Não apenas um bromânce

3 Atentado a sanidade


Notas iniciais
Oi gente, vou começar dizendo: QUE TRAILER DE CIVIL WAR FOI ESSE, MERLIN, JESUIS, ODIN, ESTOU FALECIDA! Amei o trailer, mas foi muito bad. TeamCap aqui!!!! Bom, vamos ao capítulo, finalmente vou começar de verdade a história, no quesito tamanho dos capítulos! Vão se acostumando, porque a minha meta é fazer todos grandinhos! E outra coisa, o Peter estar tomando decisões rápidas, não é por acaso ou por preguiça, o porquê de tudo tão “impensado” vai ser explicado e explorado na fic, espero que gostem!

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

(Francisco do Espírito Santo)

Peter Parker

Acordo, mas continuo com a minha cabeça prensada no travesseiro. Não sentia nenhum pingo de vontade de levantar. Eu teria que começar um novo período da minha vida agora, entretanto, eu não queria deixar tudo isso para trás.

Pensando bem, as coisas não andavam muito bem agora, talvez o melhor seja mudar mesmo.

Respirando fundo, levanto e troco de roupa. Ponho uma calça e uma blusa de manga comprida com a estampa do RD-D2 e do C-3PO, coloco meus tênis all-star e, por fim, ponho meus óculos.

Olho ao redor e vejo meu quarto com uma cara típica de um adolescente.

Surpresa! Eu ainda sou um adolescente. Pelo menos um pouco.

Decido ignorar qualquer pensamento ou sentimentos e fazer logo o que eu devia fazer. Abro meu notebook e pesquiso. Vejo sites, blogs e páginas que já havia entrado e outros novos. Calculo os preços e fico por horas clicando e digitando freneticamente, até que finalmente, já sendo onze horas, eu consigo um apartamento pequeno, relativamente perto do centro de Nova York.

Como já estava economizando e teria que pagar só uma pequena parcela de entrada, tudo corria bem.

Ou mais ou menos.

Por um momento penso se o que Deadpool falou é real, eu aceitei tão rápido que me assusto com a possibilidade de eu estar com vontade de largar tudo, só esperando uma desculpa.

Olho para o teclado em minha frente.

Eu sabia como ver se era real. Pesquiso no lado mais obscuro da internet e acho o que procurava.

Peter Parker. Adolescente. Fotógrafo do Clarim Diário. Um milhão pelo corpo sem vida.

Vejo minha foto e várias informações minhas.

Felizmente, não tinha a localização da minha casa.

Naquele momento se tornou mais real.

Mesmo assim soava tudo como uma grande loucura. Eu estava simplesmente desistindo da minha família, faculdade e casa. O sentimento de culpa se aflorou dentro de mim.

Eu já queria fazer isso?

Eu estava me mudando e dizendo tchau para proteger as pessoas ou simplesmente porque eu queria?

Não importava mais, já estava feito.

Fecho o notebook e o coloco na mala, junto de todas as minhas roupas. Pego também roupa de cama, toalha, produtos de higiene e também muitas das minhas coisas pessoais.

Depois da maioria das coisas em meu quarto estarem nas malas ou em caixas, olho para uma caixa empoeirada embaixo da cama. Lá era onde eu guardava minhas memórias. Fotos e objetos dos meus pais, do tio Ben e da Gwen.

Sinto um nó na garganta só de olhar, só de lembrar.

Ignoro a caixa e pego meu celular, chamando um táxi.

Respiro fundo porque sei que essa vai ser a pior hora, estava tardando o acontecimento, mas ele é inevitável. Abro a porta do meu quarto e desço até a sala, eu teria que falar com tia May.

Quando chego ao andar de baixo, vejo tia May com um olhar cansado encarando a televisão. Mesmo que ela gostasse de passar tempo no hospital, aquilo acabava com ela.

E acabava comigo. Eu sabia que o motivo de ela não querer ficar em casa, é que tio Ben não está em casa. E agora eu também não estaria.

— Tia. – chamo cauteloso, me sentando ao seu lado no sofá.

— Peter! – exclama parecendo se acordar, ela repuxa seu rosto em um sorriso abatido. – Ah, querido, eu perdi totalmente a hora! Já são quase duas horas da tarde e eu não fiz o almoço! Desculpe-me, é que o plantão no hospital...

— Não, tudo bem tia, eu não estou com fome. – informo com um sorriso mínimo.

— Tem certeza? Se você quiser eu posso fazer algo agora. – olho em seus olhos e tenho vontade de chorar e gritar comigo mesmo pelo que eu estou prestes a fazer, mesmo com o coração apertado, começo.

— Está tudo bem... – respiro fundo e encaro minhas mãos. – Tia, eu vou me mudar, hoje. – sou direto, depois de dizer isso, parecia ser menos do que eu esperava, entretanto, houve apenas silêncio da parte ao lado.

Levanto meu olhar e vejo tia May com a sua boca um pouco aberta, parecendo confusa.

— Como assim, Peter?

— Eu já estou na faculdade e com um emprego, já faz um tempinho que estou juntando dinheiro, e finalmente achei um apartamento. Não é grande, mas é ótimo para o começo. – explico tentando parecer animado. – Acho eu está na hora de eu começar a me virar, você não precisa se preocupar mais comigo. – eu não iria dizer que estava prestes a largar a faculdade.

— Mas eu quero! – exclama levantando-se. – Eu quero me preocupar com você, Peter! Eu sempre vou me preocupar com você.

Seu olhar e seu tom de voz são de pura mágoa, o que parte meu coração.

— Eu não quero viver nessa casa sozinha, não sabendo se você está bem e vivendo com o melhor que pode. – argumentou de forma quase desesperada.

— Eu vou ficar bem tia, eu vou vir visitar você e manter você informada, eu juro! Você sabe que eu sou responsável, e que um dia isso ia acontecer. – explico tentando conforta-la. Mesmo sabendo que não iria dar tão certo.

— Mas Peter, você só me falou disso agora, como vou saber se tem tudo que você precisa nessa sua casa, se vai ter comida, água, se vai estar limpo...

— Tia, eu vou ficar bem, eu juro, eu estou levando tudo o que preciso, o resto tem lá. Eu vou ficar bem.

— E eu, Peter? Eu não sei se vou ficar bem sem você... – tia May enche seus olhos de lágrimas. Levanto e a abraço.

— Desculpa, desculpa... – contorno seu corpo com meus braços, já sentindo algumas lágrimas também.

Eu sabia que era difícil para ela. Tia May passou grande parte, a maior parte, da sua vida junto ao tio Ben. Ela cozinhava para ele, eles passeavam juntos, conversavam, eles viviam juntos, apenas viviam.

E agora ela estava sozinha.

Eu entendia o que ela estava passando.

Tio Ben foi a direção dela, assim como Gwen foi a minha.

— É minha culpa. – murmuro abraçando minha tia mais forte ainda. – Desculpe tia, eu prometo que vou manter você informada. – falei me separando dela. Seus olhos estavam tristes e com lágrimas.

— Se é o que você tem que fazer, tudo bem. – conformou-se, mas parecia magoada. – Eu... Eu vou me deitar um pouco.

— Tudo bem. – digo vendo-a subir as escadas. Passo as mãos pelo rosto e limpo algumas lágrimas de lá.

Não havia sido nada bom esse começo.

Subo as escadas e desço com tudo o que levaria, quando estou com a última caixa, vejo um táxi parar em frente de casa. Com a ajuda do motorista, coloco tudo o que é meu no porta-malas.

Vendo que eu me mudaria, eu não estava levando muita coisa.

Duas caixas, uma mala e minha mochila. Mas era tudo o que eu precisava. Sento no banco de trás do carro e digo o endereço ao motorista. Enquanto o carro anda, penso na minha lista de afazeres.

Magoar minha tia: feito.

Acabar com a minha carreira: em andamento.

Acabar com a minha fama de herói me juntando ao Deadpool: em andamento.

Parecia promissor para mim. Suspiro e encosto minha cabeça na janela do carro.

Que merda eu estou fazendo com a minha vida?

— São doze dólares. – abro meus olhos e vejo que já havíamos chegando, o que era estranho, já que eu mal havia fechado meus olhos, eu acho.

Pego a carteira no meu bolço e dou o dinheiro ao homem, em seguida saio do carro e pego todas as minhas coisas. Logo que peguei tudo, o homem acelerou seu carro e foi embora.

— Obrigado pela ajuda. – digo analisando minhas coisas e vendo o que eu levaria para dentro primeiro.

Olho para o prédio e uma careta se forma em meu rosto. O aspecto era de um prédio velho e se deteriorando. Suspiro e pego uma caixa, entro no prédio e me deparo uma escada de um lado, e um canto sujo com uma planta do outro. Deixo a caixa ali e saio novamente para pegar minha mochila, minha mala e uma caixa. Entro novamente e subo as escadas de madeira em direção ao terceiro andar, muitos dos degraus rangem quando piso em cima.

Chego ao terceiro andar e deixo minhas coisas na frente do apartamento de número 8, indo ao apartamento no fim do corredor, que era do homem dono de tudo. Bato na porta e espero. Ouço um grito, mas não identifico o que dizem, logo o barulho de passos é ouvido, e então a porta se abre, revelando um homem baixo, um pouco gordo, com um charuto na boca.

— O que você quer? – pergunta rabugento.

— E-eu sou Peter Parker, aluguei o apartamento número oito daqui. – explico. O homem suspira e entra novamente, voltando segundos depois com uma chave em mãos.

— Duzentos dólares de entrada.

— Claro. – abro minha carteira e entrego as notas ao homem, que me entrega a chave.

— Minha filha é quem cuida desse negócio da internet, acho muito bom você ter entendido tudo o que ela explicou, não aceito atrasos no pagamento, e nem parcelamento! – grunhiu mal-humorado.

— Entendi perfeitamente.

— Então tá.

— Obrigado... – tento agradecer, mas a porta foi fechada com força, me deixando estático no corredor.

Ergo minhas sobrancelhas e volto para frente do meu apartamento, pego a chave e a coloco na fechadura, ouço o trinque e empurro a porta. Analiso o apartamento e faço uma careta.

A sala e a cozinha eram no mesmo cómodo, no caso onde eu estava. A cozinha, pequena, ficava de um lado, era composta apenas de um pequeno balcão com pia, fogão, geladeira, e uma mesa de madeira com duas cadeiras. A sala era um sofá velho e uma mesinha de madeira.

— Encantador... – resmungo colocando minhas coisas dentro do apartamento.

Desço as escadas e pego a última caixa, subindo novamente. Já com tudo dentro, fecho a porta e decido explorar o apartamento. E com explorar quero dizer ir ao quarto e o banheiro, que eram as únicas coisas que eu ainda não tinha visto.

O quarto tinha um armário e uma cama de casal.

O banheiro tinha uma privada, uma pia, uma banheira e um chuveiro.

Nem preciso dizer que tudo tinha uma aparência decadente e velha.

Não me importei de arrumar as coisas, teria muito tempo para fazer isso mais tarde, agora eu precisava terminar minha lista de afazeres. Vesti meu uniforme de Homem-Aranha, e por cima, minha roupa. Deixei a máscara guardada no fundo do bolso da minha calça, junto com as luvas. Passei um tempo tentando ajeitar de um jeito que não parecesse que tem uma máscara e luvas de Homem-Aranha no bolso da minha calça.

Sai de casa e fui em direção à minha faculdade, Empire State University, que logo se tornaria a minha antiga faculdade.

Decidi caminhar, precisava de um pouco de espaço e de um pouco de tempo, as coisas estavam acontecendo rápido demais. Se eu parasse realmente para pensar em tudo, muito não fazia sentido.

Vamos começar por: Quem e porque me quer morto?

Isso não fazia sentido, eu precisava investigar isso afundo.

Outra coisa que não fazia sentido foi a minha briga com Deadpool. Nunca irei superar seu tom acusatório dizendo que eu estava tendo um caso comigo mesmo. Tudo bem, ele não sabia que eu era eu, mas mesmo assim, ele acha que eu sou gay?

Não posso negar que uniforme apertado e essa minha cara não ajudam com a pose de machão, para nenhum dos lados.

Eu tinha um pouco de receio com Wade – outra coisa que não faz sentido, eu chama-lo assim, nem sei se esse nome é dele, mas admito que é legal e mais fácil – ele já havia demonstrado troca de humores antes.

Por exemplo, quando eu xinguei ele de louco idiota e mandei ele ficar longe de mim. Ele havia ficado um pouco nervoso, e parecia ter discutido com ele mesmo. Ele sumiu por uns dias.

Não era para eu ficar surpresa dessa vez, mas eu havia ficado, ele estava mesmo levando a sério esse negócio de equipe. E me caçar.

Se ele tivesse essas mudanças de humor mais frequentes, principalmente enquanto me caça, eu estaria ferrado.

Pensar em tudo isso fez uma insegurança se aflorar em mim. Olhei para os lados e para cima. Apenas pessoas normais caminhando. Mas uma delas poderia ser o meu assassino.

Respirei fundo e me concentrei em meu caminho. Não tardou muito para que eu chegasse à frente da grande faculdade. Era sábado, a faculdade estava mais vazia, mas ainda sim, tinham pessoas circulando pelo lugar.

Caminhei até a recepção e esperei sentado em uma cadeira até que fosse a minha vez. A cadeira ficava de frente ao balcão de recepção. O lugar estava bem vazio, apenas com uma garota conversando com a mulher que cuidava de tudo. E eu.

O lugar era claro, e eu tentava manter meus pensamentos nesses detalhes. A sensação de estar sendo vigiado era horrível. Olhei para os lados e não vi ninguém. Comecei a mexer meu pé e esfregar minhas mãos.

Parecia que a qualquer momento alguém armado iria entrar e matar todos aqui, incluindo a mim.

Sim, eu tinha meu sentido aranha, e sim, ele estava ativado e me deixando mais paranoico ainda.

Ouço um barulho e levanto meu olhar rapidamente para frente. Foi o grampeador.

Inspira, expira, inspira, expira.

Paso a mão pelo meu rosto e espero, até que, finalmente, a garota foi embora. Levantei rápido e fiz tudo o que devia mais rápido ainda. O que não foi tão rápido quanto esperado, muita burocracia.

— Assine aqui e legalmente, e oficialmente, você estará desistindo do curso e da sua bolsa de estudos. – informou a mulher empurrando um papel e uma caneta.

Peguei a caneta e encarei o papel. Eu estava realmente desistindo da minha bolsa de estudos? A bolsa de estudos que eu lutei e pelo motivo que eu estudei todos os anos?

Assinei meu nome no fim da folha.

Aparentemente sim.

Vi a mulher carimbar a folha e entregar uma copia para mim. Despedi-me e sai do local. Dobrei o máximo que pude a folha e enfiei no bolso da minha calça.

Eu me sentia um perdedor desistente, e também me sentia paranoico. Minha pele parecia queimar, tinha alguém me vigiando. Olhei para os lados, mas ninguém olhava em minha direção.

Sai do pátio da faculdade e senti o peso das minhas escolhas.

Acabar com a minha carreira: feito.

Agora só faltava mais uma coisa na lista para eu finalmente acabar com qualquer dignidade e futuro que eu tenha. Virei á rua e caminhei rente ao muro da escola.

A rua onde eu estava era mais suja e deserta do que as anteriores, o quer era bom, já que eu precisava de um beco para tirar minhas roupas e colocar minha máscara.

Ando ouvindo a minha própria respiração pesada, mas então sinto uma sensação forte, um barulho quase silencioso. Jogo-me no chão e olho assustado para um buraco de bala no muro da faculdade.

Tentaram me matar!

Novamente sinto aquela sensação, levanto rápido e desvio bem na hora de um tiro no chão. Olho para os lados e não vejo ninguém, então simplesmente corro.

Viro uma rua e mais um tiro.

— Mas que porra...— resmungo correndo e tentando não tropeçar.

Eu sentia os tiros, mas simplesmente não via quem atirava. Entrei em um beco e vi uma escada de incêndio. Corri até lá e comecei a subir o mais rápido que pude. Quando coloquei meu corpo na última sacada, mais um tiro. Dessa vez não desviei todo o meu corpo a tempo.

Um rasgo se abriu em meu braço esquerdo, o tiro havia passado de raspão, mas queimava dolorosamente. Não pensei em quanto aquilo era uma merda, apenas escalei da melhor forma possível o prédio, subindo no terraço. Lá em cima, corri e desci do prédio me atirando.

Cai em um latão de lixo. O lixo havia amortecido parcialmente a minha queda, digamos apenas que não jogam almofadas no lixo. Sai rapidamente de lá e corri.

Ziguezagueei por todas as ruas possíveis, tudo isso ignorando o meu braço, e tentando não ir a algum lugar público. No minuto em que meu sentido aranha deu uma acalmada, entrei em um beco, e lá no fundo, rapidamente, tirei minhas roupas e coloquei minha máscara.

Queria muito ter tempo de olhar para o que havia acontecido ao meu braço, iria estar uma coisa bem horrenda quando eu chegasse em casa, mas simplesmente não podia continuar fugindo.

Dobrei minhas roupas e as coloquei em um canto bem escondido, junto com os meus óculos. Analisei ao redor e guardei na memória onde estava.

— Roupas guardadinhas ao lado do lixo, incrível como minha vida consegue ser tão perfeita. – comentei comigo mesmo enquanto deixava o beco sujo.

Saio do beco e jogo uma teia em um prédio, e então começo a dar um pequeno passeio pela cidade. A visão da cidade e a adrenalina de me pendurar era ótima, mas a dor no meu braço começava a ficar insuportável.

Subo em um prédio relativamente alto, mas não muito, paro no parapeito como de costume.

— Tomara que não precise de pontos, se não eu estou ferrado. – comento olhando meu braço tapado pela roupa.

Além de não precisar de pontos, eu desejava ser só superficial mesmo, nesse instante ele poderia estar infeccionando, o que não seria nada legal.

— Você tem que parar de saltitar tanto por ai, não tenho essas teias super legais como você. – exclama Deadpool enquanto se aproxima.

Sinto uma grande felicidade quando o vejo.

Pera, não, não grande felicidade, só... Um bem-estar pequenininho.

— Deadpool. – falo saindo do parapeito e ficando de frente para o homem de uniforme vermelho e preto. Eu sentia um pouco de vergonha e receio, havia sido bem babaca com ele da última vez que nos vimos.

— Pode me chamar de Wade, se quiser. – depois de dizer isso ficamos em silêncio, e é muito constrangedor ficar em silêncio com alguém que é normalmente tão tagarela. – Então...

— Então...

— Olha, me desculpe por ontem...

— Não, não precisa pedir desculpas por nada, você foi legal comigo ontem e eu fui um idiota. – não era totalmente mentira, não era totalmente verdade...

— Não está brabo comigo? – perguntou surpreso.

— Não, na verdade, eu, bem... – respirei fundo e encarei o homem a minha frente. – Eu acho que seria uma boa ideia a gente montar uma equipe... – disse rápido, mesmo estando de máscara, senti meu rosto ruborizar e fechei meus olhos.

Ai, isso é uma situação muito idiota.

— Isso... É sério? – questionou parecendo mais surpreso ainda. Abri meus olhos e concordei com a cabeça. – Nossa Baby Boy, isso vai ser incrível! – exclamou animado e me ergueu alguns centímetros do chão, me puxando pelos braços, dei um grito baixo, sua mão apertava o raspão da bala de um jeito doloroso.

— Pode me colocar no chão? – perguntei com a voz pesada.

— O que houve? – perguntou me colocando no chão. Respirei fundo e deixei meu braço imobilizado por alguns segundos.

— Machuquei meu braço por ai. – comentei e mordi meu lábio inferior, aquilo doía muito.

— Ossos do ofício. Cara, nem acredito que nós vamos montar mesmo uma equipe, vai ser demais, eu já pensei até nos nomes, podemos ser chamados de Team Red, sabe, porque usamos vermelho, podemos também nos chamar de Assassinos Escarlates, eu acho esse legal também, mas se você quiser...

— Tá, okay, calma. – cortei o discurso de Wade, a dor em meu braço me deixava meio entorpecido e ele falava tão rápido que o meu cérebro já começava a entrar em pane. – O nome a gente decide depois, o que eu quero saber é como vamos pegar o fotógrafo.

— Ah, isso, vejo que você está com um instinto assassino correndo nas veias. O que houve? Algo muito ruim saiu no jornal? – o tom brincalhão e sacana de Wade até para falar de “instinto assassino”, era assustador e até engraçado.

— Não, é que ontem não tinha sido um bom dia, por isso eu estava...

— Na TPM?

— Se você não calar a boca, eu vou desistir desse negócio de equipe.

— Tudo bem, desculpe, minha boca está costurada, se é que você entende a referência¹. – ironizou rindo, franzi o cenho.

— Não, eu não entendo a referência, e nem quero entender. O negócio é o seguinte, amanhã, nesse mesmo horário, nesse mesmo lugar, vamos nos encontrar para discutirmos melhor esse negócio de parceria.

— Tudo bem! – exclamou animado. Pulei no parapeito, mas antes de ir me lembrei de algo muito importante.

— E Deadpool, a primeira regra para isso dar certo é: não me siga! – falei convicto e autoritário.

— Okay, mas se...

— Não.

— Mas e se dai...

— Mesmo assim não!

— Mas...

— Se dizer mas mais uma vez...

— Tudo bem, tudo bem. – falou erguendo seus braços em sinal de rendição. – Entendido, não seguir o Baby Boy em nenhuma hipótese.

— Ei, outra coisa é nunca me chamar... – ia terminar minha frase, mas Deadpool saiu correndo e pulou do prédio. – foda-se.

Bufei frustrado e pulei do prédio, jogando minhas teias e me pendurando até o beco onde havia deixado a minha roupa. Chego lá e olho para os lados para ter certeza de que não havia ninguém.

Já estava escuro, enquanto adentrava no beco, podia ouvir o barulho de bichos correndo e derrubando coisas. Abaixei-me ao lado da lata de lixo e peguei minha roupa e meus óculos, que há essa hora não estavam com um cheiro muito bom.

Segurei a roupa e os óculos e sai andando, estava perto do meu apartamento e com o braço extremamente dolorido, não iria ficar me pendurando mais em prédios.

Recebi alguns olhares curiosos, algumas pessoas acenavam e eu acenava de volta, já outras, me analisavam de cima a baixo com uma careta. Quando estava perto do apartamento, me escondi em outro beco escuro e vesti minha roupa por cima do uniforme, tirei a máscara e a guardei nos bolsos, assim como as luvas, e coloquei os óculos no rosto.

Olhei bem para todos os lados possíveis antes de sair totalmente do beco, depois de tudo certificado, fui andando até o apartamento. Algumas pessoas passaram por mim e dobram seus narizes, nem precisei respirar fundo para saber o motivo.

Ignorei o fato de estar cheirando um pouco a lixo e continuei meu caminho. Entrei no prédio, subi as escadas e finalmente entrei em meu apartamento, não que fosse a visão mais linda do mundo, mas pelo menos era meu.

Indo para o banheiro, eu comecei a me perguntar se deveria ter escondido meu rosto, e se alguém viu que eu havia me mudado para cá. Soltei um resmungo e tirei minhas roupas, logo depois entrando embaixo do chuveiro.

Eu estou ficando paranoico, perfeito.

A água que saia do chuveiro era pouca, mas felizmente, não era fria. Tomei o banho rápido e separei um tempo em especial para tratar de limpar melhor o machucado em meu braço.

Sai do banho, me sequei, e vesti um pijama. Sentei na cama e peguei minha mala, de lá tirei uma toalha pequena e alguns curativos. A bala havia pegado bem de raspão, o corte era bem superficial, por isso apenas limpei bem e coloquei um curativo por cima.

Depois de estar de banho tomado e curativo, atirei meu corpo na cama, não tão macia, e olhei para o teto.

Em um dia eu havia me mudado, largado a faculdade e entrado eu uma equipe maluca, mas, nada daquilo me parecia um erro total, nada daquilo me parecia completamente estranho.

Na verdade, desde a briga com o Duende Verde, ou Harry, já não sabia mais que nome usar, e a morte de Gwen, nada realmente parecia fazer sentido ou importar. E isso era um sentimento que me corroía por dentro.

Entretanto, ao mesmo tempo, eu sentia que havia decepcionado tio Ben e Gwen. Suspirei e passei as mãos pelo meu rosto, e então um barulho vindo do meu estômago tomou minha atenção.

— Que droga... – resmungo sentindo meu estômago reclamar por falta de comida.

Eu não havia comido nada o dia todo, mas a adrenalina havia me deixado ocupado, agora deitado aqui, o que eu mais queria era comer alguma coisa.

Ouço um barulho alto vindo do teto e levo um pequeno susto, pulando da cama, logo ouço também barulhos de passos e de miados de gato. Não sabia se era meu sentido aranha ou a minha paranoia, mas eu estava tenso.

Olho para os dois lados do quarto e depois, suspirando, me cubro com o cobertor. Iria ser uma longa noite.

Notas finais
E então????? Gostaram? Nunca escrevo aqui embaixo, que aventura kkkk Eu achei esse gif muito fofo e tive que colocar ele *0* Então, gostaram do capítulo? Do tamanho? De como tudo aconteceu? Digam-me tudo nos comentários! E, aguardem, vamos ter mais Dead daqui para frente! Até o próximo capítulo! Beijos s2 P.S. Amando o feedback de vocês