Nothing is Forever
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem!
Escutem a música na hora que o Blaine canta!
Link: https://www.youtube.com/watch?v=l2yTIBd4aHA
Fazia exatos seis dias que Burt havia partido. O câncer de próstata havia o levado dessa vida. Por quê? Porque a vida é tão cruel? Porque as pessoas boas são levadas por uma doença tão horrível e desumana? Será que existe mesmo um Deus? Um altíssimo que protege seus “filhos”? Se existe e protege, porque os leva dessa maneira? Que Deus é esse que gosta de ver pessoas sofrendo? Como é possível ter fé em uma força divina que lhe trouxe tanta dor e tirou a coisa mais importante de sua vida pela segunda vez? Não bastava sua mãe ter partido e agora o seu pai também?
Kurt Hummel se fazia estas perguntas constantemente, e a cada vez que se colocava a refletir, sua dor aumentava. Desde que aquela máquina que monitorava os sinais vitais de Burt começou a apitar, o coração de Kurt se quebrou em mil pedaços e parte deles foi levada com seu pai.
Desde então, Kurt vem se isolando. Não se alimenta direito e passa o dia inteiro em seu quarto, com as janelas e cortinas fechadas, num completo breu. Nem Carole e muito menos Finn conseguiam animar o castanho. A única pessoa que conseguia fazer o Hummel tomar banho, se alimentar e dormir era Blaine.
O moreno ficou ao lado de Kurt desde que descobriu sobre o câncer do sogro. Acompanhou em todas as consultas medicas e tratamentos, e abraçou o castanho em todos os seus momentos de desespero. Blaine também estava sofrendo, Burt era como um pai para o moreno, mas ele tinha que ser forte e consolar seu namorado.
Anderson praticamente estava morando na casa de Kurt, tudo para ficar sempre ao lado do mesmo. O menor saiu de manhã cedo, antes de o namorado acordar, e foi até a sua casa pegar algumas roupas limpas.
Kurt sabia que Blaine sairia ao acordar, então esperou o moreno sair para finalmente se levantar. O castanho estava horrível, seus cabelos bagunçados, suas olheiras gigantes e todo desarrumado. Kurt foi até as janelas e as fechou novamente, deixou a escuridão o possuir. Deitou-se novamente e encarou a foto de seu pai na cabeceira da cama. Sentia saudades, muitas saudades. Das broncas, dos abraços, da companhia, do seu sorriso, da suas roupas fora de moda e do gênio cabuloso do velho mecânico.
O Hummel se levantou devagar e foi até a porta do seu quarto, viu que o corredor estava vazio e que as portas dos outros quartos estavam abertas, indicando que todos já haviam descido para o café da manhã. Então Carole não estaria no quarto, Kurt foi até o quarto de seu pai e Carole, abriu o guarda-roupa e pegou uma camisa xadrez do pai, que ainda continha o seu cheiro.
O castanho voltou para o quarto, vestiu a camisa por cima de seu pijama e se deitou, abraçando as pernas numa posição fetal e deixou mais uma vez naquela semana, suas lágrimas escaparem.
“Para uma criança de oito anos, ainda não temos o conhecimento do que é a morte. Sabemos que acontece com todos, mas nunca imaginamos que realmente irá acontecer um dia. Afinal, somos crianças, pequenas pessoas que vivem no mundo da imaginação, acreditando que tudo o que acontece no mundo é através de mágica, que papai Noel e a fada do dente existem, e que depois de um arco-íris vem um grande pote de ouro vigiado por um lindo unicórnio. Mas para Kurt, seu mundo desabou quando ele ainda era um garotinho. Sempre aprendeu que a vida seguia a regra das plantas, nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e morrem. Mas agora, ele descobriu que não é bem assim.
Se fossemos para seguir esta regra que a ciência diz claramente que é verdadeira, porque sua mãe faleceu antes mesmo de envelhecer? Não teria alguma coisa errada? A partir daquele momento, tanto a religião quanto a ciência estava contra si. Tirar-lhe uma mãe, uma pessoa fundamental para o seu crescimento, aquela que lhe dá amor e carinho que não pode ser substituído por nenhum outro, pois amor de mãe não existe igual. O que havia de tão errado com Kurt, para sofrer daquela maneira?
- Filho? Temos que ir.
- Não quero deixar a mamãe, pai. – Disse o pequeno castanho ao lado do tumulo da mãe, chorando.
- Meu amor, eu sinto muito. Mas temos que ir, sua mãe ficará bem aqui, agora ela está em um lugar melhor, sem sentir dor e feliz. Ela está nos olhando lá de cima, nos protegendo de todo mal.
- Ela virou um anjo?
- Sim querido, virou um lindo anjo, com belas asas cor de rosa. O anjo mais lindo e caridoso que os céus já receberam.
- Eu tenho medo pai.
- Medo de que?
- De esquecê-la, de não conseguir lembrar sua voz, ou seu cheiro.
- Nunca irei deixar isso acontecer. Sempre iremos vir visitá-la, e vamos tentar o máximo possível ficar juntos, relembrar os momentos felizes que passamos.
- Vamos sempre trazer flores? A mamãe ama flores.
- Sim Kiddo, sempre que você quiser.
- Certo. – Disse o castanho limpando as lágrimas e se ajoelhando perto da foto da mãe. – Tchau mamãe, eu volto pra te visitar. Te amo!
Burt pegou a mão do filho e foi caminhando até a saída do cemitério. Sua bela esposa iria fazer falta, mais prometeu a si mesmo e a ela, cuidar do seu filho com todo amor e carinho, e lhe apoiar em tudo que fosse preciso.”
Lembrar daquilo só causou mais dor em seu coração, Kurt chorava tentando colocar sua dor para fora, mas não adiantava. A saudade era grande, o homem que lhe ensinou tudo o que sabe partira há alguns dias, e agora ele estava sozinho. Memórias vieram na mente de Kurt, o lembrando de tudo o que passou com Burt.
“– Vamos Kiddo, levante. – Gritou Burt do corredor.
- Pai, ainda são 06h30min, me deixe dormir. – Falou com uma voz sonolenta.
- Exatamente, hora de ir para a escola. Levante.
O castanho relutante saiu da cama e foi para o banheiro, tomou um banho e vestiu o uniforme. Pegou sua mochila, arrumou rapidamente e desceu as escadas indo até a cozinha.
- Pai. – Gritou o castanho. – Eu acho que o senhor queimou as panquecas novamente.
- Eu sou péssimo na cozinha. – Disse o careca frustrado. O castanho começou a rir. – Não ria da minha cara.
- Tudo bem papai, podemos comer algumas rosquinhas na ida até a escola. – Disse sorrindo e colocando a panela queimada na pia. – Vamos?
O castanho e o pai entraram no carro e foram seguindo o caminho até a escola de Kurt.
- O que vai querer para o almoço?
- Macarronada. – Disse o castanho com os olhos brilhando.
- Não tem algo mais fácil não?
- Papai, macarronada é a coisa mais simples que existe. Eu te ajudo, aprendi em um dos canais de culinária. É bem fácil.
- Ok, boa aula futuro cozinheiro. Venho te buscar as 12hrs. – O homem deu um beijo no filho e o pequeno saiu do carro.
Após as aulas, como prometido, Burt foi buscar o filho. Esperou o pequeno no portão da escola, e assim que o castanho saiu correu até o pai e o abraçou. Seguiram até o carro e Burt dirigiu até a casa dos dois. Ao chegar, Kurt tirou o tênis e correu para o quarto, colocou uma roupa leve, lavou as mãos e desceu para a cozinha.
- Pronto para cozinhar com o Chef Kurt Hummel?
- Quero só ver como vai ficar essa cozinha depois de ver você cozinhando.
- Ande papai, vamos começar. Primeiro pegue uma panela e encha com água, mais da metade. E depois coloque para ferver.
O castanho foi passando as dicas para o pai que ouvia tudo com atenção. Enquanto a água estava no fogo, Kurt ensinou como fazer o molho. Depois de vinte minutos tudo estava pronto.
- Isto ficou divino. – Disse Burt ao comer.
- Obrigado. – Falou o castanho sorrindo.
- Vou comprar livros de receita pra você. E você vai me ensinar a cozinhar. – Disse Burt rindo. – Para um garoto de quase nove anos, você é muito inteligente.
- Eu sei, sou demais.
Os dois riram e seguiram com a refeição.”
Kurt lembrava como o pai era desastrado na cozinha, queimar era sua especialidade. Burt no natal do ano em que Elizabeth morreu, tentou fazer uma ceia mais acabou queimando o peru, e os dois acabaram comendo pizza, aquele foi o primeiro dia que Kurt riu depois da morte de sua mãe.
“- O que está fazendo garoto? – Perguntou o pai se aproximando do menino no quintal da casa.
- Brincando. Sozinho. – Disse o menino com a cabeça baixa. – Já que não tenho amigos, só me resta brincar só.
- Quem disse que você não tem amigos? Eu sou seu amigo. – Disse o pai tentando animar o filho. – Bom, já estou velho, não me lembro muito bem como se brinca, mas você pode me relembrar.
- Serio? – Disse o menino sorridente.
- Claro que sim, então o que está fazendo?
- Chá da tarde com biscoitos.”
Seu único amigo. Kurt nunca se esquecerá daquele dia. A única pessoa que podia desabafar, chorar em seu ombro, contar como foi seu dia sem medo de nada. Sempre que podia, Burt brincava com seu filho, mesmo não entendendo as brincadeiras de Kurt, ele não se importava. Faria qualquer coisa para deixar seu filho feliz.
“– Tenho um presente para você.
- O que é? – Disse o menino animado.
- Vá até a calçada. – O garoto correu até a porta e a abriu, quando seus olhos passaram pela bicicleta vermelha, na calçada da casa, ele começou a pular.
- Obrigada papai. – Kurt correu até a bicicleta e subiu na mesma. – Mas, eu não sei andar.
- Vou te ensinar. – O homem colocou a aba do chapéu para trás e segurou a bicicleta do filho. – Seguinte você vai tentar se equilibrar.
- Ok.
- Vai colocar um pé no chão e o outro no pedal. – O menino seguiu o que o pai estava falando. – Agora se equilibre e comece a pedalar, eu vou te segurar e quando eu sentir que pegou o jeito, eu te solto e você vai sozinho. Ok?
O menino acenou com a cabeça e se equilibrou. Começou a pedalar lentamente e quando pegou o jeito o pai soltou a bicicleta. Kurt olhou para trás quando viu que o pai o soltara e acabou caindo. Burt correu para ajudar o filho.
- Não olhe para trás, sempre para frente.
- Desisto, não quero cair de novo.
- Hey, um Hummel nunca desiste. Vamos de novo e dessa vez não tenha medo.
O garoto concordou e subiu novamente na bicicleta. Seguiu as instruções do pai e novamente começou a pedalar. Burt dessa vez não avisou que iria soltar, simplesmente soltou e o castanho não percebeu.
- Isso filho, continue pedalando.
Kurt acabou se desequilibrando quando ouviu a voz do pai tão longe.
- Eu consegui? – Perguntou o menino se levantando.
- Sim.
- Vamos de novo, eu adorei. Sinto-me um passarinho. – Disse o menino rindo.
- Que tal eu pegar minha bicicleta e irmos até a sorveteria pedalando?
Quando o menino ouviu a palavra sorveteria, seus olhos brilharam. O pai foi ajudando o filho no caminho até a mesma, quando chegou o menino pediu uma bola de cereja e o pai uma de flocos. Sentaram na calçada enquanto comiam o sorvete.
- Obrigado pai. Eu amei o presente. O senhor é o melhor pai do mundo.
- Eu que tenho o filho mais lindo e talentoso do mundo.”
Kurt tornou a chorar, aquele dia foi especial. Seu pai sempre fazia o possível e o impossível para ver o castanho sorrindo. Mas agora, o rapaz só conseguia chorar, era a única coisa que conseguia fazer. Sentia como se não existisse mais felicidade no mundo para ele.
“Kurt estava chegando à oficina, depois de uma manhã exaustiva na escola. Ensino médio é o pior pesadelo do castanho.
- Boa tarde, filho. Aconteceu alguma coisa?
- Precisamos conversar pai.
- Ok, vou terminar aqui e te encontro em casa. – O castanho concordou e foi caminhando até a sua casa. Ao chegar, fechou a porta e se jogou no sofá pensando em como contar aquilo para o pai.
- Seja direto Kurt. – Disse o castanho para si.
Depois de vinte minutos o mais velho chegou.
- Oi filho, desculpa a demora, tive um problema num carro. O que aconteceu?
- Preciso te contar algo.
- Pode falar filho.
- Eu estou com medo, pois sei que depois que eu te contar isso o senhor pode ficar com raiva de mim pelo resto da vida, então...
- Por acaso você iria me contar que era gay? –Kurt ficou surpreso.
- S-sim, como o senhor sabe?
- Kurt, está no modo como você age. Eu já sabia disso desde os seus dez anos, quando me pediu para comprar sapatos roxos porque combinava com seu casaco. – Disse Burt rindo. – Eu te amo meu filho, não importa o que você seja. Continua sendo o meu menino.
- Obrigado pai. – Kurt abraçou o velho homem chorando.”
Kurt soluçava lembrar-se desses momentos era bom, mas fazia a saudade aumentar. O castanho retirou a camisa e vestiu a mesma em um travesseiro e o abraçou imaginando ser o seu pai. O ultimo momento que passou pela sua imaginação foi seu ultimo momento com seu velho pai.
“Kurt entrou no quarto do hospital e viu seu pai cheio de tubos e aparelhos ligados em volta dele. O castanho queria levá-lo pra casa, cuidar do seu velho, mas a doença estava em estado avançado e diziam os médicos que não tinha cura. Mas Kurt nunca deixou de acreditar que um dia seu pai ficaria bem. Blaine estava do seu lado, como sempre esteve. Foram se aproximando da cama e Burt abriu lentamente os olhos.
- Meus meninos, é tão bom ver vocês juntos. – Disse sorrindo. – Como eu queria ver o casamento de vocês. Meus netos.
- Você verá papai.
- Não crie tanta esperança, meu pequeno. Sua mãe está me esperando.
- Mas papai, o senhor não pode me deixar sozinho.
- Você tem a Blaine, Finn, Carole que também é como uma mãe pra você. Nunca ficará sozinho, eu não irei deixar. Sempre estarei te vigiando.
- Por favor, p-pai. Não diga isso, o senhor vai ficar bem, saudável. Vai reclamar muito comigo, pelas minhas burradas, pelas brigas com o Blaine.
- Por favor, meu menino, não chore. Eu preciso que você me deixe ir. Já me despedi de Carole e Finn. Agora preciso que você fique bem, que me deixe ir em paz. – Blaine segurou uma mão de Burt e Kurt à outra. – Tome conta do meu pequeno, Blaine. Por favor.
- Eu irei Burt, sempre cuidarei dele. Prometo. – Disse Blaine chorando.
- Pai, por f-favor...
- Eu te amo meu filho.
- Eu também te amo pai, muito, amo demais.
- Te vejo algum dia, não se esqueça. Nunca desiste dos seus sonhos, um Hummel nunca desiste. – Burt e Kurt repetiram as ultimas palavras juntos. Kurt deu um beijo na careca do pai e logo após ouviu a máquina apitar. Blaine rapidamente abraçou o castanho que chorou, seu pai acabara de partir.”
- Kurt? – Blaine chamou ao entrar no quarto. Escutou um soluço, e logo soube o que estava acontecendo. – Amor.
Blaine correu e abraçou o castanho o mais forte que conseguiu. Embalou Kurt em seus braços, como se ninasse uma criança, tentando acalmar o seu namorado.
- Amor, por favor, não chore. O que eu faço para te acalmar. Fale-me. – Disse Blaine. – Eu faço qualquer coisa. Eu queria poder tirar essa dor de você, e estar no seu lugar. Por favor.
- B, por f-favor. Cante pra mim. A m-música que meu pai mais g-gostava. P-por f-favor. – Pediu o castanho soluçando.
Blaine se deitou com o namorado, abraçando Kurt, o deixando repousar sua cabeça em seu peito. O moreno respirou fundo e começou a cantar.
Dearest
(Querida)
Close your eyes now
(Feche seus olhos agora)
Don’t you cry
(Não chore)
It’s all right
(Está tudo bem)
Kurt seguiu a musica e fechou os olhos, conseguiu parar de soluçar e deixou-se levar pela linda voz do namorado e as lembranças do pai.
Lie back
(Deite-se)
Leave the light on
(Deixe as luzes acesas)
It’s all right, dear
(Está tudo bem, querida)
Aquela música era a favorita de Burt, sempre escutava aquela música para se acalmar, quando os momentos tristes lhe afligiam. E agora Kurt seguiria com essa rotina.
I’ll be there through the night
(Eu estarei aqui durante a noite)
With you till the first signs of light
(Com você até os primeiros sinais de luz)
Say the Word and i’ll come tonight
(Diga a palavra eu virei esta noite)
Kurt estava mais calmo, Blaine começou a fazer um cafuné no seu namorado e agradeceu por ele ter parado de soluçar. Odiava ver o namorado sofrendo.
It’s all right now
(Está tudo bem agora)
Don’t you cry now
(Não chore agora)
Hush
(Silencio)
Wipe your tears away
(Limpe suas lágrimas)
There’s never a forever thing
(Nada é para sempre)
Aquela frase era a mais pura verdade, nada é para sempre. Momentos felizes devem ser aproveitados ao máximo, e Kurt tinha certeza de que aproveitou todos ao lado do seu pai.
All through the night
(Durante a noite toda)
I’ll try so hard to be there somehow
(Eu tentarei muito estar lá de alguma forma)
With you till the first signs of light
(Com você até os primeiros sinais de luz)
Say the word and i’ll come tonight
(Diga a palavra e eu virei esta noite)
Agora mais calmo, o castanho conseguia respirar calmamente, seus olhos foram ficando pesados e o cafuné só estava ajudando.
Darling, don’t you
(Querida, não)
Cry
(Chore)
Ao terminar de cantar, Blaine percebeu que seu namorado tinha adormecido, e aproveitou para dormir junto com ele, pois qualquer coisa que acontecesse estaria ali, para ajudar no que for preciso.
[...]
“Kurt estava num campo cheio de flores da cor lilás, um lugar calmo e de uma extrema beleza. Ali, o castanho se sentia em paz. O vento soprava as pétalas das flores que exalavam um cheiro muito bom. O sol estava radiante e os pássaros cantavam alegremente. Ao longe uma pessoa vinha se aproximando do garoto, trajava roupas brancas e tinha um sorriso no rosto. Era um homem, que aparentava ter uns cinquenta anos, careca e forte. No exato momento em que Kurt o avistou, soube quem era.
- Pai? – Falou o garoto para si, tentando se encorajar de que realmente era ele a poucos metros de distancia. – Pai!
Kurt gritou e correu para abraçar o velho homem que tinha um lindo sorriso nos lábios. O castanho o abraçou forte e apertado, sentindo o calor dos braços do homem que mais ama nessa vida. Aquele que lhe ensinou tudo o que sabe e que lhe apoiou em suas decisões. Seu pai. O incrível Burt Hummel.
- Olá meu pequeno. – Falou o mais velho dando um beijo na cabeça do filho.
- Papai, que saudades. – Disse Kurt se desmanchando em lágrimas.
- Não chore meu pequeno. Estou num lugar melhor agora e em boa companhia. – Assim que Burt terminou de falar, uma mulher apareceu atrás de Kurt. Ela possuía lindos olhos azuis e cabelos castanhos. Era sua mãe.
- Oi meu bebê, você esta enorme. – Kurt desabou mais ainda, as duas pessoas mais importantes de sua vida, ao seu lado. Juntos. Depois de anos separados. Mas não fisicamente, Kurt sabia que aquilo não passava de um sonho. Tudo acabaria assim que despertasse.
- O que fazem aqui? – Perguntou o castanho, enxugando as lágrimas.
- Viemos conversar com você. – Falou Elizabeth com sua voz doce e suave.
- Porque vocês tiveram que partir da minha vida, assim? Antes não tinha a senhora, agora perdi meu pai. Estou sozinho.
- Já te disse Kurt, você não está sozinho. Você tem a Blaine, Carole, Finn e seus amigos.
- E nos sempre estaremos do seu lado. Sempre te protegendo.
- Eu não entendo. Porque a vida tem que ser tão cruel comigo? Já sofri demais durante os anos da minha vida, e ela continua fazendo de tudo para me prejudicar. O que vem a seguir? Irei perder Blaine também?
- Nada é para sempre, Kurt. Todos temos um final um dia, não fique desse jeito. Siga em frente, não será a morte que irá nos separar. E não você não irá perder Blaine.
- Sinto a falta de vocês. – O castanho falou voltando a chorar.
- Nós também meu amor, sentimos muito a sua falta. Te amamos filho.
- Vocês virão me visitar?
- Sempre que puder.
- Não desista dos seus sonhos, Kiddo. Sempre acredite no seu talento. Por favor, mande um beijo para Finn, Carole e Blaine, e diga que os amo demais.
- Direi, amo vocês.
- Também te amamos. – Os pais deram um ultimo beijo no filho e Kurt despertou.”
O Hummel sentou na cama rapidamente, assustando Blaine que despertou num pulo. O castanho estava com um sorriso no rosto, e lágrimas saindo de seus olhos.
- O que houve meu amor? Teve um pesadelo?
- Não, um sonho. – Disse ele sorrindo. – Sonhei com meu pai e minha mãe.
- O que aconteceu no sonho?
Kurt contou detalhadamente o sonho e Blaine sorriu ao ver que o castanho estava feliz por saber que seu pai estava bem e ao lado de sua mãe. Kurt levantou da cama e abriu as cortinas deixando o sol da tarde iluminar o quarto.
- Blaine, existe algum campo de flores por aqui?
- Sim, eu conheço um, não fica muito longe.
- Você pode me levar lá? – Pediu o castanho.
- Se você almoçar direito e tomar banho, sim!
O Hummel correu para o banheiro, tomou seu banho, vestiu uma roupa e desceu as escadas. Encontrando Carole, Finn, Rachel e Blaine na mesa.
- Boa tarde. – Todos responderam o castanho. – Eu queria pedir desculpas por sumir nos últimos dias, mas perder um pai é difícil. Mas hoje tive um sonho com meu pai, e ele me pediu para não me isolar, e seguir em frente. Ele mandou um beijo para todos vocês.
- Saiba quem sempre estarei aqui pra você Kurt. – Disse Carole com lágrimas nos olhos. Kurt a abraçou, o almoço seguiu tranquilo, os cinco sentamos a mesa, o lugar de Burt vago, e lembranças jogadas a mesa fazendo todos rirem das brincadeiras de Burt.
Blaine e Kurt, saíram logo em seguida. O Anderson dirigiu até o local e assim que chegou Kurt ficou de boca aberta.
- O que foi Kurt?
- Blaine, foi com esse campo que eu sonhei. Mas aquela árvore não estava nele. – Kurt saiu do carro e correu até a árvore.
Blaine o seguiu e parou quando viu o castanho passar a mão em cima de algo que estava escrito no tronco da árvore.
- B + E = K – Disse o castanho com lágrimas nos olhos. – Meus pais gravaram isso aqui.
- Eles te amaram muito Kurt e ainda te ama. – Disse Blaine o abraçando por trás. – E eu também, amo você.
- Também te amo, obrigado por tudo o que você fez por mim. – Kurt lhe deu um selinho.
[...]
Nove anos depois, Kurt e Blaine Hummel-Anderson, estavam voltando ao mesmo campo. Ao mesmo local, agora com a pequena Tracy nos braços de Kurt. O moreno tirou um canivete do bolso e desenhou na árvore, embaixo ao desenho feitos anos atrás por Burt e Elizabeth.
- K + B = T – Pronunciou Blaine.
- Uma nova família se inicia. E os seus anjos da guarda são seu avós minha pequena. Você não teve o prazer de conhecê-los mais eles te amam muito, tenho certeza disso.
- Amam sim, e estão felizes nesse momento, não importa o lugar em que estiverem.
A pequena garota sorriu, um sorriso sem dentes e fofo que encheu o coração dos pais de amor. Blaine deu um beijo em Kurt e a nova família sentou em baixo da arvore, aproveitando à tarde ensolarada.
Se você perder alguém especial, sei que a dor é imensa, mas não esqueça que essa pessoa sempre estará do seu lado. E os momentos que viveram juntos foram a melhor coisa que poderia acontecer na sua vida. Agradeça por ter um anjo em sua vida, que sempre te protegerá!
Fale com o autor