Novos Heróis - 3ª Temporada [Interativa]
19 Capítulo 19 - Meu passado obscuro
Notas iniciais
Mansão Wayne, algumas horas depois do ataque...
Depois do ocorrido, o Monte da Justiça havia sido destruído. Damian achou melhor todos irem para a Mansão Wayne para cuidarem dos feridos e o mais importante, encontrar o traidor.
Henry carregou Chiara até o sofá da grande mansão, apesar de parte da sua perna estar em carne viva, ele achou melhor ajudá-la antes de se ajudar, pois ela estava desmaiada. Quando ele a deitou no grande sofá, se sentou em uma poltrona que havia ao lado dele, vendo Marlena ajudando Summer a andar.
Leena e Lyra estavam menos feridas, contudo sentiam seus ouvidos doeram e estavam mais cansadas do que o normal. Austin, que ainda não estava totalmente recuperado, por sorte não se machucou, mas por pouco não havia sido esmagado por centenas de pedras.
– Cadê o seu pai? — Marlena perguntou para Damian.
– Viajando a negócios. Temos que sair antes que ele volte. — ele gritou para que ela o ouvisse, já que ele estava na sala ao lado. — Alguém se feriu seriamente? — Damian perguntou, andando até a sala de estar segurando dois quites de primeiros socorros.
– Ninguém, eu acho. — Carol entrou, sendo seguida por Sombra e Devastador. Se não fosse pela máscara em seu rosto, Devastador poderia ter ficado com a pele totalmente queimada, já que umas das bombas explodira muito perto dele, já Carol e Sombra tinham alguns arranhões no rosto e nos braços por conta dos destroços que caíram sobre elas durante a explosão.
– Eu quero saber quem foi o responsável por isso! — todos ouviram Elena gritar e entrar na sala. Haviam apenas dois arranhões em seu rosto, mas seus joelhos estavam ralados. Franklin entrou logo atrás dela, colocando a mão em seu ombro.
– Elena, você precisa descansar. — o loiro disse, preocupado, mas ela estava com tanta raiva que o ignorou.
– Eu ouvi o que aquela vadia disse. Tem um traidor em uma das equipes! — ela gritou, fazendo todos se entreolharem. — Se o Frank não tivesse me protegido usando telecinesia os bebês poderiam ter se ferido e eu não vou tolerar que eles se machuquem por causa de um traidor desgraçado!
– Seja lá quem for que colocou as bombas, provavelmente foi um vilão, porque foi só vocês chegarem lá e a nossa base foi destruída! — Carol disse, indignada.
– Não jogue a culpa em nós, se um de nós fosse traidor faria questão de dizer isso. — Ás disse, enquanto entrava na sala sendo carregada por Leigh até o sofá. Seus lhos estavam vendados porque Damian não queria que ela soubesse a localização da mansão, já que ela era a mais psicopata de lá e poderia voltar depois para fazer uma "visitinha".
– Isso é verdade. — Sombra disse, se sentando no braço da poltrona que havia perto da lareira e cruzou os braços. — Só pode ter sido um de vocês.
– Nós não trairíamos uns aos outros! — Leena gritou.
– Não é impossível, você é filha do Loki e irmã dessa maluca, pode muito bem ter feito isso. — Natalie disse, deixando a morena surpresa.
– Está me acusando de trair a equipe e me unir com o grupo de pessoas que matou minha amiga?! — Leena não acreditou no que ouviu.
– Só disse que todos são suspeitos, aposto que todos tem motivos para odiar essa equipe, o seu é que nós derrotamos o seu pai e ele está apodrecendo na prisão. — o tom de Nat era calmo e frio, como de costume, afinal, seu coração era feito de gelo.
– Nem todos temos motivos para odiar a equipe. Pelo menos não eu. — Summer disse.
– Mas todos tem segredos. — Franklin se pronunciou, fazendo todos ficarem em silêncio logo em seguida. — Não vamos confiar em nós mesmos se continuarmos a esconder coisas sobre o nosso passado uns dos outros.
– Eu não tenho que provar nada para vocês, muito menos contar meus segredos. — Sombra indagou, com raiva.
– Ele está certo. — Damian finalmente disse algo. — Eu não faço ideia se tem ou não um traidor em uma das equipes, mas se tem, eu vou descobrir agora. — ele andou até o outro sofá em formato de "U", que ocupava quase metade da sala, e se sentou, encarando a todos. — Eu vou começar. Eu odeio ser o filho do Batman e da Mulher-Maravilha, por mais que eu goste de fazer justiça, eu já nasci tendo o meu destino programado, que era ser um super-herói. As pessoas sempre esperam o melhor de mim e crescer com essa pressão nas costas deixaria qualquer um maluco, se é que eu já não estou. Se eu pudesse eu desistiria de tudo, mas não posso.
Todos os heróis ficaram pasmos com essa revelação, pois nunca haviam ouvido ele reclamar de sua vida antes, principalmente dizer que não queria ser um herói.
– No começo eu não gostei de trabalhar em equipe, mas eu nunca trairia vocês e seja lá quem for que fez isso é melhor dizer agora. — ele permaneceu sério e todos ficaram em silêncio, algumas vezes se entreolhando.
– Está esperando que alguém confesse? — Devastador perguntou, dando uma risada forçada por trás da máscara.
– Natalie estava certa, todos tem um motivo para odiar a equipe, seja pelos nossos pais ou pelo que um de nós fez. Sinceramente, eu não sei o passado de todos vocês, nem me interessei em saber. Para saber quem é o traidor eu quero que vocês me deem um motivo para saber que vocês são confiáveis e que nunca fariam isso. — respondeu o herói.
Mais uma vez, todos ficaram em silêncio. Leena cruzou os braços e se sentou ao lado de Summer.
– Acho que eu vou começar... — ela respirou fundo e olhou para os heróis. — Quando eu era criança, eu odiava guerras, brigas, mortes, tudo o que era agressivo. Meu pai era completamente maluco por poder e queria que eu ou Elena governássemos Asgard, mas eu não queria isso. — ela fez um pausa e olhou para a irmã. — Então ele começou a dar atenção completa a Elena e me ignorou por completo. Teve uma época que eu quis ser igual a ela, eu sentia inveja por ela sempre ter ganho o amor e a atenção dele.
– Eu sabia disso... — Elena sussurrou para Franklin, sorrindo com o canto dos lábios.
– Contudo, depois eu vi o que aconteceu em Nova York, vi o quanto era bom ser herói e como era bom ajudar as pessoas. Eu continuo a odiar violência, então eu nunca poderia me aliar a pessoas como a Cosmos e o Drakon. Esse é o motivo para eu não ser traidora. — Leena olhou para Damian, que não expressou emoção algumas, mas que estava feliz por saber que não era ela.
Depois de ver a amiga revelar aquilo, Carol se perguntou se aquilo era sério mesmo, e ao ver que era verdade, começou a pensar se deveria falar, mas então Summer se pronunciou e ela ficou calada.
– Não tenho nada contra a equipe, e nem me aliaria com aqueles assassinos para matar vilões, mesmo que esses aqui já tenham causado muitos problemas no passado. Eu posso ser filha de dois espiões assassinos, mas eu concordo com a Lê, odeio violência desnecessária e aquelas explosões foram desnecessárias.
– Isso é verdade, as explosões foram algo desnecessário. E se houver mesmo um traidor, ele saberia aonde as bombas estavam e tentaria ficar longe delas quando explodissem. — Frank disse.
– Então o traidor é quem menos se machucou. — Lyra disse.
– Sombra e Carol. — Elena apontou para as duas. — Vocês estavam mais afastadas das bombas, só se feriram por causa dos destroços. Pode ter sido uma de vocês.
– Obrigada, senhora detetive, você é quase um Batman. — Sombra debochou. — Já pensou que pode ser porque eu estava longe das bombas por sorte?
– Não acredito em sorte nem coincidência. — Marlena disse.
– Que droga, eu nunca faria isso! — Carol disse, mais alto do que o esperado. — Apesar de ter um motivo bem forte para odiar heróis. — aquelas palavras pegaram todos de surpresa. Seus olhares eram confusos e pediam uma explicação da loira, que tentava escolher as palavras certas para dizer aquilo. — Minha mãe era Aresia, uma amazona que tentou envenenar todos os homens do mundo, mas foi impedida pela Mulher-Maravilha. — a loira olhou para Damian, que já sabia o fim dessa história e desviou o olhar. — Ela virou uma amazona renegada e começou a viver no mundo dos homens, onde conheceu o meu pai e eu nasci. Mas depois disso ela continuou sendo uma vilã e em uma de suas lutas, ela foi morta... pela Mulher-Maravilha.
– Carol aquilo foi um acid... — Damian tentou dizer, mas ela o interrompeu.
– Eu ainda não terminei. Depois de descobrir que a sua mãe havia matado a minha, fiquei com raiva de todos os heróis. Mas depois de entrar na Legião, vi que ser herói não era ruim. E após analisar melhor o que aconteceu, vi que foi mesmo um acidente e que sua mãe não tinha culpa. — Carol olhou para o chão e então para os heróis. — Eu nunca poderia trair a equipe porque vocês se tornaram uma família para mim.
– Muito drama para uma noite. Sua vez, Sombra. — Elena se sentou no colo de Franklin, que estava no sofá e colocou as mãos na cintura dela.
– O que querem que eu diga? Que eu adoro matar as pessoas e que não tenho afeição por nenhum de vocês, exceto pelo Devastador? Isso é idiotice. Se eu os quisesse mortos teria feito isso com as minhas próprias mãos e não explodindo bombas estúpidas. — Sombra disse.
– Ela está certa, o Aegir já nos traiu e ficou orgulhoso em dizer que havia feito isso, se uma de nós fosse o traidor já teria se mandado. — Ás disse, tentando tirar a venda de seus olhos, mas Summer a colocou de volta.
– O Corvo não está aqui. — Henry olhou em volta, vendo que ele não estava mesmo lá.
– Então foi ele, caso resolvido! Vamos matá-lo. — Elena se levantou e olhou para Damian. — Você tem armas nesse lugar?
– Eu ainda estou aqui. — todos ouviram a voz de Corvo e ele entrou na sala, saindo do escritório. — Essa casa é igual a que eu morava na Terra 3, antes de ser destruída, apesar de a caverna do Batman ser um pouco mais primitiva do que a do meu pai.
– Me esqueci do detalhe que você sou eu. Quero você por perto enquanto estiver aqui dentro, ou vou te prender em uma das celas lá em baixo. — Damian disse, sério. Corvo deu um leve sorriso e andou até o outro lado do sofá, longe de todos.
– Se vocês querem descobrir quem é o traidor, pensem. Provavelmente o acordo foi feito enquanto eles haviam nos capturado. Ninguém sabe o que aconteceu com a Marlena, a Lyra e o Austin enquanto estavam presos, um deles pode ter sido induzido a trair a equipe. — Corvo disse, e aquilo fez sentido.
– Então digam o que aconteceu. — Franklin olhou para os três.
Lyra sentiu um nó se formar em sua garganta ao se lembrar o que havia ocorrido naquele dia, só de pensar no que Aegir havia feito com ela, a asgardiana sentia ódio, nojo e vontade de se trancar em um quarto para nunca mais sair. Sua voz não saia, em uma questão de segundos seus olhos já estavam cheios de lágrimas e seu estômago revirado. Austin também se sentiu péssimo ao ter que se lembrar daquilo. Ele sabia pelo que ela havia passado e entendia que aquilo era algo terrível de se lembrar.
– Lyra? — Leena olhava fixamente para ela, ficando um pouco assustada com o silêncio de sua prima. Quando a asgardiana abriu a boca para dizer algo, Austin a interrompeu.
– Fomos capturados e mantidos no mesmo lugar juntos, se ela fosse a traidora eu saberia, e o mesmo serve para mim. Já viram o meu estado? Se eu estivesse com eles não estaria tão ferrado como estou agora! — ele se sentou ao lado de Lyra e segurou sua mão, lhe lançando um olhar que dizia "conversamos mais tarde." — Esse é o nosso álibi, acabou o interrogatório?
– Falta a Marlena. — Corvo olhou para ela, que sentiu vontade de amassar a cara dele na parede.
– Eu não tenho nada para dizer... — a loira se levantou.
– Sem álibi, é você. Vamos te matar. — Elena disse.
– Não vamos matar ninguém! — Damian falou firmemente.
– Eu quero matar alguém! — ela gritou, cruzando os braços e se sentando no colo de Franklin novamente.
– Marlena, só diz o que aconteceu enquanto ficou presa. — Damian se levantou, seus olhos fixos nos dela. Seu olhar não passava repreensão, mas sim confiança, como se ele soubesse que ela não era uma traidora.
– O que aconteceu? Vamos por partes. — ela andou na direção dele. — Eu tive que ouvir aquela vagabunda da Cosmos esfregar na minha cara que eu havia matado os meus pais! Tudo por causa de você! — ela gritou. — Ela roubou os arquivos do seu computador, ela sabia sobre o meu passado... Há quanto tempo você sabia disso?
Damian ficou calado e pensou em uma resposta que não resultasse nela lhe dando um soco.
– Eu sempre soube. Desde que te conheci, eu pesquisei sobre o seu passado.
– E quando pretendia me contar? — Marlena tentava passar raiva em sua voz, porém as lágrimas que se formavam em seu rosto era claramente de tristeza.
– Eu estava esperando você se sentir segura o bastante para de dizer. — respondeu.
– Me sentir segura?! Quando eu me sentiria segura para contar para você que eu sou uma assassina? Que eu não consigo mais usar todo o meu poder com medo de machucar as pessoas a minha volta como eu já fiz antes? — agora as lágrimas que rolavam por seu rosto eram de raiva misturada com tristeza e rancor. Ele sentiu um aperto no coração ao vê-la daquela forma, mas não tinha resposta. — O seu problema é que você pensa demais e se esquece que as pessoas não são seres sem sentimentos como o seu pai.
Dizendo isso, ela virou as costas para ele e subiu as escadas correndo. Todos puderam ouvir uma das portas se abrir e depois ser fechada com força. Damian respirou fundo e olhou para os outros, que esperavam que ele dissesse algo.
– Então, quem eu devo matar? — Elena perguntou, fazendo uma expressão de tédio.
– Ninguém. — eles ouviram uma voz vinda do hall de entrada e logo viram Dean entrar na sala de estar. Summer deu um sorriso ao ver o namorado. Ela, assim como os outros, também estava feliz por vê-lo. — Não tem traidor algum.
– Mas a Cosmos disse que as bombas foram implantadas por alguém de dentro do Monte da Justiça. — Henry disse.
– Nós ficamos dias longe de lá, era fácil para algum daqueles dois entrarem na nossa base e colocarem as bombas. — Dean respondeu, andando até perto de Damian. — Eles querem atrasar vocês e estão conseguindo. Ah, e você é péssimo em esconder câmeras. — ele entregou o dispositivo quase invisível a olho nu para Damian, que deu um sorriso com o canto dos lábios.
– Sabia que iria voltar. — o herói disse.
– Não se anima não que eu tava gostando de ficar longe de você, mandão. — Dean deu um leve sorriso e se virou para os outros. — Resumindo, não tem traidor. Não sei porque acreditaram naqueles dois, mas agora que está tudo esclarecido, temos que descobrir um jeito de impedir eles de fazer mais alguma coisa que comprometa o mundo. Alguma pergunta?
Elena ia dizer algo, mas Franklin cobriu sua boca e disse por telepatia: "Não diga nada sobre a Renata!". A asgardiana apenas revirou os olhos e ficou emburrada.
– Hey, você sabe que sua irmã tá morta, né? — Ás perguntou, fazendo Elena dar uma risada abafada pela mão de Frank. Dean ficou calado e cerrou os punhos, sentindo a raiva aumentar dentro de si. Ao ver isso, Summer se levantou e andou até ele.
– Dean... — ela tentou dizer algo, mas ele a interrompeu.
– Tem uma sala de treinamento aqui? — perguntou, com os dentes cerrados. — Se eu não bater em alguma coisa, vou acabar matando essa garota.
– Segundo andar, uma porta de metal com um botão vermelho do lado. — respondeu Damian, vendo Dean andar apressado até lá e sendo seguido pela ruiva. O herói então se virou para os outros. — Tem centenas de quartos de hóspedes na mansão, vamos descansar por essa noite e amanhã decidiremos o que fazer. Quero a Ás vendada o tempo todo e você... — ele apontou para Corvo. — Não sai dessa sala.
O vilão deu uma risada e observou enquanto os outros saiam da sala. Henry segurou Chiara, que começava a acordar, em seu braços e a levou para o andar de cima. Leigh também carregava Ás até um dos quartos no segundo andar e, assim como os outros, escolheram um quarto e entraram nele.
Damian subiu as escadas depois de todos e foi na direção do quarto em que sabia que Marlena estaria. Ela já havia ido na mansão diversas vezes e costumava ficar no quarto dele, então o herói se dirigiu para lá, tentando pensar no que diria para ela. Precisava se desculpar por várias coisas e não tinha certeza de por onde começar.
Na sala de estar, Corvo viu que Carol ainda estava sentada do outro lado do sofá olhando para ele como se o estrangulasse mentalmente. Ele percebeu que ela iria querer saber sobre o passado dele e o motivo de ele ter escondido isso dela, então soltou um longo suspiro e começou a pensar em algum jeito de evitar aquele assunto inevitável.
Fale com o autor