Novamente Alice ~sendo reescrita~
25 Revelação - pov sinara
Notas iniciais
~P.O.V Sinara~
Eu pedi a Erick que me ajudasse com as caixas, tudo bem, talvez eu não precisasse tanto assim da ajuda dele, mas oque podia fazer? Ele é lindo, claro, ele deve ser do tipo que não leva ninguém a sério, mas eu gostei dele assim que o vi, não só por ele ser lindo, mas também porque sinto que tem algo de especial nele, algo diferente, a começar pelo olhar frio que não combina com o seu sorriso, isso me deixou intrigada.
— Posso te chamar de Erick? – Perguntei com certa esperança, eis meu primeiro teste, vamos ser como ele é longe dos outros.
— Claro que pode... – Ele respondeu sorrindo e eu sorri de volta, mas não sinti muita firmeza em sua voz o que me deixou um pouco curiosa.
“Não ouse perguntar!”, “Não ouse perguntar”, ordenei a mim mesma como se fosse uma oração, mas pra variar ela não foi atendida: — Oque foi? Não gosta de ser chamado de Erick? – Perguntei, me xingando mentalmente, eu tinha que aprender a ficar calada, ele me fitou um pouco surpreso, mas logo tornou a sorrir.
— Não, não, imagina, na verdade eu gosto e gosto muito, só que é meio estranho, quase ninguém me chama assim. – Ele respondeu gentilmente, é parece que ele passou no primeiro teste.
— Entendi! – Respondi um pouco sem jeito e continuamos andando em silencio até que Jorgie, o nosso cozinheiro, nos parou:
— Ah querida que bom que te encontrei... – E lá veio ele com o mesmo tom lenga-lenga de sempre. — Preciso que me faça um favor, já que está indo por este caminho pode levar esse recado ao ferreiro? – Eu suspirei e peguei o recado, droga, detestava ir lá, aquele lugar é muito bruto, até mesmo pra mim, mas oque podia fazer? Ser gentil com todos é a minha função, Jorgie se despediu e recomeçamos a andar, Erick observava tudo com um sorriso no rosto e eu apenas seguia com raiva da vida, no meio do caminho vi a grande porta de madeira, a porta da oficina de Loures, o ferreiro, eu parei em frente deixando a caixa no chão e observei a porta.
— Se não se importar... – A voz serena de Erick me surpreendeu — Posso ir por você! – Ele se ofereceu sorrindo e eu entreguei o papel a ele.
Ele seguiu até a porta e a abriu, deixando-a entreaberta, corri e comecei a observa-lo, ele passou sem nenhuma dificuldade pelas ferramentas esparramadas de Loures, com seu sorriso diplomático, esperou o homem nota-lo, o que não demorou a acontecer, Loures o fitou por um segundo e ele apenas se aproximou, o que é incrível porque eu geralmente ficava com medo de me aproximar muito, mas Erick parece até mesmo acostumado com tudo aquilo, ele entregou o recado e acena e parece dizer alguma coisa a Erick. que apenas sorriu de volta, se despediu e começou a sair do lugar.
Um tempo depois ele já está ao meu lado na porta, eu sorri para ele e nós pegamos as caixas novamente:
— Ele recebeu bem o pedido? – Perguntei, enquanto recomeçamos a andar pelo grande corredor, um dos poucos que não estava congelado.
— Sim.
— Que ótimo, ei, você já esteve em alguma oficina assim antes? – Perguntei e ele me encarou surpreso.
— Sim, meu pai era ferreiro. – Ele respondeu simplesmente.
— Ferreiro? Isso é raro por aqui! – Comentei e ele sorriu.
— É que eu não nasci aqui, entende? – E responde/pergunta.
— E de onde você veio? – Perguntei meio que por impulso e ele baixou os olhos, “ai Deus eu preciso mesmo aprender a calar a boca”, Erick ainda com os olhos voltados para o chão, alguns fios de seu cabelo loiro acabaram caindo nos olhos amarelos, mas ele não pereceu se importar com isso, o sorriso tinha diminuído.
— Sou de Jadis. – Ele respondeu com o tom de voz um pouco mais suave que o normal. Jadis, aquele nome não me era estranho, não mesmo, mas de onde eu ouvi, de onde? — Mas agora eu sou daqui, não é mesmo?! – Ele reativou o sorriso e ergueu novamente a cabeça, eu sorri, mas algo me intrigava. Jadis! Aonde eu vi essa palavra? De repente uma súbita lembrança passou pela minha cabeça e eu parei quase que instantaneamente, como eu posso ter esquecido? — O que houve? – Ele perguntou e eu deixei a caixa no chão, sinalizando para que ele faça o mesmo. — Fala logo menina. – Ele parecia curioso e ansioso.
— Jadis? Ó céus! – Eu supliquei silenciosamente para que estivesse errada, mas... Não pode ser! Ele me encarou preocupado, e só então notei o quão intenso eram seus olhos, e belos. — Tem... Ah! Não sei como explicar...
— O que você não sabe explicar? Me diz. – Ele parecia realmente preocupado, o que eu achei fofo, mas este não era o momento, então me concentrei no que era importante. — Pelo menos tente explicar! – Ele suplicou e eu olhei em seus olhos novamente, tão intensos, tão perigosos, mas tão tristes e vazios, eles me deram coragem.
— É... – Começo um pouco nervosa. -_Uma mulher... De Jadis, tinha laços com a rainha vermelha...
— O QUE? – Ele praticamente gritou, e eu entendia sua reação, pois me lembrava um pouco do que houve em Jadis, nosso país vizinho e aliado, que foi traído e dizimado pela vermelha.
— Essa mulher foi a primeira a saber dos planos da rainha vermelha, mas não foi contra, na verdade ela foi a favor, só que por algum motivo ela desistiu dele depois, e... Eu não sei mesmo o porquê, mas o que importa é que essa mulher era de Jadis e está viva, ela não serve a nova rainha vermelha, mas é sua simpatizante e estou te dizendo isso porque...
— PORQUE? VAMOS DIGA!
— Porque ela se casou com Ás e inclusive tiveram um filho, mas isso não importa, o que importa é que ela quer que Ás mate as crianças de Jadis que vivem aqui, ela tem ódio de vocês, ela quer mata-los e por isso, bem... Ela está disposta a matar, ou melhor convencer Ás a matar Alice, para conseguir a simpatia da rainha! Ela... Fez esse acordo com a antiga e agora renovou com a nova, como não conseguiu matar a anterior ela tentará matar a nova Alice para poder ter a possibilidade de matar vocês, as crianças de Jadis e dizem que...
— Que? – Ele perguntou, sua voz um pouco mais falha e baixa.
— Que ela quer matar uma em questão, e dizem que pode ser o próprio filho ou filha não sei! – Eu terminei de falar e ele apenas me encarava.
— Mas... – Ele começou a falar, um pouco perdido em pensamentos... — Quem seria essa?
— Eu nunca a vi, mas dizem que era a mais bela em Jadis e seu nome... Bem... Se me lembro era... Ah... sim... Era Maira.
Fale com o autor