Notas iniciais
Espero que gostem :)

Lydia mordeu seu lábio pela centésima vez naquela manhã. Da janela do carro, ela observou os adolescentes encontrando seus amigos, rindo, falando sobre seus verões. Ela não podia ouvir as palavras exatas que eles diziam, mas ela sabia o assunto; tinha anos de experiência, já que era parte de um grupo de garotas que estavam sempre falando. O primeiro dia depois das férias de verão eram sagrados.

Pela centésima vez naquela manhã, Lydia desejou estar em sua velha escola, com seus velhos amigos. Ter que mudar para outra cidade no seu último ano de escola era uma droga. Esse deveria ser o melhor ano de sua vida. Ela não sabia exatamente porque, mas de acordo com alguns filmes que viu, ele deveria ser cheio de risadas e lágrimas nostálgicas. Ela sempre teve o sonho secreto de viver um High School Musical.

— Querida, você está bem? — Sua mãe perguntou, preocupada.

Lydia suspirou.

— Não, — ela respondeu sinceramente.

— Escute, Lydia,- ela disse. — É só o primeiro dia. Pode ser horrível, mas é só o primeiro dia. Tudo vai ficar bem. Você só tem que entrar e ser a garota incrível que você é.

Lydia suspirou de novo. Sua mãe havia passado a semana anterior inteira tentando convencê-la que tudo ia ficar bem, que ela ia fazer amigos rápido, etc, etc. Lydia meio que odiava o tempo futuro usado nesses discursos encorajadores. Ela nunca foi muito paciente. Mas ela sorriu um pouco para que sua mãe acreditasse que estava ajudando.

— Obrigada, mãe.- Lydia pegou sua bolsa do banco de trás e abriu a porta. -Te amo.

— Também te amo. Boa sorte!

Ela respirou fundo e andou para o prédio. Não foi difícil achar a secretaria, onde uma mulher de meia idade deu a ela o horário, um mapa da escola e a combinação do ármario. Lydia começou a andar pelos corredores lotados, tentando o máximo se localizar sem se bater em ninguém. O que não funcionou muito bem. Logo, todos seus papeis estavam espalhados pelo chão e ela já estava se desculpando.

— Ah, desculpe! — Ela disse para a garota em quem havia se batido. Ela se dobrou para pegar os papeis que havia derrubado.

—Não, está tudo bem,- disse a garota morena, se dobrando também. Ela pegou o mapa e deu para Lydia, levanto as sobrancelhas. — Perdida?

Lydia podia mentir e dizer "Claro que não, sou muito boa com mapas." Mas ao contrário, decidiu falar a verdade: — Totalmente.

A morena sorriu.

— Ok, vou ajudar você.

Lydia deu seus papeis e a garota os examinou por uns segundos. Depois os devolveu com um sorriso.

— Seu armário é bem perto do meu... E temos o mesmo primeiro horário. É só me seguir.

— Ah... ok,- Lydia disse, sorrindo. Estava aliviada por não ter se batido em alguém que a faria se sentir pior do que já sentia. — Muito obrigada.

— Sem problemas, — a morena respondeu. — Sou Allison, aliás.

— Lydia,- a loira-morango respondeu. Allison mostrou onde seu armário era, Lydia tentando memorizar o corredor, e já que não havia nada para guardar lá, elas foram para a sala de aula.

— Então, você é nova aqui? Acho que nunca te vi por aqui,- Allison perguntou quando sentaram em suas mesas.

— É, eu acabei de me mudar com minha mãe. Ela foi promovida, então nós meio que não tivemos opção,- ela disse.

— Sei como se sente. Aconteceu muito comigo, até meus pais se acomodarem.

— É uma merda,- Lydia confessou.

— Você sobrevive,- Allison disse com um sorriso.

O professor entrou na sala e imediatamente começou a falar, dando boas-vindas a todos os estudantes, e todas as besteiras do primeiro dia. Quando ele começou a falar de história, Lydia se abaixou para pegar o caderno da sua bolsa. O discurso foi interrompido com o barulho da porta abrindo e fechando, e a risada maníaca do Sr. Banner.

— Sr. Stilinski, que prazer revê-lo!- Ele disse alegremente. — Eu até pensei que você finalmente largou os estudos.

Lydia levantou os olhos para olhar o garoto que havia chegado. Ao fazer isso, seus olhos verdes encontraram os olhos escuros dele, e ela se arrepiou. O garoto parecia estar mal. Tinha uma pele pálida, com círculos escuros embaixo dos olhos. Seu cabelo estava uma bagunça, como se ele tivesse acabado de acordar, mas sua expressão dizia que ela não havia dormido nem um pouco. Na verdade, ele parecia que ia desmaiar.

— Desculpe, Sr. Banner,- ele disse com um sorriso, zombando. — Parece que vamos ter outro ano de diversão.

O sorriso desapareceu do rosto do homem. Ele claramente não estava acostumado com sarcasmo sendo usado contra ele.

— Sente-se, Stilinski, ou te dou uma detenção no primeiro dia.

O garoto balançou a cabeça e foi para o fundo da sala. Ele não falou nada durante toda a aula, o que Lydia pensar que ele havia caído no sono. O que era verdade.

Stiles caiu no sono depois das primeiras cem palavras. Sr. Banner tinha o poder de fazer tudo que ele falava tedioso ou maníaco. Ouvi-lo era um teste de resistência, e Stiles não estava com o humor para isso. Então ele descansou a cabeça em seus braços dobrado e adormeceu facilmente. Ele mal tinha dormido seis horas na noite anterior. O cara precisava de descanso.

A aula acabou e Lydia ficou para ver seu horário enquanto os outros alunos saíam da sala. Allison tinha matemática e, de acordo com seu horário, Lydia tinha biologia. A parte boa era que ela amava biologia, senão ficar longe de sua nova amiga deixaria seu dia ainda mais ruim.

Ela suspirou, pegou sua bolsa e se levantou. Estava quase do lado de fora quando percebeu que ainda havia uma pessoa na sala. Lydia se virou nos seus salto altos e viu um rapaz com a cabeça enterrada em seus braços. Ela hesitou antes de dar alguns passoas em sua direção. Ela o reconheceu como o Sti- alguma coisa, o garoto que chegou atrasado. Ela não poderia deixá-lo lá.

Lydia hesitou novamente e balançou seu braço levemente. Ela pulou para trás quando ele sentou de repente. Se era possível, seu cabelo estava ainda mais bagunçado. Ele olhou ao redor como se não soubesse onde estava.

— Merda, — ele disse com uma voz monótona. Lydia pensou em sair, já que agora ele estava acordado, mas ele se levantou tão rápido que a fez pular para trás de novo. Ele pegou a mochila do chão e olhou para ela como se não havia percebido que ela estava lá. — O que está fazendo aqui?

Lydia levantou uma sobrancelha. — Eu estudo aqui.

— É, eu percebi,- ele disse, impaciente. Stiles odiava ser acordado. Ele normalmente não tinha que lidar com isso. — Você não deveria estar em outro lugar?

Agora ambas as sobrancelhas dela estavam erguidas. — Você também.

Stiles revirou os olhos.

— Que seja,- ele disse, passando por ela.

Lydia soltou uma risada incrédula. Ela deveria ter deixado ele lá, o filho da mãe. Ela balançou a cabeça a foi atrás dele. O corredor estava deserto, exceto por eles. O garoto andava devagar, praticamente arrastando os pés. Lydia revirou olhos e andou atrás dele na sua velocidade.

Stiles bocejou. Sua vontade de assistir aula era negativa. Ele até gostava de biologia, mas ele preferia matar aula a aprender sozinho, o que acontecia quando não conseguia manter seus olhos abertos. A coisa boa em dormir durante as aulas era que ele nunca dormia profundamente, então ele não tinha que se preocupar com pesadelos.

Stiles ouviu o som de saltos batendo no chão. Quando se virou ele viu a garota de cabelos ruivos claros andando atrás dele. Ele havia notado ela; não só porque a cor dos seus cabelos se destacava entre loiras e morenas. Ela se destacava.

Stiles balançou a cabeça. Por que ele estava pensando nisso?

— O que? — A garota perguntou de repente. Ele não havia percebido que ela havia parado e agora olhava para ele com as sobrancelhas arqueadas, já que ele havia parado e a encarava.

— Pare de me seguir,- ele disse secamente. Lydia abriu a boca para responder, mas ele ja havia se virado e recomeçado a andar. Ela balançou a cabeça e foi atrás dele.

— Eu não estou te seguindo. Nós só estamos andando no mesmo corredor, — ela disse. — Porque estamos no mesmo colégio.

Ele a olhou com um rosto sem expressão. Lydia levantou as sobrancelhas, mas ele nada disse. Ele simplesmente abriu a porta da sala e entrou. Ela foi atrás dele. Ele foi direto para o fundo da sala sem dizer uma palavra, e ela sentou no meio. Daquele cara, ela queria nada além de distância.

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No período livre, Allison mostrou a biblioteca a Lydia. A garota já sabia que aquele seria seu lugar preferido de toda a escola. As pessoas da sua antiga cidade estavam satisfeitas em ter algumas prateleiras e uma mesa como biblioteca. Ela amava a cidade onde vivia, mas ás vezes ela tinha a sensação de que não havia espaço suficiente para ela e seus planos. Mas a biblioteca do Beacon Hills High School era imensa. Levaria anos para ela ler tudo aquilo.

Aparentemente, a maioria dos alunos passava o período livre na biblioteca, porque o lugar estava cheio. Havia uma um grupo de estudos se reunindo (o que era estranho, já que era o primeiro dia de aula. Provavelmente eles não estavam falando sobre química.), pessoas procurando por um lugar privado para falar sobre o que quer que tivesse acontecido durante o verão e umas poucas pessoas que estavam lá realmente estudando. A pobre bibliotecária estava ficando louca, tentando controlar tantos adolescentes.

Lydia deixou Allison conversando com uma garota asiática e foi andar pelas prateleiras. Ela mal podia esperar para escolher um livro e devorá-lo. Ele pegou um aleatório e começou a ler a contra capa.

— Filho, você não pode comer aqui,- disse uma voz feminina perto dela. Lydia se virou e viu uma senhora em pé ao lado de um garoto que estava sentado no chão com uma pacote de salgadinhos no colo.

— Desculpe, Sra. Flowers,- ele murmurou.

A senhora balançou a cabeça e jogou as mãos para cima, exasperada.

— Estou muito velha para esse trabalho. Sério, eu me demito,- disse para si mesma enquanto voltava para sua mesa. Assim que ela se foi, o garoto enfiou a mão no saco e de lá puxou uma mão cheia de salgadinhos, enfiando todos na boca. Lydia o reconheceu como o cara que a havia acusado de segui-lo. Antes que pudesse se impedir, ela disse:

— Você não ouviu o que ela acabou de dizer?

Ele levantou a cabeça, a boca cheia de salgadinhos.

— Ah, é você,- disse.

— Sim, sou eu,- ela disse. — Qual parte do "você não pode comer aqui" você não entendeu?

Stiles revirou os olhos e voltou a atenção para o livro que estava lendo. — Cuida da sua vida.

Lydia cruzou os braços.

— Esse lugar foi basicamente feito para os estudantes, e há regras, então sim, eu estou cuidando da minha vida.

— Não incomodar também é uma das regras, sabe, — ele disse, sem olhar para cima.

Lydia arqueou as sobrancelhas, mas ele ainda não olhava para ela.

— Você acabou de me mandar calar a boca?

Ele abriu um sorriso arrogante.

— E eu aqui pesando que você era burra. Parabéns.

Ela piscou duas vezes. Se esse era um teste de paciência, ela com certeza estava perdendo.

— Prefiro ser burra a ser um sociopata com síndrome de perseguição.

Stiles fechou o livro e se levantou. Se Lydia fosse um homem, ela provavelmente já teria ganho um nariz quebrado. Ele se aproximou dela, deixando quase nenhum espaço entre eles. Ele era muito mais alto que ela, mas Lydia não se mexeu.

— Escuta aqui, ruiva, — ele começou a dizer com uma voz controlada.

— Não me chame de ruiva, — ela o interrompeu.

— Vou te chamar do jeito que eu quiser, – ele disse, mas foi novamente interrompido, desta vez pela Sra. Flowers, que os observava com uma expressão irritada.

— O que está acontecendo aqui? — a senhora perguntou, mas nem esperou por uma resposta. — Vocês dois, fora da minha biblioteca!

— Mas... — Lydia tentou dizer.

— Agora! — A mulher replicou e saiu, jogando as mãos para cima.

Stiles se abaixou para pegar suas coisas e, com um último olhar furioso, também saiu. Lydia respirou fundo, irritada, e foi atrás dele. O corredor estava vazio, e o único barulho era dos seus passos.

— Bom, muito obrigada por aquilo! — Ela falou alto o suficiente para que ele ouvisse, usando seu melhor tom sarcástico.

— Qualquer hora, querida, — ele disse sem olhar para trás.

— Não me chame de... — ela sibilou.

Stiles se virou, andando de costas.

— E o que você vai fazer? Chamar a polícia? — Ele soltou uma risada irônica e voltou a andar normalmente. — Vaca

— Otário! — Lydia não se preocupou em manter a voz baixa.