Não apenas um bromânce

1 Um milhão por Peter Parker


Notas iniciais
Oie gente, essa é a primeira long Spideypool que vou fazer, espero que gostem! O começo talvez seja meio chatinho, mas é necessário para o desenvolver, pode demorar um pouco para ter realmente Spideypool, mas é por isso que eu fiz os primeiros capítulos mais rápidos e curtos. Desculpem se deixei escapar algum erro! Qualquer coisa, me corrijam pelos comentários e também digam o que achara. Até o próximo capítulo! Beijos s2

Coringa: Se você é bom em alguma coisa, nunca faça de graça.

(Batman – O cavaleiro das trevas)

Wade Wilson

Olhei para o homem em minha frente e tive vontade de rir. Ele estava chorando compulsivamente e se tremendo todo, ajoelhado perante mim. Ele falava palavras desconexas enquanto, inutilmente devo ressaltar, tenta implorar para que eu o poupe da morte.

— E-eu, p-pago o quanto v-você quiser... – repetia gaguejando. – Por favor, por favor...

— Essa sua ceninha só faz as vozes se divertirem mais. – comento destravando a arma que estava em minha mão e apontando diretamente para a cabeça do homem chorão a minha frente. Ele arregala mais os olhos.

— V-vozes? Que vo...

— Porra – digo apertando o gatilho da arma e enfiando uma bala no meio da testa do homem, que cai inconsciente no chão, derramando sangue por todo o beco sujo onde estávamos. – Esse cara era um chato.

[Nem me fale, devia ter arrancado a língua dele fora]

{Sim, arrancado a língua e feito ele a engolir}

— Calem a boca vocês também, eu sou mercenário, não torturador. – guardo a arma no coldre da minha cintura e suspiro entediado. – Sinto falta de algo mais legal para se fazer, agora só mato esses bunda moles sem graça.

Ignoro mais comentários vindos das vozes e faço meu trajeto de sempre. Indo primeiro em direção a um carrinho de tacos e, depois de pegar os meus deliciosos tacos, vou direto para casa.

E por casa eu me refiro a um apartamento de classe baixa todo bagunçado. Como de costume, subo as escadas de incêndio, meio deterioradas pelo tempo, e adentro no meu apartamento por uma janela. Eu poderia muito bem ir pela porta da frente, mas ai seria mais sem graça ainda.

Dou um suspiro quando entro no apartamento, indo direto para o quarto, onde tiro todas as minhas armas e as coloco em cima da cama. Depois vou para o banheiro e com desgosto tiro o uniforme.

— Eu quero saber o porquê de eu ter feito um uniforme tão putamente apertado. – resmungo enquanto finalmente termino de tirar a calça apertada de uniforme.

Entro em baixo do chuveiro e tomo um banho rápido. Quando saio, é impossível não olhar para o espelho que havia em cima da pia.

Puta que pariu, será que eu estou ficando mais feio? – olho para o meu reflexo e sinto uma imensa vontade de chorar e rir.

[Com certeza está mais feio, é o fator de cura]

{Que fator que cura o que, ele é feio porque é feio}

[Feio é um apelido carinhoso para essa merda que ele tem na cara]

Mas que porra... Parem de falar como se não estivessem dentro da merda da minha cabeça. – bufo irritado. – Mas que merda eu fiz para merecer ser feio e louco?

Desisto de ficar ali e vou para o quarto, onde coloco uma calça de moletom e uma blusa de manga curta. Fico em uma grande dúvida de por ou não a máscara. Eu me incomodava e muito com a minha aparência, era uma coisa que eu não conseguia superar. Mas por outro lado, ela era abafada e eu estava sozinho.

— Que se dane. – vou para a sala e pego meus tacos e meu notebook. – Vamos ver quem está na lista negra...

Enquanto como meu taco, entro no site de matadores de aluguel, sempre havia gente ruim querendo matar pessoas piores ainda. E o melhor que matar um traste? Isso mesmo, ganhar dinheiro para matar um traste.

Olho para a imensa lista de pessoas idiotas e nenhuma me atrai. Sinceramente, essa vida já estava me enjoando. Era sempre a mesma coisa, caras que mexiam com quem não deviam, todos covardes e incompetentes, ai você ia lá e matava na maior facilidade. Era muito chato.

— Seria melhor trabalhar de prostituta. – comento terminando de comer meu taco e jogando o papel ao meu lado no sofá. Respiro fundo e continuo clicando no botão para ir para baixo. – Chato, chato, chato, chato, cha... Pera – Paro a tela e clico na foto de um adolescente de óculos segurando uma câmera. – Peter Parker... Esse nome não me é estranho.

Quando a página abre, passo rapidamente meus olhos pelas informações que constavam ali.

Peter Parker. Adolescente. Fotógrafo para o Clarim Diário.

— Parker! – exclamo abrindo um grande sorriso. Eu me lembrava, muito bem, de Peter Parker.

Ele era o fotógrafo que enchia de fotos do Homem-Aranha o jornal. Já o tinha visto na rua caminhando pela cidade.

[Sorte que não matámos ele naquela vez, agora vamos receber!]

{Esse vai ser o melhor trabalho, esse vamos torturar...}

Calem a boca...— cantarolei olhando melhor a foto de Parker. – Ele até que é bonitinho, se não fosse tão chato, eu comia.

Bom, vocês devem estar bem confusos, então vamos voltar um pouco no tempo para que vocês entendam melhor a história.

Essa história não começa desse jeito, começa com um belo dia de sol. Enquanto eu, com o meu corpo viril e esculpido por deuses, perambulava pelos espaços imundos de Nova York, me deparei com algo, ou melhor, alguém vestido em uma roupa vermelha e azul.

E eu sabia quem era, já tinha o visto no jornal e em outras coisas.

Homem-Aranha, o super-querido-herói de Nova York. Quando o vi subindo para o prédio que estava ao lado do meu, não hesitei em escalar as escadas de incêndio para subir no prédio também.

Quando cheguei lá em cima, vi a figura do Homem-Aranha de cócoras no parapeito do prédio. Devo salientar que seu corpo, naquela posição sendo, apertado tanto por aquele uniforme, era uma visão um tanto gostosa.

Ele olhava para toda a cidade. Não dei nem dois passos e o aranha já virou para trás e saiu do parapeito.

— É isso que chamam de sentido aranha? – perguntei humorado me aproximando dele.

— Quem é você? – perguntou sério.

Foi a primeira vez que eu ouvi aquela voz, e senti muitas coisas. Senti vontade de rir um pouco, aquela voz não era nem um pouco grossa, mas devido ao seu uniforme, eu não podia esperar muita coisa. Entretanto, senti uma coisa boa... Talvez tesão?

— Deadpool. – apresento-me estendendo minha mão na direção do aranha. – Mas pode me chamar de Wade, mas fica de bico calado, okay?! Wade é só para os íntimos. – dou uma piscada para ele, que apenas suspira e nem sequer retribui o meu aperto de mão.

[Tá na TPM. Certo]

— Acho que já ouvi falar de um mercenário idiota que veste fantasia e mata por ai, o nome era Deadpool... – falou e eu apenas gargalhei.

— Que fofo, já ouviu falar de mim. Mas, eu nunca peguei sua roupa emprestada para andar por ai de fantasia.

— E nem precisa, já tem essa coisa que você usa. – dou um sorriso. Ele podia não ter um super corpo, uma voz grossa ou usar algo mais decente, mas seu humor era algo que havia me atraído, e muito.

— Gostei de você, cabeça de teia. Acho que deveríamos montar uma equipe.

— Você ouve as coisas que você fala? – pergunta com uma voz abismada.

— Mas é claro que sim, não sou surdo.

— Tanto faz, devia arranjar coisa melhor para fazer, não sou um guia para você ficar me seguindo.

— Já estou vendo que alguém aqui está se achando de mais... Saiba que essa foi há única vez que eu segui você, e então... – encaro o aranha que me encara também, ficamos em silêncio.

— E então o que? – pergunta sem paciência.

— Qual é o nome da donzela por trás dessa máscara?

— Nome e sobrenome?

— Melhor ainda. – vejo o cabeça de teia subir no parapeito e depois virar novamente para mim.

— Vá. Se. Ferrar. – diz e depois se joga para trás, se pendurando pelos prédios com suas teias. Abro um sorriso ainda maior.

— Ainda vamos nos ferrar muito juntinhos, docinho...

Com certeza algo havia me atraído nele, não que eu soubesse responder, porque eu definitivamente não sabia a resposta certa. Eu só o achava um enigma muito engraçado e instigante.

Talvez eu sentisse um pouco de atração por ele também. O seu corpo bem estruturado naquele uniforme apertado era uma visão que eu gostava muito de ter.

Por isso passei a segui-lo muito. Adorava quando ele ficava bem irritado e me mandava para os altos – no sentido poético e literal das palavras. Era engraçado ver ele extremamente possesso quando eu o “ajudava” a salvar alguém ou o chamava de Baby Boy.

E foi ai que eu soube da existência desse babaca do Peter Parker. Todo santo dia tinha uma foto do Homem-Aranha no jornal, e adivinha, eram todas tiradas por esse adolescente idiota.

Parecia que ele seguia o Baby Boy em todos os lugares que ele ia. Só eu podia fazer isso.

[Você tá com ciúmes de um viadinho de spandex?]

{Mas que otário}

— Eu não estou com ciúmes de ninguém, okay? Só que o Cabeça de Teia é meu amigo, e ninguém enche o saco dos meus amigos, entenderam?

[Tá, aham, sei]

{Você é inacreditável}

[Ciúmes é tão idiota]

Revirei os olhos e decido ignorar as vozes na minha cabeça, me concentrando melhor no notebook a minha frente.

Era definitivamente grana – muita grana — fácil, um adolescente chato sem nenhum músculo? Poderia acabar com ele de olhos fechados. Mas ia continuar com a vida entediante, então o melhor a fazer é bolar um plano para deixar as coisas mais... Divertidas.

Finalmente uma boa desculpa para eu e o Garoto-Aranha montarmos uma equipe: Homem-Aranha e Deadpool, assassinos escarlates.

Sorri com toda essa ideia, e sorri mais ainda com a imagem mental de mim e o Aranha, lado a lado, com os uniformes colados ao corpo e pilhas de dinheiro atrás.

Bem, se eu e Baby Boy fossemos mesmo montar uma equipe, ele definitivamente não iria matar ninguém. Reviro os olhos e bufo.

— Esses heróis e suas éticas de conduta. – resmungo deixando a imagem mental desaparecer aos poucos. – mas não é porque ele não quer matar que nós não podemos montar uma equipe!

Com certeza eu poderia persuadir o Aranha a caçar o fotógrafo idiota dele, e depois de já termos pegado o garoto e estivermos com uma equipe formada, era só esperar ficar sozinho e matar o adolescente, levar o corpo dele, pegar a grana e voltar para ser feliz para sempre com Baby Boy.

[Que plano genial!]

{É mesmo, seu babaca, esse plano é incrível}

— É um ótimo plano, só CALEM A BOCA! – gritei. Eu não poderia dizer o quanto era irritante e desconfortável ter vozes falando na minha cabeça.

E não eram apenas vozinhas, essas eu tinha também, elas falam baixo e nos deixam confuso sobre o que fazer. Não, essas vozes que existiam na minha cabeça falavam tão alto quanto qualquer um, como se estivessem ao meu lado, dizendo no pé do meu ouvido o que eu tinha que fazer. Mas eu não poderia simplesmente calar essas vozes, era obrigado a ouvi-las todo o dia, o dia todo.

Voltei, novamente, minha atenção para o notebook.

Peter Parker. Adolescente. Fotógrafo do Clarim Diário. Um milhão pelo corpo sem vida.

Respirei fundo e tomei minha decisão:

— O Cabeça de Teia com certeza vai ser meu amigo depois que eu estourar os miolos desse fotógrafo. Boom. – fiz uma arma com minha mão e fingi dar um tiro no rosto do jovem que aparecia na tela do notebook.