Nunca foi um erro
1 Capítulo 1: O encontro
O encontro
Claire's POV
Depois de horas andando pela cidade que eu mal conhecia, deparei-me frente a uma floricultura. Adentrei as portas um tanto quanto nervosa pois não sabia bem o que eu estava procurando.
Andei por entre os caminhos que mais pareciam labirintos, estava perdida, confesso. A sensação de estar rodeada de diversas flores de diferentes tipos, tamanhos e cores era tão... boa...
Em meio aos meus pensamentos mais alucinógenos que racionais, senti uma mão tocar o meu ombro com timidez.
— Precisa de ajuda senhorita? — perguntou um dos atendentes, um jovem rapaz, aparentava estar nervoso, possivelmente se tratava de um novato em seu trabalho.
— Oh, você não faz ideia do quanto. — eu respondi, desfazendo-me completamente de meus pensamentos anteriores não exatamente formados.
— O que exatamente você procura? — ele gaguejou.
— Bom... eu não sei. — disse com sinceridade.
— Como? — o rapaz perguntou assustado.
Sua expressão ocasionou-me um riso involuntário, o que o fez corar de vergonha, como se já não bastasse o nervosismo e timidez do rapaz.
— Perdão, eu não entendo nada de flores. — falei ainda recuperando-me do antecedente ataque de risos.
— Tudo bem. — respondeu o menino com um riso frouxo, nervoso, eu diria.
— Qual seria a ocasião? — perguntou o atendente.
— É para uma pessoa especial. — disse não contendo o sorriso ao me lembrar do meu amor.
— Entendo, venha, vou lhe mostrar alguns buquês. — o rapaz ordenou educadamente fazendo sinal para que eu o seguisse.
Durante o "passeio" pelo mundo das flores, pude perceber o amor e o carinho do rapaz por elas, a delicadeza com que segurava cada uma delas, a admiração ao tocar e sentir as diferentes texturas de suas pétalas. Ele sabia de tudo e todas, um conhecimento vasto que eu jamais, sem paixão, poderia adquirir, era algo lindo, e não era de se esperar daquela pessoa tão insegura, as pessoas podem realmente surpreender.
Após idas e vindas de buquês, eu decidi levar um bem alegre, bem a cara do meu amor. Haviam flores azuis, rosas, vermelhas, brancas, amarelas... era um carnaval, fiquei satisfeita e me senti mais leve.
Caminhei até um restaurante próximo do local, era um lugar bem requintado, não estava acostumada e muito menos confortável, mas isso era de menos. Sentei em uma mesa perto à uma fonte que jorrava as águas mais cristalinas que já vi na vida.
Passaram-se demorados minutos, eu estava inquieta, para ser honesta, era uma mistura de sentimentos, a maioria deles ocasionados pela minha mudança de cidade. A ideia de ficar longe de quem eu amo não se torna nem um pouco normal para mim.
Passei a admirar o buquê, era realmente lindo e transmitia uma alegria sem razão aparente. Puxei as flores com delicadeza para trazê-las para mais perto, no entanto, minha delicadeza não foi considerável, o cartão que se encontrava junto do buquê acabou caindo no chão.
Abaixei-me para pegá-lo e ao erguer os olhos, dei de cara com um par de saltos bem calçados em pés perfeitamente cuidados. Levantei completamente o meu corpo e abri um sorriso enorme.
— Kate! — exclamei com felicidade e a abracei com força.
— Oi Claire. — ela sorriu e retribuiu o meu abraço com força congênere.
— Estou tão feliz em te ver amor. — Kate disse ao me dar um selinho rápido para não chamar muita atenção.
— Também estou feliz em ver você. — eu disse me sentindo a mulher mais feliz do mundo.
— Hum... vejo flores. — ela disse com uma indiferença sarcástica fazendo-me soltar uma gargalhada.
— São para você, eu queria fazer uma surpresa maior, mas você chegou do nada.
— Ah, Claire... você é incrível. — Kate disse entrelaçando nossos dedos.
— Eu não curto muito flores, mas adorei essas, você arrasou. — Kate completou.
— Obrigada. — respondi sorrindo.
— Então... vai querer ficar por aqui com essa gente exibida ou quer ir para o meu apartamento? — ela perguntou, quase retoricamente.
— Lógico que quero sair daqui. — eu sorri.
Levantamos de nossos assentos excelentemente acolchoados e caminhamos de mãos dadas até a saída. Alguns olhares estranhos pairavam sobre nós, Kate já havia se acostumado, ela não se importava, eu a admirava tanto por isso. Por que não consigo fazer o mesmo?
Kate chamou um táxi, no momento estremeci, mas o senhor havia sido super gentil e fofo conosco, fiquei admirada com seu tratamento, pois não é sempre que somos recebidas assim por pessoas desconhecidas. Assim que chegamos no apartamento, tirei os sapatos e me joguei no sofá.
— Cansada? — Kate perguntou rindo.
— Muito, eu andei horrores atrás de uma floricultura. — suspirei cansada.
— Owwwwnnn... — ela zombou e se jogou em cima de mim.
Nós caímos na gargalhada, é tão surpreendente o fato de que todos os momentos que passo com ela são incríveis, mesmo que sejam lugares simples, fazendo coisas do dia a dia.
Depois de sorrirmos e falarmos de coisas aleatórias, ficamos em silêncio nos perdendo em nossos olhares. Kate arrumava minha franja ainda deitada em cima de mim enquanto eu admirava seu perfeito e harmonioso rosto.
— Vou sentir muito a sua falta Claire. — ela soltou, triste, sincera, quase sem querer.
Aquela frase foi como uma facada no meu coração.
— Eu também vou sentir a sua falta meu anjo, muita mesmo. — eu disse ao abraçá-la forte.
— Você precisa mesmo ir? — ela perguntou fazendo biquinho.
— Preciso amor... — respondi rindo de sua carinha de cachorrinho pidão.
Kate beijou minha testa por alguns segundos, depois meu nariz, e após, minha bochecha direita. Ela fazia isso quase sempre, uma brincadeira, coisa dela, eu adorava, parecia tão menininha...
Beijou minha bochecha esquerda, fingiu beijar minha boca, porém desviou e beijou meu queixo. Ela parou seu rosto próximo do meu e pôs-se a me encarar com um sorriso travesso.
— Eu acho que ta faltando um lugar... — eu disse sorrindo.
— Sério? — ela se fez de desentendida.
Eu revirei os olhos ainda sorrindo.
Kate encostou seu lábios nos meus suavemente, era uma sensação boa, sempre que nos beijávamos eu esquecia de completamente tudo. Movíamos nossos lábios em sincronia, minhas mãos deslizavam sobre suas costas fazendo-a se arrepiar. Eu estremecia a cada vez que nossas línguas se chocavam.
Kate me beijava de forma tão sensual, eu ficava sem jeito na maioria das vezes, era tudo tão novo para mim, mas poderia ficar horas assim.
Ela finalizou o beijo com uma mordida no meu lábio inferior e um selinho logo após, nós nos olhamos e sorrimos calorosamente. Voltamos nossa atenção para a televisão e, sem que eu puder perceber, Kate adormeceu.
Continuei assistindo ao filme sem qualquer interesse e fazendo de tudo para não acordá-la. Comecei a ficar sonolenta, beijei o topo de sua cabeça e acariciei seu cabelos até, consequentemente, cair no sono.
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