Nothing Planned
23 One Step at a Time
Notas iniciais
Quando Rachel finalmente deixou o quarto, a aparência muito melhor do que antes, Finn praticamente correu para fora da casa, fazendo com que Rachel se esforçasse para ficar em seu encalço. Numa tentativa de cavalheirismo, abriu a porta e deixou a garota passar, mas sem pensar duas vezes levou a mão para as costas da morena para guia-la até seu carro.
A reação foi instantânea, Rachel recuou e se encolheu, quando seu cérebro percebeu que não estava em perigo, a vergonha assumiu e ela murmurou um me desculpe apressado. Ele sabia que não deveria se culpar, afinal foi algo sem querer, mas sua mente já o castigava por não pensar antes de suas ações. Precisava ser mais cuidadoso.
A viagem até o hospital foi inquieta e silenciosa, a ansiedade e a tensão dominaram o ambiente e a conversa forçada logo deu lugar ao silêncio. Rachel, tentando acabar um pouco com o incomodo que estava sentindo, virou o rosto para a janela preferindo focar no festival de luzes, cores e formas passado diante de seus olhos rapidamente.
O que a esperava naquele hospital?
i.
Sam encarava o corredor principal da maternidade apreensivo, onde diabos estava aquele cabeção do Hudson? O idiota estava incomunicável desde que fugira da escola logo cedo e só minutos atrás Santana conseguira falar e contar sobre a bolsa de Quinn estourando no meio da aula do Schue.
Se seu pânico não tivesse triplicado ao ver aquele tanto de água e sangue, provavelmente teria caído na risada com a cara do professor. Schue que era moreno conseguira a proeza de ficar mais branco que ele e tropeçar na parede quando ia corrento em busca da enfermeira. Como se a mulher fosse de alguma ajuda...
Olhou uma última vez para o relógio do celular e bufou frustrado. Não só seu amigo estava atrasado, como a dilatação de Quinn não estava boa o suficiente e com a dor das contrações, a loira estava uma fera expulsando o namorado do quarto antes que jogasse ele e suas respirações de cachorrinho janela à fora.
“Calma boca de truta, tua noiva está a caminho.” Puck brincou batendo nas costas do loiro com força. No caso, a noiva era Finn, e Sam não podia deixar de pensar em como o mundo dava voltas. Puck, Santana e Kurt estavam como ele ali na sala de espera e quem iria imaginar que eles formariam tão incomum amizade?
Na verdade, mais do que amizade eles se tornaram uma família de desajustados. Os quatro deram a ele e a Quinn todo o apoio necessário, que muitas vezes era escasso até nas famílias do casal de loiros.
Uma família que se aproximara em um momento de dificuldade, mas nunca se deixaram na mão. Sam era verdadeiramente agradecido por cada um deles. Mesmo depois de seus erros, não se deixaram julgar por coisas do passado e com a ajuda deles se tornara um homem verdadeiro... Agora prestes a ser pai.
Holy Hell, e lá vinha o pânico novamente.
“Puta merda, pensei que você não ia chegar nunca.” Sam falou visivelmente relaxado ao ver o amigo vindo ao seu encontro. Eles trocaram um abraço e o habitual toque de mãos e Finn sorriu o encorajando.
“Você vai ser o melhor pai do mundo boca de truta, eu sei, você sabe, Q. sabe, agora pare de chilique e vá ficar com tua mulher que ela sim tem direito de reclamar.” Sam deu um olhar agradecido ao amigo e um passo para trás querendo voltar ao quarto da namorada, balbuciou um obrigado, mas ao se virar notou o silencio constrangido dos amigos e os olhares forçados para todas as direções. Era como se estivessem como medo de assustar um animal indefeso.
Se virou para Finn querendo perguntar o que estava acontecendo e foi quando entendeu. O quarterback ao dar um passo para o lado liberou a visão de trás de si e Rachel finalmente aparecera. Os hematomas só eram visíveis se você olhasse com bastante atenção, o que ele preferira não fazer e pela primeira vez em semanas ela tinha uma aparência saudável, para o alivio da galera.
Rachel vinha timidamente e com a cabeça levemente abaixada cautelosamente. Era claro que ela não sabia se seria bem-vinda e o grupo tentavam pensar em formas de demonstrar que ela era muito bem-vinda sem assustá-la.
Claro que foi uma missão inútil, antes que qualquer um dos meninos reagisse, Santana já tinha dado dez passos na direção dela e a atacado com um forte abraço. O loiro teve apenas segundos para pensar rápido e desviar ou seria derrubado pelo cometa Lopes.
Rachel soltou um gemido de dor e Santana logo afrouxou um pouco o abraço, bem pouco, era claro que uma parte dela acreditava que se a largasse, a Berry desapareceria por entre seus dedos para se trancar novamente no quarto.
“Hobbit eu senti tanta sua falta.” Santana disse apressadamente. “Nunca mais faça isso comigo! Ficar trancada em um quarto sem conversar com ninguém, tudo bem não querer conversar com esses trouxas, nem eu não quero conversar com eles na maioria do tempo, mas comigo? Poxa vida! Eu estava louca de preocupação!” Santana então fingiu uma cara de ofendida. “E me trocar pelo Fetus Face, sacanagem...”
“Eu...” Rachel abriu e fechou a boca várias vezes, mas nada saia. Era visível seu desconforto, não sabia como explicar o que conversara com Finn e nem se podia, afinal era o segredo dele. Além disso, só estar fora de seu quarto, no meio de várias pessoas já era uma explosão de emoções e ela começava a sentir que era demais.
“Ela está aqui e isso que importa Satanás.” Kurt interviu empurrando a latina e aproximando-se da morena. Não ousou abraça-la, mas só a aproximação sem Rachel recuar ou assustar já era uma vitória e estava mais do que satisfeito.
“Quinn vai ficar feliz de te ver, vocês podem animar ela ou acalma-la ou qualquer coisa que evite dela arrancar minha cabeça antes do nosso filho nascer.” Sam deu a ideia torcendo que desse certo, estava realmente assustado com sua namorada.
Já Rachel estava satisfeita que seus amigos não pareciam estar caminhando sobre ovos ao seu redor. Só queria uma tarde normal... bem o mais normal que ter uma amiga parindo pudesse ser.
“Ah é. Sua presença pode até animar as coisas e apressar a saída do baby da vagina da Blondie.” Santana falou puxando a amiga na direção do quarto ao mesmo tempo que ignorava a reclamação da enfermeira sobre o barulho.
Bitch please, se ela quisesse daria uma festa, na verdade estava com vontade, Q. estava prestes a parir e sua melhor amiga tinha finalmente dado um passo em direção a luz. Aquele dia estava se tornando cada vez melhor.
~~
“Como me arrependo de não ter castrado aquele bocudo.” Quinn reclamou, colocando a mão sobre a barriga torcendo que a contração diminuísse, ao invés disso sentiu um chute no lugar e fez careta. “Não ouse defender seu pai, eu estou em dor por culpa dele.”
Ela estava naquele quarto a duas horas e a dilatação não era o suficiente. Tudo bem que duas horas não era nada, mas tente aguentar a dor das contrações, mais os incômodos de uma criança tentando sair por suas partes intimas e então poderia falar que duas horas não eram nada. Para ela, duas horas pareciam o inferno já e não estava nem na metade.
Como Rachel Green falara, sem útero, sem opinião.
“Pronta para empurrar o baby por essa vagina oxigenada?” Santana exclamou entrando no quarto. Para a surpresa de Quinn, que ela soube mascarar bem, Rachel entrou logo atrás da latina.
“Estou pronta á horas, mas parece que esse bebê não quer sair de dentro de mim.” Quinn respondeu ignorando a provocação da latina e se virando para a Berry. “Graças a Deus você está aqui. Assim que seu afilhado nascer, você está encarregada de segui-lo por todo esse hospital e ter certeza que não vão fazer merda ou trocar meu filho por um bebê who.” Ela disse ofegante entre as contrações. “Eu pediria ao Sam, mas não tenho certeza que ele não vá desmaiar assim que nascer.”
“Afilhado?” Rachel questionou surpresa e um pouco abobalhada. “Eu sou a madrinha?”
“Eu conversei com Sam e não existe ninguém melhor que você Rachel.” Quinn segurou a mão da morena encarando-a com carinho. “Você foi a primeira pessoa a me estender a mão quando eu estava no fundo do poço, você nos apoiou mesmo quando meus pais estavam contra mim. Ser madrinha parece até pouco, mas você aceita?”
“M-mas Quinn, e as coisas horríveis que eu falei?”
“Eu já falei pior para você e águas pass... minha nossa senhora esse bebê vai me matar.” A loira colocou as mãos sobre a barriga e respirou fundo algumas vezes. “Santana chame uma enfermeira agora mesmo para tirar essa criança de dentro de mim antes que eu dê um escândalo. Não dá mais.”
Enfermeira chamada, exame feito e finalmente estava na hora.
“Parece que ele ou ela estava apenas esperando a madrinha chegar.” Quinn piscou para a amiga enquanto todo o lugar estava sendo preparado.
A equipe médica entrou no quarto entregando as roupas necessárias para Rachel enquanto Sam já vestido e branco como papel se colocava a esquerda de Quinn, uma mão nas costas e a outra na perna fixando a posição que ela deveria ficar.
Rachel sem precisar falar duas vezes segurou a mão direita e na contagem do médico, Quinn começou a empurrar.
Sam ainda encarou Rachel preocupado, mas a morena retribuiu com um murmúrio que estava tudo bem, ela era a madrinha da criança e precisava se manter firme, por sua amiga e pela pequena vida que vinha ao mundo.
ii
Conforme as contrações vinham e Quinn empurrava com toda a força em seu corpo, as mãos que ela segurava também eram apertadas com igual força. Rachel respirava fundo tentando se manter calma, nunca tinha visto um parto na vida e sentia uma enorme responsabilidade por ter sido escolhida para ficar ali. Tentava também acalmar a amiga, mas parecia uma missão impossível já que não conseguia acalmar a si mesma.
Tomou outra respiração profunda e forçou um sorriso, chega de focar em suas desgraças, aquele era um momento privilegiado e Quinn precisava não só de sua ajuda, quanto de sua força. ‘Foco, Rachel!’
Tentando focar em outra coisa desviou o olhar para o médico que fazia o parto, e pela primeira vez notara o tanto de sangue. Muito, muito sangue. Por que tanto sangue? Por que o médico não parecia nem um pouco preocupado?
De repente Rachel já não conseguia mais respirar, lhe faltava ar, os gritos de Quinn pareciam estar se transformando, já não eram mais xingamentos agudos em direção a Sam e sim sua voz, suas suplicas desesperadas pedindo por ajuda, o quarto de hospital também se transformara e ela estava de volta ao banheiro de Brody.
Era como uma experiência extra corporal, ela se assistia no chão do chuveiro, sangue escorrendo por suas pernas, uma dor infernal em sua barriga e a risada do desgraçado em seus ouvidos, enquanto seus pedidos por ajuda eram ignorados.
Ficou tonta de súbito, seu estomago se revirou, as pernas fraquejaram e uma acidez subiu-lhe a garganta. Largou a mão de Quinn como se tivesse lhe queimado e sem aviso saiu correndo ignorando os gritos de Quinn e Sam. Não podia ficar naquela sala, era fisicamente impossível. Lembrava-se demais. Era muita dor. Memórias demais que se agitavam do inconsciente. Como pudera esquecer? Como não se lembrara justamente daquilo?
Como fora estupida ao pensar que ela podia aguentar ficar ali, mais estupida ainda foi ter saído de seu quarto.
Esbarrou em uma enfermeira na pressa de sair daquele lugar, as lágrimas que tanto segurou para manter caindo agora livremente por seu rosto, a mão inconscientemente indo para sua barriga.
Era tudo sua culpa, ela era uma infeliz que não merecia nada.
iii.
“Eu to te falando cara.” Puck falou baixo se certificando que Santana, sentada na outra cadeira com Kurt, não estivesse ouvindo. “Em um universo paralelo eu posso me ver sendo o pai dessa criança, posso ver o cabelo loirinho, os olhos verdes, o nariz da Q. e minha boca. Seria a bebê mais badass do mundo, e chamaríamos ela de Beth.”
“Isso não é uma confissão, é?” Finn questionou seriamente. Não só esperava que o amigo não fosse um canalha do tipo, porque Santana merecia melhor, como não queria saber se fosse verdade. A latina iria castra-lo se ele soubesse disso e não contasse para ela.
“Obvio que não Finnbecile, eu amo a Sant e tenho amor a vida e ao Puckssauro.” Falou fazendo menção as partes intimas. “Mas que porra?” Perguntou alto apontando para o corredor. “Aquela não é a...”
Ao mesmo tempo os quatro celulares piscaram com uma recém mensagem de Sam, o enorme SOS batia com a cena que assistiram. Era o código para comunicarem que algo acontecera com Rachel.
“Fiquem aqui e descubram se está tudo bem com os loiros, eu resolvo isso.” Finn falou levantando da cadeira e indo na direção que a morena seguira.
“Só por cima do meu cadáver fetus face.” Santana exclamou brava, seguindo-o a passos rápidos. Quem o idiota pensava que era para mandar nela?
Diversos corredores, e várias escadas depois os dois a encontraram no terraço do hospital. Não tinham certeza se era permitido pessoas ali ou se queriam saber o que a morena queria em lugar alto daquele, mas se aproximaram cuidadosamente para não assustá-la.
“Eu sempre amei as estrelas, sempre soube que era uma e que um dia meu brilho iria chamar atenção de todos.” Rachel falou sem desviar os olhos das diversas estrelas que brilhavam no céu limpo. “Agora já não sei mais.”
“Você sempre vai ser a estrela mais brilhante do céu hobbit.”
“Elas são minha obsessão, são minha pequena metáfora e você sabe o quão importante metáforas são.” Rachel continuou. “Lembra quando deitávamos no telhado da minha casa e eu apontava para cada uma e falava os nomes? Estrelas me acalmam, me deixam em paz... pelo menos elas faziam isso, mas não estão fazendo isso agora, por mais que eu olhe e lembre seus nomes e tente, meu peito parece que vai explodir.” Ela falou arfando, mal conseguindo respirar.
“Nos conte o que está te fazendo se sentir assim.” Finn pediu encarando a morena preocupadamente, ela estava tão bem quando chegou, será que brigara com Quinn?
“Foi uma ideia estúpida vir para cá, ficar com Quinn, aparentemente eu só tenho ideias estúpidas.” O tom de voz bravo surpreendeu os dois. O ódio com que ela se referia a si mesma, como se tudo aquilo fosse culpa dela. “O parto da Quinn me fez lembrar coisas. É engraçado o que a nossa mente bloqueia e o que deixa, eu lembro de cada vez que Brody me estuprou, cada vez que ele me bateu, até o gosto de sangue na minha boca, mas só agora, num momento que deveria ser feliz eu lembrei daquele dia.” Finn e Santana se encararam confusos, mas ficaram calados enquanto ela continuava. “Era tanto sangue! O chuveiro parecia não dar conta, Brody na minha frente ria e me xingava. ‘É sua culpa, é sua culpa, você é uma desgraçada, nem isso não pode fazer direito.’ As palavras dele parecem ecoar na minha cabeça agora, como se estivesse aqui... eu acho que desmaiei, talvez de dor, talvez da perda de sangue, talvez porque não conseguia lidar com o que estava acontecendo, mas eu sei, lá no fundo sempre soube...”
“Rachel, o que..?” Finn perguntou confuso, se virou para Santana, mas ela tinha a mesma expressão.
“Ele usava camisinha, mas tinha vezes que acabava ou ele esquecia ou estourava. Então ele me chutava na barriga... por prazer de ouvir meus gemidos de dor e para eu não... mas era só uma questão de tempo... eu não percebi os sintomas até aquela noite, acredito que nem ele, foi um acidente, mas... mas não dava de esconder o que estava acontecendo.” Grossas lágrimas percorriam as maçãs do rosto de Rachel. Já Finn e Santana estavam paralisados com aquela história e pela primeira vez não sabiam o que fazer ou o que falar, não havia qualquer coisa que pudesse ser feito para aliviar a dor que a morena estava sentido.
Só podiam sentir raiva e ódio de Brody, mesmo atrás das grades, longe da Berry e deles, ele ainda podia feri-la de formas que nenhum deles podiam impedir ou ajudar.
“Eu sei que vocês querem me ajudar, que estão preocupados, mas eu quero ficar sozinha.” Ela implorou em um fio de voz.
“Hell no!” Santana exclamou em uma mistura de tristeza e indignação. “Não nos exclua novamente hobbit, estamos aqui por você.”
“Eu sei... por isso contei.” Rachel deu de ombros, confiava em seus amigos, sabia que eles estariam ali por ela. “Mas eu não sei como lidar com isso, é muita coisa, parece que eu vou explodir. Minha cabeça está uma bagunça.”
“Nos deixe te ajudar, vamos superar toda essa merda juntos. Eu prometo.” Finn se aproximou pegando na mão dela, era um péssimo timing, Rachel soltou a mão dele e deu vários passos para trás, mas diferente do que esperavam não saiu correndo.
“Eu sei que suas intenções são boas, mas vocês não podem me salvar disso, ninguém pode. É algo que eu preciso fazer sozinha.” Ela limpou as lágrimas do rosto e respirou fundo. “Tudo isso é algo que eu preciso lidar só por algum tempo, preciso que sejam pacientes e me espere, não quero perde-los.”
“Você jamais vai perder a gente hobbit.” Santana exclamou ultrapassando Finn e passando os braços pela morena. Como esperado ela gelou, parecia que estava abraçando uma pedra e por isso manteve o abraço folgado. “Se precisar irei até pro inferno por você.”
“Eu senti sua falta.” A Berry admitiu, relaxando gradativamente e quando menos esperavam, passando os braços pela cintura da latina, tinham uma amizade sincera e incondicional e ela sentira a falta disso nos últimos meses.
“E eu da minha hobbit.”
iv.
“Você tem certeza que não quer me contar o que aconteceu?” Hiram insistiu uma última vez, estacionando o carro e se virando para encarar a filha.
Se surpreendera ao encontra Rachel em seu escritório. Olhos vermelhos, cara inchada de choro, já queria matar o desgraçado que a fez chorar, também queria abraça-la e nunca mais soltar. Protegê-la de tudo que falhou nos últimos anos, mas infelizmente não era o melhor para ela.
“Ainda não.” Abrir-se para Sant e Finn tinha esgotado todas suas energias, não estava preparada para uma dose com seu pai e tio. “Obrigada pela carona e... por estar lá.” Hiram era um renomado médico e sabia que era difícil para ele largar tudo simplesmente para trazê-la para casa.
“Sempre querida, sempre.”
A tímida mão da adolescente encontrou a dele sobre sua perna direita, Hiram se surpreendeu, mas não deixou transparecer, apenas aceitou o pequeno gesto e sorriu.
~~
Rachel abriu os olhos e olhou em volta confusa. O que diabos tinha acontecido?
A última coisa que recordava era estar no carro com seu pai e agora estava em seu quarto, usando seus pijamas favoritos.
“Hiram te trouxe, mas eu te vesti, não se preocupe.” A voz a surpreendeu e ela soltou um grito caindo da cama com força.
“Puta que pariu Santana, você quer me matar?” Rachel exclamou brava, sentando de volta na cama e colocando a mão no peito esperando o coração voltar a bater em um ritmo normal. “Quando você chegou?”
“Um pouco depois da meia-noite. Aparentemente você apagou no carro e seu pai te trouxe para a cama, mas os dois ficaram temerosos de te trocar, você acordar e ter um ataque, só que jeans são horríveis para dormir, então eu mesma te troquei, você tava dormindo tão profundamente que nem se mexeu.” A latina explicou dando de ombros. Era notável sua preocupação, ainda mais com o que tinha ouvido na noite anterior, mas fingia que estava tudo bem.
Rachel suspirou agradecida, se tivesse ficado acordada na noite anterior, teria se culpado. Ainda não tinha certeza se fora uma boa escolha contar para seus amigos, parecera na hora, mas agora estava em dúvida.
Além disso, as lembranças teriam lhe torturado a noite toda e ela provavelmente teria recorrido a remédios para dormir.
“Quinn não ficou brava, ficou?” Ela perguntou timidamente.
“Não, só preocupada. Mas eu falei que seu pai te levou e você estava em boas mãos e ela relaxou.” Santana pegou o aparelho celular e entrou na galeria. “Seu afilhado é um menino saudável de 3,9 kg, apesar de que 1 kg é só a boca.” Entregou o aparelho com a foto do bebê para a Berry e continuou. “Loiro, cabeludo, olhos verdes e albino. Dylan Fabray-Evans. To prevendo esse menino ser um ator e quebrar muitos corações.” Ela piscou apontando para o meio da testa. “E você sabe que meu terceiro olho mexicano nunca erra!”
"Mas nem pensar, só por cima do meu cadáver. Meu afilhado será um menino de bem, educado e gentil." Rachel tentou brincar relaxando na cama enquanto passava as várias fotos que Santana tinha tirado.
"Não esqueça do mimado, já prevejo você comprando diversas roupas para ele... apesar de que fará um favor ao menino, boca de truta ficou encarregado com essas coisas e Dylan tem uma coleção de roupas de super-heróis que não acaba nunca."
"Q. deve estar muito feliz com isso." A morena ironizou ao ver a onesie de Batman que o bebê usava.
"Oh ela ficou puta, você tinha que ver a cara dela. Estávamos crentes que Sam iria cair duro com o olhar indignado que ela mandava a cada dois minutos." As duas ficaram em um confortável silêncio até a latina começar timidamente. "Você vai voltar para a escola?"
"Talvez, meu pai e meu tio não sabem se estou pronta e eu também não, fico nervosa só de pensar nisso."
"Saiba que vou estar com você a cada segundo e mostrar meu Lima Heights a qualquer um que te olhe da forma errada." Santana prometeu pegando na mão da morena e a encarando profundamente. "Você é minha irmã e sempre vou te proteger hobbit."
"Eu sei. Te amo Sant." Rachel murmurou piscando ás lágrimas de felicidade que queriam cair.
"E eu te amo hobbit."
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