Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
35 Lutar é o que eu mais quero - Parte I
Notas iniciais
Os três chegaram perto da arquibancada e Elesis foi a primeira a falar.
-E então? Vamos começar?
-Calma Elesis, espera o professor dizer algo primeiro.
-Cala a boca Jin, eu vim aqui... – Ronan a interrompeu.
-Você veio aqui, primeiramente, para arrumar a quadra.
A ruiva o olhou com muita raiva e cruzou os braços, mas não disse nada.
-Muito obrigado, Ronan. – Zero se levantou e apontou para os equipamentos – Estão vendo? Separem tudo no armário e depois me esperem.
-O senhor não irá nos ajudar?! – Elesis falou indignada.
-Não. – o professor sorriu e saiu andando.
-Argh! Ele é irritante! – disse a ruiva.
-Ou! Eu ouvi! – Zero olhou para trás e depois saiu da quadra.
Jin e Ronan riram. O ruivo foi em direção aos equipamentos e começou a leva-los até o armário. O azulado segurou a mão da ruiva e ela, por um momento, sentiu seu coração acelerar e um frio na barriga, então soltou rapidamente a mão de Ronan.
-O que foi? Eu só ia te puxar.
-Eu sei andar sozinha.
-Se tropeçar em algum lugar, não reclame.
-Eu olho para onde ando, ao contrário de certas pessoas. – a ruiva encarou Ronan.
Elesis começou a andar e o azulado colocou o pé na frente, fazendo com que a menina tropeçasse. Elesis caiu no chão e apoiou a mão para não bater o rosto.
-Seu idiota azul!!! – a ruiva se sentou e lançou seu olhar para ele.
Ronan não a olhava, observava o teto como se fosse a coisa mais bela de se admirar e segurava o riso.
-Por que você fez isso!? – Elesis deu um soco na perna do menino.
-Ai! – o azulado levou a mão até o local que levou o soco – Eu não fiz nada. Você que não olha por onde anda. – Ronan a olhou.
-Ah! Seu mentiroso! Você colocou o pé propositalmente!
-Eu!? – o azulado fez uma cara de chocado – Fiz nada disso não, menina!
-Fez sim!
-Ai! Que “bafão”! Estou sendo culpado por uma coisa que nem fiz.
Ronan falou de um jeito tão engraçado, que Elesis acabou rindo deixando a raiva de lado, porém ela não iria deixar aquilo barato.
-Me ajuda? – a ruiva estendeu a mão.
-Claro. – Ronan segurou sua mão, agora ele que sentiu seu coração acelerar.
Quando ele foi puxá-la para levantar, a ruiva o surpreendeu e o puxou com força para que caísse no chão. E foi o que aconteceu.
-Isso foi cruel. – o azulado falou com um pouco de dor, pois bateu o joelho no chão.
-Eu? Cruel? – Elesis o imitou e falou num tom ofendido.
-É! Você! Abusada.
-Ai que “bafão”! Eu não sou capaz de matar uma barata.
-Você tem medo de barata? – o azulado a olhou espantado.
-Claro que não! Quando eu vejo uma...
-Você pisa nela?
-Não! Eu saio correndo!
Os dois riram, Ronan percebeu que Elesis, mesmo não mostrando, é tão menina quanto suas amigas. Jin apenas olhava para os dois e resolveu se divertir um pouco também.
-Ei! Tem como os pombinhos me ajudaram?
Logo os risos acabaram e Ronan e Elesis encararam o ruivo, que se segurava para não rir.
O azulado se levantou e ajudou a ruiva. Foram em direção ao Jin e o ajudaram a arrumar. Ronan viu uma espada e a pegou.
-Só falta guarda-la para terminarmos a arrumação. – disse Jin carregando os últimos coletes.
O azulado nem ouviu direito o que o ruivo falou, ficou admirando-a. Ele não sabia o motivo de estar fazendo aquilo, mas aquela espada era diferente das demais. Era como se fizesse parte dele ao tocá-la.
-Ei! Acorda! Se a coisa rosa souber que está mais vidrado numa espada no que nela, a rosada terá um ataque. – Elesis riu, mas depois parou ao perceber que o azulado não havia dado a mínima.
-Elesis, para de chamar a garota de coisa rosa. – Jin se aproximava da irmã.
-Tá, a Amy... – a ruiva olhou para Ronan novamente e o menino também não deu atenção.
-Está tudo bem, Ronan? – perguntou Jin um pouco preocupado.
-Idiota azul! – a ruiva o sacudiu.
-Oi?! – Ronan a olhou e soltou a espada.
-Tá tudo bem cara?
-Sim Jin, eu só viajei um pouco, essa espada me é familiar. Me perdi em meus pensamentos. Desculpa.
-Você, além de idiota, é maluco.
-Elesis! – Jin a olhou.
-Foi mal.
Ronan olhou novamente para a espada. Uma sensação de querer lutar tomou seu corpo, mas ele se controlava ao máximo. Tentava desviar o olhar, mas não conseguia.
-Temos que terminar de arrumar. – o ruivo ia pegar a espada, quando o azulado a pegou primeiro.
-Eu guardo.
-Tá... Você está muito estrado.
-Elesis! – Jin estava irritado com a irmã.
-Ele está estranho mesmo! – a ruiva cruzou os braços.
Ronan nem ligou, foi até o armário guardar a espada. Quando foi surpreendido por Zero, que segurou o ombro do azulado, o mesmo se virou assustado. A espada ficou em chamas e Ronan rapidamente a soltou.
-O que... O que foi isso?! – perguntou o azulado assustado.
Zero sorriu e olhou a espada caída, o fogo ia diminuindo aos poucos.
-Nosso treinamento será muito interessante.
-Mas eu não irei lutar.
-Não importa!
-Tá... – Ronan arregalou os olhos com o tom autoritário de Zero.
-Você não entende, não é?
-A espada pegou fogo, como eu vou entender?! Não sou o Motoqueiro Fantasma, que encosto nas coisas e elas ficam em chamas.
Zero não entendeu, mas nem fez questão de ouvir qualquer explicação. Jin e Elesis se aproximaram dos dois, um tanto espantados com o ocorrido.
-Ronan, como você fez aquilo? – perguntou a ruiva.
-Não sei... Eu... É... sei lá. Foi algo intenso e...
-Mágico? – disse o professor.
-É! – o azulado ergueu uma sobrancelha. – Aconteceu isso, porque eu fiquei muito tempo perto da Arme?
-Ela não tem nada a ver com isso. Essa espada pertenceu ao seu pai. – disse Zero pegando a mesma.
-Nunca imaginei que ele houvesse lutado.
-Ele era bom, muito bom. Não lutava só por lutar, lutava por diversão, brincava com a espada como ninguém, nomeava os golpes. Ele tinha no sangue a essência de um guerreiro.
-Bela história, porém... Entediante. Quando começaremos a lutar? – perguntou Elesis.
Os três meninos a olharam e Zero continuou sem dar muita importância para o que ela havia dito.
-Quero que fique com ela e que treine comigo. Ela pertence a um Erudon. Irei te ensinar esses truques de magia que você tem, não porque ficou perto da maga, mas sim porque faz parte de si.
-Eu não sei o que dizer, eu...
-Não diga nada, apenas treine com os meninos.
-... – Ronan pensou um pouco, ele pensou no que Amy te pediu, mas ele não iria lutar, só treinar para aprender mais sobre suas habilidades. – Ok. Podemos começar?
-Claro! Vão para o meio da... – Zero foi interrompido por um escândalo da ruiva.
-Como assim?! Eu peço para começarmos o treino e o senhor me ignora e quando esse azul idiota fala o senhor concorda?!
Elesis não encarava o professor e sim Ronan.
-Porque você é chata. Agora – Zero aumentou o tom de voz – VÃO PARA O MEIO DA QUADRA!
Os três olharam para o professor assustados, mas fizeram o que ele mandou.
-Por favor, que não seja aquele treinamento chato e tedioso de novo, por favor, por favor... – Elesis falava baixinho para si mesma, mas Zero ouviu.
-Sim Elesis, vocês irão fazer o treinamento que tanto gosta.
-Pare de me ouvir falar! – disse a ruiva indignada.
-Então cale a boca que eu não te ouço mais.
A menina encarou o professor e sentou no chão. Ela ficou no meio de Jin e Ronan.
-Chega pra lá. – Elesis deu um empurrão no azulado que, ao se sentar novamente, a encarou com raiva.
Jin e Zero tentaram não rir daquela cena, mas foi impossível.
-Bem, — o professor forçou a tosse – quero que os três fechem os olhos e esvaziem a mente e num movimento lento, aproximem a mão até o pulso e tentem escutar os batimentos e senti-los também.
-É possível se concentrar com a Elesis bufando no seu lado? – perguntou Ronan.
-Eu posso responder? – Jin olhou para a irmã – Não!
-Eu sei que será complicado não pensar em nada e se concentrar no lado dessa chata, mas tentem, encarem isso como um obstáculo, ajudará muito, já que a concentração é muito importante numa batalha.
Os três fecharam os olhos, o silêncio no ginásio era total, Zero ficou observando os meninos e sempre fazia cara de desapontado ao olhar a ruiva deitando e abrindo os olhos toda hora, o que incomodava os meninos e fazia com que eles abrissem os olhos também.
Jin foi o que mais conseguiu ficar imóvel, com as costas retas e de olhos fechados, só não teve a felicidade de conseguir ouvir e sentir os batimentos no pulso. Pois sua irmã estava inquieta demais.
Zero pensou parar com aquele treinamento, mas teve uma ideia excelente.
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