November Rain

1 Capítulo Único


Ah... Bons tempos. Bom, do quê eu ia falar pra você mesmo? Ah claro! Vou contar para vocês como tudo aconteceu. Desde o dia que nós, digo. Eu e May nos conhecemos.

[FLASHBACK ON]

Estávamos na biblioteca da universidade em que estudávamos. Eu cursava advocacia enquanto May fazia medicina. Eu tinha um longo e difícil trabalho e precisava de um livro para fazê-lo.

-Desculpe. Sou “baixinha” e não consigo pegar aquele livro. Você poderia pegá-lo para mim? – Perguntou-me uma garota do cabelo curto e orbes azuis.

A tal garota era tão, mais tão linda... Cheguei a ficar paralisado com sua tamanha beleza.

-Está aí? – perguntou-me vendo que estava sem nenhuma reação.

-Claro, posso pegar sim para você. Desculpe a minha paralisia. – peguei o livro e entreguei á ela com um grande sorriso.

-Obrigado. Meu nome é May, e o seu?

-O meu é Ash.

-Prazer Ash. Você está cursando o quê? – indagou-me a garota com um sorriso muito bonito em seu rosto.

-Advocacia.

-Puxa, que legal! Eu estou fazendo medicina. Estou no último semestre.

-Nossa. Deve ser difícil! Também estou no último semestre. Só falta este trabalho e o TCC para eu terminar. Tomara que depois disso eu arranje um bom emprego, gosto muito de advocacia.

-Poxa. É legal alguém fazer o que gosta. – Respondeu a garota com um sorriso que fazia eu ficar vermelho de vergonha.

Aquilo era impossível, mal conhecia a garota e ela já havia chamado a minha atenção. Seu cabelo era liso igual á seda, seus olhos eram azuis igual ao mar mais limpo deste universo, seu sorriso era tão lindo quanto ver o sol se pondo, quase abaixo do mar. E ainda era muito simpática e atenciosa. Parecia que fixava seus olhos em minha boca só para ouvir o quê eu ia dizer!

-A conversa estava muito boa Ash. Mas, tenho de fazer meu trabalho. – Disse a garota para mim se lamentando.

-Ah, claro. Também tenho que fazer um trabalho muito importante.

-Tudo bem. – Disse ela sorrindo para mim – Nos vemos outro dia!

-Até! – Disse eu com o maior sorriso possível que caberia em meu rosto.

[FLASHBACK OFF]

Essa foi a primeira vez que nós conversamos. A segunda vez foi quando eu estava concretizando o tal trabalho.

[FLASHBACK ON]

Não tinha mais nenhuma mesa livre, todas tinham sido ocupadas. Em cada mesa cabiam até duas pessoas e eu estava sozinho na mesa.

-Ei Ash. Posso sentar-me junto de você? Não tem nenhuma mesa livre e preciso só terminar algumas coisas no meu trabalho. Prometo que não lhe afortuno e muito menos tomo seu espaço. – Disse a garota num tom baixo já que todos estavam muito ocupados.

-Claro May, não será incomodo nenhum. Pode se sentar! – Disse eu falando baixo e muito concentrado em meu trabalho.

-Puxa muito obrigado! – Falou a garota ainda num tom de baixo muito alto.

Estava quase terminando o meu trabalho. Pelo visto ela também.

-O quê vai fazer depois que terminar o seu trabalho? – Indaguei á garota de orbes azuis.

-Nada, por quê?

-Queria saber se você não quer tomar alguma coisa, sei lá.

Naquele momento ela perceberá que queria conhecê-la melhor.

-Poderíamos ir ao cinema, saiu um filme ótimo. – Falou-me com um grande sorriso.

-Claro. – Respondi á ela com outro sorriso.

-Assim que terminarmos podemos ir ao cinema.

-Ok. Agora vou esperar você, conclui meu trabalho!

-Estou quase no final!

[FLASHBACK OFF]

Saímos naquela noite e tudo havia sido maravilhoso. O filme foi ótimo, May havia escolhido o filme certo para assistirmos. Fez nós rirmos, chorar e etc. Lembro-me até agora disso, lembro-me também do nosso primeiro beijo.

[FLASHBACK ON]

-Tirou quanto no seu trabalho May? – Perguntei a ela com um sorriso no rosto mostrando o meu nove.

-Nove e meio. – Disse ela tirando uma da minha cara.

-Droga! – Respondi num tom de risada.

-Eu sempre na sua frente, hein Ash?

-Pura sorte!

-Ahaam. Sei...

-Nunca duvide de mim! Logo mais serei um ÓTIMO advogado, serei rico e casarei com uma mulher muito bonita!

-E quem seria essa mulher?

-Uma mulher muito bonita, simpática e atenciosa. Com cabelo curto, olhos azuis, um sorriso lindo.

-Isso me lembra uma pessoa... – Disse olhando-me

-Sério? – Perguntei fazendo cara de besta

-Ash.

-Oi.

-Somos amigos há um bom tempo né?

-Sim!

-Ás vezes eu acho que só amizade não basta.

-É. Também acho... Sabe May – iria completar minha frase, porém fui interrompido.

-Xii, eu sei o que você vai dizer. Mas, não quero ouvir. Quero sentir.

-V-você quer u-um...

-Me beija logo! – Disse ela com aquela cara de “Vai idiota!”

Foi o melhor beijo da minha vida, confesso. Eu era muito feliz ao lado de May, não estou falando de uma felicidade pequena, mas sim de uma felicidade que nunca senti na vida!

Nunca senti tamanha felicidade com nenhum de meus amigos, e olha que eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo ao lado deles. Com a May eu me sentia a pessoa mais feliz do universo, ela não era só mais um rostinho bonito. Ela além de ser linda era inteligente e me compreendia como ninguém.

[FLASHBACK OFF]

Nossa história não parou por aí. Teve muitas outras coisas, mas tenho que me restringir aos fatos.

Nós nos formamos e arranjamos emprego, May teve notas tão mais tão altas que arranjou um emprego rápido. E o emprego que havia arranjado era um dos hospitais mais conceituados de nossa cidade.

Também tive notas ótimas. Claro que não eram tão altas quanto às de May, mas a diferença era pouca. Não ache que ela era superior a mim, por que não era! Tá certo, ela era sim. Ah, eu admito, ela era MUITO melhor que eu!

Também arranjei emprego em um ótimo lugar. Eu ganhava bem, pois não era incompetente, ganhei muitos processos e já era reconhecido por muitas pessoas na cidade. Sempre que alguém precisava de ajuda com algo jurídico logo me consultavam.

Morávamos em uma casa muito bonita, não era tão grande assim, mas dava para viver bem. Um dia decidimos que era à hora de juntarmos nossas coisas e ir para outro lugar. De preferência um lugar maior e ainda mais seguro.

Depois de algum tempo mudamos para uma bonita casa em uma ótima vizinhança. Fomos ganhando prestigio e mais prestigio, quando May saia para ir à padaria, ou ao mercado todos cumprimentavam ela, idêntico a mim. Sempre que saia, seja para trabalhar, seja para jantarmos fora ou até mesmo viajar. Todo mundo me cumprimentava.

Nossas vidas eram ótimas, alguns até falavam: “Nossa, vocês são duas pessoas, mas parecem mais ser só uma, são perfeito juntos!”. Claro que tivemos nossas brigas. Aliás, só me lamento por uma coisa na nossa vida.

Ah, até agora você não entendeu não é? Eu não habito mais a terra. Estou morto, morri em um acidente de carro. Vou explicar como tudo isso aconteceu...

[FLASHBACK ON]

-Amor! Como foi o trabalho? – Disse o amor de minha vida dando-me um beijo.

-Bom.

-Você está cansado?

-Sim, não é nada fácil ficar mexendo com papeis e pessoas. É muito difícil. – Disse eu aparentando cansaço.

-Amor, me desculpe, mas temos alguns assuntos pendentes para resolvermos.

-Hm...

-Sabe, temos que decidir para onde vamos viajar, a revisão do carro está próxima e...

-CHEGA MAY! EU FIQUEI TRABALHANDO O DIA INTEIRO, QUERO DESCANÇAR! SÓ ISSO!

-M-me desculpe Ash... – Disse a garota derramando uma lágrima.

-VOU SAIR E NÃO SEI QUANDO VOLTO! – Disse eu, sendo ignorante.

Sabe, não pensei como ela se sentiria. Só quis saber de meu cansaço, fui muito ignorante, admito. Ah, é melhor eu continuar a contar antes que chore com minha tamanha babaquice!

Peguei o meu carro e saí.

-Para onde vai senhor Ketchum? – Perguntou-me meu vizinho.

-Vou falar com uns amigos. – Respondi com um sorriso falso.

-May não vai?

-Não, ela está cansada. Preferiu ficar em casa.

-Bom, então vá com Deus!

-Obrigado. – Disse eu dando partida.

Peguei uma rua estreita em que só um carro poderia passar, estava tão nervoso que pensei: “Ah! Que se dane”, eu adorava o que fazia, mas me deixava MUITO exausto.

Não vi que vinha um caminhão e acabei colidindo com ele. Estava á beira da morte. O caminhoneiro pelo menos ligou para o melhor hospital da cidade, hospital cujo May trabalhava.

-Alô. – Minha amada dissera.

-Doutora May precisamos de você agora na Rua Tiger! Um paciente colidiu com um caminhão e está em leito de morte!

-Estou indo agora! – Disse a linda garota já com a chave de seu carro.

May chegará o mais de pressa possível. Viu um Nisan Cerato, carro cujo eu havia. Quando viu a placa então...

-AH NÃO! É O ASH! – Disse a garota chorando e correndo feita louca atrás de mim.

-M-May... – murmurei vendo uma luz que me levava.

-Não Ash, não vá! Farei de tudo pra lhe curar, aguente firme, só alguns e irei lhe ajudar.

May fez todo o possível naquele local, mas de nada adiantaria. Acabei morrendo brigado com ela, fui levado até o IML (Instituto Médico Legal) e foi constatado um derrame cerebral.

May escolherá a frase que gostaria de ter quando morresse em meu tumulo: “Jaz aqui o homem que tocou o coração de muitos.”

Pude ver de perto o meu enterro... Senti um aperto no coração. Todos colocaram flores no meu tumulo, todos mesmo. May só chorava de cabeça baixa. Via de tudo aqui de cima, consegui ouvir os pensamentos de todos, mas o ÚNICO que me tocou foi o de May...

“Foi tudo minha culpa... Eu sou uma idiota.” – Ouvi-a falar aquilo e tive vontade de chorar. Confesso que chorei, o Céu era um bom lugar para morar. Você não tinha nenhuma preocupação, vivia dormindo, comendo e sendo feliz. Mas preferia estar na Terra ao lado de May, rindo, sorrindo, chorando, cantando. Seja como for eu queria estar do lado dela!

Já havia acabado o velório e todos haviam saído de cabeça baixa, só uma pessoa ficou lá. Adivinhe quem? May... Pude ouvir novamente seus pensamentos.

Sua cabeça baixa já dizia tudo, mas mesmo assim eu resolvi ouvir os seus pensamentos.

“É tudo culpa minha... Não era para eu ter irritado Ash”, “Eu sou uma idiota. Eu o amei desde o primeiro dia que o vi e o matei com minhas preocupações idiotas”, “Ash, aonde quer que esteja saiba que não quero mais ter relacionamentos com ninguém, só amava uma pessoa na minha vida e era você!”

Não aguentei... Comecei a chorar mais e mais. Queria só uma chance de provar que eu a amava. Sei que pelo menos quando chegasse aqui poderíamos ser felizes novamente.

Queria por que queria voltar á terra, não precisava ser até eu morrer novamente, só para mostrar para May que eu a amo e que estou até reservando nosso lugar aqui.

Dirigi-me até o regente de tudo o que existe. Claro que não pude vê-lo ou morreria queimado de tamanha luz.

-Senhor, gostaria de mais dois dias na Terra. Serve até como espírito, mas quero provar para May que eu a amo mais que tudo. Por favor, meu senhor, deixe-me voltar por pouco tempo!

-Não posso garantir nada por você Ketchum, mas garanto que vocês só conseguirão se ver no momento em que conseguir uma ligação com ela. Faremos assim, vou te dar dois dias. Porém depois que conseguir a sua ligação com ela de novo e conseguir falar “Eu te amo” e mais algumas palavras. Depois você sumirá e voltará para cá.

-Ok. – Disse eu em tom eufórico.

-Pois bem. Você chegará à Terra no dia 24/12 e voltará no dia 26/12. Quando abrir os olhos estará do lado de sua amada. Ela ainda vai estar dormindo. Você não pode tocar em ninguém, ninguém te escutara. Essa é sua última chance de mostrar o amor que tem por ela. Boa sorte! Use a cabeça.

-Muito, muito, muito obrigado Senhor! Agora eu entendo MESMO porque todos lhe louvam!

-Vá com calma Ketchum. Não faça besteiras!

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Já estava para amanhecer, May dormia calmamente junto comigo.

-Hã? Estou de volta... Finalmente tenho os meus dois dias! Tenho que parar de ficar falando e agir logo!

-Huuuuuuum... – Acordará May.

-May... – Disse eu derramando uma lágrima.

-Hoje faz sete dias que a pessoa mais importante da minha vida se foi. – Disse a garota pegando um porta-retratos com nossa foto. – Como queria voltar para aquele dia, no lugar de te incomodar eu queria poder te abraçar. Chorar nos seus braços, beijar sua boca. Sei que nunca mais terei essas sensações... Desculpe-me Ash, é tudo culpa minha! – Murmurou.

-Não é não! EU SOU UM IDIOTA, VOCÊ É A PESSOA MAIS ESPECIAL DO MUNDO PARA MIM, EU TE TRATEI MAL. EU QUE DEVO DESCULPAS PARA VOCÊ! OUVIU BEM? EU QUE DEVO DESCULPAS PARA VOCÊ! – Gritei tentando fazer com que May escutasse.

-Ash... Tenho saudades de você, ainda consigo sentir seu cheiro. Suas mensagens de amor quando o vapor da água cobria todo o espelho... Saudades de você amor. – Disse a linda garota chorando.

-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! – Dei um grito fazendo de tudo com que May ouvisse. – QUE DROGA! MAY ME ESCUTE! Droga, só estou gastando tempo. Tenho que começar a agir. – Disse eu, levantando da cama.

Estava nevando e todas as janelas estavam encobertas de umidade. Resolvi deixar recados em todos os locais possíveis. Conseguia tocar-nos tais lugares. Só não podia falar com as pessoas.

-Na janela da sala eu vou escrever: “Nunca te esquecerei”, na da cozinha eu vou escrever: “Você é a pessoa mais especial do mundo” e na do banheiro eu vou escrever: “Sempre estarei contigo.”

May levantará da cama, ainda aos prantos, me senti a pessoa mais triste do mundo naquela hora... O coração apertou, meu corpo começou a pesar mais e mais, caí no chão em prantos. O que foi? Acha que pessoas mortas não têm sentimentos? Está enganado! Naquele momento só queria dizer: “Eu te amo amor, eu quero você ao meu lado!”

Ela ligará seu rádio, colocou o CD do Gun’s n Roses. A nossa música...

-When I look into your eyes... – Comecei a cantar

-I can see a Love restrained... – Cantará a garota com sua voz angelical derramando uma lágrima por vez no chão.

-We've been through this such a long, long time – Continue a cantar.

-Just trying to kill the pain, oh yeah – Continuava a cantar a garota e derramar lágrimas...

-So nevermind the darkness – Continuei a cantar

-We still can find a way, Cause nothing lasts forever – Cantava a linda garota com a sua voz angelical...

-Even cold november rain – Cantei a parte que sempre nos tocava.

-É difícil segurar uma vela na chuva fria de Novembro, Ash... Muito difícil... Te amo mais que tudo. Preferia morrer eu no lugar de você... – Falava a garota com sua cabeça encostada na parede, derramando lágrimas. – Lembro quando cantávamos. Você com sua voz desafinada... Nunca foi o primeiro em nada, sempre o segundo. Atrás de mim, seu bobão! Me sinto culpada até hoje... Tudo culpa minha.

-MAY, NÃO FOI CULPA SUA! – Gritei em vão, pois a garota não escutava nada.

-Me desculpe Ash... Desculpe-me mesmo. – Ia falando em quanto se dirigia até a janela da sala.

-May, se conseguir ouvir isso, saiba que temos uma ligação ainda! Nada está acabado. Ouça-me May! Por favor, ouça-me! – Comecei a falar chorando cada vez mais e mais.

-Ah droga, um recado do Ash... Ainda não apagou as mensagens dele. Nunca te esquecerei... Espero que seja verdade Ash, espero que me perdoe. Hoje vou ao cemitério de novo, faz sete dias que não tenho mais você ao meu lado...

-Ah não... Fiquei te observando esses últimos dias e você só chora quando vai ao cemitério, vira homem, mulher! Sempre estarei contigo!

-Acho melhor me preparar para ir.

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-Oi Ash... Faz sete dias que você partiu e já não vejo a hora de se juntar á você. Estou tentando ser a melhor pessoa do mundo para ir ao Céu e te ver... O que não deve ser difícil considerando que sempre sou melhor que você em tudo. – Disse a garota chorando e rindo ao mesmo tempo. – Lembra quando você cantava Don’t Cry para mim? Don’t cry tonight...

-There’s a heaven above you baby... – Chorava enquanto tentava cantar também.

-Ash... Queria trocar de lugar com você.

-Não, mais nem ferrando! Não quero que você fique sozinha no Céu, tem muito marmanjo lá em cima sozinho. Prefiro você na Terra mesmo! Se vier alguém te cantar eu faço um piano cair na cabeça dele!

-Sempre foi ciumento, nunca deixou de me cuidar... Que merda Ash, por que justamente quando você mais precisou de mim eu não estava.

-May, você NÃO ME DEIXOU! – Gritei o mais alto que podia.

-Cale-se, tem pessoas querendo descansar em paz. – dizia uma voz em meu ouvido.

-CALE-SE VOCÊ! EU NÃO QUERO A ALEGRIA DE NINGUÉM Á NÃO SER DA MAY! OUVIU BEM? QUERO QUE SE DANE VOCÊ E TODOS OS OUTROS AQUI!

-Você está gritando em vão. Ela não te escuta. Você é um babaca, não conseguirá o que quer.

-CONSEGUIREI SIM, NÃO FALHAREI. VOU FAZER DE TUDO PARA CONSEGUIR!

-Não, você NÃO vai conseguir seu ótario. A culpa de tudo isso é sua. Você é patético, não merece nem ser chamado de homem!

-QUEM É VOCÊ QUE INSISTE EM ME TORTURAR?

-Seu cérebro.

-FILHO DE UMA...

-Não se esqueça que sua mãe também é minha mãe.

-Eu vou conseguir sim, meu coração fala mais alto que meu cérebro e ele diz que eu vou conseguir!

-Ash, você acha que está em uma batalha entre cérebro e coração, mas não está, consigo sentir o que pensa seu coração. Ele pensa que vocês têm de me vencer, aliás, você só pensa em vencer e em desafios não é? Não se esqueça, a pessoa mais equilibrada é aquela que tem o coração e o cérebro alinhado. Só essas pessoas conseguem superar todos os limites e você não é uma dessas pessoas.

-CALE-SE CÉREBRO IMUNDO! NÃO DUVIDE DE MIM!

-Imundo? FUI EU QUE TE DEI A POSSÍBILIDADE DE NAMORAR MAY, NÃO ME INSULTE SEU VAGAL!

-Filho de uma...

-Pare de ser insistente Ash! Já disse que quando falar mal de mim, falará mal á você também! Vou te dar uma última dica, pois apesar de você ser um pateta gosto muito de você. Você só conseguirá provar a May que a ama e que ela não teve culpa de nada quando usar as mais simples.

-Você é um idiota, mas mesmo assim valeu! – Respondi á ele com um olhar sínico.

-Olhe ela se lamentando de novo... Tudo por sua culpa! – Falou-me com um tom de voz tão frio que chegava a congelar meus ouvidos.

-Ah, vá se danar desgraça! Não tenho culpa de nada, aliás, vou fazê-la sair daqui. – Disse eu batendo no caixão.

-Q-que isso? – Disse a garota se preparando para correr.

-May, espere por mim! – Disse eu correndo atrás dela.

-Ah, enfim paz... – Falará o cérebro pela última vez antes de irmos.

Eu continuei a seguir May.

-Então, para onde vamos agora? – Perguntei á ela, achando que ainda estava vivo.

-...

-Ah certo. Você não consegue me ouvir... Droga!

-... And it’s hard to hold a candle...

-... In the cold november rain...

-Ah Ash, ainda me lembro de você.

-É...

-Como o mundo é pequeno não? Nós nos conhecemos numa biblioteca...

-Sim, o mundo é pequeno e mesmo assim não encontrei a Lady GaGa cantando Bad Romance na rua.

-Enfim. Vou para casa.

-Ah, eu to com fome.

-Depois que você morreu eu tirei férias no hospital... Não estou mais com ânimo de trabalhar.

-Triste...

-Ás vezes consigo até sentir sua presença...

-É, deve ser por que eu estou aqui né?

-Bom, estou cansada. Vou para casa dormir.

-Que droga, eu estou com fome! Quero comer.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

-Ah Ash... Sinto-me tão só. Pena que antes de você falecer nós não tivemos um filho. Seria tão legal ter um filho com você... Você seria um péssimo pai. – Disse a garota dando risadas em meio do pranto.

-É no lugar de colocar a frauda no bumbum do coitado eu colocaria na cabeça. Pois é...

-Droga Ash, por que você foi me conhecer? Não era para eu ter pedido aquele livro... Você estaria vivo agora...

-VIVO E INFELIZ!

-Tsc... Preferia não ter você, mas vê-lo vivo. – Continuará a falar em prantos.

-Ah May, quer saber vai se... Ah, não tenho coragem de falar isso para você.

-Saudades de você Ash...

-Mas eu estou aqui!

-Queria poder te ter novamente, só por dez minutos...

-Que ótimo! Ganhou na Mega-Sena. Agora tem á mim por DOIS dias!

-Acho que depois do que eu fiz você não vai querer a mim nem pintada de ouro...

-Que nada... Queria você pra sempre comigo. Mas parece que tá difícil...

-Você deve me odiar te enchi tanto o saco que você acabou morrendo. – Continuava a murmurar enquanto eu pensava o que fazer para me re-ligar com ela.

-Ah Ash...

-Estar morto não é nada fácil viu? Só ouvir os outros murmurarem é difícil...

-Tsc, vou dormir que ganho mais. Só fico murmurando...

-Ah, eu vou dormir também.

Não sei por que fiz aquilo, mas estava tão triste em ver May se lamentando que eu pensei: “Que se dane!”

Fazia tempo que não dormia tão bem... Acordei só no dia seguinte. Ah droga! O tempo já estava terminando, faltavam menos de dezoito horas... E agora? Já sei!

Saí correndo em uma floricultura. Não podia pagar nada, acabei roubando um buquê com um bilhete pronto.

Claro que muitos estranharão. Mas um morto iria ser preso? Coloquei na porta da nossa casa e toquei a campainha.

-Tomara que dê certo!

-Quem é? – Disse a garota pegando as flores.

“Eu te amo” – Dizia o bilhete. May rasgará o bilhete em mil pedaços e pisará nas flores.

-Idiotas... Já disse que não quero ninguém. Só quero o Ash. – Dizia a garota vermelha de raiva.

O tempo passava, passava e passava. Peguei um pedaço de papel e uma caneta, escrevi: “Eu te amo! BY: Ash” em uma pedra e joguei na janela.

Agora imagine você o estouro que fez! Todos ficaram olhando. May saiu correndo e viu a pedra. Tirou o papel e começou a ler.

-FILHOS DA... ESTÃO TENTANDO ME DEIXAR FURIOSA!

-Ah meu Deus. Essa mulher não entende nada que eu faço!

-Sem coração... Não entendem a dor de outra pessoa! – A garota já começará a derramar lágrimas.

-Que droga. E agora, o que eu posso saber? MAY ME ENTENDA!

Foi aí que tive uma idéia. Fui até o nosso quarto nunca falei para ela. Mas antes de morrer eu estava preparando uma surpresa. Havia comprado um porta-retratos com uma foto nossa, e ainda por cima comprei duas passagens e hotel para o MELHOR hotel de Paris. Passaríamos duas semanas lá, nosso aniversário de casamento seria daqui a três meses. Mas como era mais barato...

Havia colocado em um fundo falso que tinha no nosso quarto. Ela nunca descobrirá do tal fundo falso, peguei as passagens e o porta-retratos e coloquei em cima de nossa cama. Peguei um vaso em cima do criado mudo e joguei no chão para chamar a atenção. AH DROGA! EU TINHA PAGADO QUINHENTOS DÓLARES NAQUELE VASO!

-O que aconteceu? – Havia perguntado a garota de orbes azuis. – Ah não! O vaso de quinhentos dólares quebrou! Mas espera o que é isso? Duas passagens para PARIS e um porta-retrato com nossa foto? Como isso veio parar aqui? Aliás, O QUÊ É ISSO? Espera, tem um bilhete aqui. “Uma surpresa para o amor da minha vida”, ah, só Deus mesmo pra trazer isso para mim... Iríamos viajar para a cidade mais linda do mundo... IRÍAMOS.

-AGORA VOCÊ ENTENDEU?

-Como isso veio parar aqui?

-QUE DROGA! NEM ASSIM EU CONSIGO E AGORA FALTAM MENOS DE 12 HORAS!

-Por que tudo isso está acontecendo? Acho que tem algum tipo de espírito nessa casa...

-AÊÊ! FINALMENTE ENTENDEU!

-VOU LIGAR PRO EXORCISTA AGORA!

-... F*DEU!

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

-Macumba ié ié ié! Macumba ié ié ia! – Dizia o exorcista. – Se tem alguém nessa casa, que se apresente agora!

-É, eu estou aqui.

-SAIA DAQUI ESPÍRITO MALDITO! – Gritava MUITO alto o exorcista.

-Ei, eu tenho tímpanos sabia?

-SAIA DAQUI! EM NOME DE DEUS EU TE EXORCISO!

-DEUS me mandou aqui seu idiota!

-NÃO MANDOU NÃO! VOCÊ É FRUTO DO DIABO!

-Ah seu exorcista vagabundo, vai trabalhar!

-Quem está falando com você? – Perguntará a garota da minha vida assustada.

-May? May você está me ouvindo?

-O QUE QUER COM ESSA GAROTA SEU DEMÔNIO?

-Dizer que eu amo ela...

-EU SEI O QUE VOCÊ QUER! VOCÊ QUER DESTRUIR A VIDA DELA! SAÍA DAQUI SEU DESGRAÇADO!

-EU SOU O MARIDO DELA SEU IDIOTA!

-Quem é ele?

-Diz ele que é seu marido...

-Ash...?

-May, May você consegue me ouvir?

-FORA DAQUI DESGRAÇADO, MENTIROSO! – Dizia o exorcista jogando MUITA água branca em mim.

-Água benta não adianta pra quem já esteve no Céu!

-VOCÊ NUNCA ESTEVE NO CÉU, QUE TIPO DE DEMÔNIO É ESSE QUE CONSEGUE RESISITIR À AGUA BENTA!

-Demônio é o que você tem no... Ah quer saber, não quero ficar discutindo. Só quero provar que amo a May!

-Ele está dizendo que quer provar que ama você... Não acha que é seu esposo? – Dizia o exorcista, já se conformando que não era um demônio.

-TIRE ELE DAQUI PADRE. MEU MARIDO DEVE ME ODIAR, MORREU POR QUE BRIGAMOS! É MENTIRA DELE, TIRE-O DAQUI!

-MAY, NÃO É MENTIRA! EU TE AMO!

-Mas... Ele parece ser tão real, fala de coração... Deve ser só mais um fruto do mal. SAIA DEMÔNIO! XÓ SATÃ!

-Já que nem minha própria esposa acredita em mim, prefiro ir embora. Adeus May... – Disse eu saindo de casa.

-Graças aos Céus! Esse demônio teve piedade de alguém que estava sofrendo! – Agradecia aos Céus o Exorcista.

Estava traumatizado, minha própria esposa não acreditava em mim... Faltava apenas dez minutos para ir embora. Decidi dizer adeus á May.

Fui à nossa casa novamente, entrei e comecei a falar enquanto via May chorando.

-May, sei que você não vai me ouvir, mas queria te dizer adeus... Nós nos vemos no Céu, nunca se esqueça May. Eu te amo mais do que tudo que já amei... – Começava a chorar enquanto não tinha mais braços e nem pernas, eu estava sumindo.

-ASH? ASH VOCÊ ESTÁ AÍ?

-M-May, você consegue me ouvir?

-Consigo...

-May, era eu o tempo todo. Tudo o que aconteceu nesses últimos dias, fui EU.

-Não acreditei em você Ash...

Já estava quase sumindo, resolvi falar minhas últimas palavras para a garota.

-May, eu te amo... Só posso lhe dizer isso e agora me vou...

-ASH, NÃO! POR FAVOR FIQUE! POR FAVOR!

-Não posso amor, eu tinha dois dias e meu prazo acabou.

-Ash... Me desculpe! Me desculpe por ter lhe matado...

-May, EU me matei. E além do mais, o Céu é um bom lugar. Te espero lá May...

-Ash... Tchau, te vejo no Céu.

-Tchau May. Eu te amo! – Disse minhas últimas palavras depois que sumi.

-Não consigo mais te sentir aqui... Agora você se foi. Tchau Ash. Te encontro no Céu...– May chorando muito havia dito suas últimas palavras por um tempo para mim.

[FLASHBACK OFF]

Bom, foi isso que aconteceu. Agora tenho que ir, May me aguarda!

-Venha logo Ash!

-Já vou amor!

Notas finais
Oi Oi Oi! =D

Mais uma fic totalmente baka e IMENSA minha ¬¬

Por favor, mesmo se não ter gostado. Deixa review? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!