Nunca Mais

2 Capítulo 1 - Dores


Notas iniciais
Olá! Eu quero agradecer à melissa hearts, GiihRock017 e Merliah por terem comentado e me feito muito feliz (*-*), muito obrigada mesmo!! Espero que gostem do capítulo! Uma ótima leitura!

Cebola faltou duas aulas depois de seu sonho estranho. A voz não tinha aparecido de novo, e ele pegou gripe, além de não estar com paciência para aturar ninguém. Cascão provavelmente diria que ele estava perdendo a cabeça, e nem ele poderia discordar. Do que ele sentia falta?

Porém, seus dias de glória em não fazer absolutamente nada em casa acabaram, ao abrir a porta de sua casa e encontrar Cascão, vestido com o uniforme do time de futebol da escola, e com uma careta desagradável.

— Que que tá rolando, Careca? – perguntou ele, empurrando a bola suja que eles usavam para treinar no campinho, e entrando na casa. Cascão tirou as chuteiras e o cheiro de chulé invadiu a casa, deixando o ambiente insuportável.

— Peguei gripe. – respondeu Cebola, tapando o nariz com os dedos e respirando pela boca. – O que foi?

Cascão bufou. Ele geralmente não tinha um comportamento instável, por assim dizer. Costumava levar tudo numa boa, e era bem tranquilo. Porém, algumas poucas coisas o estressavam e Cebola já conseguia imaginar o que era daquela vez.

— Você não apareceu para o interclasse – Ele revirou os olhos e cruzou os braços, como se fosse muito óbvio para Cebola o fato de eles terem interclasse logo naquele dia. – Por sua culpa, tivemos de colocar o Xaveco para jogar. – Foi a vez de Cebola fazer uma careta de desgosto. Xaveco não era o melhor jogador. Não mesmo. – E sem ser goleiro! – Cascão levantou os braços, chocado com a própria decisão do time.

Mesmo com toda aquela loucura na cabeça do Cebola, ele sentiu um pouco de culpa. O time havia treinado muito para vencer a sala do terceiro ano, mas com toda aquela teoria conspiratória que Cebola estava criando, ele tinha esquecido.

— E você não tá parecendo muito gripado, não. – acusou Cascão. Cebola soltou o nariz, já acostumado com o cheiro horrível do chulé do Cascão, e deu de ombros. Certo, ele não tinha pegado gripe, exatamente. Foi apenas uma desculpa que veio a calhar quando sua irmã estava realmente doente. E o bônus foi que ele não precisou ir para a escola.

— Foi mal, Cascão – disse Cebola. – O Xaveco estragou muito o jogo?

Cascão abriu um sorriso.

— É claro que não! Nem ele pode estragar o jogo quando eu estou jogando. – Ele apontou para si mesmo. – Parece que eu ter te carregado ao longo dos anos me treinou para carregar qualquer jogador ruim.

— Você está claramente me avacalhando – resmungou Cebola.

— Qual foi, Careca? – Cascão parou um pouco para pensar. – Eu tinha que te falar alguma coisa.

Imediatamente, Cebola aguardou uma resposta. E se o Cascão estivesse tendo sonhos estranhos como os dele? E se não, ele deveria contar para o amigo o que estava acontecendo? Cebola virou a cabeça em negação. Não, nada disso. Cascão era um boca aberta. De repente, veio a sensação de que Cascão sempre teve mania de abrir a boca na hora errada. O que era aquele pressentimento?

Cascão estalou os dedos, lembrando-se de repente.

— LEMBREI! – afirmou. – O Tonhão da rua de baixo disse que você vai pagar por não ter colocado o nome dele no seu trabalho de terça-feira. – Cascão olhou para o amigo com pena. – Cara, ainda bem que não sou você.

Cebola cerrou os punhos e gritou de raiva. O que aquele idiota estava pensando? Só porque ele batia nos meninos quando criança, não significava que ele podia fazer isso agora, mesmo ele continuando praticamente o mesmo, só mais alto e mais gordo. E talvez mais feio. Cebola ficava frustrado que, quando criança, nunca pôde impedi-lo de fazer algo desse tipo.

— Aquele cara vai me pagar! Eu não suporto aquele jeito mandão e rabugento que aquele idiota tem. – reclamou Cebola. – Eu preciso pensar em alguma coisa para fazer com que ele aprenda de uma vez por todas que não somos mais as crianças covardes que corriam com medo dele.

— E como vai fazer isso? – perguntou Cascão. Cebola levantou o dedo indicador e abriu a boca. Então continuou sem falar nada. – Que foi, Careca? Perdeu a voz?

— ARGH! Não consigo pensar em nada! – gritou Cebola. Se ele tivesse mais tempo, talvez, ou apenas mais vontade de derrotar o Tonhão...

— Outra coisa, Careca! – Cascão ajeitou sua postura no sofá um pouco velho da casa de Cebola. – A sua namorada tá furiosa vindo atrás de você. Eu, hein. Veio querer tirar satisfação comigo. Pelo menos foi bom para eu ver que tem gente que é mais osso que a Cascuda.

Cebola perdeu as palavras. Como assim “namorada”? O que estava rolando que ele nem lembrava mais de ter uma namorada? Sua cabeça começou a latejar novamente e Cebola sentou no tapete da sala, tapando os dois ouvidos com as mãos. Ele jogou a cabeça para o chão, não se importando com a dor de ter batido. Ele apenas queria que o zumbido incessante parasse.

— Careca, cê tá legal? – perguntou Cascão, em dúvida.

Cebola respirou profundamente várias vezes, até o zumbido diminuir e a dor de cabeça parar um pouco. Ele voltou à posição ereta e respirou fundo. Estava suado. Claro, a sua namorada! Como pôde se esquecer dela? A vontade que ele tinha era de agora bagunçar o cabelo curto dela e fazer piadinhas, apenas para vê-la se irritar um pouco.

A campainha tocou e Cebola correu para abrir a porta. Sua decepção não podia ser maior quando viu a dona de cabelos negros e longos, soltos, com uma roupa vermelha e um pouco fora do comum, considerando o calor que estava. Cebola estava ficando louco? Por que não sentia que ela era a namorada dele e ao mesmo tempo achava que era?

A garota colocou-se na ponta dos pés e deu um rápido selinho na boca de Cebola, e depois se afastou, com desconfiança.

— O que está acontecendo com você? – perguntou ela. – Por que está suado desse jeito?

— Ihh, tô indo, Careca. Vou vazar pela sua janela. – falou Cascão, levantando-se do sofá. – Preciso ver a Cascuda antes de as meninas verem a Magali.

Foi como se o nome tivesse despertado alguma coisa em Cebola. É claro! Por ele e Magali não serem amigos, nunca considerou que talvez ela tivesse com problemas, mas até mesmo naquele dia em que ele teve o sonho, ela não veio para a aula. E se as meninas, que eram amigas dela, iriam visitá-la, então ela estava ruim também.

— Penha – disse Cebola, lembrando-se do nome da garota, repentinamente. – Eu preciso ir. – A morena o acompanhou até fora da casa.

— Onde é que você vai? – questionou ela.

— Eu preciso fazer uma coisa. – Ele deu um outro selinho na garota, sem deixar de pensar que parecia errado. – Depois eu te conto tudo. – E desatou a correr para a casa da gulosa.

Notas finais
Breves explicações: * Toni está sim o mesmo Tonhão, pois não tinha uma Mônica para detê-lo. * Sobre a Penha, bem, vai fazer sentido depois, SHAUHSUA, não me perguntem porquê que eu fiz isso, só pareceu o certo. Espero vê-los novamente! Qualquer crítica, sugestão, ou outra coisa, é só falar comigo! Bombons de chocolate, e até o próximo o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.