Nunca nada, nunca algo.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Estou sozinha. É claro que estou.
Tenho vivido assim por um tempo, e é bom. Eu gosto.
Gosto?
Sim, eu gosto.
Eu gosto de acordar sozinha, escovar os dentes sozinha, lavar a louça sozinha, comer sozinha, correr sozinha, ir para o trabalho sozinha e ir dormir sozi…
Ir dormir sozinha.
Sim, eu gosto.
Eu tenho amigos, sabe? Não sou uma pessoa estranha que tem medo de interações ou apenas me acho demais para conviver com os outros. Eu saio com eles e nos divertimos e juro por Deus que os amo, é só que eu realmente gosto de ficar sozinha.
Mas não hoje. Definitivamente não hoje.
É a terceira vez esta semana e sinto o suor começar a aparecer. O clima está frio e a chuva cai furiosamente do lado de fora, mas ainda sinto como se o sol tivesse se mudado pra dentro do meu apartamento. Tudo isso porque estou nervosa.
Eu, nervosa. Que piada.
Não posso chamar isto de rotina porque não é. Às vezes, acontece quatro dias seguidos. Às vezes, duas vezes na semana. Às vezes, uma vez. E está acontecendo hoje.
O tempo está passando devagar, e os ponteiros do relógio parecem não se mexer. Estou sentada no sofá com um cobertor por cima e a TV ligada, e só então percebo como pareço uma adolescente, esperando assim. Literalmente contando os segundos.
São 22h35, aliás. Ela está atrasada.
“Para”, uma voz surge em minha cabeça. “Ela disse que chegaria perto das 22h30, não exatamente a este horário”.
Droga, eu realmente pareço uma adolescente.
E então os ponteiros finalmente começam a se mover, e ele estão indo rápido. E mais rápido. E é quase meia noite quando finalmente ouço os passos. Sim, consigo ouvi-los porque ela está usando saltos. E aposto que ela também está usan...
“Para, sério”.
Não estou usando maquiagem, uma vez que não gosto muito e só uso em ocasiões especiais, mas passei um pouco de perfume há algumas horas.
Me pergunto se deveria passar mais.
Me pergunto se ela vai reparar nisso.
“Não, faça disso algo casual”, minha voz interior aparece novamente. “Faça disso algo casual porque nunca — e eu repito — nunca, será algo mais que isso. Nunca.”
“Cala. A. Boca”.
E a voz felizmente se cala. Sou grata a isso porque é neste exato momento que a campainha toca. É engraçado, na verdade. Ela tem as chaves e pode entrar em meu apartamento quando quiser, mas ela não entra.
Ela nunca, nunca entrou.
Coloco o cobertor de lado e fico em pé. Respiro fundo e então vou até a porta, abrindo-a.
Deus.
Será que algum dia esta mulher vai parar de tirar meu ar?
Eu sei a resposta.
Ela me encara e então me dá este olhar, como se esperando que eu peça para que ela…
“Entre, por favor”.
E ela entra.
Ela está usando saltos — eu sabia — e uma saia preta. Sua camisa está com dois botões abertos e seu sutiã também é preto. Seu cabelo está um pouco molhado por causa da chuva, o que significa que mais uma vez ela não estacionou dentro do prédio.
“Você está…”, eu começo.
"Congelada, sim.”
“Eu ia dizer linda.”
Ela sorri. O sorriso que faz com que eu queira sorrir também e então chorar e então perguntar “porquê”.
"Por quê? Por que você nunca fic…"
“Obrigada. Você também está linda.”
Ela me conhece há oito meses, e digo que ela me conhece porque eu não a conheço.
Nos encontramos pela primeira vez no meu aniversário. Meus amigos planejaram esta pequena festa, e quando finalmente acabou, fui para outro bar. Sozinha.
Eu estava na minha segunda cerveja quando a vi se aproximar cada vez mais, até que ela sentou ao meu lado e pediu uma sidra de maçã. O copo entretanto nunca chegou ao seus lábios.
Eu não fazia ideia de quem ela era, mas estava totalmente atenta à sua perna encostando na minha.
“Hey”, eu disse, sem saber porquê.
“Hey”, ela respondeu sabendo exatamente porquê.
E ela realmente sabia. Ela sabia o que estava fazendo quando uma hora depois colocou a mão em minha coxa e sussurrou “sua casa”, e quando ela entrou em meu carro e dirigiu porque “eu bebi e não era seguro”, e quando ela sorriu dizendo “está tudo bem, juro” depois que apontei o fato de que a única coisa nada segura — e com nada segura eu quis dizer realmente perigoso — era eu deixar uma estranha me levar até em casa.
Ela sabia o que estava fazendo quando, na manhã seguinte, tudo que ela fez foi partir sem dizer uma única palavra.
Nenhum número de celular. Nenhum bilhete de adeus.
Nada.
Ela sabia o que estava fazendo quando ela virou o rosto no dia que a encontrei sem querer, duas semanas depois, naquele mesmo bar, e perguntei porque ela fugiu.
Ela também provavelmente sabia que não foi sem querer, não mesmo. Nunca é quando você vai ao mesmo lugar todos os dias, esperando encontrar uma pessoa em específico.
“Você quer tomar banho?”, perguntei. “Então posso pedir pizza, já que não pensei no jantar. Ou então podemos ir ao mercado e você pode fazer aquela lasanha maravilhosa enquanto assisto, afinal, você lembra o que aconteceu da última vez.”
“Você quer dizer o incidente em que você quase colocou fogo na cozinha? Ah, sim, eu lembro”, ela revira os olhos, brincando. “Sim, querida. Pizza está ótimo. E sim para a oferta de banho, também. Eu realmente preciso de um.”
“Longo dia no trabalho?”
“Nem me pergunte”, ela sorri e eu sorrio também porque parece ser a coisa certa a fazer.
Eu não sei onde ela trabalha.
Julgando por suas roupas e seu carro, ela é provavelmente uma advogada bem sucedida, ou alguém que trabalha com política.
Talvez ela seja traficante.
Gosto da última opção, e é nessa que acredito.
Nunca contei pra ela que acho que ela é traficante, mas não é como se ela fosse ligar, de qualquer maneira.
Ela não se importa.
E mesmo que eu me importe, não posso perguntar a ela, porque ela simplesmente não vai me contar.
Ela não me conta nada.
“Que sabor você quer?”, pergunto, enquanto ela vai até o banheiro.
“O que estiver bom para você, está bom para mim”, ela responde, fechando a porta.
“Ótimo”, penso, e então peço uma de Pepperoni.
Olho ao redor e por alguma razão acho que é um bom momento para tomar chocolate quente. Ela não vai sair daquele banheiro por pelo menos vinte minutos, o que me dá bastante tempo para preparar um pouco, do jeito que gosto: com creme e canela. Uma vez que termino de prepará-lo, sento no sofá e começo a assistir meu seriado favorito enquanto espero por ela. Surpreendentemente ela não demora muito, e ainda bem que ela não demora, porque estou quase chorando vendo minha personagem favorita morrer numa queda de avião.
Não quero que ela me veja chorando.
Ouço o barulho da porta abrindo e ali está. Se ela fica linda usando roupas, isto não é nada comparado com o quão linda ela está agora.
Ela tem uma toalha branca ao redor de seu corpo e posso ver as gotas de água descendo por seu pescoço. Sua pele tem esse tom oliva que a faz parecer que brilha, e às vezes realmente acho que ela brilha.
Tudo relacionado a ela parece tão escuro, tão misterioso, e ainda assim ela consegue brilhar.
“O que você está encarando?”, ela pergunta. “Vê algo que gosta?
“Talvez”, eu sorrio.
“Talvez?”, ela ergue uma sobrancelha, e antes que eu perceba, ela está se aproximando.
Coloco meu chocolate quente de lado e sinto minha própria sobrancelha se erguer quando ela para na minha frente. “E agora?”, ela pergunta, deixando a toalha cair.
Faço uma nota mental de nunca tomar nada quente enquanto esta mulher está perto porque tenho certeza que se eu ainda estivesse segurando a xícara, eu a teria derrubado.
E então ela tem este olhar em seu rosto. Um olhar que é provavelmente a única coisa dela que posso dizer que realmente conheço.
É um olhar que fala mais alto que mil palavras, e tenho certeza que se pudesse vocalizar esta expressão, a mesmo sairia na forma de um gemido.
Seu corpo é como arte, mas mais. É a única forma que consigo descrevê-lo.
Se eu estivesse num museu cercada das pinturas mais famosas, eu ainda iria olhar para ela.
“Eu… sim, eu gosto”, digo, e formar sentenças coerentes parece a coisa mais difícil do mundo, agora.
“Foi o que pensei”, ela sorri maliciosamente. Eu abro minhas pernas, dando espaço, e meus olhos não deixam os dela até nossos rostos estarem a centímetros de distância. Suas mãos estão em minhas coxas e é insano como toda vez que ela faz isso, minha cabeça volta à noite em que nos conhecemos.
“Já mencionei como você fica gostosa quando está vestida assim?”
“Sério? É só uma regata branca e uma boxer”, consigo sentir minha voz falhar.
“Não é só porque é só uma regata e uma boxer. É a forma que tudo encaixa em você. A forma com que você parece tão confortável e tão… tocável”, ela sussurra, seus lábios encostando suavemente nos meus. “Você cheira tão bem.”
Tento capturar seus lábios mas ela não deixa. Ao invés, ela os move para meu pescoço. Sinto seus dentes e então sua língua. Ela traça uma linha fina que vai do meu ombro até o lóbulo da minha orelha e então ela o morde.
“Quarto”, ela manda, e eu obedeço.
Ela se move, permitindo que eu levante, e é necessário todo autocontrole que tenho para não agarrá-la ali mesmo.
“Estarei lá em um segundo”, ela diz, e não a questiono. Apenas vou e sento na cama, tentando ignorar o desconforto no meio das minhas pernas.
Alguns minutos se passam e estou olhando para o chão quando ouço um barulho vindo da porta. Ela está ali, parada, nua, seus braços cruzados em frente ao peito, nua, sua cabeça descansando na porta.
Nua.
“Há quanto tempo você está aí?”, pergunto, confusa.
“Desde trinta segundos depois de ter dito para você vir aqui.”
“Por quê?”
Ela respira fundo.
“Seus olhos são lindos, sabia?”
Balanço a cabeça. “Sim, já me disseram isso.”
Ela sorri.
“São como… uma galáxia. Você tem uma galáxia inteira dentro de seus olhos. Me pergunto se você vê as coisas de uma maneira diferente”, ela suspira.
Às vezes ela faz isso. Ela diz as coisas e eu as entendo, embora não entenda a razão.
“Você tem olhos lindos, também. Eu gosto de como… eles meio que mudam de cor quando você está… Você sabe.”
Ela olha para a janela por um instante e então olha para mim novamente.
“Deite-se.”
E eu faço o que ela diz.
Ela anda lentamente até estar na minha frente, e então faz seu caminho até a cama, subindo em mim. Ela senta bem acima, seu centro nu contra o meu coberto, e então ela me beija. É um beijo apaixonado, e toda vez que sua língua encosta na minha, uma nova onda de calor atinge bem o meio das minhas pernas. Suas mãos estão no meu cabelo, e ela o puxa devagar, enquanto seus lábios se movem contra os meus.
“Tira”, ela diz, e eu não sei se ela está falando sobre a regata ou a boxer. Sinto sua mão mover do meu cabelo para meu seio e ela o aperta levemente, mostrando o que devo tirar.
Ela lentamente para de me beijar, e então tiro a regata. Estou usando um sutiã vermelho, e acho que não preciso mais dele. Ela provavelmente acha a mesma coisa, porque a próxima coisa que sinto é ela o abrindo.
Ela encosta no meu mamilo, o acaricia, e então me beija novamente. É feroz, e consigo ouvi-la quase rosnar.
Ela então passa as mãos no meu abdome e de repente enterra suas unhas nele.
Ela está praticamente cavalgando em mim agora e sua boca cobre meu outro mamilo, chupando e mordendo levemente e então chupando novamente até que não consigo dizer mais nada que não seja “por favor”. E ela entende.
Suas mãos se movem para a boxer e ela começa a tirá-la devagar. Uma vez que estou totalmente sem roupas, ela sobe em mim novamente.
Minhas pernas são afastadas pelas dela, e quando seus olhos encontram os meus, estão escuros de tanto tesão.
Ela pega minha mão e passa meu dedo no meio de suas pernas, na parte mais sensível. Antes que eu possa fazer algo, ela tira e leva meu dedo à sua boca, chupando vagarosamente.
Meus olhos se fecham, e é quando a campainha toca.
“Droga, a pizza.”
“Foda-se a pizza”, ela diz.
“Mas o cara vai ficar esper…”
“Foda-se ele”, ela diz.
“Mas eles vão ligar e…”
“Foda-se. Eles.”, ela revira os olhos e então beija meu peito e começa a descer até meu estômago. Então ela move sua boca pra parte de cima da minha coxa e então beija a parte de dentro dela, até que ela resolve beijar um pouco mais pra cima. Quando ela está quase lá, ela para.
“P-por que você parou?”, dou um jeito de perguntar, descobrindo que abrir meus olhos se tornou uma tarefa muito difícil.
Ela me olha de uma maneira quase predatória.
“Você é… deliciosa.”
E eu não sei porquê ela diz isso antes de realmente me provar, mas isso não importa já que a próxima coisa que sinto é sua respiração quente contra minha boceta e a ponta de sua língua passando por todo o comprimento dela.
Ela, de repente, pressiona meu clitóris e tudo que consigo fazer é enterrar minhas unhas em suas costas. Ela gosta disso, e eu sei que gosta porque enquanto ela literalmente me come, ela leva sua mão direita até sua própria vagina. Sua língua continua escorregando por meu centro molhado, e tudo que consigo fazer é puxá-la mais para perto. Minhas costas se curvam e ela está cobrindo cada centímetro do meu sexo, provocando, até que sinto sua língua me invadir. Ela tem um ritmo — dentro, fora e dentro novamente — e então ela traz sua mão para perto, colocando dois dedos para dentro.
Estou tão, tão preenchida, e sei que vou gozar. Ela sabe também, porque ela para.
Faço um barulho de desapontamento e frustração, mas isso não significa nada quando ela olha para mim e diz “quero que você goze na minha boca”, com a expressão mais safada que já vi na vida. Ela usa a ponta da língua para me provocar antes de cobrir meu sexo com sua boca mais uma vez, e é quando ela me chupa enquanto me encara, que eu explodo no orgasmo mais delicioso da minha vida, seguido por seu próprio choro de prazer.
Ela está sorrindo quando finalmente paro de tremer, e então ela lambe todo o caminho de meu centro até minha boca.
“Você…”
“Eu sei”, ela sussurra contra meus lábios.
Coloco minhas mãos em sua nuca e a puxo para perto, sentindo seu clitóris contra o meu. Seu quadril é friccionado contra minha coxa e seus seios balançam devagar enquanto seus movimentos se tornam mais rápidos. Sei que ela está gozando de novo, e antes que ela chegue ao clímax, eu a olho e a encaro profundamente. O telefone toca de novo e desta vez não me importo. Ainda estou com fome, mas estou com fome de outra coisa.
Estou com fome dela.
“Minha vez.”
—___________________
Já passou das três quando finalmente terminamos, muito cansadas para continuar. Minha mão está ao redor de sua cintura, e consigo sentir seus músculos enrijecerem por um breve momento antes dela finalmente relaxar em meus braços. A puxo para perto, e é bom.
Estou cansada mas não quero dormir, e tudo porque não sei quando isto vai acontecer novamente. Tê-la assim é como o paraíso, e como alguém pode deixar o paraíso?
Me pergunto se seus olhos já mudaram de cor novamente uma vez que ele sempre escurece quando transamos, e como se estivesse lendo meus pensamentos, ela se vira, me encarando. Não dizemos nada e não é como se precisássemos, porque a forma que olhamos uma para a outra diz tudo.
Nosso olhar diz “por favor, não fuja pela manhã” e “eu quero te conhecer” e “não posso, me perdoa” e então “me perdoa, por favor”. Ela é… linda. Tão linda. Não consigo entender como alguém pode ser tão maravilhosa, mas também não entendo porque diabos estou dividindo minha cama com alguém que nem ao menos conheço.
Droga, eu queria conhecê-la.
“O que está pensando?”, ela sussurra, mesmo sem razões para sussurrar.
“Estou pensando sobre você”, respondo honestamente.
“O que está pensando sobre mim?”, ela pisca.
Não posso responder, porque ela não pode saber. Não agora. Ela não pode saber como me sinto e como isso machuca. Ela não pode saber que toda vez que ela parte, uma parte de mim vai junto e ela não pode saber como eu queria que esta parte voltasse.
Preciso dizer outra coisa, algo que não vai fazer meu coração doer, mas não é isto que acontece quando abro minha boca e a resposta para sua pergunta vem na forma de outra pergunta.
“Por que você nunca fica?”
Ela me encara e sua expressão não muda, nem um pouco. Não sei quanto tempo leva até ela me dar um sorriso triste e, sem nenhuma palavra, virar para o outro lado, me puxando para perto.
E é assim que é com ela.
Nunca nada.
Nunca algo.
—______________
Ela está dormindo, e eu sei pela forma como seu peito move. Ela cheira tão bem, e a chuva continua caindo lá fora. Eu deveria estar dormindo também, mas não consigo, então enterro meu rosto em seu pescoço e as palavras simplesmente começam a sair da minha boca: muito baixas para ela ouvir mas muito altas para eu ignorar.
“Queria que eu pudesse te perguntar coisas que não sei. Queria saber qual é seu lugar favorito e como foi sua infância. Queria saber se você tem irmãos e se seus pais são legais com você ou se eles estão vivos ou se você chegou a os conhecer. Você poderia falar comigo sobre seu trabalho — porque no momento não acredito que você realmente seja traficante -, ou sobre a faculdade, mas nem sei se você foi para a faculdade. Não sei onde você mora, não sei se telefone. Talvez você seja casada, talvez tenha filhos. Quero dizer, eu reparei na cicatriz da sua barriga, e eu acho que ela é linda, assim como a cicatriz acima da sua boca. Me pergunto como você conseguiu esta cicatriz. Me pergunto como você terminou aqui. Não vou te julgar se você estiver fugindo de um relacionamento abusivo, sabe? Eu entendo isso. Eu entendo que você tem suas razões para não me contar as coisas, afinal, você é humana e humanos tem suas próprias necessidades e vidas, mas eu também sou um ser humano e sinto as coisas. Eu as sinto e as sinto demais, e me mata saber que você não enxerga isso. Estamos nos vendo há quase um ano, mas qual o objetivo de tudo se no final do dia você é apenas uma estranha na minha cama e… e eu não sei se consigo aguentar estar apaixonada por uma estranha.”
Eu suspiro.
“Você é linda. Eu queria que você soubesse o quanto você é linda. E você merece ser amada. Não sei o que aconteceu com você, não conheço sua história, mas você é parte da minha, agora. Queria que você soubesse o quão difícil é te ver partir e o quão difícil é te ver voltar sem nenhuma palavra. A ideia de você não confiar em mim acaba comigo. Eu sei que… que temos este acordo silencioso onde você vem e fodemos gostoso e é isso, mas estou cansada de acordar e não ver nada. Estou cansada de conhecer seu corpo, mas não sua mente. Eu quero te conhecer, Regina. Eu quero saber mais que somente seu nome, se é que este é realmente seu nome.”
Consigo sentir as lágrimas descendo por meu rosto.
“Estou aqui por você, e espero que um dia você perceba isto. Espero que um dia você me conte as coisas, mesmo que seja algo simples como qual é sua cor favorita.”
Eu beijo a base de sua nuca e seu cabelo seca minhas lágrimas.
A abraço forte e a chuva finalmente parou quando finalmente adormeço.
—______________
É 11h00 quando finalmente acordo, e me xingo pelo fato de que dormi demais. A primeira coisa que percebo é o lugar vazio ao meu lado.
Levanto com uma pequena esperança de que ela estará na sala vendo TV, ou talvez na cozinha preparando o café. Procuro por ela, mas é claro que ela não está lá, e meu coração afunda mesmo sabendo que ela não estaria. Respiro fundo e balanço a cabeça, tentando espantar as memórias da noite anterior.
“Por favor, Emma. Pare de agir como uma adolescente que levou um fora. É casual. Sempre foi. Sempre será. Ela sempre aparecerá quando quiser, irá embora quando quiser e você não vai descobrir nada sobre ela. Acostume-se com isso.”
“Fácil para você dizer, você é apenas um cérebro”, digo em voz alta, tentando ignorar o quão ridícula pareço falando comigo mesma daquela forma.
Finalmente decido fazer meu maldito café quando percebo algo debaixo da minha xícara. É um pequeno papel com apenas duas palavras que, naquele momento, significavam o mundo para mim:
“Minha cor favorita é preto.”
Fale com o autor