Nudez Mortal

27 Novas Teorias... Novos rumos?


Notas iniciais
Oi meninas, queria agradecer pelas novas leitoras na fic, seja muito bem vindas e esse capítulo vai para vocês. ( Sem deixar de agradecer as que estão comigo desde o começo).
Leia e se deliciem...

FINAL DO CAPÍTULO ANTERIOR

- Eu posso te ajudar nisso. – Edward deu uma ultima tragada e apagou o cigarro. – O que será que a mídia faria se recebesse de mão beijada informações sobre as contas clandestinas do Secretário Volturi?

Bella sorriu ao imaginar a cena.

- Ele seria sacrificado. E se ele estiver envolvido ou souber de algo, mesmo que ele tenha uma horda de advogados o cercando, eu farei com que ele abra o jogo.

- A bola está com você tenente, é só marcar o ponto.

Bella pensou nas regras que tinha que seguir, afinal ela não tinha conseguido aquelas informações dentro da lei. Ela fazia parte de um sistema... Mas ela lembrou as três mulheres mortas e talvez pudesse evitar que mais três pessoas morressem.

- Há alguém, uma repórter. Ângela Webber. Mande tudo para ela.

********

Ela achou que seria melhor dormir na sua própria cama. Ela talvez recebesse telefonemas importantes e se isso acontecesse queria estar em casa e se possível sozinha. Achou que nem iria conseguir dormir essa noite, mas ela acabou sendo sugada para o mundo dos sonhos.

Sonhou com assassinatos. Jéssica, Lua e Lucinda. As três sorrindo felizes para a câmera, mas logo depois deixando transparecer o medo em seus olhos antes de serem atiradas pela força do dispara em suas camas.

Paizinho. Lua o chamara de paizinho. Então Bella se viu sendo sugada para outro tipo de sonho. Um sonho antigo e muito mais assustador.

Ela sempre tinha sido uma menina boa. Sempre tinha que ser, por que senão os policiais vinham e a levaria para um buraco sujo, cheio de lama e bichos asquerosos, como cobras e aranhas, lesmas e escorpiões. Esses bichos talvez usassem você como banquete. Ela tinha que ser uma boa menina e deixar seu paizinho feliz.

Ela nunca tinha tido amigos. Se os tivesse, teria que inventar mil desculpas para explicar o porquê de tantas manchas roxas. Teria que falar o quanto era desastrada e até mesmo inventar tombos imaginários para cada mancha. Além disso, eles nunca se permitiram morar em um mesmo lugar por muito tempo. Se fizessem isso, com um tempo apareceriam as assistentes sociais fazendo perguntas. E eram essas malditas assistentes sociais que teriam o prazer de chamar os policiais para coloca-la no buraco sujo e escuro.

Seu pai já tinha avisado isso antes, portanto, nada de amigos.

Então ela se mantinha sempre sendo uma boa garota, que não tinha amigos e que se mudava sempre com seu pai para onde ele a quisesse levar.

Mas isso não importava para ele. Ele não queria saber se ela obedecia todas as regras.

Ela ouvia quando ele chegava. Mesmo quando estava em um sono pesado, os passos dele descalços a acordava mais rápido do que uma bomba estourando.

Por favor, por favor, por favor. Ela apenas rezava, por que chorar não iria adiantar, ele só bateria nela e logo depois faria com ela as coisas que tinham que ficar em segredo. As coisas dolorosas e ruins, que mesmo aos seis anos de idade ela já sabia que eram erradas.

Ele falava que ela era uma boa garota. Falava enquanto fazia as coisas, mas ela sabia que não era boa. Ela sabia que era má e que em algum momento ela seria punida por tudo de mal que fazia.

Às vezes ele a amarrava pelos pulsos. Quando ele chegava ela ficava no canto quietinha e rezava para que dessa vez ele não amarrasse, mas se isso acontecesse rezava para não amarrar tão forte. Se pelo menos ele não a amarrasse ela não gritaria. Se ele não tapasse sua boca quase a deixando sem respirar ela não gritaria.

— Onde está a minha menininha? Onde está a minha linda garotinha?

As lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ela sentia a mão dele se insinuando por baixo do lençol, uma mão suja que a tocava em cada canto do corpo dela. Ela sentia o hálito dele em seu rosto. Uma mistura de cigarro e bebida.

Os dedos dele a invadiam sem pena. A outra mão era usada para tapar a boca dela que se preparava para gritar de dor. Ela nunca conseguia evitar gritar quando ele a invadia.

— Fica paradinha. – Ele suspirava e gemia. Ela não sabia o por que... – Isso fique quietinha. Boa menina.

Ela não mais ouvia a voz dele por que ela só ouvia os gritos de socorro na sua mente. Por fora ela estava muda, mas por dentro ela gritava desesperadamente. Não! Por favor... Para por favor.

— Não... Não! – O grito foi libertado de sua mente no mesmo instante em que ela acordou e levantou com um pulo da cama. Sentia que seu corpo iria desmanchar de tanto que tremia. O suor pegajoso escorria pelo rosto enquanto ela voltava para cama e puxava as cobertas para se cobrir como uma forma de proteção.

Ela não se lembrava de nada. Não queria lembrar-se de nada. E pensou que tudo isso passaria. Sempre passava e no fim só ficava o enjoo no estômago. Apoiou a cabeça nos joelhos e começou a embalar o próprio corpo para que os vestígios do pesadelo passassem.

Como sabia que não ia conseguir mais dormir ela levantou e colocou o robe para cobrir seu corpo ainda tremulo. Dentro do banheiro deixou que a água lavasse seu rosto até que ela conseguisse limpar toda aquela sujeira da mente. Sentindo-se mais forte ela foi até a cozinha e pegou uma Coca e foi sentar em sua cama para assistir ao noticiário da noite.

Acomodou-se para esperar o noticiário e depois a ligação que tinha certeza iria receber.

Era a notícia principal do telejornal da manhã. As notícias eram dadas por uma Ângela cheia de ânimo. Bella já estava completamente vestida quando recebeu a ligação do seu comandante ordenado que ela se apresentasse na Central de Policia o mais rápido possível.

******

Qualquer sentimento de felicidade que ela pudesse estar sentindo ao fazer parte do interrogatório que seria feito com o Volturi, Bella sabia esconder muito bem. Em respeito a sua posição, ele não foi interrogado na sala oficial usada para isso, mas sim em seu próprio gabinete.

As enormes janelas e a belíssima mesa de vidro não conseguiram esconder o fato de que Aro Volturi estava encrencado. As pequenas gotículas de suor que surgiam em sua testa demostravam que ele sabia que estava em maus lenções.

— A mídia, esse parasita do mundo, está querendo desacreditar a Secretaria de Segurança. – Volturi começou com seu discurso preparado por seu assessor. – Como está visível para todos o fracasso na investigação sobre a morte de três mulheres, a mídia resolveu voltar seu ataque para outro alvo e eu como Secretário de Segurança desse estado sou o alvo melhor.

— Secretário Volturi – Nem com um tremular de cílios o Comandante Carlisle demonstrou a enorme alegria que estava sentindo. Sua voz estava firme e sua postura era exemplar. – Independente de qualquer que seja o motivo, o senhor vai ter que explicar o motivo da existência das diferenças encontradas nas suas declarações financeiras.

Volturi estava sentando em uma cadeira tentando transparecer calma, enquanto seus advogados sussurravam algo em seu ouvido.

— Eu, em nenhum momento, falei da existência de diferenças em minhas contas, se estas existem não é do meu conhecimento.

— Então você não conhecia a existência de um valor de quatro milhões de dólares, Secretário Volturi?

— Eu já entrei em contato com os meus contadores e solicitei a presença dos mesmos, se realmente existir tal diferença o erro foi cometido por eles.

— O senhor nega ou afirma possuir uma conta corrente de número 9.947.211.987-4?

Volturi consultou seus advogados e afirmou a pergunta.

— Confirmo essa conta como minha. – Mentir sobre isso seria dar um tiro no próprio pé.

Carlisle olhou para Bella e fez um sinal para ela. Ambos haviam concordado de que o assunto da conta seria investigado pela Receita Federal, eles só precisavam que ele confirmasse que a conta era sua.

— O senhor poderia nos explicar, Secretário, sobre a retirada de cem mil dólares, em quatro parcelas iguais a vinte e cinco mil dólares, um em cada semestre do ano passado? – Bella perguntou curiosa.

Volturi soltou um pouco o nó da gravata que estava inconscientemente o apertando.

— Não existe motivo algum que me obrigue a lhe dar satisfações sobre a maneira de como eu gasto o meu dinheiro, Tenente Swan.

— Então talvez o senhor possa me explicar como essa mesma quantia em dinheiro foi listada por Jéssica Stanley em seu nome em uma agenda dela.

— Não faço a menor ideia do que a senhorita está falando.

— Temos provas Secretário, de que o senhor gastou uma quantia de cem mil dólares, pagos em quatro parcelas de vinte e cinco mil, para Jéssica. – Ela esperou alguns instantes e depois concluiu. – É uma quantia muito grande para ser gasta com alguém que o senhor mal conhecia.

— Não tenho nada a declarar a respeito desse assunto, Tenente.

— Jéssica Stanley estava chantageando o senhor, Secretário Volturi?

— Não tenho nada a declarar.

— Porém, as provas dizem pelo senhor. – Bella afirmou. – Ela o chantageava, você pagava, simples. Estamos cientes de existem apenas duas formas de acabar com uma chantagem. A primeira é acabar com o suprimento de dinheiro e a segunda é eliminar o chantagista.

— Isso é um engano, um completo absurdo. Eu não matei Jéssica Stanley, nunca faria isso... Eu pagava a quantia para ela corretamente. Eu...

— Secretário Volturi! – O advogado mais velho segurou com força o braço do cliente antes que este se complicasse mais ainda. – O meu cliente não tem nada a declarar sobre a morte de Jéssica Stanley. Obviamente colaboraremos com o que for preciso com a Receita Federal sobre as contas divergentes. Até o momento, porém, nenhuma acusação oficial foi feita. Estamos aqui apenas como cumpridores do dever e como ajudantes da lei.

— O senhor conhecia uma mulher chamada Lua Star? – Bella começou o bombardeio.

— Meu cliente não tem mais nada a dizer.

— O senhor conhecia uma acompanhante licenciada chamada Lucinda Bekers?

— Meu cliente não tem mais nada a declarar. – O advogado falou com paciência.

— O senhor agiu de várias maneiras com a intenção de atrapalhar o andamento deste caso. Por quê?

— Essa é uma afirmação de fatos oficiais, Tenente Swan ou é apenas uma opinião sua? – O advogado perguntou.

— É fatos o que o senhor quer? Pois aqui vão os fatos. O senhor conhecia Jéssica Stanley, pode-se dizer intimamente. Ela o estava chantageando com cem mil dólares ao ano. Porém agora ela esta morta e tem alguém deixando vazar informações confidenciais sobre a investigação. Duas outras mulheres estão mortas, sendo que todas elas trabalhavam como acompanhantes licenciadas, atividade ao qual o senhor se opõe fervorosamente.

— Minha oposição à prostituição é de cunho pessoal, moral e política. – Volturi falou com raiva. – De todo o meu coração, sempre vou apoiar qualquer lei que considere este trabalho fora da lei. Só não é muito plausível que eu saia matando todas as prostitutas que existem só pelo fato de ser contra elas.

— O senhor tem em seu poder uma coleção de armas antigas, Secretário Volturi? – Bella perguntou.

— Sim. Eu possuo. – Ele ignorou a advertência de seu advogado. – Uma coleção pequena, mas todas as armas são registradas, inventariadas e seguradas. Estou disposto a libera-las para serem feitos testes em todas elas.

— Agradeço por isso. – Carlisle falou. – Obrigado por sua cooperação no caso.

O Secretário se levantou e em seu rosto transparecia alivio, porém o medo dentro dele ainda estava longe de abandona-lo.

— Quando toda essa questão for resolvida, eu não irei esquecer nenhum detalhe sobre essa reunião. Ele se voltou para Bella. – Não esquecerei quem invadiu a sala do Secretário de Segurança.

Quando o Secretário se retirou da sala seguido por seus advogados, o comandante falou.

— Quando tudo for solucionado, ele não vai chegar a menos de cem metros da sala do Secretario de Segurança do Estado.

— Eu precisava de uma pouco mais de tempo com ele. Por que o liberou assim?

— Por que o nome dele não é o único que esta na lista de Jéssica Stanley. E também por que ainda não temos prova de nenhum tipo de ligação dele com as outras duas vítimas. Diminua a lista de suspeito, descubra uma ligação, e eu lhe dou todo o tempo que quiser com ele. – Fez uma arrumação na mesa que estava cheia de papeis enquanto pensava no que ia falar. – Swan, você estava muito bem preparada para este interrogatório. Era quase como se você soubesse o que iria acontecer. Acho que eu não preciso lembrar para você que vasculhar documentos privados é contra a lei.

— Não precisa me lembrar senhor, eu sei disso.

— Não achei mesmo que eu precisasse. Esta dispensada.

Ao ir em direção à porta, achou que tinha escutado de seu comandante um “ótimo trabalho garota”, mas talvez fosse impressão sua.

Já estava dentro do elevador indo para a sua sala quando ouviu o seu comunicador tocando.

— Swan. – Atendeu rápido

— Uma ligação para você. Damon Salvatore.

— Retornarei a ligação para ele mais tarde.

Pegou um copo de papel que continha uma gosma marrom que chamavam café e um negócio gosmento que chamavam rosquinha, enquanto entrava na área restrita da Seção de Registros. Levou quase meia hora para conseguir fazer a requisição dos discos dos três homicídios.

Em sua sala ela mais uma vez os estudou, leu todas as suas anotações antigas e acrescentou novas anotações.

A vítima estava em cima da cama nas três vezes. Estava com lençóis amassados nas três vezes. Estava nua nas três vezes. E os cabelos desarrumados.

Com os olhos em fenda, solicitou ao computador que desse um close na imagem de Lua Star e fizesse pausa.

— Marcas vermelhas na nádega direita. – sussurrou. Não tinha notado antes. – relação de dominação? Espancamento? Ela não apresenta arranhões ou manchas roxas. Preciso pedir para Charlie ampliar a imagem e avaliar melhor. Trocar para agravação de Jéssica Stanley.

Então Bella assistiu ao vídeo mais uma vez. Ela sorria para a câmera, se insinuava, tocava em si mesma.

— Pare a imagem. Mostre o quadrante dezoito e aumente a imagem. Sem marcas... Continuar a rodar. Vamos Jéssica, me mostre seu melhor ângulo. Vamos ter certeza. Só um pouco mais para eu ver... Agora, congelar. Aumentar quadrante treze. Não existem marcas em você. Será que foi você que bateu nele? Mostre o disco de Lucinda Bekers. Vamos lá Lucinda... Agora é você.

Viu o sorriso da mulher. Viu quando ela alisou os cabelos em desalinho. Bella já sabia as falas de cor: “Foi tudo perfeito. Você foi um máximo”.

Ela estava sentada sobre os calcanhares e sorria para a câmera. Bella começou a desejar que ela se movesse só um pouco. Queria que ela se colocasse de lado, foi então que ela se virou para arrumar os travesseiros.

— Parar imagem. Aumentar quadrante dez... Ele bateu em você também não foi? Alguns homens gostam de bater nas meninas más de vez em quando.

E então as imagens vieram com toda a força. Uma mão forte batendo no seu traseiro. Uma respiração ofegante. “Você deve ser castigada garotinha. Não se preocupe, depois o paizinho dá um beijinho para sarar. O papai vai beijar você todinha”.

— Droga! Sai da minha mente. Vai embora daí. – Ela passou as mãos trêmulas no rosto.

Bebeu o último gole do café frio. O que passou está no passado, ela pensava, isso não tem nada a ver com o trabalho que estava realizando agora.

— Vitima dois e três apresentam marcas de espancamento. Não existem as mesmas na vítima número um. Houve uma quebra no padrão. Uma reação emocional no primeiro assassinato que não existe nos outros dois. – Seu telelink tocou e ela simplesmente ignorou.

— Possível teoria: O assassino ganhou mais experiências no primeiro assassinato e passou a se divertir nos outros. Diminuição de tempo nas gravações da vítima três. Possível teoria: Ele ganhou mais habilidade e mais autoconfiança. Queria sentir a diversão mais rápido.

Tudo se resumia no possível. E o computador concordou com ela quando colocou a porcentagem de 97,5% das teorias dadas por ela. Só que existia algo mais á incomodando quando rodou os três discos ao mesmo tempo, alternando a ordem das imagens.

— Computador, divida a tela. Mostre as imagens da vítima Um e Dois desde o inicio.

O olhar felino de Jéssica e o beicinho infantil de Lua. As duas olhavam para a câmera e para o homem que estava por trás dela. Conversavam com ele.

— Pare a imagem. – ordenou. – Ora, ora... O que temos aqui?

Era um detalhe mínimo. Quase imperceptível. Ela deixara passar antes, mas não agora. Ela percebeu através do olhar de Jéssica e do olhar e Lua.

Os olhos de Lua estavam olhando para um ponto mais alto do que o de Jéssica.

A altura das camas poderiam ter dado essa diferença. As mulheres estavam sentadas em cima das camas e o homem em pé. Poderia ser esse o motivo, ela pensava enquanto colocava a imagem de Lucinda. Porém o ângulo dos olhos... somente o Jéssica era diferente.

Ainda olhando para a tela ela ligou rapidamente para a doutora Renné.

— Não quero saber se ela está ocupada, eu preciso falar com ela agora. – falou para a recepcionista.

Ela falou vários palavrões enquanto era colocada em modo de espera ouvindo uma música chata.

— Tenho uma pergunta para fazer? – Ela falou quando viu a doutora surgir na ligação.

— Pois não, Tenente.

— É possível a existência de dois assassinos?

Notas finais
E ai menias, isso é possível? O que vcs acham?
O que será que o Damon queria com ela? Só conversar ou ele lembrou algo importante?
Espero o comentário de vcs...
Bjinhos e até depois.