Nudez Mortal

2 Conhecendo o caso.


Notas iniciais
Oi, olha eu de novo...aqui vocês vão ver um pouco mais da personalidade da Bella.
Lá em baixo nos vemos.

Ao se encaminhar ao local, a tenente Dallas apreciava a cidade que estava hoje no seu mais normal do dia, a Avenida Broadway Oeste estava bastante movimentada, cheio de turistas passeando como se estivessem em um desfile, carrinho de lanches que se metiam em meio à multidão de pedestres, carros que faziam ultrapassagens indevidas... Ela estava em casa! Sabia que a área que havia acontecido o incidente era conhecida carinhosamente por calçada das prostitutas, mas se deparou com um prédio que se estendia ao céu com seus cinquenta andar de metal puro, antes de chegar à entrada ouviu duas propostas indecorosas.

Dirigiu-se ao policial que guardava a entrada do prédio exibindo seu distintivo.

— Tenente Swan — Apresentou-se.

— Pois não – O policial a seguiu até os elevadores – Décimo oitavo andar – Anunciou quando as portas do elevador fecharam.

— Me repasse todas as informações, policial – Bella solicitou enquanto ligava seu gravador.

— Tenente, não fui o primeiro a chegar ao local, e seja lá o que for que tenha acontecido lá em cima está sendo muito bem protegido de todos. Existe uma autorização especial esperando pela senhora Tenente. Trata-se de um homicídio com código cindo, no apartamento 1803.

— Tudo bem.

Quando as portas do elevador se abriram a Tenente Swan prosseguiu sozinha por um corredor estreito até chegar de frente ao apartamento de número 1803. Colocou o distintivo no nível dos olhos, de frente para a câmera que havia na porta até ser identificada. A porta foi aberta e ela adentrou ao apartamento.

— Swan.

— Charlie – Bella se sentiu feliz e muito agradecida por encontrar um rosto conhecido. Ele era um grande amigo e ex-parceiro de ronda, que trocara o trabalho nas ruas por uma sala confortável e u cargo de auto posto na DDE. – Ora, ora, então eles estão se utilizando dos poderosos figurões da computação, agora?

— Mas se eles necessitam dos melhores, temos que estar a postos – Ele exibiu um sorriso, que logo se desfez – Você está abatida.

— Tive uma noite longa e complicada.

— É, fiquei sabendo! – Ele ofereceu uma noz coberta de chocolate que retirou de um saquinho que sempre trazia no bolso. Ficou analisando sua companheira enquanto se perguntava se ela estava pronta para enfrentar o que havia no quarto que ocorrera o crime.

Bella era muito jovem para a posição que atuava no memento, tinha 28 anos e olhos cor de chocolate que jamais tiveram chance de serem inocentes. Seus cabelos castanhos claros que chegavam até abaixo dos ombros estavam amarrados em um rabo de cavalo mal feito, mas por praticidade do que por conforto, porém eles combinavam perfeitamente bem com o rosto quase redondo, com maças perfeitas e com um queixo que dava vontade de sempre está acariciando.

Bella era alta e magra, mas Charlie sabia que havia músculos por baixo daquela roupa desgastada que ela gostava de usar, muito mais que isso, ali havia cérebro e um grande coração.

— Esse caso não vai ser moleza Swan.

-Pelo visto, acho que sim! Agora me diz, quem é a vítima?

— Jéssica Stanley, neta do Senador Stanley.

— Olha, política não é muito o meu forte.

— Ah! Tinha me esquecido. Ele é aquele sujeito da Virgínia, de direita, que possui muito dinheiro. A sua querida neta deu uma reviravolta em sua vida e decidiu mudar-se para Nova York. Decidiu virar acompanhante licenciada.

— Uma prostituta! – Bella dava uma olhada no apartamento que era ricamente decorado em cores claras, tinha uma tela holográfica que mostrava um cenário calmo de uma praia. Possuía um bar embutido ao canto da sala, enfim, um apartamento longe de se parecer com o seu.

— A vítima tinha 24 anos, mulher, branca. Foi morta na cama. Tenho certeza que a política vai complicar o andamento desse caso.

— Morta na cama é? Soa até poético, afinal ela passava mais tempo na cama do que fora dela. Como ela foi morta?

— Bom, prefiro que você veja com seus próprios olhos.

Ao seguirem em direção ao quarto cada um pegou uma lata com spray selante e borrifaram suas mãos e botas para que apagassem impressões digitais e impedissem que qualquer material fosse trazido para a cena do crime. Bella borrifou bem em suas boas, até que estas começassem a brilhar, para que nenhuma fibra, cabelo ou qualquer outro material da cena do crime ficassem aderidos a sua bota.

A ausência de outros policiais na cena do crime indicava que eles estariam pisando em ovos e que nada poderia dar errado na avaliação inicial da cena.

— Quando estava vindo para cá percebi que havia câmeras de segurança no saguão, no elevador e no corredor!

— Já confisquei os discos das câmeras e todos os dados do sistema.

Ao abrir a porta do quarto ela não se deparou com uma imagem bonita. A morte não era algo bonito, mas sim algo sórdido! Porém aquela cena era chocante e fora montada para parecer ofensiva.

A cama era gigantesca e estava localizada no meio do quarto, estava com lençóis de cetim na cor pêssego. Haviam pequenos refletores direcionados ao centro da cama onde estava o corpo de uma mulher. O colchão balançava ao suave som de uma música que estava programada em uma dança sinistra.

A garota mesmo morta era uma criatura linda, com pele branca e os cabelos dourados espalhados pelo travesseiro! Olhos azuis vidrados, olhando para o nada. O corpo estava perfeitamente colocado em forma de X, os braços e pernas bem esticados, a cena fora toda armada para que a polícia ficasse impressionada.

Três eram as marcas no corpo da vítima, uma no meio da testa, outra no meio do peito e a outra entre as pernas dela, bem na genitália! Talvez ele tenha feito isso para apagar todos os vestígios de sêmen deixados na vítima. Três ferimentos feitos com uma simetria perfeita. Bella já tinha presenciado tamanha quantidade de sangue, na noite anterior por exemplo.

— Se você já gravou toda a cena do crime, por favor, desligue a droga dessa música. – Ela andou até perto da vítima para avaliar melhor a cena.

— Droga! Parece que esses ferimentos foram feitos a bala.

Bella estava espantada, afinal as armas de fogo haviam sido banidas desde as últimas guerras urbanas, há muitos anos atrás.

— A pessoa que fez essa festinha aqui deixou um pequeno presentinho. – Charlie falou apontando para o revolver que estava dentro de um saco plástico para provas em cima da mesinha ao lado da cama. – Essa belezinha deve custar muito para quem é colecionador legalizado, e talvez o dobro no mercado negro.

— Isso ai deve ser pesado! – Bella falou impressionada.

— Essa belezinha é um Smith & Wesson, calibre 38! – Charlie olhava de forma carinhosa para a arma. – Essa pecinha era usada como equipamento padrão da polícia até fins do Século XX. Nunca, em toda minha vida, tinha olhada para uma dessas fora de um museu. Param de fabricá-la em 2022, ou então em 2023, quando a lei que bania as armas foi aprovada.

— Vamos pesquisar todos os colecionadores da cidade pra ver se algum deles denunciou algum sumiço ou roubo de uma de suas peças. Vamos também dá uma olhada nos registros de ligações, agendas e quem sabe alguns diários secretos da vítima, afinal ela estava nesse ramo há algum tempo e tinha que manter algum registro. – Bella já começava a colocar sua mente para funcionar. – Agora não tinha mais jeito, ela já estava totalmente envolvida no caso. Agora Jéssica Stanley era a sua prioridade.

— Charlie, quem foi que deu o alarme para a polícia?

— O próprio assassino.

— Vamos dá uma fuçada nas coisas dela.

Eles abriram armários, gavetas, olharam tudo cuidadosamente. A garota tinha bom gosto e só usava roupas caríssimas e de marca.

— Olha só, achei a agenda pessoal dela.

Bella continuava procurando por indícios enquanto Charlie olhava todos os registros da agenda.

— Meu bom Deus, essa agenda é dinamite pura! Tem registros de encontros com a nossa alta sociedade. Temos políticos, médicos renomados, artistas casados e temos até o número pessoal do Edward Cullen.

— Quem é Edward Cullen?

— Nossa Swan, você precisa começar a assistir mais noticiários. Edward é sempre considerado notícia grande, pra você ter ideia tudo que ele toca vira ouro. O cara possui uma das maiores coleções de artes do mundo e de antiguidades também.

Nesse momento Bella parou para prestar atenção e só então Charlie percebeu.

— Ele possui também uma coleção de armas legalizadas e há boatos que dizem que ele sabe como utilizar todas elas.

— Acho que vou fazer uma visitinha a esse Edward Cullen.

— Você não vai conseguir chegar a menos de três metros de distância dele. Ah, qual é Swan você vai se meter com coisa grande, você não pode nem imaginar envolve-lo nesse caso se não tiver provas.

— Ah Charlie, assim você até me ofende!

Bella ia deixar a cena do crime para falar com possíveis testemunhas, mas antes de se afastar, Bella percebe um pedaço de papel em baixo do corpo da vítima, aproveitando que suas mãos estavam cobertas com o spray selante ela pega o papel e nele vê uma mensagem que a deixa muito zangada.

UMA DE SEIS.

Notas finais
DDE = Divisão de Detecção Eletrônica.
Em 2058, a prostituição é um trabalho legalizado, os homens ou mulheres precisam de uma licença que é só é liberada após a maior idade. Se essa licença acaba o prazo, essas pessoas podem ser presas.
As armas de fogo são banidas.
E ai....mereço comentários.