Nothing Left To Say
6 Apressada
Notas iniciais
Um obrigada à Leni que revisou tudo direitinho pra mim ♥
Desculpem-me quaisquer erros e Boa Leitura! ;)
Nos vemos lá em baixo.
– Voltem vivos. – Jeb ri e me abraça, depois dá um leve tapa nas costas de Ian que ri igualmente. – Juízo, garoto.
Já estávamos nos preparando para sair em incursão. Os restantes dos humanos resistentes estavam todos reunidos na cozinha para a nossa despedida. Não era uma total despedida, mas poderia ser um incentivo levando em conta que estávamos saindo para o mundo lá fora. Não era seguro, claro que não. Mas abomino o pensamento e volto à atenção aos humanos que se aproximam para me desejar uma boa viajem.
– Volte ok? – Lily fala e eu balanço a cabeça. Ela me abraça por fim.
Jamie corre na minha direção, me agarrando pela cintura. Ele é mais alto que eu agora, não tanto, mas o suficiente para que eu tenha que levantar a cabeça para olhar diretamente em seus olhos.
– Eu amo você, Peg. – Ele diz melancolicamente. Jamie voltou a ser aquele menininho de doze anos das lembranças alegres de Melanie que eu ainda fazia questão de me lembrar. Seu cabelo havia crescido e cobria parcialmente um dos olhos. Beijo sua bochecha com carinho e inalo seu cheiro pretensioso.
– Eu também amo você. – Falo e ele parece fungar. Deposito-lhe um beijo na bochecha e ele retribui com outro.
Melanie é a próxima e penúltima pessoa de quem tenho de me despedir. Ela me abraça com força o bastante para que eu arqueie e a afaste com um dos braços.
– Boa viajem e, bem, voltem. – Ela ri e me deposita um beijo na bochecha ligeiramente acima do de Jamie.
– Obrigada e, bem, nós voltaremos. – Falo a imitando e ela ri graciosamente. – Cuide-se. – Eu falo e aproximo a mão de seu ventre. Ela balança ligeiramente a cabeça.
A última pessoa de quem tenho que me despedir é de Jared. Eu não o faço, apenas sigo reto e o deixo balançando a cabeça sozinho. De certa forma é maldade, mas ainda sim não aceito o fato de que seus pedidos de desculpas foram enviados pela Melanie.
Minha barriga treme. Há sempre uma camada grossa de tensão no ar, e é quase inevitável ver gente saindo da caverna e não se preocupar. Agora, estando no lugar de quem saí é mais preocupante ainda. Não sabemos o que nos aguarda lá fora.
Há um leve burburinho entre os humanos. Jeb estende a mão direita na minha direção e a balança, ela esta preenchida com um objeto que me faz tremer. Uma Glock 45 está dançando sobre os dedos de Jeb, ele sorri e aproxima a arma de mim. Eu recuo e nego com a cabeça.
– Peg, não complique. Por favor, para a segurança de ambos. – Ele fala calmamente e Ian me cutuca nas costelas. O olho diretamente e ele arqueia as sobrancelhas. Eu realmente deveria aceitar? É perigoso demais.
Nego novamente com a cabeça e ele bufa. Todos bufam. Jeb troca de mão e estende outra arma para mim. Uma Pistola 40. É um pouco menos perigosa que uma Glock, mas mesmo assim eu não consigo chegar perto daquele pequeno objeto. Tremo novamente e ele puxa o meu braço, pondo o material sobre a minha mão. É pesado e gélido, grosso de um material espesso. Controlo a vontade de deixá-la cair sobre o chão, então apenas a deixo se moldar aos meus dedos. Jeb entrega a Glock a Ian que agarra o objeto como se fosse um brinquedo.
– Será uma incursão rápida, menos de três dias. Só precisamos de algumas coisas, portanto nada de atrasos e nada de ficar “aprontando” lá fora, entendidos? – Ele fala seriamente e nós concordamos com leves acenos de cabeça. – Confio em vocês para trazerem tudo de que precisamos, não me façam perder essa confiança. Entendidos? – Concordamos novamente.
Ele acena com a cabeça para o túnel que daria à saída da caverna. Nós concordamos novamente e acenamos aos humanos que iam se afastando assim que caminhávamos pela escuridão total. Ian estava com a pequena mochila onde mantínhamos suprimentos básicos para a corrida da caverna até onde o Jipe e o Sedan se encontravam. Algumas garrafinhas d’água, algumas proteínas em barra e algumas mudas de roupa.
Não iríamos demorar tanto assim, mas pelo tempo que já estou os ajudando nas incursões, sei o quão importante é trocar de roupa durante as viagens.
***
Ian abre a boca e solta um longo bocejo enquanto bate os dedos no volante do Jipe. Estamos entrando agora em Condado de Pinal, um dos 15 condados do estado do Arizona. A noite já havia caído e já estávamos batendo quase duas horas de viajem.
Já havíamos comprado algumas poucas coisas. Tais como alimentos totalmente não perecíveis, e algumas guloseimas. Acabamos por comprar algumas coisas para ambos, donde já havíamos os devorados por completo. Agora, jaziam apenas os pacotes vazios.
Não havíamos parado em momento algum, desde então, apenas para abastecer em um pequeno posto de gasolina na entrada de Casa Grande, onde uma criança me parou desesperada perguntando pela mãe que, aparentemente, teria a abandonado. Na verdade, foi apenas em um momento de descuidado em que a criança se soltou de suas mãos enquanto ela carregava o carro com pequenas compras para uma trilha improvisada. Rio ao lembrar-me disso.
Olho diretamente para Ian. Ele está sonolento, respira fundo e fecha lentamente os olhos, mas os abre rapidamente quando percebe o que está fazendo. Estamos ambos muito cansados. Nossos corpos doíam de terem de ficar por horas e horas em uma mesma posição. Jogo a cabeça para trás e mexo os dedos dos pés. Botas de couro maleáveis que se moldam aos meus pés. São botas de caça, abafam o som quando se pisa. Espiro o ar seco de dentro do jipe e volto a olhar para Ian. Seus olhos estão completamente fechados, como se estivesse em um sono profundo, e a cabeça começa a se inclinar, quase encostando-se ao volante.
– Ian! – O chamo e ele acorda assustado e desnorteado, rio comigo mesma. — Você está no comando desse carro, lembre-se.
Ele balança a cabeça e ri de si mesmo.
– Desculpe-me, eu estou muito cansado. – Ele boceja novamente. Ambos estávamos.
– Não acha melhor darmos uma parada? Talvez para descansar um pouco, comer alguma coisa. Não está sendo tão seguro assim essa nossa viajem. Talvez com algumas poucas horas de sono nós poderemos voltar à estrada, já trabalhamos ao monte por hoje. – Falo decididamente e ele apenas concorda com a cabeça.
Seguimos alguns poucos quilômetros sem trocarmos palavras ou olhares.
Há, ao longo de uma extensão morta de areia, uma casa de três andares. Janelas quebradas em meio a algumas com vidros parcialmente rachados. Uma alta porta de madeira e uma escada enferrujada. Ian diminui a velocidade assim que minha cabeça começa a se inclinar para ver a casa se afastar do nosso ponto de vista.
– Acha que alguém mora ali? – Ian pergunta inocentemente. Quem em sã consciência iria se submeter a tais condições?
– Acredito que não. Não há necessidade de que nós, almas, moremos nesse tipo de lugar.
– Acha que, talvez, possa ser um bom lugar para um descanso? – Ele sorri timidamente. Aparentemente Ian é um leitor maravilhoso de expressão, pensamentos e atitudes.
Seguro não poderia ser. Simplesmente não teria um porque lógico dos Buscadores deixarem aquele tipo de construção intacta. Era uma casa com risco de demolição, pelo seu estado físico.
– Acredito que não.
– Então você espera que nós cheguemos a uma linda cidade cheia de parasitas para descansar em um hotel de luxo com mil chances de eu ser apanhado? – Ele fala e seu tom me assusta. Encolho-me em meu assento. – Desculpe.
– Apenas não acho que seja um bom lugar, para a nossa segurança. – Falo calmamente e ele bufa. – Mas acho que se, com cautela, nós déssemos uma olhada no lugar... – Falo novamente e há alívio no suspiro que sai de Ian.
– Você sempre complicando as coisas, Peg... – Rimos e ele faz um retorno em uma curva fechada.
Seguimos para fora da autoestrada, cada vez mais próximos da casa velha e despedaçada. Não há segurança em nos aproximarmos de carro do lugar, então deixamos o veículo em uma grande e segura distancia e percorremos o restante do caminho a pé. A cada passo que dávamos a casa ia se tornando ainda mais horrorosamente apavorante. Era velha e escura, tão parecida com as casas antigas de filmes de terror de que minha hospedeira assistira quando criança e fazia questão de lembrar.
Aperto a pistola entre os dedos a cada passo. O pequeno objeto se tornara meu porto seguro, depois de Ian. Um perigoso e estranho porto seguro.
Ian para por um momento e me deixa seguindo sozinha. Eu deveria checar tudo para depois chamar Ian e deixá-lo entrar. Eu assim o faço. Bato na porta diversas vezes e chamo por alguém não existente. Com um chute, Ian arromba a porta, deixando-a tombar para trás. Estendemos nossas armas e vasculhamos o lugar com completa cautela.
Não é uma casa, mas sim um restaurante chique de beira de estrada. Restaurante chique de beira de estrada. Isso soa no mínimo engraçado. Qual seria a mente brilhante que construiu algo tão chique em uma beira de estrada? Não me permito parar para pensar nisso.
Há mesas de vidro completamente intactas com cadeiras que parecem nunca terem sido tocadas. Papeis jogados pelo chão e alguns pedaços de vidro. Há gostas pequenas gotas avermelhadas na bancada principal. Esse lugar não fora uma moradia, e não fora simplesmente deixado ‘para lá’. Ele fora abandonado às pressas.
– Tudo limpo. – Ian fala a poucos metros de onde estou.
– Aqui também.
– Ótimo. – Há um arrastar de cadeira e um longo suspiro de aconchego. – Ahhhhh.
Caminho por mais um momento entre as mesas e subo para o segundo andar. Há mais mesas e cadeiras. Continuo subindo as escadas e Oh!
Deparo-me diretamente com cerca de 30 caixotes empilhados. Diversas caixas lotadas de mantimentos. Abro rapidamente uma caixa, há pacotes de bolacha recheada, alguns saquinhos de batatas fritas e OH! CHEETOS!
– Ian! Ian! – Berro – Suba já aqui! Rápido!
Olho completamente admirada para aquela caixa como se estivesse com um tesouro entre as pernas. Ian aparece momentos depois, com a arma apontada para a minha direção. Não há perigo, e ele logo percebe que o local está cheio de caixas, e em meio as minhas pernas uma caixa de guloseimas. Olha admirado e ri feito bobo. Eu o acompanho.
– Esse lugar foi um esconderijo. – Falo.
– Um esconderijo nem um pouco conveniente.
***
Arrastamos algumas caixas para o Jipe, sem sermos avistados. Ou pelo menos fazendo o possível para que não fossemos.
Assim que terminamos de levá-las, aproveitamos o tempo que ainda nos restava e devoramos o que víamos dentro dos caixotes. Ian devorava tudo sem nem querer saber o nome do que estava comendo. Eu abri e esvaziei cerca de três pacotes de Cheetos. Lambi diversas vezes para tirar a crosta de massa dos pequenos e deliciosos pedaços do alimento que insistiram em grudar nas pontas dos dedos.
– Estou cheia. Nunca estive tão saciada. – Rio e termino de beber o restante da garrafinha de água.
– Eu poderia passar a noite comendo, mas eu certamente não conseguiria caminhar amanhã. – Ian ri abertamente. Com o polegar eu limpo o canto de sua boca, onde farelos de bolacha estavam.
Aninho-me na curva de seu braço e ele beija a minha testa.
– Acredito que acabamos de fazer um piquenique. – Digo e ele concorda, sorrindo abertamente. – Isso pode ser considerado um encontro.
– Eu gostaria que nosso primeiro encontro fosse a um lugar mais romântico, talvez ao ar livre... – Ele olha para o nada e suspira.
– Para mim está tudo perfeito, estando você seguro e... – Eu permito-me continuar, mas Ian atropela-me.
– Não é disso que estou falando. Digo, eu quero tornar as coisas mais sérias, Peg. Agir como um adulto.
– Não compreendo.
– Isso que estamos tendo, digo... Esse negócio de... – Ele ri timidamente – Não sei como explicar, eu tenho uma dúvida.
Apenas arqueio as sobrancelhas indicando para que ele continue.
– Isso é um pouco clichê, mas você... É minha namorada? – Ele ri e sorri abertamente, eu coro.
– Eu sinto-me como se fosse.
– E eu sinto-me como se você fosse. – Ele ri novamente sabendo que sua frase não teve concordância alguma. – Dizer que eu amo você se tornou tão clichê, não é mesmo? – Ele fala com o cenho enrugado, e eu nego com a cabeça — Mas eu acredito que você quer tanto quanto eu uma confirmação, não?
Balanço a cabeça.
– Então, você aceita, hãn, namorar... Digo, hãn... É, é... Namorar comigo? – Ele ri novamente, daquele jeito fofo e envergonhado. Eu o beijo.
– Isso é clichê.
– Ok. Ok. Eu vou lhe dar um Segundo/Primeiro Encontro perfeito, assim que voltarmos para a caverna. – E termina a frase com uma risada.
Rio junto com ele e me aninho novamente ao seu abraço.
– Boa noite, amor. – Diz ele.
Estamos em meio aos caixotes. Diversos deles cobrem-nos.
Não poderiam ter se passado horas. Mas passaram. Horas e mais horas de um descanso inacabado. O coração de Ian batia igualmente ao meu, eu podia escutá-lo. Mas as batidas mudam rapidamente e seu coração palpita agressivamente. É tão estranho, é como se seu coração substituísse as batidas cardíacas por batidas de arrastar de algo pesado pelo chão. Não abro os olhos, algo me diz para não fazê-lo.
Ian se agita e sua mão aperta bruscamente a minha. Quando finalmente abro os olhos, há uma iluminação estranha pelo estabelecimento. Ian esta com os olhos completamente arregalados para o horizonte. Estamos encurralados. Há buscadores por todos os lados.
Notas finais
E É AGORA QUE A HISTÓRIA FINALMENTE VAI SE DESENROLAR! hahaha. Aguardem o próximo que eu vou trazer muita ação, suspense e ah sla.. não posso falar. STOP com os spoilers, ne? hahaha.
Se tiverem alguma dúvida, podem me mandar uma MP ;)
bjão e até o próximo *-*
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