Não há outro amor para mim.

38 Ganho um bracelete romantico.


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. De volta com mais um capítulo dessa fanfic. O capítulo de hoje resume-se em família e natal. Atentem para o presente que Emma vai dar a Regina e o que está escrito nele. Façam uma boa leitura.


Na quinta-feira antes da véspera de natal, Emma e eu terminamos de arrumar a casa, colocando todos os enfeites que faltavam pelos cômodos para receber nossas famílias. Papai e Zelena chegariam de Portland no mesmo dia em que Mary e David viriam de Nova York, portanto, depois do trabalho, fui busca-los no aeroporto.

Emma me encontrou por lá com nosso outro carro, para não ficar apertado levar todo mundo num só. Quando os voos chegaram, quase que no mesmo horário, por muita coincidência, recebemos nossas famílias cheias de saudade.

Papai estava parecendo um urso com seu sobretudo de inverno, pois em Portland a neve estava que era uma coisa de louco, como ele dizia. Fiquei andando ao lado dele, abraçada ao seu casaco, enquanto ele me perguntava um monte de coisas sobre Los Angeles. Zelena que vinha logo ao nosso lado ainda estava impressionada com o tamanho da cidade que viu lá de cima do avião. Ela também estava muito curiosa para conhecer alguns lugares tradicionais de L.A. e eu prometi que Emma levaria todos no dia seguinte para um grande passeio enquanto eu ia trabalhar.

Da mesma forma, atrás de nós vinha Emma e seus pais que também estavam vestidos com pesados trajes de inverno. Nova York era uma das cidades mais geladas no inverno, eu podia imaginar como era viver naquele lugar apesar de ser lindo. Sei disso porque noticiava sempre algo de Nova York no U.S.A News, e estava pensando em viajar para lá com Emma, mas eu já havia comprado as passagens para um outro lugar. Eles estavam muito contentes em ver Emma, já fazia dois anos que minha mulher não os visitava, por isso, Mary e David eram só sorrisos para a filha única deles. Mary me disse que tinha feito um presente para nós e eu estava ansiosa para vê-lo já que eu sabia que minha sogra tinha bom gosto

Em nossa casa tinha lugar suficiente para todos dormirem, e eu jamais deixaria que minha família ou os pais de Emma fossem para um hotel. Mas apesar disso, nossas famílias trouxeram poucas coisas em suas bagagens. Eu não tive muito trabalho para levar as malas para os quartos do andar de cima quando chegamos em casa.

Depois de mais alguns abraços de saudade que recebemos, mostrei a casa para minha irmã que ainda não conhecia bem o lugar. Linguaruda como era às vezes, Zelena não deixou de fazer sua crítica sobre o espaço da casa, mas eu sabia que ela falava aquilo porque estava acostumada com o tamanho da nossa mansão em Portland.

— Regina, a sua casa é linda, muito aconchegando e tudo mais, tudo bem que a mamãe e a Mary ajudaram a decorar. É tudo bem bonito, só que... Você não pensa em se mudar para um lugar maior? Uma mansão? Há tantos bairros bons aqui em Los Angeles, você tem dinheiro para isso.

— Não, Zelena, Emma e eu estamos bem aqui, essa casa é o que sempre sonhamos e mais do que isso é exagero. — contei a ela, entrando no meu quarto, tirando a parte de cima do meu terninho, ela me seguia.

— Exagero é você não desfrutar do conforto que pode ter. Nem viajar você viaja com sua mulher. É muita perda de tempo.

— Não viajava, agora as coisas mudaram, irmãzinha. — me virei para ela, jogando o terno amassado em seu colo enquanto ela se sentava numa das poltronas perto da janela. — Depois de amanhã estarei de folga por quinze dias. Vou com Emma para um lugar lindo.

— Jura?! Para onde vão?

— Bariloche, Argentina. — disse eu, abrindo um sorriso satisfeito para minha irmã.

— Oh, meu Deus! — Zelena pôs as mãos na boca. — Será que tem um espaço na mala de vocês para mim?

Eu ri de minha irmã e fiz que não.

— Claro que não. Não dessa vez, Zelena. Eu quero que essa viagem seja nossa segunda lua de mel. Nas próximas férias, com mais tempo, eu prometo que levo você até para o Japão se quiser.

Minha irmã riu, parecendo ter entendido minhas intenções com Emma nessa viagem. E por pouco Emma não aparece bem no momento em que falávamos disso. Minha esposa surgiu na porta do quarto de súbito, quase me dando um susto.

— Hey, meninas, sei que estão matando as saudades, mas eu preparei algo para todos jantarem, vamos?

— Oba! Eu estava mesmo para perguntar se não tinha nada para beliscar, aquela comida do avião estava terrível. — reclamou Zelena, se levantando da poltrona e saindo do quarto.

Emma andou até mim e beijou meu pescoço.

— Seu pai está lá em baixo todo animado porque trouxe um vinho pra gente. Vem, só falta você.

— Eu já vou, minha vida, pede pro pessoal me esperar só mais um pouquinho. Eu preciso tomar um banho rápido. Em dez minutos eu desço. — selei sua boca devagar e fui para o banheiro, disfarçando e torcendo para que minha mulher não tenha escutado nada sobre a viagem. Seria uma surpresa e meu presente de natal para Emma.

— Tá, mas não demora.

— Não vou demorar. Distraia eles contando sobre o seriado. — sugeri e Emma fez que sim, saindo em seguida.

Antes de descer para a sala de jantar, peguei na minha pasta as passagens compradas da viagem e as enfiei em um envelope vermelho, para coloca-las debaixo da árvore de natal. Felizmente o pessoal estava distraído demais com as coisas que Emma contava sobre as gravações, especialmente os imprevistos que ocorriam e também sobre o garotinho que era seu filho no seriado, desse jeito, cheguei de fininho na sala e coloquei o envelope escondido entre os outros presentes.

Eu finalmente apareci na sala de jantar e todo mundo comemorou, meu pai muito mais porque queria que eu fosse a primeira a experimentar o vinho que ele trouxe.

— Papai, devia deixar o vinho para a ceia de natal. — falei, vendo ele encher uma taça para mim.

— Não se preocupe, minha filha, tem mais uma garrafa de onde veio essa para tomarmos na ceia. — ele disse.

Emma e David se animaram. Eles dois adoravam os vinhos da adega de papai.

— Ah, eu realmente senti falta dos bons vinhos da sua adega, Henry. — disse David.

— Não se preocupe, David. Sempre que possível enviarei um exemplar do seu favorito para sua casa. — falou papai, gentilmente.

Era muito legal ver como meu pai se deu bem com David desde quando se conheceram, e na época em que mamãe estava viva era muito bom ver ela e Mary Margaret trocando ideias. Ali na mesa com todos nós faltava ela. Eu sabia que seria um natal divertido com todos, mas ela nunca deixaria de fazer falta.

Me sentei ao lado de Emma e meu pai na mesa, minha esposa estava logo perto de Mary. Demos muitas risadas enquanto jantávamos e conversávamos. Tínhamos muita conversa para colocar em dia.

Quando nos demos conta, já era bem tarde. Pongo, que demorou mas se familiarizou com as visitas, já estava dormindo em sua cama no canto da sala. Nos despedimos de todo mundo e fui a primeira a subir para me deitar.

Fiquei esperando por Emma na cama, pensativa, sobre algo que havia ocorrido alguns dias antes. Na nossa última visita ao orfanato, finalmente conheci Henry, o garotinho que perdeu os pais em um acidente e me chamara a atenção. Ele era arredio, bem mais do que eu achava, porém, era sensível de um jeito que eu também não esperava ver. Tê-lo deixado chorar no meu ombro não foi algo que planejei, mas se eu estivesse no lugar dele, tudo o que eu iria querer num momento daqueles seria um abraço. Eu não queria admitir, mas estava ansiosa para conversar com aquele garoto de novo e saber por quê ele fugiu de mim tão assustado. Eu não podia ser tão ruim assim com crianças ao ponto de assustá-las, se é que assustei Henry. Mas, agora, acho que não verei Henry tão cedo.

Emma chegou no quarto e eu é quem me assustei porque estava distraída.

— Pronto, todos estão nos quartos. Amanhã eu os acordo bem cedo para irmos passear. Sabe que esse vinho que seu pai trouxe me deixou um pouco tonta? — dizia ela, tirando a roupa. Eu via Emma ficar quase nua de um ângulo privilegiado da cama.

— Quem mandou tomar quatro taças cheias? Sua mãe conseguiu controlar o seu pai, mas você não parava.

— Estamos em casa, meu amor, não poderia acontecer nada.

— Você poderia ter deixado para beber mais depois de amanhã, até porque vamos comer muito. — falei, a observando.

Emma cruzou o quarto de calcinha e sutiã, indo até o closet para trocar a parte de cima por uma blusa fina que gostava de usar para dormir. E pelo visto, ela sentia calor para vestir tão pouco.

— Eu estou bem, docinho. Só um pouco tonta. — ela respondeu, saindo do closet e emendando para o banheiro. Ouvi o barulho da escova de dente.

— Só tonta... Sei.

Ela terminou e saiu do banheiro, desligando as luzes. Mergulhou para debaixo das cobertas na cama quase se atirando em cima de mim. De repente apareceu me agarrando e me enchendo de beijos.

— Emma, eu sei que está feliz porque seus pais estão aqui... — Eu ria um pouco do jeito apressado dela.

— Estou muito feliz mesmo. E você está feliz também, não?

— Sim, muito. Mas eu preciso dizer uma coisa a você.

— O quê?

— Precisamos dormir.

— Ah, não. Ah, não, não sem antes te dar um beijo bem aqui — ela, suspendeu a blusa do meu pijama e beijou bem acima do umbigo. Isso sempre me deixou louca. Mordi os lábios, tentando me segurar. Realmente Emma tinha bebido além da conta no jantar e estava animada, só que do jeito que ela queria fazer aquilo comigo, eu já podia prever que acordaria a casa toda.

— Meu amor, eu tenho que acordar cedo amanhã. — resmunguei, mas Emma não parava.

— Eu acordo você, deixa comigo. — ela disse de um jeito sacana. Eu sabia que aquilo não daria certo.

Bem, acabei me deixando levar pelas carícias de Emma e me controlei ao máximo para não gemer alto demais. Mas veja, Swan nem conseguiu saciar seu fogo comigo, pois quando achou um lugar confortável para se encaixar entre minhas coxas para retirar minha calça de pijama, o sono falou mais alto e ela adormeceu bem ali. Só me restou rir quando me dei conta do que tinha acontecido. O vinho que meu pai nos ofereceu no jantar não era assim tão poderoso.



Pela manhã, levantei antes de todos. Eu ainda teria de ir trabalhar nesses últimos dois dias, o que era desanimador porque aproveitaria muito pouco com meu pai, irmã e sogros.

No meio tempo em que eu me aprontava, Emma se levantou e fez o mesmo que eu para ir preparar o café da manhã das nossas visitas. Ela me deu um beijo e pediu desculpas pela “tonteira” da noite passada, mas levei numa boa.

Eu desci algum tempo depois, vestida para o trabalho, esperando ver meu pai e irmã já acordados mas, no entanto, somente Emma e Mary estavam na cozinha conversando.

Eu caçava meu relógio de pulso pela sala quando escutei Mary perguntar:

— Você acha que ela mudou?

— Sim, Regina mudou. Mudou por minha causa, mãe. — Ouvi a voz de Emma responder.

Elas falavam de mim, então não resisti. Me aproximei do portal da cozinha e fiquei ali atrás percebendo a conversa das duas ficar cada vez mais séria.

— Mas mudou para bem, ou para mal?

— Para bem. Ela me disse que está tentando com todas as forças me entender, está frequentando comigo o orfanato, temos passado momentos ótimos juntas. É como se ela estivesse mais aberta ao casamento. Não que não estivesse antes, mas ela não parece obrigada a fazer as coisas que eu queria.

— A crise veio e vocês duas souberam vencê-la. Todo casamento é assim, Emma, cheios de altos e baixos. Não poderia se esperar menos de vocês duas, porque você sabe, o namoro que tiveram foi breve e só depois de casadas é que começaram a se conhecer mesmo. — Mary Margaret disse.

— Nos conhecemos em muita coisa. Eu não sabia que ela não queria adotar.

— Essa era uma das questões que deviam ter discutido antes de se casarem.

— Eu sei. Mas, mãe, se não é para adotar uma criança com a Regina, eu não vou adotar com ninguém. Já desisti uma vez de levar isso adiante, porém com as nossas brigas essa história voltou. E ainda mais essa personagem que eu interpreto agora. Ela é mãe, ela precisa do meu lado maternal em cena. Como a Regina disse: É como se eu não estivesse interpretando, a personagem sou eu.

— E se ela continuar não querendo, o que você vai fazer?

— Aceitar. — Senti a voz de Emma fraquejar. — Eu amo ela, mãe. Mesmo que me decepcione, eu não vou conseguir deixar de gostar dela.

— Oh, minha querida — Mary pareceu consolar Emma. — Ela também deve amá-la de todo o coração, por isso mudou.

— Nós brigamos há alguns dias e ela me disse que estava cansada de algumas coisas que eu fazia. Eu nem percebia que estava agindo de um jeito ridículo com ela. Me senti péssima, ainda bem que ela me perdoou. E teve um outro momento na semana passada que me deixou surpreendida.

— O que foi?

— Estávamos no orfanato. Eu fui falar com algumas crianças e ela estava ali por perto. Eu acho que me distraí em um momento, depois a procurei e vi que ela conversava com um garoto. É um menino que chegou no orfanato recentemente.

— E o que aconteceu? Ela fez alguma coisa para o garoto?

— Fez. Mas nada que eu pudesse imaginar. Você tinha que ver, ela o abraçou, ficou um bom tempo abraçada com ele, como se o conhecesse há muito tempo. Eu não sei, mãe, mas eu sinto que se um dia Regina quiser ser mãe, ela vai ser ótima.

Me afastei de perto da parede e lembrei da cena. Henry chorando porque tinha se lembrado dos pais e eu o consolando. Então Emma tinha visto. Agora eu não sabia se devia comentar com ela sobre isso.

— Minha repórter favorita já está acordada...

Ouvi alguém dizer e me virei. Papai vinha do andar de cima. Sorri para ele.

— Papai!

Dei-lhe um abraço apertado e perguntei:

— Dormiu bem?

— Oh, sim, muito bem. Já vai para o trabalho?

— Daqui a pouco, eu ainda vou tomar o café da manhã com vocês. Zelena não levantou ainda?

— Eu não sei, querida. Ela deve estar no quarto.

— Ah, deixa aquela dorminhoca descansar. Vem, vamos comer alguma coisa. — me enrosquei no braço de Henry Mills e fomos para a cozinha.

Encontramos Mary e Emma e se estavam conversando sobre o assunto de antes, interromperam naquele momento. Emma se levantou para puxar uma cadeira para mim e papai. Mary nos cumprimentou e colocou café com leite numa xícara para nós dois acompanharmos ela. Perguntei de David e minha sogra disse que ele havia saído para passear com Pongo.

Passei o café da manhã inteiro ao lado de Emma, a olhando e distraída, pensando no que ela havia falado de mim para Mary antes de eu aparecer. Zelena acordou alguns minutos depois e nos encontrou, reclamando que tinha tido pesadelos, mas que no geral havia dormido bem no outro quarto de hóspedes. Demos risadas dela.

O restante do meu dia foi de trabalho, mesmo que estivesse especialmente bem humorada. Cheguei na MBC, apresentei o jornal, os boletins de notícias pela tarde e no final ainda me chamaram para uma confraternização com o elenco de jornalistas da emissora. Fim de ano era sempre a mesma coisa, por pouco não esqueci o presente do meu amigo secreto que esse ano era o nosso tão paciente diretor.

Feito isso, voltei para casa de noite e encontrei minha família me esperando para o jantar. Emma levou todos para conhecer melhor a cidade. Mary tinha vindo a L.A. apenas uma vez e não teve tempo de conhecer muita coisa. Ela estava absolutamente encantada. Zelena e ela compraram um monte de lembranças em Hollywood. Meu pai tirou muitas fotografias com sua câmera profissional e David tinha gostado da calçada da fama. Ele até perguntou à Emma quando ela iria ganhar sua estrela, deixando-a encabulada. Como eu já conhecia aquilo tudo só me restou ficar muito contente. Mas o melhor ainda viria no dia seguinte, eu estava ansiosa.



Na manhã da véspera de natal, eu estava dando graças aos céus por estar de folga. Emma disse que me levantaria cedo, só que me deixou dormindo um pouco mais.

Me levantei quando eram onze da manhã, sentindo o cheiro de comida de natal dominar a casa até o segundo andar. Quando desci, descobri que Mary tinha expulsado Emma da cozinha e decidira fazer tudo a contragosto de minha esposa.

Enquanto Emma levou os outros na Parada de Véspera de Natal no centro da cidade, ajudei minha sogra a terminar a refeição de mais tarde. Enquanto conversávamos sobre várias coisas, quase disse a ela que eu havia escutado a conversa que ela e Emma tiveram ontem, porém, não tive tanta coragem de falar sobre isso, embora Mary tenha me falado de sua filha naqueles instantes ali com ela.

— Sabe, Regina? Houve um dia em que quase peguei um avião para cá e vim ver Emma. Eu disse a ela ontem que em casamentos, ainda mais precoces como o de vocês, discussões e desentendimentos ocorrem. É muito natural. Mas imagine como eu fico preocupada. Estando em Nova York tudo parece mais difícil. Eu queria dar um colo para minha filha, uma palavra que a ajudasse, e, então, eu percebi que não poderia fazer isso, esse era um problema que ela devia encarar sozinha.

— Pois saiba que em vários desses momentos, eu dei tudo para ter minha mãe por perto. Por outro lado você está certa, talvez devêssemos encarar os fatos sozinhas como fizemos.

— Posso fazer uma pergunta a você, Regina? — Mary terminou de aprontar uma sobremesa e me olhou firme.

— Não só pode como deve. — respondi.

— Você acredita que conseguirá realizar o que Emma mais quer?

Sabia que acabaríamos caindo nessa questão.

Respirei fundo e olhei Mary nos olhos.

— Não sei responder se vou conseguir ou não, eu só sei que estou tentando, Mary. Com todo o meu coração, eu estou.

— Independente do que você escolher, Emma vai continuar amando você. Tenho certeza que sabe disso, não é?

— Eu também a amo, mais do que tudo na minha vida.

Me virei para Mary não ver meus olhos vermelhos, fingindo ir fazer outra coisa.

Apesar de conseguir falar sobre o assunto com naturalidade, por alguma razão eu sempre me abalava.



De noite, nos aprontamos para cear. A mesa da sala de jantar ficou linda, deu até pena de desmanchar a refeição. Mesmo assim depois de um breve agradecimento pela mesa farta e nossa pequena família reunida, devoramos boa parte da comida e demos muitas risadas relembrando algumas músicas de natal que estavam tocando em um CD que David comprou e trouxe para a ocasião. Meu pai abriu a outra garrafa de vinho e parecíamos uma família numerosa e feliz. Estava divertido ouvir as estórias de natal que Emma começou a lembrar. Certamente, toda aquela conversa daria num filme. Nos lembramos até da desfeita que mamãe fez à Emma no primeiro natal que passamos juntas. O bom era que Swan tinha superado isso.

Por fim, meia-noite chegou e já podíamos abrir os presentes. Emma se agarrou em mim por trás e me entregou o dela(o principal pois haviam vários dela para mim).

— Feliz natal, minha vida. — ela disse, colocando nas minhas mãos o embrulho onde dentro havia uma caixa com a joia. Um bracelete de ouro escrito “There’s no other love for me” e embaixo meu nome e o dela gravados.

Peguei o bracelete com todo o cuidado e não acreditei, era absolutamente lindo. Curiosamente, eu estava usando o colar que Emma me deu no nosso primeiro natal juntas. Eu me virei e a enchi de beijos. Como eu poderia agradecer a uma coisa tão linda quanto esse presente?

— Gostou? — ela perguntou, tocando meus cabelos.

— Eu amei, não esperava por isso, Emma, é lindo! — disse olhando-a toda boba.

Ela colocou o bracelete em mim e ficou ótimo. Tinha sido feito sob encomenda e ela não quis me dizer quanto custou, mas sei que foi caro. Depois, eu também achei uma besteira querer saber quanto foi, porque o meu presente certamente iria impressioná-la tanto quanto.

Papai achou a cena tão bonita entre eu e Emma que bateu uma fotografia com sua câmera, nos pegando desprevenidas. Depois disso, minha mulher foi para debaixo da árvore de natal e distribuiu os presentes. Meu pai ganhou gravatas de todo mundo, isso foi muito engraçado. Mary deu para nós uma escultura em gesso de dois anjos se abraçando, ela mesma que fez e disse que era uma peça exclusiva, a única que a galeria de artes de Nova York não tinha dela. Minha irmã, me deu camisas Polo que eu gostava de usar quando tinham dias mais quentes em L.A. e David me deu um cachecol do New York Yankees, o time de baseball que ele e Emma gostavam de acompanhar. Emma e eu escolhemos comprar roupas e perfumes para todos. Ficava mais fácil assim do que escolher outra coisas.

No final, sobrou o envelope com as passagens e Swan o encontrou.

— Este é o meu presente para você, meu amor. — eu disse, me aproximando dela na árvore.

— Mais um? Você já me deu uma bota, um perfume, chocolate, agenda, um celular novo, o que pode ser isso? — ela dizia, abrindo o envelope e me olhando.

— Ah, esse presente você vai gostar mais do que todos, cunhada. — avisou Zelena, carregando os embrulhos dela para o sofá.

— Meu Deus, o que será? — Emma ainda estava desconfiada, ficamos esperando ela abrir e ver o que achava. Assim que ela entendeu o que era o panfleto com as passagens pregadas, ficou boquiaberta. — Passagens para Bariloche.

— Emma, esse lugar é lindo! — disse Mary de onde estava.

— Eu assisti uma vez um programa de TV que falava desse lugar, realmente é muito bonito. — comentou David.

Sorri para Emma.

— O nosso voo é depois de amanhã, só falta você arrumar as malas. — eu disse.

— Não tô acreditando. — Ela se levantou e olhava as passagens, trêmula.

— Quinze dias, eu e você, meu amor. Vai ser maravilhoso.

Ela me abriu aquele sorriso outra vez, o mesmo sorriso que eu tanto amava nela.

— Quinze dias não é má ideia. — Emma fez uma cara engraçada, nós rimos. — Eu não esperava por isso, Regina.

Minha mulher veio até mim e agradeceu com outro beijo.

Flash!

Outra foto que papai tirou de nós e essa ficou lindíssima. Eu estou pensando em mandar imprimi-la.

Embora mamãe não estivesse presente e eu ter me lembrado dela o tempo todo naquela noite, era como se eu pudesse sentir sua presença também. Fiquei um pouco triste no final por ter me recordado dela.

Me afastei um pouco do pessoal e fui para o quintal deixar os petiscos que compramos para dar a Pongo de presente. Fiquei olhando pro céu, parada na grama do jardim. Senti uma vontade imensa de chorar. Eu sabia que era por mamãe, mas algo mais estava me fazendo chorar. Limpei meu rosto com a manga da blusa, quando senti algo sobre um dos meus ombros.

— Papai? — Achei que fosse meu pai, mas ao me virar, vi Emma.

— Hey, que que houve? — ela me puxou para seus braços e me confortou neles com todo o carinho. — Você saiu da sala de repente.

— Sinto falta da minha mãe. — disse, limpando mais o canto dos olhos. — Todo natal é assim, sempre vou me lembrar dela.

— Eu sei. — Emma alisou minhas costas e beijou meus cabelos. — Mas não fica triste, ela não morreu, ela vai sempre existir enquanto se lembrar dela.

Ergui meus olhos, assustada. Me lembrei de ter dito quase a mesma coisa para o garoto Henry no orfanato.

— Sim... — sussurrei, repousando meu rosto no peito de Swan. Apertei seu corpo com todas as minhas forças. Acho que o que não chorei na frente do garoto naquele dia resolveu sair nesse instante. Para minha sorte, Emma me compreendia, me oferecendo todo carinho. Novamente ergui meus olhos para ela e pedi: — Emma, eu posso pedir uma coisa a você?

— Tudo. — ela falou cheia de ternura no olhar.

— Vamos esquecer de tudo enquanto estivermos viajando. De tudo. Nossos problemas, trabalho, nossos medos... Só eu e você. Vamos pensar somente em nós duas.

Minha mulher sorriu e assentiu.

— Só eu e você. — ela pegou no meu pulso e me mostrou o bracelete com aquela frase. — Independente de problemas e medos. Só você.

Notas finais
Há uma ligeira impressão de que Regina melhorou seu lado emocional de uns tempos para cá, mas ainda é uma pessoa muito sensível. Será esse é seu maior problema? O que se esperar da viagem delas? Um beijo para as comentaristas, as novas leitoras e até para quem acompanha escondido, hum... KKK Amo todos vocês. Logo menos tem mais, meninas. Fiquem bem.