Notas iniciais
então, espero que gostem. xoxo :*

Ela dançava lentamente, enquanto a alça do sutiã escorregava para fora do seu ombro.

Nico sugou o ar e suas unhas cravaram na poltrona. Ela umedeceu os lábios como um animal prestes a atacar a sua presa. Com as delicadas mãos sobre os braços da poltrona velha, ela roçou seus lábios nos de Nico. Ela desabou no colo do rapaz, e ele afundou seus dedos nos cabelos dourados da garota. Quando a mão do rapaz deslizou para um de seus seios, a garota sorriu maliciosamente, mostrando seus dentes brancos. Ela jogou a cabeça para trás, deixando Nico beijar seu pescoço.

Algo estremeceu perto de Nico. Ele abriu os olhos quase involuntariamente, arrastando a mão embaixo do travesseiro. Ele agarrou um objeto preto que vibrava em seus dedos. Nico pressionou um botão, e deixou o celular cair da sua mão.

Ele se sentou, ainda sonolento. Então depois de longos segundos, caminhou vagarosamente para o banheiro.


Nico desceu para cozinha silenciosamente. Abriu as portas do armário, e se perguntou onde estava o maldito cereal. Antes que pudesse gritar com si mesmo, ele pegou uma caixa de cereal no fundo do armário. Estava bem escondido, por que... Bem, a mãe de sua madrasta costumava comer os cereais de Nico. Que na verdade, não eram exatamente cereais.

Um bilhete estava preso a um imã na geladeira. “Buscar sua prima na rodoviária.” Dizia o lembrete.

Nico suspirou. Havia esquecido completamente. Sua prima ia morar com eles por algum tempo. O rapaz concluiu que seria uma tortura, já que eles se odiavam.

Ele terminou o cereal, e seguiu para o colégio.

— Niquinho. — uma garota pulou nas costas de Nico.
— Drew. — Nico rosnou, encolhendo os ombros. — Já te falei, foi apenas uma noite. — ele não esperou a resposta, acenou para os amigos e correu até eles.

— Você e a Drew? — Katie brincou, um toque de malícia em sua voz.
— Foi só uma noite, poxa. — Nico ergueu as mãos em defesa.
— Que seja. Adivinha quem veio te procurar hoje, Nicolau? — Travis disse com um risinho.
— Nicolau o caralho. — Nico resmungou. — Quem?
— Phoebe — Connor respondeu sonhador, enquanto suas mãos desenhavam um violão no ar.

Nico engasgou.

Phoebe era uma riquinha bonita e metida. Alguns garotos – a maioria – afirmavam de pés juntos que ela era “gostosa”. Era uma das mais populares do colégio, juntamente ao seu irmão Will Solace, e suas amigas loiras: Kayla e Lacy.

— E não é mentira. — acrescentou Percy.
— Ela é boa, cara. — Leo disse com um sorriso malicioso.
— Vocês só pensam nisso? — Katie exigiu indignada.
— Estamos falando a verdade, não é Travis? — Leo abafou o riso. Katie encarou o namorado, que preferiu permanecer em silêncio.
— Pelo menos isso para melhorar o meu dia. — Nico agradeceu, erguendo as mãos para o alto.
— O seu estoque de Sucrilhos acabou? — Connor perguntou ironicamente.
— Também. O pior é que a minha prima insuportável chega hoje. — ele informou, derrubando a mochila no banco de madeira.
— Aquela roqueira bonita? — Leo quis saber. Nico assentiu.

Percy murmurou algo como “bonita e brava”, então a mente de Nico clareou.

— Ela também é sua prima. Você podia ir buscá-la e...
— Vou sair com Annabeth hoje. E além do mais, ela vai ficar na sua casa, não na minha.
— Eu poderia te socar agora, Cabeça de Alga. — Nico admitiu.
— Você não ousaria. — Annabeth avisou com um tom divertido em sua voz. Ela esbarrou em Nico propositalmente quando passou por ele.

A aula de Matemática foi uma tortura. Quem afinal, se importava com o valor de X?

Nico observou os alunos se arrastarem para fora da sala. Quando passou pela mesa que em que Nico estava sentado, Will Solace deixou um papel amassado cair. Nico pensou em devolver, mas parecia não ter importância. Ele desenrolou o papel. Depois de ler, ele quase surtou. “Me encontre atrás da biblioteca”. Que inferno isso significava? Will era gay, ou algo assim?

Ele saiu da sala atordoado, dobrando o papel enquanto caminhava pelo corredor. Ele encontrou uma mesa vazia no pátio, e soltou a mochila em um banco. Não demorou muito para que seus amigos chegassem.

O bilhete estava caindo de um dos bolsos da mochila preta. Travis agarrou o papel e leu em voz alta:

— Me encontre atrás da biblioteca. — ele riu alto.
— O que é isso, Nico? — Leo gargalhou.
— O idiota do Solace deixou cair na minha mesa. — Nico respondeu emburrado.

Segundos depois, ele se arrependeu amargamente em ter dito aquilo. Os Três Patetas riram como idiotas.

— Que... Que... Que gay... — Connor conseguiu dizer entre risos.
— Ele sempre teve uma pinta de viado. — Leo disse. As mãos segurando a barriga.
— Qual a piada? — Percy perguntou.
— Nico vai dar uns amassos no Solace. — Travis riu. — Atrás da biblioteca.
— Finalmente, di Angelo. — Percy disse inocentemente.
— Finalmente? — gritou Connor.
— Porra, Nicolau. — Travis sugou o ar. — Percy está claramente te avacalhando.
— Eu pensei que fosse a Solace. — admitiu Percy.

Nico suspirou lentamente, procurando paciência. Seus amigos riam e debochavam.

— Will e Nico? — Annabeth perguntou, franzindo a testa e reprimindo um sorriso.
— Droga, por que não trouxe minha câmera hoje? — Rachel perguntou para si mesma.
— Vão se foder. — Nico gritou irritado, levantando.
— Para onde vai, Nicolau? — Connor chamou.
— Ele vai encontrar o namoradinho. — Leo brincou. Em resposta, Nico mostrou o dedo do meio.

Nico seguiu para o pavilhão da biblioteca. Estava com raiva. Will e seus amiguinhos idiotas deviam estar querendo zoar mais um mané. Nico rodeou a biblioteca, as mãos fechadas em punho, prontas para esmurrar um idiota do time de futebol.

Ao invés de jogares fortões, ele encontrou Kayla – amiguinha de Phoebe. Um cigarro estava preso em seus dedos brancos. Os cabelos descoloridos esvoaçando ao redor do seu rosto pálido e delicado. Quando percebeu a presença de Nico, ela deixou o cigarro cair e o amassou com a sola do coturno. Então esboçou um sorriso para o rapaz.

Nico desdobrou o papel e mostrou para Kayla.

— Foi você? — ele quis saber. O meio sorriso dela desapareceu do seu rosto. Ela trincou os dentes e seus olhos claros se estreitaram.
— Não era para você. — ela arrancou o bilhete da mão de Nico. — Era para Will. Ele deve ter lido, e largou por aí. — Kayla admitiu furiosa. Ela rasgou o papel em milhares de pedaços e jogou para o alto, sorrindo.
— Você é louca. — Nico murmurou. Kayla escorregou as costas na parede e se sentou no chão.
— Eu sei, e obrigada. — ela sorriu, tirando um cigarro do bolso. — Aceita? — ela empurrou o cigarro aceso para Nico. Ele tragou e soltou a fumaça.

Eles fumaram em silêncio. Nico levantou finalmente.

— Vai voltar? — Kayla quis saber. — Estava tão bom.
— Nós nem conversamos, nem... — Nico respondeu.
— Eu disse que estava bom? — ela perguntou, colando seu corpo no de Nico. — Nah! Eu quis dizer que vai ficar bom. — ela abraçou o pescoço de Nico, o beijou.

— No, no, no, no. I will never forget. No, no. I will never regret. No, no... — ela cantava e balançava a cabeça de um lado para o outro.
— I will live my life. — uma voz desconhecida continuou. Ela abriu os olhos para descobrir.

Era um garoto. Olhos negros, cabelo escuro. E ele era baixinho. Os lábios dele se curvaram em um breve sorriso, antes de sua pesada mochila cair no colo da moça.

— Aw! — ela gritou, surpresa.
— Desculpe, desculpe. Mil vezes, desculpe. — ele pediu, agarrando a mochila rapidamente.
— Ok, ok. Sem mais desculpas. Está tudo bem.

Ela virou o rosto para janela, e tirou uma fotografia do bolso. Na foto, um garoto louro estava ao seu lado. Os olhos azuis apertados, enquanto os lábios estavam esticados em um largo sorriso.

Os dedos dela deslizaram pela foto, fingindo desenhar cada traço do rapaz na foto.

— One day maybe we’ll meet again. — ela cantou em um sussurro.

Ela encarou o relógio, e voltou a observar a estrada com os olhos azuis eletrizantes.

Nico já havia arrancado o blusão escuro de Kayla há muito tempo. Deixando o vestido preto a mostra. As mãos de Kayla estavam em baixo da camisa de Nico, arranhando suas costas. Ela deslizou as pequenas mãos para dentro da calça jeans, apertando o membro do rapaz. Nico estremeceu.

O negócio estava ficando bom quando o celular de Nico tocou. Na verdade era uma mensagem. De Leo.

— Já sei. — ela murmurou levantando a alça do vestido. — Você tem que ir, não é?
Nico assentiu. — Nós podemos continuar depois. — ele disse enquanto subia a escada que levava ao outro pavilhão. Kayla sorriu em concordância, e acenou.

O pátio estava quase vazio, o corredor então nem se fala. Nico correu para a sala. A professora estava de costas para os alunos. Estava escrevendo alguma merda na lousa. Ele agradeceu mentalmente, e caminhou em passos silenciosos até uma mesa vaga ao lado de Leo.

— Onde você estava, viado?
— Atrás da biblioteca, cuzão.
— Dando uns pegas no Solace? — Leo abafou o riso.
— Foda-se Leo. Eu estava com a Kayla, sua bicha.
— Você estava...
— Não, por que você tinha que mandar essa maldita mensagem. — ele rosnou mostrando o celular.
— Desculpa, cara. Eu não sabia. — Leo ergueu as mãos em defesa.

Seria legal dizer que as duas últimas aulas passaram rapidamente, mas a verdade é que foram extremamente lentas.

Não para Nico, por que ele dormiu o último horário inteiro.

Leo estava fazendo cócegas no ouvido de Nico com um papel enrolado. Nico afastou o papel com a mão, praguejando. Ele coçou os olhos e limpou as bochechas.

— Babão! — Leo provocou levantando-se da cadeira.
— Eu te odeio, Valdez. — Nico murmurou sonolento.
— Puxa, obrigado. Em todos esses anos, é assim que me agradece. Eu devia te deixar aí sozinho, mofando nessa sala suja e feia...
— Leo, — Nico pediu. — Deixa de drama. Você só me acordou por que sabe que vou buscar minha querida prima na rodoviária.
— Aaaah. — Leo suspirou. — Se ela fosse minha prima...
— Ela provavelmente chutaria o seu traseiro se tentasse algo com ela. — Nico lembrou.
Leo deu de ombros. — Elas fingem que são difíceis, mas no fundo são caidinhas por mim.
— Claro. — Nico debochou.

Ele se despediu dos amigos e seguiu para a rodoviária.

Uma moça desceu do ônibus. Ela derrubou a mala preta no chão, e girou cabeça procurando por alguém em particular. Ela rosnou frustrada. Então seus olhos tempestuosos encontraram um rapaz conhecido. Ela bufou. Ele se aproximou com a cara fechada.

— Seria legal se você me ajudasse, priminho. — ela informou. Nico agarrou a mala, enquanto Thalia colocava a alça da mochila nos ombros.

Eles pegaram um táxi, depois que Thalia insistiu em dizer que estava com fome e logo desmaiaria.

Nico desceu do carro e jogou o dinheiro no colo do motorista. Ele procurou pelas chaves nos bolsos da calça. Thalia tossiu fingidamente para chamar a atenção de Nico. Pela primeira vez ele olhou para ela com cautela. O casaco preto com bottons estranhos escondia a estampa da sua camiseta, uma calça preta rasgada cobria suas pernas e por fim, uma ankle boot preta. Nico deixou escapar um suspiro.

— O que está olhando, idiota? — Thalia o empurrou. — Abra logo essa maldita porta.
— Então... — murmurou Nico, sem olhar para a prima. — Eu perdi minhas chaves.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.