Nyla
5 As Pazes
Notas iniciais
LORENZO DEU UMA GOLADA generosa no liquido quente, queimou a ponta da língua e fez uma careta, Kaleena respondeu com um sorriso divertido e gozador. Cada um sentado de um lado da bancada, estavam relativamente próximos. Mas não como os dois gostariam que estivessem.
— Você cortou o cabelo. — ela passou a mão na nuca em respostas e deu um sorriso sem graça. — Eu gostei.
— Você deixou o seu crescer. E agora tem barba. — ela riu. — Eu sempre quis te ver de barba.
Os dois ficaram alternando entre se encararem e desviarem o olhar disfarçadamente. A verdade é que nenhum dos dois tinha coragem o suficiente para começar a dizer as palavras que estavam entaladas em ambas as gargantas, sufocando os dois e deixando o ar pesado. Tinham medo da reação que o outro poderia ter e acabar se machucando por mais uma vez. Agiam como estranhos conhecidos.
— Quando você chegou?
— Já tem duas semanas. Com quem tem ficado já que a casa está aparentemente vazia?
— Na casa do Kevin. Eu vendi os moveis. — suspirou. — Não suportava olhar para eles e lembrar de você. Eu achei que você nunca mais ia voltar.
— Eu também achei que nunca ia voltar. — coçou o braço. — Mas olha eu aqui. — sorriu sem graça mais uma vez.
— Eu senti sua falta. — Lorenzo falou serio e Kaleena sentiu seu coração acelerar. — Eu senti como se você tivesse morrido e eu nunca mais poderia te ver, mas o pior de tudo é que eu sabia que você não estava morta. Era pior porque eu sabia que você talvez nunca mais voltasse ou desse sinal de vida. — Kaleena abaixou a cabeça e suspirou, parte dela queria chorar, mas a outra parte dizia que era bobeira e que ela apenas estava sendo melancólica e sentimental de um jeito vitimista. — Eu sei que você ama o que faz e ama de um jeito que me deixava enciumado, eu tenho que admitir...
— Desculpa por esquecer de você. — ela disse o interrompendo. — Eu só percebi isso quando eu vi que tinha esquecido de mim também. Mas, agora, eu mudei. Eu percebi que estava vivendo para os meus personagens, porém não vivia para mim mesma.
— Eu não te culpo.
— Eu também não te culpo.
— Bem... Isso que estamos fazendo... Como se cham...
— As pazes? — ela riu e ele também, Lorenzo não era muito bom com as palavras.
— É, isso. — Kaleena se levantou para se servir de mais uma xícara e Lorenzo se levantou junto.
Quando Leena ficou de costas para Lorenzo ele tocou sua nuca delicadamente com as pontas dos dedos, que acabou causando a ela um arrepio na espinha e um frio na barriga. Ela virou devagar e agora tinha o rosto a centímetros do dele. Ele, por sua vez, dobrava a coluna meio desajeitado para ter o rosto cada vez mais próximo do dela. A boca de ambos só esperando por um beijo, porem nenhum dos dois se atrevia a completar tal ato.
— Leena. — ouvir o seu nome soar da boca de Lorenzo fazia Kaleena sentir-se nas nuvens, era como se ela soubesse que era amada só com esse simples gesto. Alisou o rosto da mesma com as costas da mão antes de perguntar. — Sera que, podemos?
— Por mim, tudo bem. — sorriu.
E o tão esperado beijo veio. Esse não foi igual ao outros tantos que os dois tinham trocados no período que ficaram juntos. Foi diferente, era diferente. Delicado e feroz ao mesmo tempo; simples e quente, de um modo que os dois sentiam-se conectados, porém de uma forma que nunca tinham sentido antes. Então isso é amor? Se perguntaram.
Depois do beijo — que poderia ter durado segundos ou horas -, os dois se entreolharam com brilhos nos olhos e sorrisos nos lábios, felizes pelo o que tinha acabado de acontecer. Lorenzo pegou nas mãos de Kaleena e olhou as poucas sardas que a cobria o rosto, parecendo constelações em uma galáxia qualquer.
— Se você não se importa... Eu gostaria de dormir agora.
— Ah sim. — Kaleena se lamentou por ter tido aquele momento cortado. — Você pode deitar ali, eu não vou dormir agor...
— Eu vou dormir com você. Na nossa cama. — um sorriso enorme brotou no rosto de Lenna. E ela assentiu com a cabeça de uma forma engraçada que fez os dois rirem.
Foram de mãos dadas até o colchão de lenços e lençóis bagunçados, fazendo a cama parecer como se tivesse acabado de ser usada. Lorenzo foi o primeiro a deitar a cabeça no travesseiro e logo em seguida Kaleena fez o mesmo; os dois virados um para o outro se encarando de uma forma apaixonada e ligeiramente fofa. Leena apreciava o sorriso largo que Lorenzo tinha e ele fazia o mesmo.
— Sabe Leena...
— O que?
— Acho que dormir de roupão pode ser um pouco desconfortável.
Kaleena gargalhou com a afirmação e Lorenzo riu depois de perceber que tinha dito uma besteira que o fez parecer bobo.
— Dormir de toalha também não me parece ser muito seguro. — ela rebateu. Esticou o braço para apagar a luminária que estava no chão. — Boa noite Lorenzo.
— Boa noite Leena.
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