Nuclear

1 "Meu coração é nuclear" - capítulo 1


Notas iniciais
Não sei bem como tive essa ideia, mas se passa em algum lugar depois de Cuffed (04x10), e sei como bastante gente têm essa ideia, mas tinha uma vozinha dentro da minha cabeça que não parava até eu pôr isso em prática.

Quanto a sinopse, fiz para um concurso de um blog e o tema era Amor & Ódio, mas a dona do blog desistiu. E, como eu já tinha uma sinopse pronta, achei legal fazer essa história.

Repito: sei como há uma galera bem grande fazendo fanfics sobre Cuffed e o que acham que rolou entre os dois quando eles estavam sozinhos e tal, mas não estou plagiando ninguém. Ideia original e totalmente minha.

Mas então, cupcakes, enjoy :3

"Since I've been loving you
I'm about to lose my worried mind
Said I've been crying, my tears they fell like rain
Don't you hear, don't you hear them falling?"

– Since I've Been Loving You, Led Zeppelin.

Quando ele chegou à delegacia pela primeira vez, o ódio que eu sentia por ele era algo descomunal. Não conseguia entender o motivo de querer ser sempre o centro das atenções, querendo sempre chamar mais alguém para olhá-lo e dizer como ele era importante e influente, e como ele conseguia as coisas tão facilmente.

Mas, conforme o tempo passava, comecei a me intrigar cada vez mais com ele, sabendo um pouco mais sobre sua vida, juntando os pedaços do ser humano que ele era. Suas ideias e teorias sempre são sem pé nem cabeça, mas na maior parte do tempo, desencadeiam algo maior, levando-nos ao fim de um caso.

De vez em quando, pergunto-me sobre como estaríamos nos dias de hoje se não fosse por ele estando conosco. De início, o odiava. Odiava como ele comia todas as mulheres com os olhos – e como me provocava apontando alguma delas e dizendo sobre como eu tinha de ser mais “feminina”.

Utilizando-me de sua sugestão, deixei os cachos crescerem e hoje, ele é apaixonado pela mulher que sou – ou a quem me tornei. Não sei muito bem sobre o que devo fazer a respeito disto, mas não me sinto corajosa o suficiente para lhe dizer o que aconteceu depois do tigre.

Obviamente, eu brinquei com ele falando sobre uma próxima vez, mas quando cheguei em casa, soube que aquilo poderia ser verdade. De qualquer forma, deixei passar, e já têm um mês desde o ocorrido. Comecei a ter náuseas, vontade de vomitar, e depois, de comer tudo o que vejo à minha frente. Fora a menstruação atrasada.

Ou seja, realmente não sei o que fazer. Acredito sim que algo tenha acontecido naquela sala quando fomos drogados, mas é impossível achar algo assim, já que estávamos vestidos quando acordamos. Oh, céus. O que será que eu fiz ao Senhor para merecer tal castigo?!

~.~

- Meu coração é nuclear – ele diz, assim que se senta ao meu lado.

- O quê? – o meu coração começou a bater mais rápido, e tive a sensação de náusea novamente.

- Foi o que a vítima escreveu no diário – ele me mostrou o caderninho felpudo –, acho que ela estava completamente apaixonada por um menino que ela dizia odiar. O nome dele é Alex alguma coisa.

Então, colega, ela está na mesma situação que eu. Apesar de eu o odiar, sim, de vez em quando. Por desmerecer mulheres e por ser tão mulherengo mesmo assim. Castle olhou para a minha mão depositada na barriga – por instinto, não que eu ache que ele vá perceber algo de diferente.

- Enjoada? – ele perguntou, deixando o caderninho na minha mesa.

Assenti com a cabeça e ele sorriu, levantando-se e indo até a sala de descanso. Pus a cabeça entre as mãos e bufei. Como eu poderia sequer ter um filho com ele sabendo como ele era infantil? Mas afastei esse pensamento rapidamente, já que obviamente, eu não sabia o que estava fazendo por estar completamente drogada.

Logo ele voltou com uma xícara fumegante nas mãos. Estendeu-a para mim e eu tomei o líquido escuro antes mesmo de saber o que era. Minhas papilas distinguiram o gosto amargo e quando ele desceu pela minha garganta, tive o impulso de vomitar tudo aquilo que eu havia consumido no dia – ou seja, uma maçã e o gole de café amargo.

- Que droga é isso, Castle? – perguntei, com a mão na frente da boca.

- Café expresso – ele sorriu – É bom para curar ressaca.

Ótimo, agora ele achava que eu estava de ressaca. Assenti e forcei-me a virar o café na goela. Apesar da queimação, me deu uma sensação de conforto. Não sabia exatamente como reagir quando ele colocou meu cabelo para trás da orelha e roçou o indicador na minha bochecha, mas permaneci séria.

- Algum avanço nas pistas do ca... – começou Espo, parando no momento em que viu como Castle me tocava. – Am I interrupting something?

- Não! – eu sussurrei, com as bochechas queimando de vergonha.

Castle se recompôs e pegou a xícara das minhas mãos, voltando à sala de descanso. Espo se ajoelhou ao meu lado e sorriu, tocando meu braço. Olhei para ele com os olhos incrédulos, como se ele realmente achasse que aquilo tinha algum significado para mim, mas... E se tivesse e eu ainda não soubesse?

Deus! Como eu odeio Richard Alexander Edgar Rodgers Castle!

- O que aconteceu aqui, Becks? – ele me perguntou, baixinho.

- Nada – eu suspirei –, ele só me trouxe café, Espo.

- Ok, then. – ele sorriu, levantando-se. – Estarei lá embaixo se precisar de mim.

- Obrigada. – disse, mas sem saber se era aquilo o que eu deveria ter falado.

Ele assentiu e saiu andando, como se nunca tivéssemos tido aquela conversa. Uma pontada na boca do estômago tomou conta de mim e eu me curvei para frente, cobrindo a barriga com o braço esquerdo.

- Cólica? – perguntou Castle, sentando ao meu lado novamente.

Quem dera, respondi mentalmente.

- Não. – eu balbuciei com dificuldade. – Castle, me faz um favor...

~.~

Não sei por que lhe pedi para falar que eu não me sentia bem ao invés de falar por mim. Acho que não queria passar mais tempo na delegacia tendo que aturar aquele cansaço impossível, mas, antes de ir para casa e conseguir uma soneca da tarde – algo que eu não tirava desde o maternal –, fui até o necrotério para tirar as dúvidas com Lanie.

Porém, assim que entrei, ela estava preenchendo alguns papéis e eu a cutuquei. Quando ela se virou para mim, seu sorriso foi algo como se ela fosse uma menininha de cinco anos que recebeu algodão-doce num parque de diversões.

- Você não parece muito feliz – ela disse, ao perceber que eu não sorria – O que houve?

E foi aí que eu contei as minhas suspeitas de gravidez para ela, por mais que ainda fosse cedo demais para sequer pensar no assunto, afinal, havia só um mês, e eu nem me lembrava de algo que pudesse tornar aquela gravidez real.

Lanie me levou a uma farmácia e comprou – sozinha, não dividiu o dinheiro – seis (SEIS!) testes para provar a realidade daquilo. Depois, fomos ao necrotério novamente e ela me fez desempacotar todos os pequenos testes e me empurrou para o banheiro.

Fiquei pouco tempo lá dentro e ela pôs cada teste numa bandejinha de metal. Fiquei com receio de alguém entrar, mas ela me garantiu que a porta pela qual entramos estava trancada e que ninguém mais tinha a chave. Suspirei e me sentei numa das bancadas de metal, balançando os pés no ar esperando por um sinal de que tudo aquilo – a gravidez, a suspeita de uma relação sexual que eu não lembrava – fosse apenas fruto da minha louca imaginação.

- Quanto tempo falta? – eu a perguntei.

- Pouco – ela disse, olhando no relógio – Se não se importa...

Lanie sempre usava esse início de frase para falar alguma coisa que ia te ferir ou que ia invadir seu espaço pessoal.

- ... Como você sequer imaginou essa gravidez, amiga?

Eu engoli em seco. Talvez pela falta da menstruação, talvez pelas náuseas recentes logo após o incidente com o tigre.

- Minha menstruação atrasou e eu comecei a ter náuseas e dores de cabeça e... – eu comecei, mas me interrompi quando o celular dela apitou, indicando que os testes estavam prontos.

Pulei da bancada e peguei três enquanto ela pegava os outros três. Eu vi um a um, vendo em cada um deles, os dois traços cor-de-rosa. Olhei para ela, que olhava para os testes sem reação. Ela sempre fazia isso quando chegava a alguma coisa mais pessoal, e eu odiava isso com todas as minhas forças.

- Eu falo um, você fala um. Eu começo. – ela disse. – Positivo.

- Positivo. – eu repeti.

E assim foram os outros quatro testes. Ela jogou os testes fora e olhou para mim como se eu estivesse enlouquecendo. Depois, me arrastou para uma sala na qual eu nunca havia estado em todos os anos de amizade com ela.

- Kate, só teremos como saber se ele é mesmo o pai quando você estiver com, pelo menos, doze semanas. – ela suspirou – Sugiro que não conte a ninguém sobre essa gravidez até lá.

Eu sorri, como se fosse bem fácil esconder uma barriga do tamanho de uma melancia que estaria prestes a ocorrer comigo. Não era algo que eu não quisesse – aliás, eu sempre quis um filho, e sabia que tinha que conseguir um logo –, mas não desta forma. Não sem saber como ele havia sido feito, não sem me lembrar da sensação de estar gerando um filho desde a relação.

- Lanie, isso é impossível. – eu suspirei. – Não tenho como esconder a barriga, mesmo que use roupas largas, e além do mais, eu não poria meu filho em risco trabalhando.

- Eu sei que não cederia, então, faremos o seguinte: você irá para Paris e ficará por lá durante dois meses. – ela suspirou – É o único jeito. E, quando você voltar, faremos o teste de DNA.

Assenti, enquanto ela me arrastava para aquela outra sala e enquanto ela jogava cada teste no lixo. Não sei por que, mas senti certo aperto no coração ao ver a confirmação da minha gravidez sendo posta no lixo como se não tivesse um resultado positivo.

~.~

Eu arrumei a mala em tempo recorde, tendo dinheiro o suficiente para me estabelecer lá na França. Doía-me o coração de deixar todos eles sozinhos, sem que eu estivesse lá. Dois meses era bastante coisa, mas eu estaria com meu filho crescendo dentro de mim e com meu pai, já que ele não me deixaria ir sozinho.

Quando estivéssemos no avião, eu lhe contaria a razão para eu ter que ir, e talvez ele ficasse feliz, mas talvez ficasse bravo por eu não ter lhe contado que tinha alguém. Mas, o que mais eu poderia fazer, se não lhe dizer toda a verdade?, que eu havia sido drogada no trabalho e acreditava que meu filho era de Castle.

Alguém bateu à porta, e eu ergui as mangas do casaco fino que usava, carregando a mala comigo e jogando-a no sofá. Abri a porta e Lanie me estendeu as duas passagens – que ela não deixou nem eu e nem meu pai pagarmos.

- Seu pai já está vindo? – ela perguntou.

- Sim. – eu respondi, fazendo um coque malfeito para que o vento batesse na minha nuca – Daqui a pouco ele deve estar chegando...

Ela assentiu e me puxou para um abraço. Eu retribui e senti a enorme vontade de chorar e ficar nos braços dela pelo resto do mês, sentindo o calor que ela emanava para o meu corpo, sentindo-me como uma menininha de dois anos no colo da mãe, porque era isso o que ela simbolizava para mim no momento.

- Interrompo algo? – era meu pai.

Papai tinha nas mãos duas malas enormes e ele sorria para mim como se não me visse há muitos anos – tínhamos nos visto semana passada – e ele largou as bolsas no chão para que eu pudesse me aconchegar em seus braços, e foi exatamente o que fiz. Lanie se despediu de nós e voltou para o necrotério.

- Por que surgiu essa viagem do nada, Katie? – ele me perguntou, acariciando meu rosto.

~.~

Quando eu lhe contei que estava grávida, estávamos a caminho do avião, e ele só mostrou reação depois que nos sentamos, beijando a minha testa e acariciando minha barriga lisa. Eu sorri para ele e fiquei feliz por ele não ter perguntado sobre o pai da criança – apesar de saber que ele iria fazê-lo.

A aeromoça nos ofereceu drinks e bebidas variadas, mas meu pai negou todas elas e pediu duas águas com gelo e limão. Desligamos os celulares e ele olhou diretamente nos meus olhos, e então, eu soube exatamente o que ele iria perguntar. Meu coração palpitava, sendo esmagado pelas costelas, e minha respiração descompassou, quando ouvi a voz dele, tão serena, tão cuidadosa, me perguntando exatamente o que eu mais temia que ele fizesse:

- Quem é o pai da criança?

Notas finais
Achei meio clichê e tal, mas a ideia simplesmente não saía da minha cabeça! Não acho que seja uma das melhores opções de episódio pra fazer Universo Alternativo, mas acho que, no fundo no fundo, ficou fofinha.

Preciso das suas opiniões sinceras. Quem dá mais? o/

Até o próximo, cupcakes ♥