Nunca diga nunca
5 O desastre no quarto do hospital
Notas iniciais
POV: Mãe da Denise
Minha filha, lá parada, me esforcei muito para não surtar, me senti muito estranha, sentindo que me faltava alguma coisa, e realmente faltava. O enfermeiro falou que era melhor ligar para o pai da garota. E foi isso que eu fiz:
“Alô, amor?”
“Oi querida, aconteceu alguma coisa? Sua voz está estranha”.
Só quando ele falou isso que eu percebi que estava com a voz embargada
“Infelizmente, sim, a Denise sofreu um acidente, venha para cá o mais rápido que puder”.
Comecei a chorar no meio da frase, estava acabada, nunca tinha percebido em toda a minha vida como a voz dela e a energia positiva que ela trazia faziam falta.
“Ok, estou saindo do trabalho imediatamente”.
De repente me senti um pouco mais leve, como se um pouco do peso da culpa das minhas costas desaparecessem.
Tentei parar de chorar, fui rapidamente ao banheiro e fui lavar o rosto, iria ficar com a minha filha até o fim.
POV: Denise
Estava começando a me estressar com isso, por que eu não estava me mexendo?
Foi aí que eu me toquei, eu estava desmaiada, mas se eu realmente estava como estava ouvindo tudo?
Tentei lembrar alguma coisa que o professor de biologia tinha dito, mas não, nada me vinha à cabeça, me senti estranha, como se alguma coisa faltasse, talvez fosse minha mãe, ou alguém da minha família, quase pensei que seria aquela pessoa... Que eu prefiro não comentar sobre ele.
‘Meu trabalho é fazer as pessoas se apaixonarem e não me apaixonar’ foi o que eu falei para a Magali, quando ela comentou sobre aquela pessoa, notei depois que falei o mais seca possível e sem demonstrar sentimento algum.
Melhor eu parar de ouvir e começar a relaxar a cabeça, tipo começar a sonhar...
POV: Narradora
Dois dias se passaram e tudo estava igual
POV: Xabéu
Meu irmão estava tão estranho, estava fechado, nesses dias, acho que foi por causa daquele acidente, eu tinha que fazer alguma coisa para anima-lo, meu plano era:
1° passo: Não contar para a mamãe, isso pioraria a situação.
2° passo: Terminar de executar o plano antes que minhas férias acabem
3° passo: Leva-lo para visitar a crush dele, mas antes vou mandar uma mensagem para ela avisando da visita e ordenando que ela trate meu irmão bem.
4° passo : Se isso não funcionar vou ter que apelar para o plano B que eu vou fazer no caminho.
Comecei a escrever a mensagem:
OI, aqui é a Xabéu, a irmã do Xaveco, bom espero que você esteja melhor, aliás eu e meu irmão poderíamos fazer uma visitinha? Bjs :-*
Ela respondeu quase imediatamente
POV: Xaveco
MEU DEUS XABÉU, QUANTAS VEZES VOU TER QUE FALAR EU QUERO FICAR SOZINHO?
Foi a primeira coisa que eu pensei em falar quando ela entrou no meu quarto sem nem bater, mas esperei a explicação dela, fuzilava-a com os olhos, e ela percebeu
“Xaveco, que tal você sair um pouco comigo?”.
Logo percebi aonde aquela conversa ia chegar
“Não preciso ficar de rolezinho por aí, afinal, não sou popular como você era na época em que você tinha minha idade”.
Notei que ela tinha ficado magoada, me importei, mas só um pouco, apenas falei.
“Certo, Xabéu, são 12:30, vamos sair agora, mas eu vou voltar de 13:00, nem um minuto a mais”
Ela ficou animada e por algum motivo, me senti um pouco mais feliz.
POV: Denise
Acordei á apenas 5 horas e já vai ter visita? Aff, pelo menos eu devia estar grata por ainda estar viva, meu plano era esse: almoçar, tomar banho e fingir estar dormindo, não estava muito a fim de receber visitas fiz tudo isso em almocei e me enrolei em dois minutos, mas o banho demorou um século , por que tomar banho com soro na mão não é fácil tá queridos.
Enfim me enrolei quase dois segundos antes dos ‘meus visitantes’ chegarem.
O lençol era quase transparente, então dava pra ver tudo que acontecia.
“Sinto muito, mas a paciente está dormindo”
“Certo, então vamos, não temos nada a fazer aqui”.
Nossa como o Xaveco estava mudado, dava pra perceber a voz áspera que ele usava na irmã para que fossem embora e o olhar dele estava desafiador, tentei imaginar o motivo.
Sem pensar nas consequências fingi estar acordando, me levantei com cuidado para não me enroscar nos fios do soro e falei como se estivesse totalmente sem noção do acontecido.
“O que está acontecendo aqui?”
Notei o queixo caído de todos que estavam no quarto, de repente eu percebi, além de eu estar de cabelo solto, eu estava de camisola, e para o meu azar a minha camisola era uma lingerie.
Senti vontade de abrir um buraco no chão e nunca mais sair de lá, assim que percebi, eu corei mais do que um tomate e me enfiei embaixo da cama do hospital, estava quase explodindo de vergonha.
Quase tive a ideia de fingir um desmaio, mas não ia dar certo. Lá debaixo mesmo mandei todos que estavam no quarto saíssem e só voltassem em dez minutos.
Quando a porta se fechou eu a tranquei, tomei outro banho me vesti com o vestido mais discreto o possível, calcei uma sapatilha, prendi as marias-chiquinhas e abri a porta, o olhar frio do Xaveco tinha diminuído um pouco, mas ainda estava lá.
POV: Xaveco
Aquelas curvas me distraíram um pouco, mas ainda estava com raiva da Xabéu, ela apenas falou:
“O que trouxe vocês aqui?” Denise disse.
“Na verdade, nem eu sei...” Murmurei.
“Denise, queríamos saber se estava bem e dizer que esperamos que melhore logo”.
“Obrigada, é muita gentileza”
“Por na...”
“Certo Xabéu, fiz o que você mandou, agora vamos embora”.
Falei cortando-a, sai pisando firme, Xabéu cochichou algo no ouvido da Denise e veio atrás de mim, não consegui ouvir o que elas falaram, e não tinha a intenção de descobrir.
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