Não há outro amor para mim.
11 Conheço os Swan.
Notas iniciais
Depois de ser pega totalmente desprevenida pelo pedido de Emma e aceitar me casar, senti que aquele momento marcaria uma grande mudança na minha vida. A princípio nossa alegria não nos deixava pensar muito. Naquela madrugada rimos, rolamos na cama e nos beijamos até o amanhecer, foi aí que começamos a entender, ou melhor, Emma teve noção do que havia me pedido.
Talvez ela já planejasse me pedir em casamento, mas eu me perguntava se aquilo não estava acontecendo só por conta da saudade que sentia por estar distante de mim, afinal, como ela mesma disse: Não queria me perder. Casar não significava apenas oficializar meu romance com minha namorada, era algo bem mais sério que isso. Tive medo de estar sonhando e quando acordasse, desse de cara com o travesseiro de Emma nos meus braços, estando completamente sozinha naquela cama. Minha ficha não caiu fácil, eu levei algum tempo para entender o que estava acontecendo conosco, e para minha surpresa, sim, havia uma aliança no meu dedo direito, Emma esteve ali o tempo todo e me olhava com aqueles seus dois olhos verde escuros com um carinho tão grande que me fazia sentir um estranho calor dentro do peito. Só senti coisa parecida a primeira vez que nos beijamos no parque e novamente quando dançamos na boate.
Como um flash, um filme do nosso namoro (que completaria sete meses em breve) passou pela minha mente. Foi engraçado, mas ao mesmo tempo incrível como tudo foi acontecendo depressa conosco, então perguntei, depois de refletir um pouco:
— Você tem mesmo certeza disso?
— Absoluta. — ela disse me olhando mais séria dessa vez. — Eu sei que você não esperava. Na verdade nem eu havia pensado nisso até você aparecer lá em L.A. aquele dia. Pensei muito e percebi que não devia perder essa chance. A gente se ama e é bem maior do que eu imaginava.
— Não acha que é uma ideia equivocada?
— Você acha que é uma ideia equivocada? — ela rebateu a pergunta.
Voltei a pensar.
— Não.
— Então... Não está desistindo, está?
— Claro que não estou, eu só não consigo acreditar ainda, é bom demais para ser verdade. — eu disse.
Emma me deu mais um sorriso meigo, beijou minha testa.
— Ainda bem, porque se você desistisse eu acho que morreria. Vim a viagem inteira temendo você dizer um não.
Ri um pouco quando ela falou isso.
— E você achou mesmo que eu não iria aceitar?
— Bem, você poderia estar num dia ruim, vai saber...
— Só se eu estivesse muito louca. É tudo o que mais quero.
Vi seus olhos lacrimejarem por alguns segundos. Como ela é linda quando fica emocionada!
— Te amo. — disse baixinho, para então me abraçar de novo e encher meu rosto de beijos e afagos.
Naquele domingo, após o almoço, fomos até minha casa e contamos a novidade aos meus pais e minha irmã. Mamãe gostou e inventou que devíamos fazer uma festa de noivado, mas eu e Emma não concordamos, até porque com certeza, Cora chamaria seus parentes que torceram o nariz para nossa família depois de saberem que eu havia me assumido e aquilo me incomodava. Meu pai ficou emocionado como o esperado e deu um abraço tão forte em Emma que jurei que ele quebraria suas costelas. Ele gostava muito dela, fora empatia à primeira vista desde o natal quando eu a apresentei. Com Zelena a mesma coisa, e minha irmã até brincou conosco dizendo que se Emma me magoasse em algum momento, não sobraria pedaços dela para contar história.
A partir dali, tínhamos muita coisa para pensar. Emma queria que o casamento acontecesse assim que as gravações de seu filme acabassem, o que estava previsto para o final de julho. Nós duas não nos importávamos com uma cerimônia cheia de pompa e circunstância, especialmente Swan que preferia apenas oficializar no cartório, porém, mamãe insistiu muito para que fizéssemos algo nos jardins da mansão. Seria algo como uma recepção para os amigos mais íntimos de minha família e os de Emma – no caso o pessoal do teatro e seus pais que vinham de Nova York.
Nas duas semanas seguintes, meu casamento com Emma já não era mais novidade para ninguém em Portland; mamãe contou que estava organizando o casamento para todas as suas amigas, meu pai falava que a filha estava noiva até para seus clientes e minha irmã dizia que eu ia me casar com uma atriz de Hollywood para todos os seus colegas do curso de francês. E não adiantava reclamar, eles pareciam mais ansiosos do que eu. No trabalho, contei aos meus colegas mais próximos e ao Killian que se prontificou em ser o padrinho, pois ele havia nos apresentado, sendo assim o nosso cupido. Emma e eu gostávamos muito dele, seu único defeito era ser mulherengo, mas sempre foi bom amigo e estava há mais tempo que eu no jornal, já havia aliviado muitas barras para mim ali. No final das contas, Killian iria nos agradecer e o papel de cupido seria invertido (Logo mais você irá entender o que estou falando).
Mesmo feliz, o que eu queria, bem lá no fundo, era ter Emma por perto para me ajudar com os preparativos. Ela deixara tudo em minhas mãos, dizendo confiar em mim para esse tipo de coisa. Então, mesmo que ela viesse uma vez a cada quinze dias ao Oregon, eu ainda me sentia carente. Sempre que ela vinha, não gastávamos tempo falando do casamento, nós queríamos matar as saudades, então não havia tempo para pensar em outra coisa. E essa era uma parte que sempre gostei no nosso namoro/noivado, o fogo que sentíamos uma pela outra só aumentava, independente da fase que vivíamos.
Bem mais rápido do que eu imaginava, julho chegou e Emma voltou à Portland. Àquela altura, minha mãe marcara a data do casamento para o dia 30 e nós ainda nem tínhamos escolhido os vestidos de noiva.
Certa noite lá pelas sete, a gente se pegava na cozinha depois de Emma ter tido a ideia de pedir pizzas para a janta. Depois que cheguei para atrapalhá-la ela não conseguiu me evitar, nós estávamos impossíveis naquele época do relacionamento, qualquer coisa era motivo para sexo. Minha loira começou a alisar minha perna, já que eu vestia um short bem curto. Logo em seguida, suas mãos subiram pela blusa tamanho M – que a propósito era dela por adorar vestir tamanhos maiores quando ficava em casa – e me alisava de baixo para cima, até a hora em que decidiu tirá-la de mim, me deixando praticamente nua. Pelo visto, eu seria a “sobremesa” antes do jantar. Emma veio descendo com sua boca pelo meu ombro, me deixando louca quando ouvimos a campainha soar. Olhamos uma para a cara da outra pensando se já era a pizza que havíamos pedido, mas era de se estranhar, pois no telefone o atendente nos disse que demoraria no mínimo meia hora para chegar. Ele poderia estar enganado, então pensando nisso, Emma me deixou na cozinha e foi atender a porta. Fiquei esperando em cima da mesa o maior tempão enquanto ela estava na sala e eu ouvia vozes. Não era possível que uma pessoa demorasse tanto para pagar uma pizza. Fiquei invocada com a demora. Foi então que ouvi o barulho da porta se fechando e andei até a sala.
— Se você demorasse mais um pouco não ia comer a sobremesa antes do jantar, baby... — disse eu enquanto cruzei de um cômodo para o outro.
De súbito vi minha noiva, uma outra mulher, e um homem logo atrás. Eles tinham bolsas de viagem nas mãos e me olhavam tão espantados que a mulher deixou uma delas cair no chão.
— Regina! — Emma gritou vindo em minha direção e me cobrindo, só então me dei conta do que eu tinha feito... Eu estava sem camisa. Não foi uma boa ideia ter saído da cozinha daquele jeito. Realmente me esqueci.
Emma e eu, mais do que depressa nos enfurnamos de novo na cozinha para pegar a camisa que eu vestia antes, nisso perguntei:
— Quem são essas pessoas que estão na sala?
— Meus pais. — respondeu.
— O quê?!?
— Desculpa não ter te avisado, eu me esqueci que eles iriam chegar hoje. — explicou Emma toda errada.
— Você sabia?
— Eles vieram para o casamento.
— Ai meu Deus, Emma!
Entrei em pânico. Minha sogra e meu sogro estavam na sala e ainda por cima dei-lhes uma bela recepção. (Talvez eles estejam traumatizados até hoje com essa cena.)
— Venha, vou te apresentar a eles...
— Não! — disse puxando-a pelo braço. — Não posso, olha só o meu estado e eles devem estar pensando horrores de mim.
— Calma, meu amor. — Emma riu-se de leve. — Claro que não, vem, eles querem te conhecer.
— Você tem certeza? — eu já estava roendo as unhas.
— Absoluta. Vem...
Ela me puxou e então – agora vestida – aparecemos na sala.
A mulher que Emma disse ser sua mãe era mais baixa que a filha, rechonchuda, tinha cabelos curtos escuros, olhos claros e as maçãs do rosto eram idênticas as de Emma. Elas se pareciam de certa forma. Seu nome era Mary Margareth, isso eu sempre soube. Chegando perto dela, estendi minha mão e a cumprimentei. Mary ainda de pé me deu uma olhada da cabeça aos pés.
— Olá, senhora. — eu disse, sem coragem de olhar muito para ela. Eu fiquei muito envergonhada, certamente estava com a cara da cor de um tomate.
— Mamãe — Emma disse tocando meus ombros logo atrás. — Essa é a minha noiva, Regina.
Mary demorou, mas sorriu educadamente.
— Olá, Regina. — ela disse, apertando minha mão bem firme. Eu jurava que iria me fuzilar com o olhar depois do que viu, mas não foi esse o caso. — Finalmente fomos apresentadas.
— Ah, pois é. É um prazer... eu preciso pedir um milhão de desculpas pelo o que acabou de ver, eu não sabia que estavam chegando, eu juro que não esperava. — tentei me explicar.
Mary levantou as mãos para os lados como se fosse inocente.
— Imagine se vou me intrometer nesse, digamos, assunto que vocês duas estavam tratando antes de chegarmos. Eu é que peço desculpas pela invasão. — ela brincou, franzindo suas sobrancelhas em cima de um olhar simpático.
— Chegamos na hora errada ao que parece. — falou o homem que veio de trás para apertar minha mão também. Este era David Swan, o pai de Emma.
David era alto, esbelto, tinha a pele rosada como a de Emma às vezes, os olhos eram azuis claros também, e seus cabelos grisalhos davam indícios de que já haviam sido loiros um dia.
— Claro que não, eu é que esqueci que vocês estavam chegando, como é que a Regina ia adivinhar. — disse Emma. — Não é, meu amor?
— Não se preocupe, Regina, garanto que não vimos nada. — David também brincou.
Acabei rindo. Depois eles riram de mim e ficou tudo bem.
A pizza chegou e óbvio que todos nós estávamos com fome. Durante o jantar os Swan me fizeram muitas perguntas, mas nada que me intimidasse. Acho que Emma já havia contado absolutamente tudo sobre mim, pois me perguntaram coisas sobre o jornal e da nossa época de namoro. Os pais de Emma eram pessoas mais doces do que eu imaginava. Mary era o oposto de minha mãe e David era tão simpático e amistoso quanto meu pai, os dois se dariam bem. Eram um casal da classe média com um jeito bem simples e ver isso para mim era novidade. Os dois não criaram Emma com os mesmos luxos que eu tive, mas fizeram o possível e o impossível para que ela fosse feliz enquanto estivesse com eles. Era bom ver o relacionamento dos três e minha loira matou as saudades que sentia e andava reclamando.
Os Swan passariam aquela semana em Portland como Emma havia dito, hospedados no apartamento. Dessa forma, os convidei para um jantar na mansão para reunirmos as famílias antes do grande dia que estava chegando.
Quando disse à mamãe que Mary Margareth e David iriam jantar conosco, Cora preparou um banquete. Minha mãe tinha dessas de fazer algo sempre exagerado para receber as pessoas que iam lá em casa.
Como eu pensava, meu pai e o de Emma se deram muito bem. Falaram sobre esportes, negócios e descobriram um gosto em comum sobre corridas de fórmula 1. Mamãe recebeu Mary com aquele jeito peculiar que tinha, mas nem por isso rude e mal educada e, lembrando que ela era uma artista plástica, tinham gostos também parecidos em alguns aspectos.
Papai deixou o senhor Swan escolher um vinho da adega para saborearmos durante o jantar. Nós bebemos, comemos e rimos como uma família numerosa e feliz. Meu pai na cabeceira da mesa se divertia contando histórias da minha infância e minha mãe dava corda. Eu odiava quando começavam com aquilo então vez ou outra tinha que esconder minha cara no ombro de Emma, de vergonha.
Quando terminamos de comer, Henry Mills fez um brinde ao casamento, agradecendo à Emma por me fazer feliz como ele conseguia ver nos últimos tempos. Depois disso, disse que tinha um presente para nós duas e que não poderíamos recusar.
Papai pediu licença e logo voltou com um envelope nas mãos. Assim que o peguei o abri meio nervosa de curiosidade. Emma leu antes de mim e ficou abismada.
— Uma casa! — conseguiu dizer.
Eu tive de olhar bem para aquilo e confirmar. Sim, papai havia nos comprado uma casa em Pacific Palisades, Los Angeles.
— Papai... Mas... — eu também fiquei boquiaberta com aquilo. O contrato da casa estava em nossas mãos. — Não posso acreditar que você fez isso.
Ele me olhou de um jeito muito doce e antes que começasse a chorar, pois era uma pessoa emotiva de mais, tocou a mão de mamãe para ela falar por ele.
— Considere o nosso presente de casamento. É o melhor que podemos dar a vocês. — falou Cora.
Ficamos evidentemente emocionadas. Os abraçamos e agradecemos muito. Com certeza foi o melhor presente que ganhamos.
Mais tarde naquela noite, véspera do grande dia, Emma e eu ficamos sozinhas no segundo andar. Fomos para meu quarto, onde dormiria pela última vez. Decidimos por fazer como mandava a tradição, não nos veríamos até a hora da cerimônia no dia seguinte. Conversamos um pouco, falamos do lugar que escolhemos passar a lua de mel e até dos vestidos que usaríamos, mas óbvio que não entramos em muitos detalhes se não daria azar. Emma estava ansiosa, pela primeira vez a vi daquele jeito. Suas mãos até suavam. Então, na hora de nos despedirmos ela me perguntou se eu a amava o suficiente para continuarmos. Não entendi, mas às vezes ela me perguntava mesmo sabendo que eu a amava.
— Eu amo você desde a primeira vez que te vi. — disse usando palavras dela.
— Eu também, é mais forte do que eu.
Ela tocava meu rosto e uma última vez antes de ir me deu um beijo caloroso, ao mesmo tempo terno.
— Vá... Descanse. Até amanhã. — disse antes que não conseguisse me despedir dela.
— Boa noite. — ela respondeu, soltando de mim.
— Boa noite.
Com um sorriso a vi sair do me quarto e me jogar um beijo da porta. Suspirei profundamente. Eu estava vivendo um sonho.
Agora precisava dormir e acordar só no dia seguinte, disposta a ser dela para sempre. Em algumas horas, eu estaria casada com ela, o amor da minha vida.
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