Nuclear

5 Passeio em família - capítulo 5


Notas iniciais
Oi, cupcakes! Vocês já podem me amar porque é o segundo capítulo que posto hoje (já postei um de Drive By mais cedo, se você ainda não leu, corre lá!) jiolwçke Esse é mais gracinha e eu fiz mais voltado pra família, mas ainda vai ter discussão (não vou dizer quem discute com quem porque isso vai ser spoiler e não sou uma moça tão boa a ponto de cessar a sua curiosidade u.u KOPALÇKDLS) Antes de mais nada, boa leitura! (e falem comigo lá embaixo!)

“Há sempre uma chance de algo impossível acontecer”

– Nando Reis

POV Castle:

Vou na frente com Helena, segurando sua mão conforme atravessamos as ruas e conforme nos aproximamos do parque, ela vai virando o pescoço para trás com maior frequência, checando se Kate ainda está atrás de nós. Quase rio daquilo porque quero dizer a ela que, se estivermos os dois com ela, estará mais segura do que nunca, porque a segurança é sempre adquirida primeiro pelos braços dos pais, mas então me lembro que ela ainda não sabe que sou seu pai e não sei quando teremos a coragem para desmentir que ela não teria um.

Quando ela nos alcança, Helena estende a outra mão para que ela a segure, o que ela faz de prontidão, avisando para que olhe para os dois lados da rua antes de atravessar. Os cachos de seus cabelos balançam para cima e para baixo quando ela consente e eu quero puxá-la para mim e apertá-la contra meu peito.

Eu quis discutir com Kate quando descobri, fazendo contas, que Helena era minha filha e ela não havia me contado, mas agora, apesar de tudo o que ela fez, não consigo deixar de imaginar a dor que ela deve ter sentido todo esse tempo, criando Helena sozinha porque eu sei como é criar uma criança sozinha.

Animada demais para conseguir se segurar, Helena solta nossas mãos e corre para os brinquedos perto do parque, onde há várias outras crianças brincando. Kate solta uma risada e começa a correr atrás dela, o que apenas me faz sorrir. Há quanto tempo não venho imaginando uma cena dessas?… nós dois correndo atrás de uma criança, a nossa criança.

– Helena! – grita Kate – Não vá onde eu não possa vê-la!

– Ela não vai desaparecer do nosso campo de vista, Kate – eu a tranquilizo, mas posso ver que ela não confia muito em minhas palavras – Nós vamos cuidar dela juntos.

– Não entendo você – ela ri – Em um momento está todo bravo comigo, querendo explodir qualquer um que se coloque entre você e Helena, mas em outro está todo carinhoso com nós duas e quer me ajudar em tudo…

– Homens também têm suas crises, sabia? – rio, fazendo-a me acompanhar na risada.

– Bom saber – ela pisca e volta a olhar as crianças brincando, esticando o pescoço.

Faço o mesmo e vejo Helena dividindo um brinquedo com um menino; começo a lembrar de quando nós dois tivemos a conversa sobre os namorados de Alexis e, céus, parece que foi há séculos atrás! Olho para ela, esperando que não perceba meus olhares, mas ela o faz e vira a cabeça para me encarar; há um sorriso tímido em seu rosto e eu acabo sorrindo também.

– O que foi? – ela pergunta, cruzando os braços sobre o peito e voltando a olhar Helena.

– Você está muito mais bonita do que me recordava – eu digo; minhas bochechas queimam.

Ela, lentamente, vira a cabeça para me encarar mais uma vez. Seu sorriso está mais amplo e suas bochechas avermelhadas mostram claramente a vergonha que ela está sentindo; encurto a distância entre nós e toco seu rosto, acariciando sua bochecha com o polegar. Os olhos dela se fecham quando começo a me aproximar de seu rosto, e então, por um momento, os flashbacks recomeçam, fazendo com que eu me afaste dela com um pulo.

Invisto contra ela mais uma vez, ouvindo sua voz chamando por mim mais uma vez, pedindo que tudo aquilo dure mais algum tempo, mas não consigo me segurar.

Movo os quadris mais uma vez e então, tudo acaba, como se nunca tivesse ocorrido nada naquele colchão.

– Castle? – ela toca meu rosto – Seus lábios estão brancos e você empalideceu, está tudo bem?

– Sim – eu gaguejo.

– Tem certeza? – ela pergunta, acariciando minhas bochechas – Podemos ir a um hospital, tenho certeza de que poderemos compensar Helena depois.

– Não, deixe-a brincar – eu suspiro – Eu só… eu tive um flashback da noite que ficamos juntos.

– Agora? – o queixo dela cai e posso ver seus olhos arregalados, por mais que ela esteja tentando esconder a surpresa – Bem, e como foi?

– É meio estranho falar como foi – gaguejo – Nós dois… bem, estávamos terminando o que começamos.

– Sinto-me exposta agora – ela ri, voltando a cruzar os braços sobre o peito – É como se uma grande parte da minha vida estivesse sendo exposta para todos que quiserem ver.

– Não é como se todos estivessem vendo o que aconteceu – eu pisco – Não tem problema nenhum em recordarmos o que aconteceu, Kate. Não há motivos para vergonha.

– Não estou com vergonha do que aconteceu – ela dá de ombros – Mas ainda assim, é meio estranho, afinal, de qualquer forma, trabalhamos juntos.

– E temos uma filha – sorrio – O fato de trabalharmos juntos não muda nada, nós dois temos uma filha e, bem, é claro que sabemos bem como bebês são feitos.

– Ora, cale a boca! – ela ri e bate no meu peito.

Eu rio com ela e volto a olhar para Helena, que agora corre de um lado para o outro com duas outras meninas. Há um homem parado ao lado dos brinquedos e, de repente, sem que ninguém perceba, ele puxa uma das meninas pela camiseta e a coloca debaixo do escorregador. Balanço a cabeça e viro o corpo para dizer a Kate o que vi, mas ela já foi atrás do homem.

Ouço sua discussão e começo a procurar por Helena e, quando a encontro, ela está debaixo de um escorregador menor, com os joelhos pressionados no peito e lágrimas escorrendo pela bochecha, provavelmente com medo de toda aquela gritaria. Engatinho para conseguir mostrar a ela quem sou e vejo seus olhos adquirindo o brilho amigável que ela tinha antes de toda a confusão.

– Oi – eu digo – Que tal você vir até aqui e me dar um abraço?

– Moço mau – ela dá de ombros e eu sorrio.

– Eu sei que tem um moço bem malvado aqui, Lena – suspiro – Mas o que você acha de, depois que sua mãe ajudar a impedi-lo, nós três irmos tomar um sorvete?

– De chocolate? – ela pergunta, já sorrindo; eu confirmo com a cabeça e solto uma risada.

– Sim, de chocolate, Lena – eu estico os braços – Posso proteger você do moço malvado?

– Pode – ela diz, engatinhando para perto de mim e deixando que eu a envolva nos braços.

Começo a engatinhar para fora, mas há uma dificuldade a mais, visto que Helena agora está agarrada ao meu pescoço como um carrapicho. De joelhos, olho nos olhos dela e só o que consigo enxergar são os meus próprios olhos.

– Olhos azuis, que nem os meus! – ela beija minha bochecha e eu rio.

– Sim, nós temos a mesma cor nos olhos – eu acaricio sua bochecha, uma vez que já estou de pé – Isso é bem legal, não é?

Ela balança a cabeça com rapidez e eu olho ao redor, procurando por Kate. Vejo algumas viaturas policiais e, quando percebo, ela está ao lado de dois policiais, conversando com eles e com o distintivo nas mãos. Dou um suspiro aliviado e ouço Lena tentar fazer o mesmo; olho para ela e então ela abre um enorme sorriso para mim, escondendo o rosto em meu pescoço. Eu rio e vejo Kate procurando alguém na multidão e, quando seus olhos se focam sobre mim, ela abre um sorriso sincero e corre em nossa direção.

– Mamãe! – diz Lena quando Kate já está bem próxima.

Sou envolvido em um abraço conjunto, algo que já havia imaginado há tanto, tanto tempo! Escondo o rosto nos cabelos dela, procurando o perfume do qual me lembro bem, mesmo depois de anos separados, e ele ainda está lá.

POV Kate:

Eu os envolvo num abraço porque, em um momento de confusão, pensei que os havia perdido no meio daquilo tudo. Ele esconde a cabeça em meus cabelos e eu beijo as bochechas de Lena, feliz demais para sequer reclamar de ela ter sumido de minha visão. Peço a Castle que a coloque em meu colo e ele o faz de prontidão, sorrindo ao me ver abraçando Helena.

Fecho os olhos quando ele envolve a nós duas noutro abraço, querendo que não haja mais confusões no dia de hoje, porque já estou farta delas. Olho para ele e, rapidamente, ele parece entender o que desejo.

Ele sempre entende.

Nós começamos a contornar o parque, e ele pega Helena nos braços mais uma vez. Olho para os dois e vejo que ela começa a adormecer em seu peito.

– Ela dormiu – eu ajeito os cachos para que não caiam em seu rosto – É melhor levá-la para casa.

– Mas eu prometi sorvete de chocolate! – ele reclama, esticando o pescoço para olhá-la.

– Castle, você mal voltou e já começou a estragar a nossa filha – eu bato em seu ombro e vejo um enorme sorriso em seu rosto – Por que está sorrindo?

– Porque você disse ‘nossa filha’ e eu sempre quis ouvir isso de você – ele dá de ombros e Helena reclama.

– Bem, é a verdade, não é? – eu volto a ajeitar os cabelos dela atrás da orelha – Eu não fiz uma filha sozinha.

– Não, você não fez – ele suspira e, quando ergo meus olhos para encará-lo, estamos próximos demais.

– Castle – eu o chamo – Existe uma coisa chamada espaço pessoal e eu gostaria que você o respeitasse.

– Não, você não gostaria – ele sorri e eu sinto os joelhos fraquejarem – Você deseja isso tanto quanto eu, mas vou fazer um esforço.

E, subitamente, ele se afasta de mim, começando a caminhar com Lena adormecida em seus braços; balanço a cabeça e mordo a bochecha por dentro ao me lembrar de nossa posição: somos amigos e parceiros de trabalho, nada além disso.

Caminho atrás dele e espero até que entre numa sorveteria, pedindo um pote de sorvete para viagem. Eu rio e balanço a cabeça, tomando Helena no colo enquanto ele paga a mercadoria; saio da loja e olho ao redor, fazendo sinal para um táxi.

‘…’

Nós pulamos para fora do veículo e Castle toma Helena de meus braços quando começo a tatear os bolsos à procura de uma chave e, quando a encontro, a porta de madeira escura se abre, revelando meu pai com os olhos fundos e cheios de preocupação. Ele me toma nos braços e fuzila Castle com os olhos, pedindo Helena para si; de início, Castle reluta, mas faz o que meu pai pediu.

– Katie, você tem noção das coisas que imaginei? – papai pergunta, alisando os cabelos de Helena.

– Eu nunca iria deixar a minha filha em perigo, papai – bufo – Além do mais, ainda estou no trabalho burocrático, não tem problema se eu levar Helena comigo para o trabalho.

– Para que ela cresça num ambiente macabro e assustador? – ele grita e, por um instante, tenho medo que tenha acordado Helena.

– Vou colocá-la no quarto – anuncia Castle, pegando-a dos braços de papai – Depois, Kate, podemos conversar?

– Claro… eu… eu já vou subir – sorrio – Pode ir.

– Não pode fazê-la crescer num ambiente tão sombrio e assustador, Katie – papai bufa e deixa que eu entre em casa.

– Não posso esconder o mundo real dela, papai – olho em seus olhos e vejo a mágoa guardada – Eu vivia num mundo completamente meu, em um mundo onde coisas ruins não aconteciam e, de repente, minha mãe foi tirada de mim e fui obrigada a viver num mundo desconhecido e cheio de maldade. Não quero que Helena ache que não há nada errado com o mundo, porque não vou deixá-la imaginar que só existem pessoas boas! Eu não posso mentir para minha filha sobre isso, papai, e ninguém pode me obrigar a fazer o contrário.

– Não estou pedindo que faça isso, Katie – ele soluça – Mas eu só… eu sou avô, e eu nunca pensei que pudesse viver o suficiente para ver os seus filhos! Não sei se aguento isso tudo sozinho sem a sua mãe, criando outra criança sem a sua mãe, e eu… ela não está aqui, e eu gostaria tanto que nós tivéssemos nossos netos e cuidássemos deles como nossos próprios filhos, mas agora estou sozinho e…

– Papai – eu toco seu rosto – Eu sei o quanto você sente a falta dela porque eu também sinto, mas nós precisamos seguir em frente algum dia, não precisamos?

– Precisamos – ele balança a cabeça e eu beijo sua bochecha.

– Bem, você já sabe que eu só vou conseguir seguir em frente no dia em que capturar quem quer que tenha feito aquilo com ela, e não vou descansar até que consiga, mesmo que isso custe a minha vida. – balbucio – Não precisa se preocupar com Helena, pai. Ela estava comigo e com Castle.

– Ele já sabe. – ele afirma e eu consinto – Quando vão contar a Helena que o pai que ela nunca teve de repente apareceu aqui?

– Não vou omitir que Castle é o pai dela, mas não vou contar a história verdadeira idem – dou de ombros – Talvez eu nunca conte o que realmente aconteceu para ninguém, pai.

Ele beija minha bochecha e pede que eu suba; pego uma garrafinha d’água e começo a subir as escadas, ouvindo Castle cantarolando uma música infantil. Paro no batente da porta, vendo-o sentado na cadeira de amamentação e balançando-se com Helena nos braços, para frente e para trás, para um lado e para o outro. Não consigo evitar um sorriso, que começa a tomar conta do meu rosto inteiro.

Dou uma leve batida na porta com os nós dos dedos e vejo seu sorriso quando entro no quarto, colocando a garrafa ao lado dele e pegando Helena nos braços. Inclino o corpo sobre a cama dela que, por precaução, ainda tem as grades de um berço e a deito sobre a colcha que recebemos de presente de uma tia minha, uma tia que sequer conheço.

– Coloquei você em grandes problemas? – ele pergunta ao meu lado; viro a cabeça para ele e sorrio.

– Não – suspiro – Papai estava só temendo pela vida de Helena… ele não quer que ela cresça em meio a um mundo sombrio e assustador, mas não posso omitir detalhes sobre o mundo onde vivemos para ela.

– Não é um mundo perfeito – ele completa e olha para mim – Eu não acho que possamos esconder isso dela, Kate. Mortes induzidas e doenças incuráveis são parte do mundo e isso é uma coisa que não podemos esconder dela… vou me sentir a pior pessoa do mundo se esconder isso dela.

– E é exatamente por isso que nós não vamos esconder nada dela – ajeito o cabelo dela atrás da orelha – Não posso fazer com ela o que meus pais fizeram comigo, Castle. Eu vivia num mundo próprio, onde não existia maldade ou ganância e, quando minha mãe foi morta, por motivos ainda desconhecidos… bem, eu perdi meu chão e o mundo que os dois tinham criado para que eu vivesse começou a desmoronar sobre mim! Eu não posso fazer com que Helena sinta a mesma coisa caso aconteça alguma coisa com um de nós… caso aconteça algo comigo.

– Ei – ele segura meu rosto entre suas mãos e olha dentro de meus olhos – Eu não vou deixar que nada aconteça com você ou com nossa filha, Kate.

– Não duvido disso – tremulo – Você nunca descumpre uma promessa.

– Exatamente – ele sorri, mas não solta meu rosto – Meu Deus…

– O que foi? – estreito os olhos.

– Eu estou com muita vontade de beijar você agora, sabia? – ele sorri e eu começo a sentir o sangue pulsando com violência em meu corpo e o coração começando a subir pela garganta.

Tento desvencilhar-me dele, mas ele é mais rápido do que eu, descendo seus lábios contra os meus e passando uma de suas mãos para minha cintura. Fecho os olhos com força para me acostumar com aquela sensação de que me recordo tão pouco; enlaço seu pescoço com os braços e deixe que me guie em sua própria velocidade.

O que mais espero agora é que Helena não acorde de repente para nos flagrar num beijo…

Notas finais
Oi de novo, cupcakes! O que vocês acharam? O Castle agindo com a Lena ficou muito clichê ou ficou bonitinho? O que vocês acharam do relacionamento dos três nesse capítulo? Formam uma família bonitinha ou acham que não serviu pra juntar os dois? Divulguem a fanfic porque senão ela flopa! Comentem, favoritem, acompanhem, recomendem, mostrem pros amiguinhos e façam o que der na telha pra divulgar, cupcakes, porque senão eu perco a motivação, e tenho certeza de que nem eu e nem vocês querem isso! Vejo vocês nos comentários o/