse, deixando as luzes do quarto ainda mais baixas. Eu havia ensaiado como faria aquilo.
— Assim você vai me matar de vontade, Regina.
— Dá para relaxar? Você não vai se arrepender. — falei, me escondendo atrás da porta dupla. Respirei fundo, tomando coragem para começar. Aquela seria a primeira vez que dançaria sensualmente para Emma, eu estava determinada a fazer certo.
Não foi difícil me livrar do vestido. Assim que o deixei de lado em cima de uma cadeira, soltei os cabelos, conferi minha calcinha, sutiã e cinta liga brancas que escondi o tempo todo por baixo. Estava tudo no lugar e inclusive eu estava com tudo no lugar. Pela primeira vez me senti sexy. Era uma sensação de poder incrível, eu adorei aquilo.
Aproveitando o tom da música que começou a tocar, entrei. Caminhei até Emma como uma fera desfilando na selva. Quando ela me viu, vi seus olhos brilharem, ela ficou boquiaberta de repente. Feito louca quis me tocar, em vão. A empurrei com um dedo na ponta de seu nariz, afastando-a.
— Hã, hã... Você não pode me tocar. — avisei, ficando de costas, bem na frente dela, no divã. Comecei a passar as mãos pela minha própria cintura, subindo ambas até os lados dos seios, enquanto descia vagarosamente meus quadris, empinando o bumbum. Não vi a reação de Emma, mas seus dedos já se apertavam na madeira do móvel.
Subi, colocando um dedo na boca, assim que virei o rosto para o lado para provocá-la. Ainda mexia os quadris de forma erótica, talvez tanto, que vi a hora em que Emma iria salivar só de me assistir. Me deixei levar pelo ritmo da música que ficava melhor a cada segundo. Rebolei devagar, de um lado para o outro, da esquerda para a direita, de leve, mas nada inocente. Então me virei, encontrando a mão de Emma no ar tentando me alcançar, novamente em vão. A segurei e guiei até minha cintura. Mais do que depressa, Swan usou a outra palma para tocar meu corpo, implorando com os olhos para me ter ali, mas aquilo iria demorar mais um pouco.
Eu ia e vinha, tocava o chão, requebrava com suas mãos subindo e descendo pela minha pele. O roçar ligeiro daquelas palmas quentes me deixou em brasa, eu estava ficando pronta para o bote dela. Emma se ergueu e me envolveu por trás. Àquela altura levei suas mãos aos meus seios e enquanto relava minhas costas e nádegas nela, senti um arrepio me cobrir da cabeça aos pés. Seu corpo começou a se mexer com o meu. Balançamos conforme a música, juntas, maliciosas, só nós duas. Parecíamos uma só.
Emma me virou e eu continuei, olhando diretamente em seus olhos. Liberei minhas mãos para tocá-la. A provocação continuava enquanto ela me encarava com aquele olhar faminto. Eu estava correndo um sério risco. Senti sua respiração pesar e sem delongas me agarrou, me tomando nos braços fortes que tinha. Me agarrei em seu pescoço e fomos parar na cama. Sua língua invadiu minha boca, num beijo exigente. Enrosquei meus dedos naquele cabelo macio, desfazendo a longa trança, nó por nó. Por um momento, Emma me olhou, e não precisou dizer nada para que eu entendesse o que ela queria.
Meu coração voltou a se acelerar após vê-la voltar a me beijar e descer pelo meu queixo, pescoço e seios, onde se enfiou, abrindo a lingerie branca que os protegiam. Minha loira traçou um caminho das minhas costelas ao meu ventre. Suas mãos se ocuparam com o busto que erguia a cada respiração mais forte. Emma me apertou os seios numa massagem bruta. Chegava a doer. Mas era uma dor tão boa que me fez pedir por mais. Segurei os braços dela ali, fazendo ela me apertar e demorar. Eu já respirava com os lábios entreabertos esperando para senti-la entre minhas coxas, porém, ela também tinha uma surpresa para mim.
Murmurei quando ela se ergueu e me fez sentar para tirar seu vestido (ele estava nos atrapalhando um pouco). Com pressa o desvencilhei de seu corpo, revelando o que ela tinha por baixo: lingerie branca. Não eram como as minhas. Eram ainda mais bonitas. Caiu tão bem para ela... Até achei que ganharia um número de dança também.
O olhar que ela me lançou naquele momento me convidou a tocá-la, porém, Emma me empurrou delicadamente com uma mão, me fazendo deitar. Indo aos meus pés, entendi que minha loira queria começar dali. Começou beijando o peito de um pé e aos poucos subiu pela minha perna chegando à coxa alisando-a por cima da meia que eu vestia. De um jeito invertido, Emma se deitou ao meu lado, me virou e soltou as ligas da cinta muito brevemente para então me tirar as meias e me deixar praticamente desnuda. Suas pernas estavam bem próximas do meu rosto, instintivamente quis tocá-las, alisá-las enquanto ela fazia o mesmo comigo. Emma me alisava, arranhava, beijava, me deixando mais molhada do que eu já estava e sentir sua pele macia se arrepiar ao meu toque também me acendeu. Entre as carícias que compartilhávamos ao contrário de lado, senti minha mulher fazer algo que jamais esperaria; Emma me apertou a anca, afastou minha coxa que segurou e se enfiou no meu meio com os lábios. Aquela posição invertida tinha um propósito.
Gemi ao sentir a ponta de sua língua pincelando minha intimidade. Era novidade para mim fazer sexo naquela posição, mas muito prazeroso, eu admito. Emma sabia o que estava fazendo e eu me perguntava onde ela aprendera aquilo? Eu já havia visto em filmes eróticos pessoas transarem desse jeito e parecia mesmo ser bom. Talvez Emma quisesse que eu fizesse o mesmo — e era o que ela queria. Raramente eu podia tocá-la e quando a gente fazia aquilo, eu nunca ultrapassei a barreira dos dedos nela. Ainda assim, Emma era o que se dizia a “Ativa” da relação, então poucas foram as vezes em que lhe dei prazer. A ideia de satisfazê-la era incrível.
Distribui beijos ao longo de suas coxas e pele macia enquanto eu era devorada. Eu já sentia o cheiro úmido dela o que me guiou até sua calcinha que botei de lado com dois dedos, dando uma bela lambida ali.
Ela arfou. Pude ouvi-la gemer abafada e, nem por isso, parou. Sinal verde para que eu continuasse. Lambuzei minha língua no mar de ambrosia de Emma e, brincando naquele pontinho específico do sexo dela, quis molhar meus dedos também. Enfiei o indicador e o dedo médio naquela quentura estreita enquanto a beijava e sugava. Por outro lado, ela me abocanhou com maldade, sem pena alguma, acelerando o ritmo em mim.
Batalhávamos para não perdermos a concentração, eu tive medo de chegar ao prazer primeiro que ela, o que não ocorreu por pouco. De repente, gemíamos em sintonia, ao mesmo tempo. Deus, foi tão bom! Senti a onda do orgasmo vir em mim assim como o sexo de Emma latejava a minha língua. No embalo, trememos juntas. Gozamos. Eu nunca vou me esquecer como foi gostoso.
Desabamos moles, uma ao lado da outra, daquele jeito invertido, tentando buscar ar. Ainda havia muito do sabor de Emma em meus dedos. Me virei na cama, deitando do lado certo, por cima dela. Dei-lhe um dedo para ela chupar e de olhos fechados, minha mulher fez, experimentando o próprio gosto. Sorri, admirando seu corpo quente e enfraquecido. Foi a primeira vez que Emma deixou alguém amá-la daquela forma. Mais uma prova de que tudo valia entre quatro paredes quando se tratava de casamento.
Assim que abriu os olhos, ela me fitou corada, com um sorriso bobo, me roubando um beijo calmo.
— Feliz? — perguntei, sussurrante, bem perto de sua boca.
— Como nunca na minha vida. — ela respondeu, rouca.
Voltei a beijá-la e foram tantas vezes que perdemos a conta, não conseguíamos parar por muito tempo.
— Promete pra mim uma coisa? — voltei a perguntar, enquanto Emma recuperava suas forças roçando os lábios pelo meu rosto e queixo.
— O quê? — disse ela, um tanto ocupada com as carícias que me dava.
— Que vai ser sempre assim... Que você vai me amar sempre assim... Que vai ser minha sempre assim... Que nada nesse mundo vai separar a gente... Promete?
Ela parou por um momento e me olhou. Demorou, tocou meu rosto, me olhava toda meiga. Como estava linda!
— Prometo. Vai ser sempre assim. — disse firme, me olhando nos olhos. E mais uma vez me derrubou, girando comigo, ficando por cima dessa vez.
Ela recuperou sua energia e voltamos aos beijos, afagos.
Não dispensamos o champagne e foi justamente ele que nos deu combustível para continuarmos os momentos luxuriosos. Nós não paramos enquanto não estivéssemos completamente exaustas.
— Eu te amo. — Emma sussurrou antes de adormecer nos meus braços e eu pegava no sono ao seu lado.
Se dependesse de mim, passaríamos a vida inteira repetindo aquela noite. Eu não precisava de mais nada além dela. Cada partícula do meu ser, naquele momento, respirava Emma. Agora seria só nos duas e ninguém mais dali em diante. Só eu e Emma.
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