Notas iniciais
Olá, gente! O capítulo já estava pronto mas eu tive que viajar para um lugar que não tinha internet então não consegui postar. Segue agora a continuação da história e, mais uma vez, tem spoiler no final!

NESSIE POV

Chegar a casa e ouvir os infindáveis sermões de Bella já tinha virado rotina. Não me abalava mais nem quando ela me xingava e gritava a plenos pulmões o tanto que eu não prestava. De um tempo para cá tudo o que eu fazia era deixá-la falando sozinha e me trancar no quarto. Ela continuava gritando para ter certeza que eu estava escutando, mas os fones de ouvido realmente se mostraram uma das invenções mais úteis da humanidade. Com o tempo e sem nenhuma reação mais drástica da minha parte, ela passou a não gritar mais tanto e até ignorar as minhas chegadas.

Hoje ela não conseguiu me ignorar, mas eu também não me dei ao trabalho de conversar. A minha paciência não é muita, então o melhor era simplesmente ignorar e ir para o meu quarto. Tinha muito o que conversar com Seth e não poderia chegar atrasada amanhã no trabalho nem que o mundo acabasse. Bella ainda gritava então eu teria que esperar um pouco, o que era uma boa razão para colocar as minhas ideias em ordem.

Eu sabia que Seth não gostava de falar sobre “A Vagaba” apesar de nunca dizer abertamente a sua razão. Eles costumavam ficar, eu mesma os vi aos beijos algumas vezes. Sabia que o Seth havia se enganado com ela apesar de nunca falar sobre isso. Depois disso é que ele começou a se tornar o garanhão que é hoje. Mesmo antes dela ele não era nenhum ingênuo, mas também não era esse galinha. Eu sabia que ai tinha coisa...

Por mais que eu tentasse eu não conseguia me distrair por muito tempo. O Jake havia voltado! Ele estava lindo, é verdade, mas mais misterioso do que nunca. A única coisa que se mantinha igual ao menino que eu um dia conheci era um de seus sorrisos. Seu olhar agora tinha uma malícia que eu não conseguia ler, além dos segredos que sempre estiveram presentes, mas pareciam ainda maiores. Aquele corpo era um comentário a parte e não é muito seguro eu ficar pensando nisso. Com o tempo que eu estou na seca vou começar a fantasiar com o garoto e algo me dizia que ele iria descobrir isso e não daria coisa boa. Ele sempre foi demais, mas nunca no quesito físico – que para falar a verdade, hoje, a primeira vista, era tudo o que mais importava.

Eu nem sei o que perguntar ao Seth. O assunto que mais está me incomodando com relação a ele é a Steputa, mas foram tantas coisas estranhas hoje... O inesperado pedido de desculpas da Jéssica, seu estranho aparecimento com a Stephany, o Jake me agarrando, seu olhar queimando a minha mão quando estava dada ao Seth, a estranha forma que ele me defendeu, o ódio da Alice e a forma absurda que a Sophie parecia estar entendendo tudo quando eu não tinha a mínima noção. É, eu também precisaria conversar com a Sophie sobre isso.

Pensando melhor... É melhor não. Ela sempre foi muito perceptiva, apesar de não muito rápida para chegar a conclusões, então poderia me encher com mais perguntas do que eu estava disposta a responder. Afinal, eu também não estou mais entendendo muita coisa por aqui.

Será que a Bella não vai parar nunca de gritar? Eu sei que o Seth não se importaria, ele sabe a louca que ela se tornou, mas eu não queria passar mais vergonha com ela. Descontrolada e falando tanta besteira parece que ela sempre me odiou, até ciúmes do Edward, meu pai, comigo ela tem. Eu não sei mais o que fazer, nem ele. Parece que ela é um caso sem solução e quando a gente pensa que ela não conseguiria piorar mais, ela sempre nos surpreende.

Aumentei a música. Avril Lavigne era sempre uma boa pedida nessas horas, assim como Paramore e eu conseguia me concentrar um pouco nas batidas mais fortes que abafavam a loucura no andar de baixo. Escutando com os olhos fechados eu começo a pensar em Jake novamente. Nossa! Como as coisas mudam! Eu não o conheço mais, mas parece que nada mudou exatamente. Tudo isso é tão confuso! A vó dele vivia dizendo que éramos perfeitos um para o outro. Ele sempre me defendeu dos outros meninos, mesmo do melhor amigo dele na época, o Alec. Esse cara era insuportável! Não sei como o Jake gostava dele, mas ele nunca permitia que aquele idiota tirasse sarro de mim, o que era diferente nos dias que ele faltava.

A música acabou e eu não ouvi mais os gritos da Bella. Abaixei o volume do player e esperei mais dez minutos por outra chuva de gritos que não veio. A hora de confrontar o Seth está chegando. Levanto da cama, confiro se a porta está trancada e ligo o som em um volume aceitável. Sempre tinha que fazer isso para ter certeza que ela não escutaria nada caso estivesse espionando atrás da porta. Sério, ela é tão irritante que nem o Seth sabe como eu aguento.

Pego o celular e ligo para o número tão conhecido que cai direto na caixa postal. Ele não faria isso! Ele realmente não desligaria aquele celular hoje! Liguei novamente e ele atendeu no terceiro toque. A raiva voltou com todas as forças quando escutei as suas palavras.

– Oi, minha coisa linda e gostosa!

– Seth Clearwater, nem comece com as suas gracinhas! Trate de me explicar tudo o que aconteceu hoje!

– Assim complica, Nessie. O dia foi longo e eu já estava quase dormindo então você vai ter que me ajudar.

– Ok, engraçadinho. Primeiro eu quero saber que história foi essa de falar e mostrar os meus peitos e bunda para o Jake! Ainda mais na minha frente! Você está louco cara?

Seth soltou uma gargalhada estrondosa. Ele já estava praticamente se afogando de tanto rir e a minha vontade de arrancar a cabeça dele só aumentava. Enquanto recuperava o fôlego ele tentava falar:

– Sério que todo esse suspense que você precisava conversar comigo foi apenas pela constatação de um fato dividido com o meu amigo? Ok, se você prefere que a gente não fale da sua bunda e peitos na sua frente não tem problema. Quando você estiver longe falamos, duvido que o Jake vai cortar o assunto! Kkkkk

O que eu disse sobre a vontade de arrancar a cabeça? Pensei.

– Seth Clearwater – rosnei cada sílaba bem devagar.

Isso parece ter o alertado que eu não estava brincando pois ele parou na hora.

– Ok, Ness. Eu entendi. Me desculpa se eu deixei você com vergonha, mas não era para tanto. O Jake já tinha notado tudo isso mesmo antes de você ser capaz de reconhecê-lo.

– Certo, Seth. Mas eu não queria falar sobre isso somente.

– Ainda bem! (disse sarcástico). Já pensou se fosse só para me dar bronca?!

Respirei fundo para ele escutar e comecei:

– Seth, porque você fica tão incomodado quando a Stheputa está por perto? Eu também não gosto dela e a acho uma das mulheres mais falsas do mundo, mas porque você fica assim? Eu sei que vocês ficaram e eu não julgo você por isso, afinal ela é uma vagabunda e você um galinha mas... – tentei soar engraçada no final para amenizar o clima já que eu pude sentir os dentes dele se trincando daqui, mas acho que não deu muito certo pois ele apenas respirou.

– Eu gostava dela, Ness. Não tem mais como tentar esconder isso de você. Eu gostava dela e ela me traiu. Ela me traiu de todas as formas possíveis e depois disso não consegui mais confiar em mulher nenhuma, pelo menos não para ter um relacionamento do tipo “homem e mulher”. Eu tinha pedido para namorar sério com ela, uma coisa que eu nunca tinha feito até então e ela me faz isso. Depois disso eu nunca mais consegui ser fiel a ninguém. Porque eu seria fiel se ela me trairia depois? Eu prefiro trair primeiro, assim não fico com cara de idiota. Todas são iguais.

Ah, não! Não acredito que ele está citando a maior filosofia dos homens machistas e inseguros que colocam a culpa na “primeira mulher” para tirar o seu da reta, para fazer de conta para si mesmo que ele não é um irresponsável. O Seth sabe que eu odeio tipos assim, tipos fracos que não conseguem ver a verdade. Que merda que ele falou! Ele não pode realmente pensar assim, mas ele disse com tanta convicção...

– Você nunca foi tão idiota para mim quanto está sendo agora. Esse tipinho que fala que é infiel porque a primeira que ele realmente se importou (falei com sarcasmo) o traiu é o tipo que eu mais odeio de homem frouxo e fraco. Seth, você é melhor do que isso! O que você queria dessa vagabunda? Que ela lhe desse um filho e vocês vivessem felizes para sempre? – Ri e ele respirou fundo do outro lado. – Ela é uma vagabunda e não todas as mulheres. Você não pode julgar todas com base em uma puta, pelo amor!

– Chega Nessie! Se é para xingar ela e me chamar de fraco eu não quero mais ouvir.

– Mas é verdade! Você está desperdiçando a sua vida por causa de uma prostituta de carteirinha. Você poderia sim conhecer uma mulher fantástica na faculdade e ser muito feliz com ela, mas você preferiu se envolver com aquela lá. Você já pensou em ter família, Seth? Não dá para ter uma sendo um garanhão!

– Basta Renesmee! (gritou) Você nãoi tem a mínima ideia do que está falando e esse assunto já foi longe demais, Eu quero dormir e, como seu psicólogo, tenho que passar a sua próxima tarefa para se ver livre daquele encosto. – Ele ficou muito sério e passou a usar a sua voz de profissional. — Eu quero que você escreva sobre o melhor momento que você passou com ele. Que você fale sobre o que mais gostava que ele fizesse. Se você começar a chorar enquanto faz isso marque o ponto onde as lágrimas começam e onde elas param todas as vezes que isso acontecer. Fui claro? Agora eu vou descansar, Renesmee. Boa noite!

Ele desligou sem ao menos me dar uma chance de responder. Realmente ele tinha ficado bravo e eu não entendia a razão. Seth nunca foi machista, mas esse pensamento dele, que só trai porque foi traído da primeira vez que se envolveu com alguém, era a maior filosofia deles. Então eu mandei uma sms para o Seth: “Por acaso se um colega querido oferecer drogas para você, você se transformaria em um traficante? É a mesma coisa que você acabou de me dizer sobre aquela “mulher”. Boa noite!”.

Ele não me respondeu, mas nem eu esperava uma coisa diferente. Agora eu tinha que dormir e descansar para o longo dia de amanhã.

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Quase uma semana se passou e Seth e eu apenas conversávamos o trivial. Não estávamos mais agindo como melhores amigos, mas também não tocamos mais no assunto daquela fatídica conversa e mensagem depois. Ele estava chateado, mas eu também estava. Não queria que o meu amigo se transformasse num fraco por causa de uma vagabunda.

Quando eu conheci a Stephany eu já pensava que ela não era flor que se cheirasse, mas tudo se confirmou na semana seguinte. Nesse primeiro dia nós nos demos bem, afinal eu sou educada e ela sabe fingir bem quando quer, e ela já achou que eu era sua amiguinha e soltou que eu e o Seth deveríamos ficar juntos. Disse quue a gente combinava. Eu falei que não, afinal ele era meu amigo e não tinha nada a ver. Na semana seguinte ela já estava com a língua na garganta dele e ele cada vez com mais desejo por ela. Ela o atiçava, provocava em tudo de tal forma que até eu ficava com vergonha. Uma pessoa que fala que você combina com alguém e depois se atira para ele é no mínimo falsa, certo? E o que eu mais odeio é a falsidade, depois a fraqueza. Traição, a meu ver, é algo que não há perdão, então o meu amigo estaria bem encrencado. Três meses depois essa ficada maluca deles acabou.

A Sophie sabia dessa parte da história e o Seth também, apesar que eu acho que ele nunca ligou muito para isso. Como o Jake disse, ele estava pensando com a cabeça de baixo. Jake... lá estava eu pensando nele de novo. Já havia se passado quase uma semana e não ouvi mais falar dele. A cidade é grande, então isso não é uma novidade. Mas, voltando ao Seth... eu estava realmente preocupada com ele. Sem dúvida ele estava me escondendo alguma coisa, ele não era assim, ele não era fraco! Ele me passou aquela “lição” mas não me cobrou mais, essa semana estava corrida para nós dois na faculdade e ele sabia que eu faria assim que pudesse.

Agora eu tinha que parar de pensar e deixar tudo para depois. Eu estava cansada. O dia no trabalho e na faculdade tinha sido difícil. Eu e Bella também não estávamos conversando, mas isso, ao contrário do Seth, não me fazia falta. Pensei mais uma vez no sorriso malicioso do Jake e acabei caindo no sono.

Sem nem acabar de fechar os olhos o meu despertador já tocou marcando seis horas da manhã. Era sempre assim quando eu estava cansada, o tempo simplesmente passava rápido demais. Eu ainda estava tensa, inclusive, o que me rendeu uma dor poderosa nos ombros e o pescoço só destravou após muito alongamento.

Depois do banho me arrumei correndo e tomei um café da manhã simples. Eu não sentia fome tão cedo, mas não poderia me arriscar a desmaiar mais uma vez na rua. A maquiagem, como sempre quando eu estava atrasada, faria no ônibus que me levaria até o trabalho.

Sai correndo de casa e o ônibus demorou a passar, e eu já estava me desesperando quando ele finalmente chegou. Lotado, gente fedida, e para ajudar começou a chover. Já sabia que o dia seria complicado e eu não podia chegar atrasada hoje, Victória já tinha conversado comigo sobre isso e eu não poderia decepcioná-la.

Cheguei faltando um minuto para bater o ponto e finalmente pude respirar. Já era quinta-feira, então o pessoal já estava dividindo os plantões do final de semana e como sempre eu escapei. Nessas horas é muito bom ainda estar fazendo faculdade. Em compensação não tive um minuto de descanso e só pude almoçar quando todos já haviam saído. Também tinha que voltar antes que eles aparecessem então comi rápido demais e passei o dia inteiro com dor de estômago. Victória não conversou comigo durante todo o dia pois dizia que eu não poderia me atrasar. Nesses momentos algo me incomodava dizendo que ela não era tão boazinha assim, mas para o bem da minha sanidade preferi, novamente, deletar esse pensamento.

Quando deu meu horário eu sai correndo como todos os dias quando eu tinha aula. Por causa de uma reforma na via, que começou na terça-feira, eu tinha que andar mais de um quilometro para pegar o bendito ônibus, já que o ponto mais próximo estava em uma área interditada. Novamente com raiva eu me pus a caminhar até o ponto. Aquela via era escura e estreita, um local que meu pai diria que eu não deveria estar por ser perigoso ao extremo, mas eu não tinha escolha. Quando estava chegando no ponto mais crítico do caminho percebo o giroflex de um carro de polícia mais a frente e respiro aliviada. Me sentia mais protegida, apesar de saber que isso não impediria muita coisa.

Os policiais estavam visivelmente tensos com alguma coisa. Eram quatro ou cinco homens ali, mas eu não conseguia ter certeza pois nunca enxerguei bem de longe. Um dos homens realmente se diferenciava dos demais, ele era pelo menos dez centímetros mais alto que o segundo maior e parecia mais tenso que os outros. Quando eu estava a uma distância de duzentos metros deles ainda não conseguia ver as suas fisionomias, mas escutei o barulho agudo de uma moto entrando a toda velocidade na via. Todos os homens se viraram instintivamente para o barulho, mas foi com o primeiro estrondo que tudo ficou rápido demais.

O policial mais alto veio correndo na minha direção, ele parecia um lobo por causa dos músculos enormes que apareciam mesmo por baixo da farda e ele aparentava estar com muita raiva. Eu parei, não sabia o que fazer e os estouros continuaram, eu não conseguia mais andar. Percebi que eles estavam atirando e que os outros policiais atiravam de volta, enquanto o maior corria até mim. Ele gritava para que eu me abaixasse, que me jogasse no chão e eu, instintivamente, olhei para trás. O cano de um revólver estava apontado para a minha cabeça e eu gelei. Eu era o alvo. Quando o dedo do homem encapuzado se moveu sobre o gatilho o policial maior me lançou para o chão ficando por cima de mim. Ele era pesado, mas eu não conseguia reclamar. O seu corpo parecia estar pegando fogo de tão quente. Então, ainda em cima de mim, ele sacou a sua arma e começou também a trocar tiros com os bandidos que já estavam fugindo. Três dos cinco policiais subiram no carro para perseguir os atiradores enquanto o outro corria até nós dois. O policial grande, ainda em cima de mim, conseguiu atingir a perna e um braço do homem que mirava em mim e eles começaram a recuar.

Finalmente olhei para o homem que me mantinha presa em baixo do seu corpo. Arfei. Eu não podia acreditar. Estando tão próximos, com seu corpo perfeito em cima do meu e seu cheiro me inebriando eu não conseguia raciocinar. Estava tonta e nem conseguia ficar chateada com a situação.

– Jake, você me salvou... – balbuciei.

Ele me olhou com os olhos cheios de uma emoção estranha e cheirou o ar. Ele sustentou todo o seu peso nos braços assim que guardou novamente a sua arma, mas não saiu de cima de mim. Sua mão direita desceu pela lateral do meu corpo, tocando a minha pele por cima da roupa. Meu coração bateu mais forte, eu arfei novamente e o mundo rodou. Percebi que eu estava fraca e senti meus olhos se fechando quando o outro policial pegou um aparelho para chamar uma ambulância. Jake olhou para a mão que percorreu o meu corpo e eu também pude ver o líquido vermelho pastoso que a tinha sujado.

– Me perdoa, Ness... – ele disse baixinho enquanto acariciava o meu rosto com a outra mão e tudo ficou escuro.



SPOILER ALERT


– Quando você vai contar a Nessie?

– Você não sabe nada sobre isso!

– Eu sei que ela estava grávida, Seth!


Notas finais
Espero que tenham gostado e aguardo os comentários! Beijão