Novo Recomeço
22 Recomeçando
Notas iniciais
“Inoue e Ulquiorra.
Uma história que nunca terminou.
Que se estende eternamente, indefinidamente.
Que nunca teve um fim, por um simples motivo:
Ela mal começou.
O toque que nunca foi sentido, o beijo que nunca foi dado, as mãos que nunca se tocaram, as razões que nunca foram explicadas e portanto, nunca compreendidas.
Mas...
E se o destino desse a essa história, uma segunda chance?
Mesmas almas, mesmos corações, verde diferente.”
(Fanfic Verde Diferente escrita por Mary chan, Sinopse)
– Orihime, vai mais devagar!
– Mãe não podemos chegar atrasadas ao primeiro ensaio!
– Estás mesmo animada com essa peça de teatro não é?
Orihime Inoue, uma menina encantadora com apenas cinco anos que vivia com sua mãe, após o seu pai falecer lamentavelmente num acidente de carro. Ela fora seleccionada para participar numa pequena peça organizada pela escola. Estava animadíssima porque iria ser a princesa da história que seria fatalmente sequestrada, mas um jovem príncipe encantado viria resgatá-la para morarem no seu castelo, tendo o desejado "felizes para sempre".
– Mais rápido! Eu quero logo conhecer o príncipe, mamã.
– Quanta empolgação, Hime.
Inevitavelmente, a mãe riu abertamente. Sua filha sempre tivera um sorriso contagiante, que alegrava qualquer pessoa até no dia mais chuvoso de sua vida. Orihime era como um sol que espantava as nuvens cinzentas com seus raios solares.
Ao aproximarem-se do recinto escolar, Inoue largou a mão da mãe e fez sinal para esta se ir embora, afinal “ela já era uma menina crescida”. A mãe deu a volta gargalhando pela feição séria de sua filha e retomou para casa. Assim que ela sumiu do campo de visão de Orihime, esta correu eufórica para o local combinado.
Quando se aproximou do enorme palco, uma enorme curva cresceu em seu rosto. Reparou num pequeno círculo de colegas que conversavam. A grande maioria ela já conhecia, e gentilmente os cumprimentou a todos. Não conseguindo controlar a extrema curiosidade, foi perguntando quem faria o papel de príncipe, até obter a sua resposta: Ichigo Kurosaki. Nunca ouvira falar dele e isso a desanimou. Porém, uma amiga sua, Tatsuki, a animou, depositando uma mão em seu ombro, apontando com a outra para a entrada.
– Hime, é aquele. O tal Ichigo que fará de príncipe.
Imediatamente, Orihime encarou na direcção indicada, bloqueando seu olhar naquela zona. Seus cabelos ruivos eram extremamente vistosos mas nem por isso menos atractivos, seu coração palpitava mais rápido quando deparou-se com seus olhos avelã encantadores e emotivos. Nunca conhecera ninguém com um ruivo semelhante ao dela… Isso parecia uma união do destino, sempre fora criticada por suas madeixas alaranjadas. Nunca acreditou que um dia pudesse encontrar alguém semelhante a ela. Tatsuki aproveitando os devaneios da amiga, bate em suas costas, a empurrando e sorrindo marota.
– Tatsu-chan, que fazes!?
– Do que estás à espera? Vai ter com ele Hime!
– Mas… E se ele não gostar de mim…?
– Que disparate é esse? Vai conversar com ele, ouvi dizer que é muito simpático.
– Sério? Eu vou!
A pequena Inoue caminhou em sua direcção receosa, apesar de estar empolgada em conhecer o seu misterioso príncipe, um tremor em suas pernas a incomodava. Percorria vagarosamente até ele, ao se aproximar chamou a sua atenção e ela sentiu-se ainda mais nervosa por ter conquistado seu olhar.
– Ol…á.
– Tu és a Orihime Inoue certo?
– Haii… Como sabes o meu nome?
Um singelo rubor percorreu cada canto de sua delicada face por ele já a conhecer. Por sua vez, ele limitou-se a abanar os ombros descontraído.
– Foi sorte. Eu só sabia que esse era o nome da princesa.
– E tu… És o Kurosaki-kun?
– Hai!
Progressivamente, o nervosismo que a ruiva sentia foi evaporando. Tatsuki tinha razão: Ichigo era inacreditavelmente atencioso.
– Meninos, atenção! Os ensaios vão começar!
– Já estava na hora, vamos Inoue?
– Sim!
Assim os dois ruivos se tornaram amigos, sempre decorando suas falas juntos. Treinando juntos… Ichigo estimava bastante a pequena Orihime, no entanto, para a jovem ele era muito mais. Ela estava cada vez mais encantada com ele, na doce ilusão de que os contos de fada tornassem realidade. Que aqueles trechos que liam juntos um dia fosse a representação da história amorosa deles.
Num determinado ensaio, Orihime observava Ichigo praticando com um outro rapaz e dirige-se a ele, contente, para iniciarem sua encenação. No entanto, fora surpreendida quando um professor lhe dissera que ela ia treinar com outro colega. Ficou desiludida e confusa… Afinal a princesa não deveria estar junto do príncipe?
Após lhe explicaram que ela teria de ensaiar a cena em que era sequestrada, a ruiva repudiou ter de representar com o suposto vilão e ter de se afastar de Ichigo, mas cabisbaixa cedeu à vontade dos superiores. Desse modo, pela primeira vez ela conhece seu sequestrador. Ulquiorra Shiffer.
Seu nome e sua fisionomia eram estranhas às pequenas pérolas acinzentadas. Tudo naquele rapaz era fora do comum. Apesar de sua beleza estonteante, era muito calado. O que chocava com a personalidade aberta e sociável dela. Seus cabelos eram negros como a noite, e por contraste, suas íris eram extremamente verdes, pareciam perfurar sua alma, como se lê-se seus pensamentos e isso a intimidou. Ao início se encolheu perante aquele olhar… Contudo ele pareceu perceber esse seu gesto e desviou imediatamente seu olhar.
Orihime se sentiu culpada… Ela temia que ele pensasse que ela tinha medo dele. Que fosse obrigada a estar junto dele. O que até era um facto. Ao princípio, ela cogitou que ele só fosse tímido mas durante os ensaios percebeu o que seu olhar transmiti,a e que tanto a fazia compadecer-se: solidão profunda. De uma certa forma mágica, isso a intrigou...
Sempre que ia praticar para a peça, ela já não procurava um ruivo mas o moreno misterioso. Sempre que ensaiava com Ichigo, ela trocava as falar e o chamava de “Ulqui-kun”… Envergonhada sempre justificava-se que estava a confundir as cenas e pedia perdão. A pequena ruiva agora sempre observava aquele moreno que se isolava num canto negrume para esconder sua presença.
Numa tarde vulgar, após o término da aula extra teatral, acabando seu diálogo com o Kurosaki, ela avista Ulquiorra distanciar-se, caminhando para casa. Tendo de correr para o alcançar.
– Ulqui-kun! Onegai, matte!
– O que queres?
– Eu só… Porque não vamos juntos?
– Não.
– Nani? Porquê?
– Não gosto de quem fala muito.
Desolada, ela assiste o moreno prosseguir seu caminho, até que uma mão depositada em seu ombro cujo dono a chamava, foi como o invocamento para a realidade. Ela nem se despediu da pessoa ou perguntou o que esta queria, só fugiu para sua casa. Queria refugiar-se nos braços de sua mãe a noite toda, e esquecer o que ouviu, e principalmente o olhar indiferente que ele lhe dirigiu. Seu peito doía, doía muito… Tanto que ela não percebeu que as lágrimas corriam livremente por seus olhos.
Ao chegar a casa, abriu abruptamente a porta, indo em direcção à cozinha onde sabia que sua mãe habitualmente a aguardava. Deparar-se com o estado lamentável de sua filha foi um tremendo susto, tendo em conta que ela era uma criança alegre, raramente chorava.
– Orihime, o que aconteceu minha filha? Porque estás assim?
– Ele… Ele é mau, mamã.
– Quem é mau?
– O Ulqui-kun…
– Um menino do teatro?
– Sim, ele faz de vilão.
– E porque dizes que ele é mau?
– Porque ele não quis acompanhar-me por eu falar muito.
Para espanto de Orihime sua mãe começou a rir, olhando indignada para ela. Ao perceber o olhar incrédulo e reprovador de sua pequena, ela deposita sua mão carinhosamente no topo de sua cabeça.
– Querida, nem todos somos iguais… Ele pode se sentir sozinho.
– Mas se ele se sente sozinho porque me tratou mal?
– Não é fácil Hime, quando estamos sós muito tempo estranhamos a companhia de outras pessoas.
– Então ele ficará sozinho para sempre, mamã? Eu não quero o Ulqui-kun triste…
– Então persiste minha filha.
– E se ele me tratar mal de novo?
– Mostra que isso não te afecta, que não estás disposta a desistir.
Inoue acena positivamente com a cabeça e enxuga as próprias lágrimas, reunindo suas forças. Ela sorri, para orgulho de sua mãe.
– Mamã já sei o que vou fazer, e preciso da tua ajuda!
– Gosto de te ver assim, Hime. E o que pensas fazer?
– Chocolate! Chocolate caseiro! É capaz de alegrar até a pessoa mais só.
– Tens razão, vamos então.
A mãe vestiu seu avental e outro idêntico para a pequena ruiva (que remotamente implorara por um), que estava empolgada lendo as receitas de seu livro de culinária.
– Mamã… Porque não juntamos ramen ao chocolate?
– Orihime… Acho melhor seguirmos a receita, pode correr mal. E queres entregá-lo amanhã, certo?
– Que pena… Deveria ficar saboroso.
Ela ficou aliviada por Inoue ter deixado de lado essa ideia, ela temia que o rapaz se sentisse mal ao comer. Sua filha tinha um enorme prazer em cozinhar, o problema era que revelava certas tendências estranhas, unindo determinados alimentos criando receitas bizarras no mínimo.
No dia seguinte, Orihime empolgada e impaciente vai mais cedo para o teatro tendo o pressentimento de que encontraria Ulquiorra lá. Seu instinto não estava errado. Ele encontrava-se encostado a uma parede, e ela timidamente se aproximou. Ao fazê-lo, ele a encarou, e sorrindo ela estendeu suas mãos com o chocolate para ele.
– Toma, é para ti.
– Não quero.
– Mas ainda nem sabes o que é…
– Nem quero saber.
– É chocolate.
– Não gosto de coisas doces.
– Eu já suponha, por isso trouxe chocolate preto. É meio amargo e eu não gosto mas esperava que tu gostasses.
– Não quero.
– Eu tive muito trabalho, Ulqui-kun!
– Eu não pedi nada.
Orihime curvou suas sobrancelhas, numa nítida expressão furiosa. Perante a resposta negativa, ela segura o pulso do rapaz bruscamente, o surpreendendo.
– Tu vais comer, nem que seja à força!
Atónico, ele deixou-se ser guiado pela ruiva peculiar. Nunca pensou que a jovem mais simpática do teatro pudesse ter uma atitude tão... Agressiva. Ela o arrastou até o tronco de uma árvore de cerejeira. E encantada com o cenário ela senta-se no local, sendo imitada por Ulquiorra. Este mal se acomodou, retirou o pacote das mãos da ruiva e começou a comer em silêncio.
Ela ficou estupefacta por ele ter começado a comer sem ela ter de pedir nem de o obrigar. Mas esse pormenor a deixou imensamente feliz. Animada, ela observa uma pétala de cerejeira pousar no topo da cabeça do moreno, e gargalhando ela retira essa mesma pétala e espontaneamente ela beija-lhe embaraçada sua bochecha, deixando Ulquiorra admirado pelo gesto de carinho e levemente corado. Pela primeira vez ele sentiu-se nervoso, temendo que ela escutasse seu batimento cardíaco acelerado.
– Eu gosto de ti Ulqui-kun, mesmo com o teu jeito frio.
Ela apoiou sua cabeça no ombro de Ulquiorra, embalada pela brisa, e recolhidos com a sombra da árvore, Inoue foi adormecendo contudo ainda estava desperta o suficiente para escutar o próximo comentário.
– Também simpatizo contigo.
Orihime não sabia como reagir… Nunca esperou ouvir algo tão carinhoso vindo dele. Certo, que não eram as palavras mais bonitas, mas vindo de Ulquiorra se tornavam incríveis. Sorrindo, ela adormeceu completamente.
Tinhas razão, mamã.
Desse jeito ambos esqueceram que aquele era o último ensaio antes da peça.
Perante o grande dia, todos os preparativos foram correctamente efectuados. Todos os familiares e amigos estavam presentes, muitos refugiavam a emoção em seus lenços ao assistir seus filhos a representar.
A peça decorria como o planeado. E Orihime representou tudo na perfeição. No entanto, no final, no momento de ela sair dos braços do vilão para ir ter com o príncipe que derrotou o mauzão, ela faz algo que surpreende todos, menos sua mãe que chora de emoção... Em vez de ela se afastar, abraça Ulquiorra para tormento dos professores.
– Eu quero ficar com o Ulqui-kun.
– Inoue, que fazes?
Ela limitou-se a responder, deixando Ulquiorra corado e comovendo o público.
– Estou a seguir o meu kokoro.
Para muitos era uma simples peça, e aquele desvio do guião era incompreensível. Mas para Orihime era muito mais que isso. Ela não queria deixar Ulquiorra só nem em um único momento, mesmo numa peça em que ele fosse o vilão.
De uma maneira singelamente distinta, a história se repetia com o percorrer das vidas. Porque o amor ultrapassa todas as barreiras que o homem e o destino criaram… Assim como o Sol e a Lua encontraram o eclipse para consumarem seu amor, a ligação entre Ulquiorra e Orihime venceu no amor.
Fale com o autor