Nothing Is How Looks Like
6 A Grande Chance.
Notas iniciais
6
Kurt entreabriu os olhos e vislumbrou a penumbra do quarto. A cortina balançava com o vento vindo da janela e deixava as luzes das ruas de Nova York entrar. Ele sentiu uma fisgada em seu cérebro e sentiu seu corpo pesar. Olhou para o lado e se deparou com costas nuas e cabelos castanhos bagunçados.
Sua noite anterior era um completo borrão. Ele lembrava-se de Blaine, e das primeiras doses que tomou. Lembrava-se também de ter ido falar com Sebastian. E depois disso, tudo era um borrão. Ele tirou o lençol que cobria seu corpo e encontrou-se completamente nu.
– Droga! – Kurt exclamou procurando por suas roupas.
Depois de ter se vestido, ele pegou suas chaves e seu celular que estavam sobre o criado mudo. Haviam duas mensagens e dez ligações perdidas. Ele foi em direção a porta do apartamento, sem fazer barulho algum, e saiu. Desbloquiou o celular e viu as dez chamadas de Rachel, e as duas mensagens de Blaine.
“Eu estava indo embora e não te encontrei, acredito que saiu com Sebastian. – B”
“Use proteção, Kurt. – B.”
O castanho sorriu ao ver as mensagens e sentiu uma certa culpa por ter deixado Blaine sozinho no bar. Ele digitou uma mensagem dizendo estar bem, e que estava indo para casa. Logo que ele deixou o prédio sentiu o seu celular vibrar em sua mão, olhou para o visor e sorriu.
– Alô. – A voz rouca fez Kurt sorrir ainda mais.
– O que faz acordado a uma hora dessas? – Blaine gargalhou do outro lado da linha.
– São seis horas da manhã, acordei para organizar minhas coisas para a faculdade. – A voz de Blaine estava arrastada e ainda mais rouca.
– Será que você poderia reservar meia hora para tomar um café comigo? – Kurt atravessou a rua, desta vez enquanto o sinal estava verde para ele.
– Claro. – O castanho ouviu o barulho de algumas coisas caindo. – Droga! Ah, Kurt, eu preciso desligar, acabei de deixar cair todas as minhas partituras que estavam organizadas por ordem alfabética. – Kurt gargalhou. – Nos encontramos às 7:30?
– Certo.
Kurt correu para casa, não era muito longe. Ele entrou no apartamento e correu para o banheiro, tomando uma ducha – a mais rápida da história dos Hummels – e em seguida foi até a cozinha, onde encontrou Rachel. Ela o encarou, brava.
– Onde você passou a noite? Podia ter avisado. – Ela tinha os braços cruzados e o cenho franzido.
– Fui a um bar ontem com Blaine, bebi um pouco e acabei indo para a casa daquele médico que te falei, o castanho. Acordei com ele nu do meu lado. Fim. – Rachel arregalou os olhos e sorriu maliciosa.
– Kurt Hummel ataca novamente. – Ela tomou um gole do seu café.
– Agora eu preciso ir encontrar Blaine. – Ele saiu da cozinha, Rachel o seguiu.
– Kurt, eu sei que você já disse que você e Blaine são apenas amigos, mas as chances de vocês se apaixonarem são grandes, não machuque ele. – Rachel sorriu de canto e deixou Kurt sozinho, pensativo.
[%]
Blaine havia chegado mais cedo na cafeteria, pediu seu café e um pedaço de bolo. Sentou na mesa de costume, e esperou por Kurt. Por volta das 7:15 ele avistou o castanho. Kurt tinha olheiras, sinal de que sua noite havia sido agitada. Blaine sentiu uma fisgada em seu estômago e a ideia de imaginar Kurt com Sebastian lhe deu ânsia, fazendo ele largar seu bolo.
– Bom dia. – O sorriso de Kurt era largo.
– Bom dia. – Blaine sorriu. – Alguém está de bom humor.
– Ah, talvez. – Kurt sentou-se.
– Quer bolo? – Blaine apontou para o doce. – Já tive o suficiente.
– Obrigado. – Kurt puxou o prato para si e começou a comê-lo.
– Então, como foi a noite com Sebastian? – Blaine não queria saber realmente, mas como amigo, ele sabia que devia perguntar.
– Hã, eu não sei dizer, pois eu não lembro de nada. – Kurt sorriu e Blaine gargalhou.
– Meu deus, Kurt. – Ele continuou gargalhando. – Então você não sabe se Sebastian é bom de cama?
– Não. – Kurt deu de ombros, rindo também. – Meus quadris não estão doendo, então posso concluir duas coisas: Ou ele não é tão bom assim, ou eu fui o ativo. – Blaine parou de rir. – E bom, eu nunca jogo como ativo.
– Então digamos que foi uma noite em branco? – Blaine tentou disfarçar os pensamentos que deve de Kurt.
– Praticamente. – Kurt sorriu. – Mudando de assunto, como foi a sua noite?
– Sai do bar por volta de uma hora da manhã, fui para casa e dormi. – Blaine sorriu fraco. – Não sou das noitadas.
– Ah. – Kurt terminou o pedaço de bolo. – Você acorda seis horas da manhã todos os dias?
– Não, hoje foi uma ocasião especial. – Blaine sorria, e havia um brilho em seus olhos.
– Bom, qual o motivo? – Kurt colocou o prato para o lado, pondo-se sobre a mesa e encarando Blaine.
– Ah, semana passada, antes mesmo de te conhecer, eu recebi uma oferta. – Blaine tentava conter o sorriso e a animação. – Parece que um diretor viu meus curtas e realmente gostou das minhas músicas, e ele pediu para que eu compusesse músicas para ele.
– Isso é incrível, Blaine. – Kurt deu um tapa na mesa, e tinha um sorriso de orelha a orelha.
– Espera, tem mais. – Blaine tremia de excitação. – Ele é o diretor do novo musical da Broadway.
– Você está brincando? – Kurt levantou e puxou Blaine para um abraço. – Blaine, isso é muito mais do que incrível. – Kurt sorria e olhava Blaine nos olhos.
– É a minha grande chance de mostrar meu trabalho para Nova York inteira. – O moreno parecia uma criança que acabara de ganhar o brinquedo que vinha esperando por tanto tempo.
– Não, Blaine, para o mundo inteiro. – Kurt o abraçou mais uma vez, e desta vez soltar o moreno não era uma das opções.
[%]
O dia havia passado, já era noite e Kurt estava em casa desta vez. Estava de frente para o seu quadro, apenas o encarando e pensando o que ele poderia ser. Na semana passada, ele apenas jogava tintas ali, como o seu subconciente mandava. No domingo, ele havia traçado duas linhas. Ele tentava compreender as vontades do seu cérebro, pois aquilo não fazia o menor sentido.
– Eu não entendo esse seu quadro. – Rachel parou ao seu lado.
– Nem eu. – Kurt pegou o pincel e o molhando na tinta marrom, e criou um borrão.
– Como você vai explicar isso para os teus professores? – Rachel virou a cabeça, tentando ver de outro ângulo.
– Eu apenas direi que não há explicações, apenas o sentido da vida. – Kurt deu um meio sorriso.
– Isso é muito bonito. – Rachel sorriu.
“Amanhã eu vou apresentar a minha primeira música. – B”
“Que orgulho, meu amigo sendo um compositor para a Broadway. – K”
– Falando com Blaine? – Rachel puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Kurt.
– Sim. – Ele sorriu. – Ele conseguiu uma grande oportunidade de mostrar o seu talento, está animado.
– Fico feliz por ele. – Rachel sorriu.
O telefone começou a tocar. Kurt encarou a tela e Rachel soltou um sorriso e disse “Ele não consegue ficar só pelas mensagens” e Kurt franziu o cenho, deslizando o delo pela tela e colocando o aparelho no ouvido.
– Alô?
– Alô. – Kurt disse franzindo o cenho.
– Kurt? Aqui é Sebastian.
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