Notas iniciais
AYOOO! Esse é um dos meus capítulos preferidos, espero que gostem!

Tempo perdeu seu significado. Noites viraram dias, e os dias eram quietos como as noites. O movimento ao seu redor era borrado. As emergências, as pessoas com curativos e as vestidas de branco, todas andavam como fantasmas, sem rosto. Ele não sabia dizer de estava dormindo, porque suas sonecas eram inquietas e assustadoras, não muito diferente do que o pesadelo que era sua vida acordado.

Durante seu tempo lá, ele presenciou um nascimento (uma mulher muito grávida veio gritando numa maca, empurrada por uma enfermeira que parecia querer tapar os ouvidos e o que parecia ser o pai, que também gritava. Os três vieram seguidos de um grupo grande de pessoas, a família, que trazia ursos de pelúcia, balões e comida), mas ele também presenciou mortes. Acontecia o tempo todo, cada minuto naquele lugar significava a perda de uma vida. Ele ouviu o choro, os gritos, o desespero. Todo dia ele ouviu o mundo de alguém desmoronar.

Era mais do que triste. Era depressivo.

O quarto em que ela estava ficava a apenas um corredor de distância. Stiles estava ciente da proximidade, quase podia sentir sua presença. Foi visitá-la uma fez, animado com a notícia de que finalmente podia vê-la. O pouco de pele que não estava coberta estava pintada em diferentes tons de roxo e verde-amarelado. Haviam cortes em seu rosto e pescoço, seu braço direito estava engessado. Cabos a ligavam a máquinas que checavam seus batimento, e um tubo grosso a fazia respirar, fazendo seu peito subir e descer mecanicamente. Vê-la naquele estado, frágil, debilitada... o horrorizou. Aquela era uma imagem de Lydia que ele não queria manter em sua memória.

Então ele preferia ficar na sala de espera e... bem, esperar. Por notícia, por mudanças, por qualquer coisa. Sua cabeça imperativa o impedia de relaxar, fazendo com que seu tempo naquela sala fosse uma tortura. Natalie passava horas falando com a filha, o que os médicos diziam que podia ajudar. Ele cogitou várias vezes ir e tentar contato, mas não sabia como.

Algumas vezes ele enjoava daquela sala e ia andar pelo hospital. Stiles sentia que estava andando em um grande labirinto, já que todas as paredes tinham o mesmo tom de verde doentio, que faziam com que todos os corredores fossem iguais. Mas não importava o quando caminhasse, ele sempre acabava na porta do quarto dela. Talvez ela, de alguma forma, o atraísse até ali, como um imã. Ele encarava a madeira que os separava, mas nunca entrava. Um dia, para sua desagradável surpresa, havia um visitante inesperado naquele ponto. Ele usava uma daquelas camisolas de hospital, e bandagens em algumas partes do corpo. Ele parecia debilitado e hesitante, provavelmente decidindo se entrava no quarto ou não.

Stiles respirou fundo, seu sangue borbulhando de raiva. Seus punhos cerraram-se, prontos para agir, e ele cuspiu apenas uma palavra.

— Jackson?

O cara virou-se para encará-lo, e essa era a confirmação que Stiles precisava. Sem pensar duas vezes, deu dois passos em direção ao visitante e enterrou seu punho em seu rosto. Jackson caiu no chão com um gemido de dor e nem teve tempo de recompor-se antes que Stiles pulasse em cima dele, dando um soco depois do outro. Os seguranças vieram e tentaram tirá-lo de cima, mas sua raiva o fazia mais forte que todos.

— Stiles, para! Sai de cima dele, agora! Stiles! — ele ouviu a voz da tia chamá-lo, mas ele não podia parar. Não iria. O garoto era a razão daquilo tudo, ele era o vilão. Seu sangue custava poiuco em relação á toda a dor e sofrimento que ele trouxe, e Stiles estava mais do que contente em fazê-lo pagar. Colocou suas mãos ensanguentadas ao redor do pescoço de Jackson e o apertou com toda força. Assistiu o rosto do garoto ficar vermelho enquanto tentava respirar, arranhando as mãos do agressor. A alegria de Stiles foi interrompida quando ele foi brutalmente puxado para tráse caiu no chão. Lutou com o segurança que o segurava, tentando voltar para sua vingança.

— Pare com isso! Pare! — o homem gritou, mas ele não estava escutando.

— Ela está aqui por sua causa! — Stiles berrou para Jackson, que estava jogado no chão, frágil e ensanguentado, sendo assistido por enfermeira. — É tudo culpa sua, seu desgraçado! Se ela não sobreviver, eu te mato! Vou te encontrar e vou te matar!

Stiles quase não sentiu a picada em seu braço. Sua visão começou a ficar embaçada, e ele aos poucos foi perdendo a sensibilidade, até não poder lutar mais. E então tudo ficou escuro.

XXXXX

Stiles acordou numa cama macia, em um quarto que não reconhecia. Mas o verde nas paredes fizeram com que as lembranças do que aconteceu voltassem rápido. Ele suspirou, esfregando os olhos, parando para analisar a mão machucada.

— Você quase o matou, sabia? — alguém disse do outro lado do quarto. Por um segundo insano, ele pensou que fosse Lydia. Mas então realidade o atingiu, e ele virou a cabeça para ver sua tia sentado numa poltrona.

— Ugh, o que eles me deram? — ele gemeu, fechando os olhos. O mínimo movimento era o suficiente para fazer sua cabeça girar.

Melissa inclinou-se para frente, descansando os cotovelos no joelhos.

— Tiveram que te sedar porque você quase o matou, — ela disse, sua voz transbordando decepção. — Stiles, o que você estava pensando?

— Estava pensando no quanto eu queria machucar aquele filho da...

— Stiles!

— Olha, eu não vou pedir desculpas, ok? — ele disse, sentando-se ereto. — O cara apareceu do nada e quase tirou o que eu tenho de mais importante. Então sim, eu quase o matei, e faria tudo de novo se tivesse a chance.

Melissa suspirou, levantando-se e indo até a cama, sentando-se ao lado do sobrinho e olhando-o com preocupação.

— Eu entendo que você está com raiva, eu também estou, mas não é assim que se lida com as coisas. Eu não sei se ele vai prestar queixa...

Stiles franziu a testa.

— E ele pode fazer isso? O que ele fez foi mil vezes pior...

— Estou dizendo que se ele tivesse morrido...

— Eu estaria ferrado, sei disso, — ele disse, deitando a cabeça no travesseiro e passando a mão pelo rosto.

— Enfim, eu podia passar horas te dando uma bronca, mas tenho uma ótima notícia para te dar, — ela disse, seus lábios sa abriram num sorriso.

— O que? — ele perguntou, sem abrir os olhos.

— Bem, Lydia... — A simples menção do nome dela foi suficiente para chamar a atenção do garoto, que sentou-se rapidamente. — Ela está conseguindo respirar sozinha!

Stiles piscou.

— Ela... o que?

— Está respirando! Não precisa mais da ajuda de aparelhos. — Melissa pegou a mão do sobrinho entre as suas, olhos brilhando. — Isso significa que ela está acordando, Stiles. Agora é só uma questão de tempo.

Stiles sentiu que podia chorar, ou dançar. Lydia estava voltando. De repente o quarto já não tinha mais um tom doentio, seu coração estava menos pesado e tudo aquilo parecia menos um pesadelo.

— Preciso vê-la agora, — ele murmurou, jogando as pernas para fora da cama. Ficar em pé fez sua cabeça girar um pouco, então ele se apoiou por alguns segundos depois de sair do quarto. Andou devagar pelo corredor, controlando-se para não sair correndo e invadir o quarto dela; ele não queria acordá-la com um susto. Foi dando um passo atrás do outro até chegar em sua porta. Respirando fundo, ele a abriu.

Aproximou-se da cama lentamente, mas quando a saudade que sentia dela o atingiu, ele cruzou o quarto em dois passos largos. O tudo grosso que antes a fazia respirar havia tido retirado, e as contusões em seu corpo havia haviam desaparecido quase completamente. Seu rosto não estava mais inchado e machucado como antes; ela estavam bem melhor do que da última vez que a viu. Parecia estar apenas adormecida. Stiles sorriu de leve e pegou a mão dela; estava fria, combinando com a sua.

— Oi, Lyds, — ele murmurou, admirando seu rosto. — Você está aí?

Ela não respondeu, para o seu desapontamento. Stiles pegou uma cadeira e a colocou ao lado da cama, o mais próximo possível, e sentou, voltando a pegar sua mão. Olhando para seu rosto lindo, ele chegou à conclusão de que tanta beleza não pertencia a um lugar como aquele. Podia admirá-la para sempre, descobrindo que essa era uma maneira eficaz de anestesiar sua dor. Ele ergueu a mão dela e a beijou, segurando-a contra sua bochecha.

— Eu te amo, — murmurou.

Um movimento mínimo contra sua pele o congelou. Foi rápido e quase imperceptível, mas ele não o deixou passar. O dedão dela havia mexido, e ele não estava louco, não estava imaginando. Seu dedão havia mexido.

— Lydia? — chamou, mais alto. — Lydia, está me escutando? Se estiver, por favor, faça isso de novo.

Ele esperou, e esperou, mas nada aconteceu. Havia lido sobre espasmos musculares que acontecem em pacientes em coma, o que significava que aquilo podia ser um engano, algo inconsciente. Mas naquele momento, Stiles não ligava para a ciência ou para qualquer outra coisa. Só o que importava era que ela estava acordando, e que agora era só uma questão de tempo.

XXXXX

Depois daquele episódio, tudo no hospital parecia diferente. As cores sem graça das paredes estavam mais brilhantes, os rostos, mais felizes. Stiles sentia que havia finalmente acordado daquele pesadelo horrível. Daquele dia em diante, Lydia não ficou sozinha nem um minuto. Se não fosse ele a fazendo companhia, era Natalie, contando-a sobre seu dia, conversando sobre coisas aleatórias. Segundo o médico, contato era bom para sua recuperação.

— Oh meu deus! — Natalie gritou de repente. Stiles, que estava sentado no chão do corredor, ficou em pé num pulo e correu para o quarto. A mulher tapava a boca com uma mão, a outra segurando a da filha, e lágrimas caiam dos seus olhos.

— O que foi? O que aconteceu? — ele perguntou, confuso.

— Sua mão, ela... Eu pedi um sinal e ela... — Natalie soltou uma risada e olhou para ele com olhos radiantes. — Ela segurou minha mão!

Stiles piscou.

— S-Sério?

— Ela segurou minha mão, Stiles! Está acordando! — Ele a encarou com a boca entreaberta, sem saber o que dizer, ainda processando. — Eu tenho que encontrar o doutor. Fique com ela, eu já volto.

Natalie correu para fora do quarto. Stiles ficou em pé onde estava, encarando Lydia. Desta vez não podia ser um engano. Desta vez, não. Ele foi para o lado dela, ajoelhando-se. Pegou sua mão e analisou seu rosto, esperando algum movimento.

— Lydia? — chamou com uma voz controlada. — Lydia, se está me ouvindo, por favor...

Stiles não respirava, não piscava. E Lydia não se mexia.

— Lydia, — chamou, a voz vacilando enquanto os olhos ardiam com o choro que vinha. — Lyds, por favor...

Uma lágrima caiu do seu olho. Ela devia ter se recuperado. Devia... Então por que não acordava? Por que não se mexia? Ele havia entrado naquele quarto cheio de esperança, e agora... toda a esperança se esvaia como fumaça. Stiles sabia que não deveria pensar assim, que ela se recuperaria em seu tempo, mas, droga, doía demais vê-la ali deitada.

Stiles segurou sua mão com mais força e deitou a cabeça do topo dos dedos entrelaçados. Tentava lutar contra o desespero, mas as lágrimas continuavam a cair.

— Volte para mim, Lydia, — sussurrou. — Volte.

E então, algo mudou. Ele não sabia o que era, mas algo estava diferente. Era... elétrico, silencioso, e forte. Stiles sentiu em seu coração, uma vibração que o arrepiou. Ao olhar para cima, encontrou dois grandes olhos verdes o encarando de volta.