Now Love Me Forever
1 Its not truth.
Notas iniciais
Aquele dia estava acontecendo como qualquer outro, na visão de qualquer pessoa, mas a noticia que estava em minha cabeça fazia que ele se tornasse perfeito em todos os sentidos. Os raios de Sol clareavam tudo, o brilho parecia refletir diamantes infinitos sobre qualquer coisa. Levantei cedo aquela manhã, Matthew levantaria em pouco tempo, eu não sei como mas o acostumei a acordar mais cedo do que ele costumava. Tentei não exagerar na produção do café da manhã, isso faria ele desconfiar. Mas a felicidade me deixava eufórica, e a ansiedade me deixava com borboletas no estômago. Mesmo assim, consegui deixar a mesa do café simples, apenas mais caprichada que de costume. O mau-humor matinal não havia me atingido aquela manhã, o dia pareceu estar numa sintonia perfeita. Ainda havia louça suja sobre a pia, decidi lavar enquanto esperava Matt acordar. Distrai-me enquanto lavava um copo, fitando o céu com um sorriso leve, havia uma pequena pipa vermelha dançando conforme a direção do vento.
– O que é isso?! – Matt disse em um tom um pouco alto demais, o que me fez levar um susto e derrubar o copo dentro da pia,ele se quebrou em poucos pedaços, minhas mãos voltaram para dentro da pia junto com o copo, logo as ergui.
– Matthew, precisava gritar? – me virei lentamente, ele estava parado perto da porta, fitando a mesa do café, ergui as mãos à altura um pouco abaixo de meus ombros, elas pingavam gotas com pequenas bolhas de sabão, logo percebi que a cor da água começara a sair avermelhada de uma de minhas mãos, demorei um pouco para sentir que estava ardendo, Matt me fitou por alguns segundos mais não se moveu.
Virei-me novamente para a pia, lavando a mão que estava sangrando até perceber que o sangramento estava parando.
– Sente-se e tome café, eu já volto. – disse assim que passei por ele, e subi as escadas correndo, entrei no quarto, a cama estava bagunçada apenas do lado de Matt, parei apenas por um segundo para fitar o relógio sobre a mesinha ao lado da cama, ele marcava 10:36 a.m. Logo voltei a andar em direção ao banheiro, a caixa de primeiros socorros estava no canto a pia, a abri, procurando visivelmente o band-aid. O primeiro que vi era o da Hello Kitty, Matthew me chamava de criança sempre que eu colocava, soltei um riso baixo com as lembranças e coloquei o band-aid na lateral de minha mão esquerda, guardando a caixa em seguida onde eu havia a encontrado. Assim que saí do banheiro resolvi arrumar a cama, já que Matthew nunca faria isso, fiz em poucos minutos, tranquei a porta assim que saí do quarto.
Respirei profundamente enquanto descia as escadas, pude ouvir os barulhos dos cacos de vidro caindo um por um, ao chegar perto da cozinha vi Matt retirando os cacos da pia e colocando dentro de um saco de lixo.
– Quer ajuda, amor? – Parei próxima dele para pronunciar as palavras baixo.
– Não – sua resposta foi rápida e em um murmuro, me afastei dele lentamente, parando no canto da cozinha, mantive meus olhos fixos nele, depois de instantes passou por mim com o saco de lixo na mão. Suas atitudes estavam me deixando nervosa, me sentei em uma cadeira da mesa, esperando ele entrar novamente. Enquanto isso fitava os pequenos detalhes da toalha, suspirando algumas vezes e ainda pensando em como dizer o que eu teria que dizer. Percebi que Matt havia voltado porque o senti puxando uma cadeira para se sentar, ergui a cabeça e fitei-o com o sorriso que não havia me abandonado aquela manhã, seus olhos também se fixaram nos meus, ele esboçou um sorriso pequeno, não pude perceber se foi forçado. Comecei a tomar o suco, Matt resolveu se servir com café, me perguntei se ele ainda sentia sono.
– Matt, preciso te falar uma coisa – eu disse em um tom baixo, fitando seu rosto fixamente, mantendo o copo de suco entre as mãos.
– Hmmm, o que é? – me perguntou repousando a xícara de café sobre a mesa devagar.
– Bom, eu pensei em várias maneiras de te dizer isso... – fiz uma pausa, ele ergueu a sobrancelha esquerda, me fitando com uma expressão de duvida. Eu suspirei.
– Estou grávida, Matthew. – eu disse em um tom baixo, esboçando um sorriso maior ao terminar a frase.
– Hã? — ele pausou por segundos, sua expressão era indefinida, algo como surpresa e decepção, ao mesmo tempo. — Mas como você tá grávida? Eu te disse pra tomar os remédios,Annie. Não acredito nisso. – Suas perguntas e afirmações saíram como um tiro só, um tiro certeiro.
– Eu esqueci que você tinha pedido, eu me esqueci de tomá-los regularmente... Me desculpe. Desculpe-me se você não queria ter um filho, deveria ter pensado antes. – meu sorriso havia se desmanchado e eu me sentia mal, mas não pude deixar de manter firmeza na voz.
– Não quero ter um filho mesmo, ainda mais se for de você. E a culpa não é só minha e você sabe. – minhas lágrimas estavam já prestes à abandonar os meus olhos, caíram como se pesassem toneladas após as suas palavras. Mantive o choro quase inaudível. Ele se manteve em silêncio, agora seus olhos estavam baixos, ele estava nervoso.
– Tudo bem, eu não quero saber o que você tem a dizer sobre isso, eu vou ter esse filho – procurei ter firmeza na fala.
– Sem mim. – a nossa separação estava marcada por essas palavras. Estremeci por dentro, tive que ter toda a força do mundo para controlar o choro.
Eu não entendi como Matthew poderia ter feito isso, me levantei da mesa, sem pronunciar palavra alguma. Eu estava decidida à ter esse filho, ainda mais agora que só me restava ele, Matt decidiu me deixar, e essa criança iria ser a única coisa que eu ainda teria dele, senti que ela precisava de mim. Subi as escadas chorando, tropecei em alguns degraus, mas não caí, o corredor pareceu mais longo enquanto caminhei nele, demorei um pouco para destrancar a porta do quarto devido as lágrimas.
Entrei no quarto como se eu estivesse fugindo de algo, chorando de medo, estava tudo realmente acabado, o dia perfeito havia se tornado o pior dia de minha vida. Me sentei ao lado da cama, me debruçando sobre ela, procurei manter o choro baixo mas os soluços não ajudavam, então agarrei os lençóis da cama, me apoiando para levantar devagar. Deitei-me sobre a cama logo em seguida, me mantive coberta e segurei o travesseiro de Matthew contra o meu peito como se fosse aquilo que me mantesse viva.
Encolhi-me debaixo dos lençóis, com o tempo eu já estava conseguindo acalmar o choro, meus pensamentos não me ajudaram no começo mas depois comecei a me sentir sonolenta. Despertei ao ouvir o barulho da porta abrindo, me mantive quieta com a respiração profunda, prestando atenção, e tentando controlar os soluços.
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