Notas iniciais
A hora do almoço é pra postar capítulo sim. aosidjosaijdoia

Ele havia entrado em um caminho sem volta. Bakugou sabia muito bem o que estava fazendo ao querer provocar Todoroki com sua aproximação, e os simples toques que se tornaram viciantes e o sentimento de sempre querer muito mais não foram recebidos com surpresa. Ele sabia para onde estava indo, e o espanto era porque não se importava nem um pouco.

Os toques se tornaram leves caricias com o tempo, e as reações de Midoriya o faziam esquecer de Todoroki ou qualquer outro herói que estivesse por perto. Bakugou só queria sentir mais do estremecer gostoso que experimentava através de suas mãos, e que contagiava o seu próprio corpo. Os longos olhares se tornaram palavras ditas em tom baixo, provocando com o timbre, com significados completamente diferentes do que realmente dizia. Ele o desejava intensamente, a ponto de deixar sua imaginação fantasiar com o som de longos gemidos saindo daqueles lábios que sabia muito bem o quanto eram deliciosos.

O desejo não era novo, mas alcançara um nível muito maior do que já experimentara. A paixão reprimida desde a academia ainda estava bem guardada, e aos poucos, o pensamento de que se entregar ao sentimento seria o mesmo que ser derrotado por Deku, se transformou em apenas a preocupação com a sua imagem como herói. Ele não era mais um garoto para se reprimir por bobagens, mas estava começando a achar que havia voltado alguns anos e pego um pouco da irresponsabilidade da adolescência, pois, cada dia passado sem poder tocá-lo como realmente queria, o fazia repensar no assunto.

Imaginar outra pessoa o tocando o enciumava grandemente, a ponto de quase trazer o seu antigo descontrole de volta. Ele havia afastado Midoriya no passado por conta de seu bobo medo, que agora se transformara em algo completamente diferente, e que não o queria de maneira alguma longe de si — e pior, nos braços de certo herói.

Os dentes se apertaram um no outro enquanto imaginava Deku ao lado de Todoroki, e a lata de refrigerante em sua mão fora esmagada com força, juntando toda a sua raiva ali, até que a explodisse com sua individualidade. O liquido sujou suas roupas e a cozinha, e o alumínio cortou a palma da mão, porém, ele ainda assim escolheu xingar Todoroki ao jogar no chão o que sobrara da lata.

— Maldito filho da puta! — Seu grito ecoou pelo grande apartamento. A mão que sangrava foi lavada na pia, e soltou um suspiro impaciente ao ver o líquido vermelho se misturar com a água. — Eu deveria ter imaginado que eles acabariam juntos — ele murmurou, mais com tristeza do que raiva.

Bakugou tinha o péssimo hábito de achar que suas conclusões imaginarias eram absolutas, e mesmo com as reações de Deku com seus toques e olhares, nada tirava de sua cabeça que ele e Todoroki tinham algo além da amizade. O jeito enciumado do outro herói parecia querer alertá-lo de que Midoriya não estava mais disponível, e que ele já havia perdido a sua chance, anos antes, quando o deixou para trás por conta do orgulho. Se eu pudesse voltar no tempo, chutaria a minha própria bunda.

A noite foi passada com os olhos abertos, e agitado demais para deitar a cabeça o travesseiro. Bakugou limpou a cozinha com a paciência que não era natural de sua personalidade, e passou horas sentado no sofá, com a TV ligada, mas não assistindo o filme de ação que passava na tela. Ele só conseguia ver Midoriya em sua frente; com seu sorriso e a lembrança da forma que o chamava pelo apelido deixado de lado. Ele sentiu um incômodo no estômago quando o peito se aqueceu subitamente, e o longo suspiro fora apenas o primeiro de muitos daquela madrugada.

O caminho até a empresa na manhã seguinte foi feito como se tivesse descansado a noite inteira, e Bakugou estranhou a energia que não deveria estar ali. A súbita empolgação aumentou quando estacionou o carro no prédio, e ao entrar em seu andar, entendeu completamente o que acontecia. Ele queria ver Midoriya, mesmo que fosse ao longe e conversando com o maldito Todoroki; Bakugou só queria vê-lo por um instante.

Mas todo aquele desejo se transformou em raiva, como costumava ser. A tarde veio, e ao retornar da prisão de um vilão, ele se limpou, trocou-se, e com o coração acelerado, desceu para tomar o seu tão ansiado café. E lá estava ele, sorridente e maravilhosamente lindo enquanto tocava nos cabelos curtos, do jeito exato que se lembrava, assim como a presença do outro herói, quem era alvo de toda a atenção que queria para si. No mesmo instante ele voltou atrás no pensamento de que não importava se estivesse com Todoroki. Importava sim, e ele não poderia estar mais enciumado.

Bakugou se sentou no seu lugar de sempre, usando a desculpa de estar esperando que usassem a cafeteira, mas na realidade só estava ali para tomar conta da vida de quem não lhe dizia respeito. Ele sabia que aquele ciúme era infundado, pelo simples fato de não terem nada um com o outro, porém, era difícil controlá-lo, e temia jamais conseguir, assim como o sentimento que fazia o seu coração ignorar qualquer coisa por aquele largo sorriso, que foi direcionado em sua direção, assim que foi notado.

A agitação no peito foi automática, e Bakugou se arrumou na cadeira da maneira mais discreta que conseguiu ao vê-lo se aproximar. Ele queria tanto ouvi-lo, que por um momento deixou escapar um fraco sorriso ao saber que teria ao menos esse privilégio.

— Boa tarde, Bakugou — a animação era contagiante, porém, ele não conseguiu sentir o mesmo ao ouvir seu sobrenome sair de maneira tão forçada. — Nós estamos pensando em sair para treinar após o expediente. Quer ir também?

Ele não o respondeu. Os olhos permaneceram fixos nos verdes que se tornaram confusos com o silêncio. Bakugou pensou que deveria ficar feliz com o convite, que vinha com uma desculpa para passar mais tempo ao lado de Midoriya, porém, o que sentiu fora completamente o contrário. O olhar desviou por um breve momento, vendo Todoroki os observando com atenção e desgosto, e a ideia de tê-lo entre eles — ou ficar entre eles, como mais odiava imaginar —, o fazia sentir como se tivesse levado um golpe no estômago.

— Bakugou.

As sobrancelhas se juntaram ao ouvir o chamado, e rapidamente voltou-se para Izuku. As mãos trêmulas se fecharam em punhos enquanto repetia em sua mente um mantra para que permanecesse calmo e não fizesse nada precipitado. Mas sua voz interior de nada ajudou naquele instante. Os olhos verdes eram insistentes, e o coração de Bakugou parecia frágil a cada dia que passava, e junto com sua personalidade irritadiça o desestabilizaram facilmente.

Katsuki levantou rapidamente. O coração acelerou ao se aproximar de Izuku, e as mãos voltaram a tremer, porém, ainda assim, ele segurou o pulso do herói e o tirou da sala em um piscar. Ele nem ao menos olhou para trás, planejando socar Todoroki, caso se atravesse a segui-los. Não importava se perdesse aquele trabalho ou sua licença de herói; Bakugou não ligou para nada além do homem que estranhamente não o impedia de continuar a tirá-lo dali.

A porta de sua sala foi aberta, e por um súbito e breve juízo, a fechou rapidamente. Os olhos verdes agora misturavam a curiosidade com o medo, mas, Bakugou não hesitou ao encostá-lo na parede ao lado.

Os lábios tocaram os outros com urgência, e mesmo querendo deixar aquilo de lado, também certo temor da rejeição. Havia grandes chances de Deku se ofender com aquilo, porém, foi surpreendido quando o sentiu abrir a boca enquanto deslizava as mãos por seus ombros. Katsuki sentiu um arrepio gostoso quando o provou depois de tanto tempo, e o coração se descontrolou de vez com o suspiro em sua boca.

Não havia ofensa ou rejeição, pelo o contrário, Bakugou foi prontamente correspondido, e o sentiu estremecer em seus braços que apertavam a cintura contra a sua. Seus cabelos foram bagunçados pelos dedos impacientes, que não sabiam onde focar seus toques, que eram completamente aprovados pelo herói explosivo.

Os lábios se separaram por um momento, e os olhos sedutores e semiabertos logo se mostraram temerosos novamente, porém, os braços continuaram agarrados em seu pescoço, como se esperasse alguma reação que os afastasse. Eu não o culpo. Bakugou pensou com tristeza enquanto esbarrava os lábios nos de Midoriya.

— Não vá treinar com ele — ele sussurrou contra os lábios avermelhados. — Venha para a minha casa hoje à noite.

Bakugou não esperou uma resposta. Ele voltou a beijá-lo com euforia enquanto apertava o corpo firme contra si. A maneira com que foi correspondido outra vez o fez criar certa esperança enquanto o envolvia, sem medos daquela vez, e a ideia de ser escolhido no lugar de Todoroki o agitou com intensidade. Mas, Bakugou não tinha a intenção de criar uma competição, como sempre costumava fazer, ele apenas sentiu-se privilegiado com a pequena possibilidade.

Ele o encostou na parede outra vez, quando o beijo se tornou mais lento e sensual. Os quadris se moviam devagar um contra o outro, e Bakugou cogitou a ideia de adiantar os seus planos que vinham com o convite para aquela noite. Porém, o chamado do outro lado da porta os alertou, e os corpos tiveram que ser separados devagar, enquanto respondia ao chefe, como se tudo estivesse tranquilo dentro da sala.

O chamado urgente o fez suspirar com frustração, e o sentimento aumentou ao ver a maneira descomposta e envergonhada de Midoriya, que ainda tentava recuperar o folego tirado pelo longo beijo.

Bakugou segurou um sorriso ao se aproximar outra vez. Os olhos se encararam de perto, e pensou em refazer o convite, para deixar claro de que não era uma brincadeira ou o mesmo impulso do passado, porém, aquela distancia só o fez perder a fala, e um rápido beijo fora a única despedida por aquele momento.

A porta foi aberta novamente; Bakugou passou por ela sozinho enquanto o bobo sorriso não pôde mais ser controlado. Midoriya apenas o ouviu enquanto deixava as costas deslizarem pela parede da sala do herói, que havia tirado as forças de suas pernas com seus lábios famintos, da mesma forma em que fora o responsável pelo seu coração acelerado com o convite feito de uma maneira tão sensual.

Notas finais
O próximo será o último capítulo, gente. Já tô ansiosa sadoaisjdoaijsdoa Espero que tenham gostado!