Novocaine

4 Capítulo 3


Notas iniciais
Olá pessoas, então, só uns avisos antes de começar: — Eu não achei que o s capítulos estavam bons o suficiente, então eu os reescrevi — Talvez eles fiquem um pouco mais longos, mas tudo tem o intuito de melhorar a história — Eu apaguei os antigos e estou repostando. Se quiser ler novamente, fique a vontade. — O capítulo 3 ficou um pouco mais curto que o planejado, mas não espero continuar com capítulos com menos de 2.000 palavras. É isso, espero que gostem. Por favor, comentem e curtam, vocês deixariam uma escritora muitoo feliz

Mesmo morrendo de curiosidade, Sophia se segurou para não procurar James no dia seguinte. Queria deixar a semana passar. Não para se fazer de difícil; a menina nem sabia que as pessoas realmente faziam isso. Ela só queria um tempo para a história se acalmar. Sabia que, mesmo tendo aparência calma, era extremamente afobada e agitada. Ela provavelmente tropeçaria em suas próprias palavras antes mesmo de tentar dizer algo que fosse de relevância. Não que James fosse o amor de sua vida, não. Sophia podia ser ingênua e inocente, mas sabia muito bem diferenciar interesse de paixão, e paixão de amor. Sim, ninguém nunca realmente tinha lhe ensinado cada coisa, mas ela era bem esperta para entender que haviam pessoas no mundo que confundiam os três facilmente. Então pode se dizer que a menina estava interessada em James. Ela não se interessava com facilidade, e quando o fazia nada levava a nada, e o interesse sumia. Mas, mesmo assim, a cada vez que criava expectativas com alguém seu pequeno coração borbulhava de ansiedade, e com o garoto não havia sido diferente. Mas também, como poderia ignora-lo? Era, sim, lindo. E gentil. Eram características bobas, a segunda podendo facilmente apenas ter sido simulada em uma tentativa de atrai-la. Bom, se fosse isso, teria funcionado, mas o interesse de Sophia seria perdido em alguns segundos. O que realmente deixou envolvida foi a maneira que ele havia a surpreendido. Não que ele tivesse feito algo excepcional, mas a garota realmente havia gostado do bilhete. Era simples, era besta, era sem sentido, mas era encantador.

Passou a semana em um estado de desconcentração total, sua mente voltando para o menino da festa toda vez que realmente se concentrava em alguma coisa. Qualquer um em volta dela podia perceber isso, reparando que a garota apenas assentia quando lhe falavam alguma coisa, ou não chegava a anotar nada em aula alguma, apenas olhando para o teto enquanto brincava com sua caneta. Não que alguém realmente reparasse, ninguém se importava muito. Toda sua distração e euforia só ficaram realmente visíveis as pessoas ao seu redor na sexta-feira, dia no qual a menina tinha programado ir até a casa de seu garoto, ou pelo menos era assim que pensava dele. Chegou na faculdade afobada e nervosa, características facilmente percebidas em Sophia, já que não conseguia parar de mexer sua perna e nem de derrubar tudo que estava em sua carteira. Acabou até por derrubar o chão em sua blusa, tendo que usar seu sobretudo completamente fechado por cima, em uma tentativa de esconder a grande mancha que residia ali. Algumas pessoas a perguntaram o porquê da agitação, mas para todas elas acabou inventando uma desculpa esfarrapada. Mentiu até para Tália. Não queria compartilhar essa história com ninguém; James era dela. O bilhete era para ela. O entendimento por trás daquilo tudo devia vir dela. A história era dela. E não queria que ninguém a perturbasse nessa sua jornada.

Assim que a última aula de sexta-feira acabou, Sophia juntou rapidamente suas coisas, as colocando em sua bolsa e levantando rápido. Sem falar com ninguém, saiu rapidamente da sala, indo rápido para o metrô, querendo chegar em James o mais rápido possível. Por algum motivo a menina sabia o caminho que deveria fazer da estação em que o garoto havia a deixado no sábado até sua residência, então não se preocupou em conseguir de alguma forma seu endereço. A única forma que conseguiria era, na verdade, ligando para Ricardo, e ela obviamente refutou o pensamento assim que ele passou por sua mente. Já dentro do trem suas mãos tremiam com a ansiedade enquanto ela se segurava em uma barra de metal, evitando cair. Pegou seus fones de ouvido e os colocou no ouvindo, logo depois os conectando ao seu Ipod e dando play em uma música qualquer, tentando passar o tempo. Sua mão acabou por encontrar o bilhete na parte de fora da bolsa, e Sophia o puxou para que o lesse novamente. Já havia perdido a conta de quantas vezes tinha o lido desde que ele fora colocado em seu livro, mas gostava da mensagem. Era tão besta e tão simples, mas ao mesmo tempo tão gentil e.… misteriosa. Sim, misteriosa, concluiu. Era esse o motivo principal de sua volta a casa de James; mesmo considerando a mensagem algo gentil, sabia que queria saber o motivo pelo qual o garoto falou que era intrigante. Em seu coração Sophia se julgava apenas como uma pessoa comum, sem ter nada de extremamente interessante. Se via até entediante as vezes. Mas, realmente, se olhada com um pouco mais de cuidado, era extremamente peculiar. Não, não era estranha, era só diferente. Sua maneira de ver o mundo era divergente, e isso a fazia singular. Mesmo assim, a maioria das pessoas não viam nada disso nela. Ela se encontrava no meio dessa maioria.

Como já tinha se preparado mentalmente para isso, não hesitou ao chegar na porta de James. Com determinação a menina subiu os degraus da entrada, levantando a mão trêmula para tocar a campainha. Ficou, por um segundo, com medo de que o irmão do menino atendesse a porta, ou mesmo que o garoto não estivesse ali, mas respirou fundo e desejou que tudo desse certo. Ficou ali, mexendo a perna e mordendo a parte de dentro da boca, ansiosa para que algo acontecesse logo. E então ele apareceu, vestido com cara séria, camisa de botões e calça social. Podia ver que ele não estava pronto, já que seu cabelo estava molhado e estava descalço, mas qualquer idiota veria que ele estava prestes a sair. “Sophia, você veio” disse, sorrindo, e a garota desajeitadamente sorriu, colocando as mãos ao lado do corpo, sem saber ao certo o que fazer. “Eu fiquei curiosa... Sabe, o bilhete” discorreu, as palavras saindo um pouco atrapalhadas, mas compreensíveis. “Eu estava te esperando. Por favor, entre. Vou fazer um chá”.

O chá estava quente em suas mãos, mas a menina tremia tanto de nervoso que sabia que se tentasse o levar a boca provavelmente teria o derrubado em sua roupa. Sim, ela tinha se preparado a semana inteira para tal evento, mas isso não a tinha acalmado nem um pouco. Só havia lhe dado algum tempo para pensar no que falar. “Eu te esperei a semana inteira, achei que acabaria não vindo” disse o garoto, se sentando na poltrona na frente dela, carregando o chão com elegância. “Acho que eu precisava, uhn, de um tempo para pensar no que falar” balbuciou, meio sem jeito, mas dava para ver que ele entendia o que dizia. O garoto sorriu então, esperando ela se pronunciar, o que a deixou um pouco mais nervosa. “Eu acho que ainda não sei muito bem por onde começar” riu, e respirou fundo, juntando as palavras em sua cabeça. “Acho que a pergunta principal era por que você me achou intrigante” disse, quase em sussurro, envergonhada demais para falar mais alto. James sorriu, colocando seu chá na mesa de centro. Sophia fez o mesmo, o calor da bebida queimando demais suas mãos. “Você foi a primeira menina a chegar aqui com Ricardo e fugir completamente dele. Ou completamente da festa, vamos dizer. Você pegou seu livro, ignorou o mundo e achou um canto para ficar em paz. Achei curioso. Na verdade, achei bem legal. É besta, eu sei, mas eu achei interessante” respondeu, e Sophia calmamente acenou com a cabeça, em um movimento de compreensão. Pegou então seu chá da mesa, bebericando-o cuidadosamente, preocupada que fosse babar e se sujar novamente. “Não sabia que fosse tão interessante assim” disse, rindo, um pouco mais calma que antes, e devolveu o chá a mesa. “Não é a coisa mais intrigante que alguém fez na vida, não, é só algo que eu achei legal. Mas tive a impressão que você seria capaz de me surpreender ainda mais” discorreu o garoto, dando de ombros. A menina sorriu e se inclinou para frente, continuando com suas perguntas. “Ok... e qual era seu intuito em deixar uma nota para mim? ” “O ponto principal era chamar sua atenção. Claramente eu o consegui, já que você está sentada no meu sofá por pura e espontânea vontade. O segundo ponto era te chamar para tomar um café, mas eu acabei de te servir chá, então esse plano já foi pelo ralo. O terceiro ponto posso deixar a seu critério” respondeu, calmo, e a garota soltou um riso, quase cuspindo o chá que estava na boca. “Acho que seu segundo ponto era me chamar para sair com você, certo? Bom, talvez você possa fazer desse seu terceiro ponto” disse, sorrindo, encostando no sofá, tentando relaxar o corpo. “Eu poderia fazer isso” provocou o garoto, se apoiando em seus joelhos, sorrindo de lado para a garota, que segurava um riso. Não porque a situação fosse extremamente engraçada, ela só se encontrava nervosa mesmo. “Então faça” disse, quase gritando, mas só a entonação da voz havia sido alta, porque as palavras saíram em um tom extremamente baixo. “Você gostaria de sair comigo Sophia? ” Perguntou, finalmente, o sorriso de lado só aumentando em seu rosto. A menina também sorriu, não conseguindo se conter, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, aumentando seu campo de visão. “Sim, James, eu gostaria de sair com você”.

Ela sabia que havia sido previsível, mas não ligava. Queria mesmo sair com ele, e como tinha a abertura, se ele não a chamasse ela provavelmente o faria. Não seria nada fácil, já que sua timidez a impedia de ser completamente natural as vezes, mas o faria. Mesmo assim, estava feliz que ele havia a convidado. Com uma pequena força dela, claro, mas mesmo assim convidara. Sophia não poderia estar mais feliz. Se não tivesse que andar em ruas movimentadas em que as pessoas com certeza olhariam para ela para chegar no metrô, provavelmente teria saído saltitando para casa. Na verdade, foi isso que ela fez assim que colocou os pés em sua residência. Ficou feliz de morar sozinha, assim ninguém veria o quanto seu sorriso estava esticando seus lábios, os levando de carnudos para linhas tão finas que quase desapareciam em seu rosto. Para ela, seu dia tinha sido excepcional. Não importava que tinha derramado chá em sua blusa e a manchado, nem que tinha tropeçado mais de trinta vezes no caminho de volta para casa, distraída demais em seus pensamentos para olhar para o chão. Sophia ia sair com alguém que estava realmente interessada, e ele parecia interessado também. E, pela primeira vez em muito tempo, Sophia se sentia muito bem.