Novus Rebirth
3 Relatório 02 - Viagem: Habitação
...\"Diário do dia 1, parte 2. Não tive uma boa... é... \"recepção\" com uma das agentes desse grupo. E agora vou ser eternamente sacaneado pelo capitão, Koi, eu acho. Espero que ele entenda a situação e que não fique pensando em besteira... Espero. D:\" Havia voltado para os bancos onde estava desde o início da viagem, próximos da cabine de pilotagem. A nave em si era um grande corredor com várias áreas dispostas através deste corredor, mas Shukin não tinha visto grande parte ainda. Ele fecha novamente o diário e o prende nas costas, como está acostumado. O uniforme o incomodava e, por instinto, ele puxa o colar do uniforme de modo a abrir aquele botão que estava sendo o principal motivo de incômodo. Mesmo no frio do espaço, aquela nave mantinha a temperatura em 16º C, o que é perfeito para a maioria das espécies. Com passos rápidos, passa na frente da porta de Yuto sem nem olhar para o lado, e, com a porta aberta, ele escuta risadas que seriam do comandante, Koi. Ele continua andando, até ver uma segunda porta aberta, desta vez, à sua esquerda. Por curiosidade, ele entra na sala, que emanava uma luz forte. De toda a nave, aquela era a parte mais clara que ele tinha visto, mas havia um motivo... - Uma cozinha? Legal... Uma geladeira que tinha o tamanho de três estava aberta, mas vazia. Aquela era a fonte de luz, então. Ele olha em volta, vendo a mesa que, em contraste com tudo em volta, era de madeira. Talvez para deixar um ambiente um pouquinho mais familiar, quem sabe. Ele continua andando, olhando os aparelhos da cozinha um pouco afastado do balcão. Enquanto andava, continuava a se surpreender cada vez mais e mais... Parecia uma cozinha normal, mas feita de metais. — Ei! VOCÊ! Como vai?!
- AH, DESGRAÇA! Shukin pula, olhando, assustado, para trás e vê um esquilo de pêlos azulados, mais ou menos de sua estatura, encarando-o. Estava com uma lata de refrigerante em mãos e parecia ser muito agitado. Shukin leva a mão ao pescoço, vendo seus batimentos cardíacos... O susto foi grande, mas ele ia ficar bem. Respirando com mais calma, Shukin se apoia no balcão com a mão direita e olha para o esquilo, que bebia mais um gole de refrigerante. - Quem é você? - Shukin fala, com cuidado, para não se repetir a mesma coisa que acontecera com Yuto. - Teooki, mas você pode me chamar de Ironteeth. E aí, quer uma?- Ele estende a lata para Shukin que, sem sede, recusa. Ele bebe mais um gole e volta a falar — Você se assustou hein? E aí, o que achou da nave? -Ah, legal... Pelo menos tem uma cozinha. Ei, você conheceu a Yu-- -A Yuto? A de cabelo roxo? Sim, conheci. Ela é meio chata, mas você se acostuma. Tem também o Koi, o comandante, a Nijiryu, que acha que é um dragão mas é uma ótima cozinheira e eu, mecânico da nave. Tem mais uma integrante no grupo, mas ela, que nem você, só apareceu ontem... E aí, o que você faz? Shukin fica apreensivo com a resposta que daria. Não fazia nada de útil para uma guerra, enquanto cada um ali tinha uma especialidade. Pelo seu \"encontro anterior\" com Yuto, ela deve ser especialista em combate e furtividade, então Koi deve ser um bom atirador. Nijiryu, que Shukin ainda não tinha visto, uma cozinheira enquanto Teooki, o esquilo hiperativo, era um mecânico. Ainda tinha mais uma garota na nave, mas nem Shukin nem ninguém ali conhecia-a direito. E agora? O que Shukin responderia? -É... Sou... é... Prefiro que minha habilidade seja mostrada apenas na hora da necessidade, que tal? -- \"Boa escapada\",pensou Shukin. -Então tá. E aí, não quer refri mesmo não? - ele oferece de novo a lata. -Já falei, Teooki, não quero não. Obrigado mesmo assim... Ele dá meia-volta, se dirigindo para fora da cozinha enquanto Teooki continuava arrumando a cozinha, ou assim parecia. Mal ele dá um passo e já esbarra em alguém, derramando uma grande quantidade do refrigerante que tinha em mãos. Shukin olha para aquele ser e, sem muitos detalhes, já imaginava quem fosse. Na mão direita da garota, vários anéis que cobriam a ponta de suas mãos como se fossem garras e um medalhão com um dragão em seu pescoço revelava quem era. Uma felina, com pêlos negros como a noite, e cabelos em sete cores, como se fosse um arco-íris, e olhos amarelos, encara Shukin por alguns momentos, com seu refrigerante derramado no chão. -Desculpe por isso... Não queria derrubar o refrigerante nem na- -VOSSA SENHORIA, RESPEITAI-VOS A DRACONESA O QUAL DIGIRE A PALAVRA! - Nijiryu dizia com uma voz imponente, quase gritando com o vulpino. -É... Desculpe, \"grandissíssima draconesa\". Não se preocupe, \"seu servo\" irá limpar a bagunça... Shukin dá alguns passos para trás enquanto se curvava como se reverenciasse a felina, mas prendia um riso de deboche com a situação. Quando ele se levanta, passa pela frente da porta da cozinha e, ao ver o esquilo, tenta manter a seriedade enquanto fala: -Ei, Teooki, arranje mais um refrigerante para a \"draconesa\"... -Tá... Mas cuidado, não ria na frente dela sobre isso, ela pode cuspir fogo em você! - Teooki ria enquanto falava, se curvando atrás do balcão e pegando outra lata de refrigerante. Shukin continua a andar, na intenção de pegar um esfregão e limpar aquele refrigerante mas... \"Diário do dia 1, parte 3: Encontrei-me com Teooki, ou Ironteeth, um esquilo azul que é mecânico e, pelo jeito, bastante hiperativo e feliz, mesmo sabendo que está indo, talvez, para a morte. Encontrei também uma dragonesa, ou melhor, uma gata que se acha uma dragonesa... Tá que ela é engraçada, mas isso é muito estranho. Só preciso de encontrar agora o armário de vassouras, ou algo do tipo, para pegar um esfregão e limpar o refrigerante antes que alguém pise-- Esquece, o comandante já pisou e escorregou, sei disso só pelo barulho que ele fez e pelas risadas que estão vindo do corredor... Ah, achei meu quarto, isso é legal, pelo menos.\"
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