Now You've Got To Breathe
5 Tempo Livre
Notas iniciais
Era muito cedo para acordar num domingo de manhã, mas Stiles não podia mais ficar em casa. Ele sentia que estava cheio de energia, como uma bomba, pronto para explodir. E as últimas semanas tinham sido apenas um exemplo do que seria o ano inteiro.
E, é claro, tinha ela. Ele havia tentado evitá-la nas ultimas semanas, mas ela simplesmente parecia estar em todo lugar. Ele não entendia, ela era só uma garota, como tantas outras naquela escola. Então porque ela tinha esse... efeito nele? Todas as vezes que seus olhos encontravam os dela, ele sentia o tempo desacelerando, e ela não desviava o olhar, então ele sempre tinha que fazer isso. Não era como se ele procurasse por ela na multidão, mas ela estava sempre lá, inevitável.
Stiles tinha que se recompor, e tirar o resto – raiva, ansiedade, pressão, confusão — do seu sistema. Ele esvaziou sua mochila e a encheu com tudo que precisava para seu dia de folga, depois desceu as escadas e foi para a cozinha estocar comida.
Sua tia estava tomando café da manhã quando o viu. Ela olhou para a mochila em seu ombro com suspeita.
— Você acordou cedo, — comentou, tomando um gole do seu café. — Vai sair?
— É, — ele respondeu, colocando os lanches que pegou da dispensa na mochila.
Melissa suspirou e pousou a caneca na mesa.
— Você vai voltar lá, não é? — perguntou. Quando ele não respondeu ela balançou a cabeça. — Stiles...
— Vou tomar cuidado, ok? — ele a interrompeu. Ela ainda o olhava com preocupação, e ele suspirou. Ele não se acostumava com pessoas cuidando dele, principalmente porque gostava de fazer isso ele mesmo. — Prometo.
Melissa parecia mais aliviada com suas últimas palavras.
— Volte antes de escurecer, está bem?
— Ok, ok. — ele pendurou a mochila no ombro e foi para a porta.
— É sério! — ela gritou da cozinha.
— Ok! — ele gritou de volta.
Stiles entrou no carro e dirigiu até estar quase fora da cidade. Ele saiu do asfalto e estacionou entre algumas árvores. A trilha que ele ia pegar não era larga o suficiente para o carro, e haviam muitas árvores, então ele teria que ir a pé. A maioria dos adolescentes gostava de passar seus finais se semana no parque, ou no shopping, no cinema. Stiles gostava de ir para a floresta.
Stiles seguiu pela trilha que conhecia tão bem e, depois de mais ou menos uma hora e meia, chegou ao seu destino: uma casa abandonada, bem no meio da floresta. Ele havia achado o lugar alguns meses depois que chegou em Beacon Hills, anos atrás, quando sua vida estava uma completa bagunça e ele precisava fugir de seus problemas. Achar aquela casa foi como um milagre para ele, já que não era muito fácil de encontrar, então ele a fez de refúgio. Ela estava toda cheia de poeira e caindo aos pedaços, mas ele gostava dela assim.
Ele tirou o casaco e foi até a parte da casa que parecia ser a sala de estar. lá, ele achou o mais efetivo instrumento de relaxamento pendurado no teto: um saco de pancadas. Um dos médicos que ele visitou o disse para encontrar seu jeito de relaxar (exceto usar drogas, é claro. Não que ele não tenha tentado.) Em uma das consultas, ele ficou tão irritado que deu um soco no médico, e foi então que ele entendeu o que o velho havia dito.
Stiles ficou em pé em frente ao saco de pancadas e começou a se alongar. Amarrou as faixas nos punhos e se posicionar para dar o primeiro soco. E o segundo. E o terceiro...
XXXXX
Lydia havia se mudado para Beacon Hills havia semanas, e com a rotina do último ano, ela sentia como se não tivesse tido uma única chance de relaxar.
Ela acordou cedo no domingo e passou um tempo encarando seus tênis de corrida. Finalmente, decidiu levantar-se e se vestir. Botou uma regata preta e shorts de algodão, o que eram boas roupas de corrida, e calçou seus tênis. Amarrou seu cabelo loiro morango num rabo de cavalo, pegou seu iPod e desceu as escadas.
— Bom dia, — sua mãe a cumprimentou quando ela chegou á cozinha. — Vai correr?
Lydia encheu um copo de suco.
— Sim... Acho que preciso que uma folga.
— Hm. — Foi tudo o que ela disse. Houve um momento de silêncio, mas Lydia sabia que sua mãe queria falar algo, porque ela a observava comer com a cabeça apoiada na mão. A garota não perguntou o que era, porque talvez assim ela pudesse evitar uma conversa desconfortável. Porque se sua mãe hesitava em dizer algo, com certeza era algo desconfortável.
— Isso é por causa do cara bonito? — ela perguntou de repente.
Lydia quase engasgou com seu suco.
— O que!?
Natalie deu de ombros.
— Quando eu tinha sua idade eu sempre me preocupava com meu corpo quando começava a gostar de um garoto.
Lydia piscou.
— Ai meu deus... Do que você está falando? Que garoto? — ela perguntou.
— O garoto da detenção, — sua mãe disse, como uma adolescente fofoqueira. — Você disse que ele era bonito.
Lydia fechou os olhos e se deu um tapa mentalmente. Ela nunca deveria ter dito isso. Agora sua mãe traria o assunto á tona sempre que pudesse.
— Não era minha intenção dizer isso... — ela disse lentamente. — Agora eu vou sair antes que isso fique mais embaraçoso.
— Ah, não largue a bomba e saia! Pelo menos me diga se ele beija bem! — Natalie pediu.
— Ai meu Deus... — Lydia murmurou enquanto pegava suas coisas e saia da cozinha. — Tchau, mãe.
Ela ouviu sua mãe rindo enquanto saia de casa. Lydia entrou no carro e dirigiu até a entrava da reserva florestal da cidade, um lugar que ela queria conhecer desde que chegou. Allison havia dito que lá era um ótimo lugar para correr, então, juntando o útil ao agradável, ela nem pensou duas vezes ao estacionar na ponte que levava até lá. Ela respirou o ar limpo e sorriu, feliz porque finalmente teria um momento consigo mesma, num lugar tão agradável.
Ela colocou os fones de ouvido, apertou o play e começou a correr pela trilha.
XXXXX
Depois de horas de socos, Stiles finalmente parou. Seus músculos queimavam, mas ele se sentia bem, como se tivesse acabado de sair de um banho refrescante. A sala estava quase sem iluminação, então ele percebeu que estava ficando tarde. Ele desamarrou as faixas do punho, vestiu o casaco, pegou a mochila e saiu da casa. Ele andou devagar, prestando atenção á todos os sons da floresta. Felizmente, só havia o som dos pequenos animais que lá moravam, nada tão perigoso quanto um lobo.
Enquanto isso, Lydia estava definitivamente perdida. Ela correu e cantou em voz alta durante horas, admirando a natureza ao seu redor, quando percebeu que estava escurecendo. Além disso, ela se sentia muito burra por ter esquecido de levar uma garrafa d'água.
Lydia passava pela mesma árvore pela quarta vez quando ouviu um barulho de folhas sendo pisadas. Merda, ela pensou. Ouviu o barulho de novo. Seja o que fosse, estava se aproximando. Ela se abaixou e pegou um galho grosso do chão, segurando-o como um taco de baseball, pronta para atacar. Mas, quando viu uma silhueta masculina saindo de entre as árvores, seu plano de ficar calma falhou completamente.
— Aaaaaahhhh! — ela soltou um grito agudo.
— Aaaaaahhhh! — o homem gritou de volta, pego de surpresa.
— AAAAAAHHHH!— ela gritou ainda mais alto, desta vez balançando o galho e atingindo na cabeça o homem, que caiu no chão.
— Ai... Merda... — Stiles gemeu. Pontos negros apareceram em sua visão, e sua cabeça parecia estar em chamas.
— Meu Deus! — Lydia exclamou, largando o galho. Ela se ajoelhou do lado dele, as mão pairando sobre ele, incerta do que fazer. — Me desculpe, me desculpe! Você apareceu do nada, e eu simplesmente... — ela se interrompeu.
Stiles olhou para cima, e seus olhos levaram alguns segundos para deixar o rosto dela em foco.
— Ah, cara – ele disse, porque tinha que ser ela. Com centenas de lugares em toda a cidade, ela tinha que estar lá.
— Você! — ela arquejou, olhos arregalando. — O que está fazendo aqui?
Ele se sentou lentamente, e o movimento fez sua cabeça girar e doer ainda mais.
— Como assim "o que eu estou fazendo aqui"? O que você está fazendo aqui?
— Eu... Eu saí para correr, e... — Ela suspirou como se tivesse que admitir algo difícil, ele ergueu as sobrancelhas. — Eu me perdi, ok?
Stiles franziu a testa.
— Mas pra que porra você veio fazer isso aqui?
— Eu não sei! Eu queria respirar ar fresco, e parecia divertido! — Lydia jogou as mãos para cima.
— Bom, não acabou sendo tão divertido, não é? — ele falou com uma voz monótona. Ele tentou se levantar, mas quase caiu. Lydia se apressou para ajudá-lo, mas ele a rejeitou.
— Estou bem – disse.
— Você não parece bem – ela observou. — Está sangrando.
— Merda! — Ele tocou sua testa e sentiu a ponta dos dedos ficarem molhadas. Respirou fundo e pressionou a mão contra o ferimento. — Ótimo, muito obrigado.
— Eu pedi desculpas! — ela quase gritou. — Estava só me defendendo!
Stiles pegou sua mochila e a pendurou no ombro.
— Só me deixe em paz. Não quero arriscar tomar um tiro.
Lydia franziu a testa.
— Eu não tenho uma... Ei, espere! — ela disse quando ele deu as costas e começou a andar.
— O que é? — sibilou.
— Você sabe o caminho de volta para a cidade não é? — ela perguntou. — Se importa se eu te seguir?
Stiles deu de ombros.
— Que seja.
Eles andaram sem silêncio. Stiles estava muito ciente da presença dela atrás dele. O vento estava ficando frio, e ela se abraçou. Ele focou na trilha em sua frente, fazendo o melhor para ignorá-la. Sua cabeça doía muito, e ele sentia o sangue descendo pela sua testa. Ele não olhou, não podia arriscar...
— Ei, posso te perguntar uma coisa? — ela perguntou de repente, quase fazendo-o pular. Ele não respondeu, o que ela tomou como um "sim" — Qual seu primeiro nome?
Stiles não esperava por essa pergunta. Wow. Ele também não sabia o nome dela. Ele estudavam na mesma escola, tinham aulas juntos, e ele nem sabia a droga do nome dela? Por que ele estava tão chateado? Porque ele estava tão preocupado pensando sobre seus olhos verdes que ele nem se importou em saber o nome dela?
— Então? — ela perguntou quando ele não respondeu.
— Stiles.
— Stiles – Lydia repetiu. — É um nome interessante.
Ele ficou em silêncio. Ele não perguntou, mas achou que devia se apresentar, mesmo que aquela não fosse a primeira vez que conversavam.
— Bom, Stiles, meu nome é Lydia, caso não saiba.
Ele acenou com a cabeça. Lydia. Um nome lindo para uma garota linda.
Eles finalmente chegaram onde estava o Jeep. Não era muito longe da estrada, mas Lydia sabia que nunca estivera ali. Ela sabia exatamente onde havia estacionado, e não havia nenhuma ponte por perto.
— Onde estamos? — ela perguntou.
Stiles se virou para ela e ergueu uma sobrancelha.
— Tá de brincadeira?
— Não! — ela respondendo, escaneando o lugar nervosamente. — Eu não estacionei aqui.
Ele suspirou.
— Onde, então?
— Numa ponte? — ela respondeu, o que soou mais como outro pergunta.
Ele suspirou de novo. Sabia exatamente onde ela havia estacionado, e eles estavam muito longe. Bom, seu Jeep estava bem ali. Ele podia ir para casa, tomar um banho quente e deitar na cama confortável.
— Pode me dar uma carona? Você não tem que me levar para casa, só até meu carro. — ela disse. Stiles não podia deixá-la lá. Estava ficando muito frio, ela podia pegar uma hipotermia, ou acontecer algo pior...
— Stiles, por favor – pediu, fazendo beicinho. Lydia tremia de medo só de pensar em ficar sozinha ali.
Por um segundo, os olhos dele foram até os lábios dela, depois de volta para seus olhos verdes. Droga.
— Entre.
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