Nova Terra

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem! ^^

“Mil promessas, mil maneiras de perder”.

LINKIN PARK

§

PLANETA KLOUN

Traduzido diretamente do idioma oficial dos Klound’s.



Aléxica Tristoclon, 22 anos

Sete anos de academia militar



Costumávamos ser uma raça pacífica, o amor era nossa maior lei. Lutávamos em um nível físico e intelectual para não ceder aos nossos instintos assassinos, de cobiça, de superioridade. Levavam-se anos, mas era um esforço que valia a pena.

Nossa espécie assistiu por milênios a destruição num planeta semelhante ao nosso, um lugar chamado Terra. Estávamos proibidos por lei de entrar em contato com eles, os humanos, para que sua cultura de corrupção e morte não chegasse até nós. Sei que há pessoas boas naquele planeta e é isso o que torna as coisas difíceis.

No entanto, tudo isso foi um esforço em vão. Por mais que tenhamos mantido distância, em seu maior desespero, foram eles quem nos acharam. E com isso, nosso medo fez com que tudo o que repreendemos interiormente, por todos esses anos, se libertassem, o mal chegou e a guerra começou em meu planeta, Kloun.

Nossa guerra, agora, é com os humanos. Mas e depois? O que seremos depois, já que há sangue em nossas mãos?

Agora, não há nada que nos diferencie dos humanos. Somos iguais.

Agora, estou lutando por uma causa na qual eu não acredito mais.

§

—O que faz de alguém um bom líder, afinal? Com certeza, um líder de verdade se sentiria orgulhoso quando vence uma guerra! — Pergunto frustrada, em voz alta, mesmo que eu esteja sozinha.

Eu não estava planejando passar na Prova Obrigatória, somente os mais inteligentes emocional e intelectualmente falando, os mais preparados passam para a Escola de Guerra. Os que reprovam vão para uma universidade profissionalizante de sua escolha. Eu queria ser jornalista, não militar. Mas uma vez que se passa na Prova não sai mais do exército até que achem que você não seja mais útil para a causa e não importa de que sexo ou classe social você seja.

Olho para a tela de meu simulador sem emoção. Eu ganhei de novo. Eu matei milhares de humanos que não existem e eu não estou feliz. Isso é apenas uma simulação, mas e quando for real? E quando eu tiver mesmo de matar todas aquelas pessoas humanas?

Minha vontade é de desistir e errar as estratégias de propósito. Perder e deixar que outro tome meu posto, que outro Klound avance no estágio e vença essa guerra. Segundo o tenente Jersey, eu sou uma das melhores e não há mais tempo para achar outros candidatos que sejam tão bons para me substituir. A guerra está chegando ao seu ápice, se nossa vitória não for agora, perderemos tudo.

Mas podemos acabar com isso. Eu posso vencer a guerra...

Mas a que custo?

Para que fins?

O que vai acontecer quando a guerra contra os humanos acabar?

Tenho o medo de acabarmos como eles, com o fim da Guerra, o que eu e todos que nos dedicamos em todos esses anos à Escola de Guerra vamos fazer? Voltar-nos uns contra os outros? Tornamo-nos capitalistas, consumidores compulsivos, mentirosos, onde o mais forte sobrevive, e, consequentemente, seremos dizimados por guerras da nossa própria espécie. Ou seja, acabaremos como eles.

—Posso entrar? –Escuto, a voz era de Nathan Lenus, outro candidato a promoção militar. Éramos quase inimigos no começo, quando chegamos aqui como meros cadetes. Hoje, somos amigos inseparáveis. Tenho quase certeza de que ele esconde algo em seu passado, mas já salvou tantas vezes a minha vida que nem me incomodo mais com isso.

—Entra. –Digo simplesmente. Coloco o simulador de lado e ajeito o travesseiro em minhas costas, para que me sentisse mais confortável sentada.

Somos todos extremamente parecidos com os humanos em questões físicas, mas Nathan, e seu irmão gêmeo, Pietro, superam a todos nós, sem dúvidas. Suas feições expressam os sentimentos com muito mais facilidade, mas possuem a habilidade de se adaptar as coisas rapidamente. Deve ser por isso eles foram os que se deram melhor na carreira militar. Além de uma habilidade sem precedentes para mentir, o que eu aprendi a identificar isso com muito esforço, e, ainda assim, nem sempre eu consigo. Eles dizem que eu sou inocente de mais, seja lá o que isso signifique. Mas, em compensação, eu sou excelente em estratégia e reposta: Causa e efeito. Somos um trio e tanto...

—Você está bem? –Pergunta ele, franzindo o cenho, assim adentra em meu alojamento em passos despreocupados.

—Só estou com dor nas costas e pernas. –Dou de ombros. — Nada de mais...

Mais um motivo para meu mal humor... Menstruação.... Mais uma semelhança com os humanos, uma que eu odeio de verdade. Mas Nathan não precisa saber disso.

—Não vou fingir que acredito em você. –Ele ri. -Você não compareceu à batalha de treinamento de hoje, então você deve mesmo estar péssima. Seu time parecia mais perdido que cego no meio de um tiroteio...

Percebo a mentira em sua voz e caio na risada.

—Duvido! Eu os treinei muito bem. Eles deram uma surra em vocês, mesmo sem mim, aposto!

Quando um soldado está no teste para a Promoção, ele fica responsável pelo treinamento de uma turma de novatos que formam os times de guerra. Os times são estes: Lion, Epiphone, Blind, Luxor, Music, Dragon, Remains e North. Os times estão exatamente nessa ordem atualmente no campeonato.

O meu time, Epiphone, vem avançando sobre os outros nos últimos meses, desde que eu aprendi os defeitos de cada equipe e seus postos-chaves, os membros mais fracos e os mais fortes, criei estratégias para vencê-los, sem nunca infligir às leis do campeonato local. Obviamente, nem todos os chefes de equipe levam isso na esportiva como Nathan e o resto de sua equipe, Lion... ou como o misterioso irmão de Nathan, Pietro Lenus, capitão do time Music.

Faltando apenas quatro meses paras nossa formatura, é óbvio que a competição está acirrada. Os líderes das três primeiras colocações vão comandar, junto de suas equipes, toda a frota de Kloun no campo de batalha.

—Que seja- ri ele, se sentando na ponta da minha cama- mas isso não alterou o placar em nada. Eu ainda estou na frente.

Que cara mais convencido...

Faço uma careta e resolvo mudar de assunto:

—E pensar que nossa formatura será em alguns meses... -penso, em voz alta- temos que ajudar seu irmão. Notei que ele tem cometidos erros nas últimas batalhas, aqui podem ser bobos, mas podem custar vidas no front...

—Isso não quer dizer que ele não está pronto para liderar...

—Ninguém nunca está pronto para liderar uma batalha real. Às vezes, até eu fico nervosa antes de entrar em um campo de guerra no campeonato. Pietro tem ficado nervoso em relação à ser mais ousado, mas ele tem tempo de mudar isso, nós podemos o ajudar, pelo menos até ele chegar entre os três primeiros colocados no campeonato.

—Acredito que você está certa, Aléxica. – Nathan cruza os braços e olha fixamente para a porta. — Se ele não chegar ao menos ao terceiro lugar, terá de ir ao front, junto com as outras equipes... Tudo bem que nós competimos em muita coisa, mas não quero vê-lo no meio do fogo cruzado.

—Nem eu... – concordo.

—Do que vocês estão falando? -O próprio Pietro aparece, de repente, o líder da equipe Music, parado junto ao batente da porta. -Espero que não estejam falando mal de mim...

Nathan e eu trocamos um olhar preocupado.

—Na verdade, não estamos falando mal de você -eu já ia dizendo-, mas estamos falando do seu desempenho como líder nas últimas batalhas. Pessoalmente, pelo que eu tenho visto, você não está hesitando em usar táticas mais agressivas e isso tem prejudicado você e sua equipe. O que está acontecendo, Pietro?

—Ah, claro... E eu aqui na esperança de vocês não terem notado... –Ele entra e fecha a porta atrás de si, indicando que desejava falar a sós conosco. –Mas é sobre isso mesmo que vim falar com vocês. –Pietro senta perto de mim, mais do que o comum, olha para seu irmão por um momento, antes de se voltar para mim e finalmente dizer o que está acontecendo. -Eu fui diagnosticado com uma doença pulmonar. Nossa mãe tinha essa mesma coisa na juventude, creio passou para mim por genética. Isso não costuma atrapalhar meu rendimento em batalha, mas não ajuda na hora de criar estratégias. Eu vim... pedir ajuda, para vocês... –Ele hesita, olha para as próprias mãos e se volta para nós novamente. –Consegui licença de uma semana e meia fora para cuidar dessa doença, então eu queria pedir, que pelo menos um de vocês cuidasse disso, do treinamento temporário do meu time, para mim.

—Eu ouvi direito? Você quer que um de nós lidere sua equipe por um tempo? Você confia em nós a esse ponto? Caramba, vai chover canivetes! – Nathan ri, mas de forma nervosa, mesmo que eu também esteja surpresa, percebi a seriedade no olhar de Pietro.

—Mas isso é realmente permitido? — Questiono, franzino o cenho.

—Eu conversei como nossos treinadores e usei o argumento de que minha equipe precisa disso para não ficar em uma posição injusta ás demais equipes. Falei que vocês não teriam nada a perder com isso, e eu tinha certeza de que ao menos um de vocês quebraria esse galho...

—E se um de nós toparmos, mas nesse meio tempo serão justamente nossas equipes que iram duelar? Por exemplo, a Aléxica aceitar isso, mas no meio da semana será as equipes Music e Epiphone terão de competir?

—Por isso estou pedindo aos dois. Se um duelar contra minha equipe, o outro irá os comandar...

Troco mais um olhar com Nathan, que estava pensativo. Consideram tudo isso, tentei me colocar no lugar dele e percebi que a coisa mais certa a ser feita.

—O que você acha? –Perguntou Nathan para mim. Pensei por mais uns segundos.

—Pode ser interessante. –Respondo por fim. –Não deixa de ser mais uma opção para crescermos, aprendemos. Afinal, se nós três passarmos com nossos times nas primeiras posições da Batalha das Equipes, comandaremos juntos... –Fico calada por um segundo, pensando. –Ei, sabem o que eu acho? Para isso dar ainda mais certo devemos fazer uma aliança. Nossos times, unidos para vencer as três primeiras colocações no campeonato.

—Mas isso não é permitido. –Disse Nathan.

—Léx pode estar certa irmão. Afinal, mesmo que não seja permitido, isso não parece ser um obstáculo para Kile, Wilth e Stana. As equipes deles; Blind, Luxor e Dragon não são aliadas? E são exatamente eles que estão na cola de vocês. Eu não estou pedindo para vocês deixarem a minha equipe ganhar, estou pedindo que vocês os ajudem a evoluir. Confesso que eu tenho bons estrategistas e bons agentes de batalha, mas estão enferrujados por que sou egoísta demais para admitir. Aliás, eu preciso mesmo de ajuda para ser um bom líder...

—Todos precisamos- comenta Nathan, e eu concordei.

—Acho que é por isso que essa aliança pode dar certo. Podemos aprender um com outro. Cada um de nós tem uma habilidade específica que pode ser útil aos outros. Eu por exemplo, sei cada maneira de ataque e defesa das outras equipes, inclusive a de vocês... Sabe, depois de duas ou quatro vezes, não se pode usar a mesma estratégia com um mesmo time. Uma guerra não se vence assim...

—Eu topo. –Disse Nathan de repente. –Se isso for o melhor para nós, eu topo.

—Quando começa sua licença? –Olho para Pietro, notando como a face dele está pálida.

Ele deu ombros:

Agora.

—Agora?! –Exclamo, descrente. –Você está brincando?

—Por que eu brincaria com isso? –Disse Pietro, com o ar mais sério que eu já vi.

Tenho vontade de dizer que é porque eu acho que ele é um baita mentiroso, mas reprimi essa ideia percebendo como era verídica a feição de desapontamento de Pietro. Ele parecia tão... tão humano naquele momento e isso me deixou desconcertada. Resmunguei internamente.

—Tá! Tudo bem. Eu aceito! Mas isso é apenas porque não desejo você lutando na linha de frente nessa guerra.

Notas finais
Essa história também está disponivel na plataforma Spirit Fanfiction.

Espero que tenham gostado. Eu tenho o desejo de criar uma história mais completa desse pequeno trecho, mas isso é algo para mais futuramente.

Nos vemos por aí... ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!