Nova Era

4 Alexandria


No caminho para Alexandria, Henry logo se depara com dois ladrões. Eles não parecem ser grande coisa, mas ele sabe que seu físico não é seu forte. Então, tenta bater em uma retirada estratégia, porém acaba falhando miseravelmente. O garoto não estava certo se os assaltantes eram mulambos ou cabaços. Mas era certo que os dois eram da mesma raça.

— Aí, pela saco! Passa toda tua grana! – Rapidamente, Henry nota que o português deles estava perfeito.

— Mermão, não tenho nada de valor. Eu acho melhor vocês só irem embora. Eu só quero chegar em Alexandria e fazer meus negócios.

— Sai fora com essas desculpinhas de boçal. Passa logo tudo que tu tem, muleque!

— Muleque? Já tenho 15, sou adulto. E só por esse desrespeito, vou te dar uma surra!

— CAI DENTRO, BIXINHA. MANO A MANO, SÓ EU E VOCÊ. MEU COMPANHEIRO AQUI FICA DE FORA, PRA FACILITAR.

Os dois se bateram por 1 minuto. Henry levou uma só na cara e caiu duro no chão e teve todos os seus pertences (que já eram poucos) roubados. Também perdeu sua charrete.

Henry já estava na metade do caminho para Alexandria. Não valia a pena voltar à vila. Por isso, decidiu percorrer o resto do caminho a pé, sozinho, sem armas, sem proteção e sem um veículo decente. Ótima ideia, seu filh...

E por incrível que pareça, deu certo. Mas não foi fácil. A estrada para Alexandria sempre foi conhecida por ser o lar de muitos monstros. No Novo Mundo, monstros são muito comuns, devido à radiação emitida pelas bombas disparadas durante a Sexta Guerra Mundial. Os genes das pessoas vivas naquela época foram infectados, e foram passando de geração em geração. Até que surgiram mutações extremas no DNA de muitas pessoas, o que ocasionou na criação de monstros selvagem e irracionais, que só pensam em matar e comer. A sorte de Henry foi que nenhum monstro preocupante apareceu para estragar seu dia. A única coisa que apareceu foi um goblin. Sim, um goblin! Pelo visto, algumas criaturas de RPG existiam dentro daquele mundo. Isso alegrou um pouco o nosso herói.

Então, finalmente Henry chega em Alexandria, uma cidade gigantesca que movimenta o comércio de toda a região. Lá, ele poderá entrar em uma guilda, vender materiais, comprar armas, conseguir um emprego e qualquer outra coisa que se possa imaginar. No momento, Henry precisava de dinheiro para conseguir se manter naquele mundo. O ideal seria ele conseguir algum emprego formal que o pagasse um bom salário. Porém, Henry sempre quis se aventurar pelo mundo e descobrir pessoas e lugares novos. Como ele não conhecia nada daquele mundo totalmente novo, ele decidiu entrar em uma guilda, para fazer missões, conseguir dinheiro e ainda explorar as regiões do vasto mundo que ele se encontrava.

Existem diversas guildas dentro de Alexandria. Algumas ótimas, outras nem tanto. Obviamente, a preferência de Henry seria uma guilda boa e acolhedora, que lhe oferecesse missões com boas recompensas. Mas a vida não é um mar de flores. Todas as guildas boas ou estavam cheias ou não queriam um novato inexperiente dentro delas. Então, Henry não teve escolha. Ele encontrou uma guilda mixuruca qualquer e conseguiu uma vaga nela. Lá, os aventureiros eram divididos em cinco categorias: Bronze, Prata, Ouro e Diamante. Existiam missões adequadas para cada categoria. Por exemplo: uma missão para resgatar animais que fugiram de uma fazenda é uma missão para Bronze. Uma missão para derrotar uma Hydra é uma missão para Diamante. Claramente, missões para Diamante dão muito mais dinheiro do que para Bronze.

Ser promovido não era algo fácil. Além de concluir pelo menos 50 missões em seu rank atual, você precisaria de algum jeito, provar para o Mestre da Guilda que você seria digno de subir de rank. Sim, ele tinha tempo para fazer o exame de todos que desejassem subir nas categorias. Henry, obviamente, gostaria de subir até Diamante no menor período de tempo possível. Então, logo após entrar na guilda, foi para o mural de missões para pegar uma.

Existiam cinco murais, cada um era para uma categoria diferente. No mural para Bronze, tinham cerca de 20 missões disponíveis. Dentre vários cartazes, tinha um pouco diferente. Ele tinha um tom mais negro, e estava velho (o que significava que ninguém queria pega-lo há tempos). De acordo com o folheto, a tarefa era simples. Apenas espantar um javali que estava atormentando a vida de um pequeno fazendeiro. Henry, então, decidiu. Ele iria pegar essa missão, e ajudar o fazendeiro. Foi até o balcão da guilda, pediu permissão para fazer a missão, teve a permissão concedida e partiu para a fazenda em que o javali se encontrava.

Henry demorou 3 horas para chegar até lá. Ele tinha se esquecido de que ainda não tinha um veículo ou uma montaria adequada para viajar pela região com mais velocidade. Mesmo assim, chegou em segurança e não demorou tanto.

Logo ao chegar lá, percebeu o estado deplorável da fazenda. Parecia que estava abandonada.

— Olá?! Alguém aí?? – Gritou Henry, sem nenhuma resposta.

Decidiu entrar no pequeno celeiro que existia lá. Dentro, havia uma vaca que obviamente estava passando fome. Também tinham carcaças de alguns outros animais lá dentro. Henry saiu espantado de lá. Depois disso, entrou na casa da fazenda. Era uma pequena casinha, que provavelmente tinha só um quarto, uma cozinha, uma pequenina sala de estar e um banheiro. E era exatamente isso. Aproveitando que estava na casa, o garoto decidiu usar o banheiro, já que estava apertado. Porém, teve uma surpresa ao abrir a porta.

— ÔÔXI, QUE PORCARIA É ESSA, SÔ? TÔ CAGANO AQUI, FI, TÁ VENDO NÃO? – Gritou um velho com um macacão abaixado, enquanto fazia suas necessidades, dentro do banheiro em um estado deplorável.

— F-Foi mal, senhor... Eu só queria usar o banheiro...

— BATIA ANTES!

— D-Desculpa... Não vai se repitir...

— Assim espero, piá.

— Ah! Era você que tava tendo problemas com um javali?

— Eu? Não, sô.

— Então quem era?

— Com um só num sei, mas eu tô tendo pobrema com uns 50, hahaha!

— 50 JAVALIS?

— Sim, fi. 50 e ainda tem mai um que é grandão. É ele que deve comanda aquela cambada de fi da puta.

— Caralho... Então, eu sou o aventureiro que teria que cuidar deles... Mas não sei se dou conta de 50.

— Puts, aí tu me ferra, piá. Ainda bem que ocê veio de dia, porque essas peste só aparece a noite. Daí eles vem e come tudo minha prantação. E um poco dos meus animal também.

— Quer saber, esses javalis não são de nada! Além do mais, eu tenho uma puta espadona foda pra caralho! Vou ficar aqui e salvar sua plantação!

— Ôloco, gostei da sua determinação, rapaiz. Mai tome cuidado, beleza?

Então, os dois ficam esperando os javalis aparecerem pelo resto do dia. Exatamente as 18h, todos os javalis aparecem, em bando. Então, Henry logo sai da casa para aniquilá-los. Um javali é um monstro relativamente fraco. Seu rank é Bronze, ou seja, os aventureiros de Bronze conseguem matá-lo facilmente. Porém, nesse caso, são 50. Só um Ouro ou um Diamante conseguiria a façanha de aniquilá-los sem problemas. Henry se encontra em uma situação complicada. “Se ao menos eu conseguisse proferir dano em área...”, pensou o novo aventureiro.

— Aê, piá.

— Que foi?

— Você sabe mexer com duas espada?

— Nunca tentei, por quê?

— Toma – O fazendeiro joga uma espada velha e enferrujada para Henry.

— Valeu, tio. Vou fazer meu melhor!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.