Notes From The Underground
5 Caso: Barry, o açougueiro (conclusão)
Notas iniciais
Acordei tonteado e sem senso de direção. Eu me encontrava amarrado a uma cadeira de ferro, igual à Anne. Ainda sentia sangue quente escorrer por cima do seco na parte lateral direita da minha cabeça, acima dos olhos. Minha cabeça estava latejando de dor. Ergui a cabeça. Anne estava em no mesmo estado, bem á minha frente. Me perdi em pensamentos imaginando o que aquele maníaco iria fazer, quando algo bateu na minha cadeira e cortou meu ombro de leve. Era uma faca de açougue, e quem estava empunhando, devia ser o próprio Barry.
- Olá garoto. Devo admitir que você é muito corajoso, estou muito surpreso. – comentou sarcástico. Um sorriso apareceu no canto de seu rosto – Ou talvez seja apenas muito burro não? – gargalhou.
Barry possuía cerca de 1,80, era bem magro, mas aparentava ter força física. Cabelos bem curtos, loiros sujos, e olhos... Seus olhos expressavam um instinto assassino é maníaco impossível de ser descrito. Ele era um completo psicopata doentio.
Retirou a faca da cadeira, e provocou:
- Bem, estou pensando comigo mesmo, quem eu mato primeiro? – Um sorriso abriu em seu rosto ao ver a raiva queimar em meu rosto – Acho que torturá-la na sua frente, e depois matar ambos, lhe parece uma boa ideia? Quero ver o sofrimento de vê-la morrer nos seus olhos, garoto.
Um olhar sedento de sangue tomou conta de Barry. Aquele filho da puta doentio iria machucar a Anne.
- Se encostar um só dedo nela...
- Vai fazer o que? – Barry estava na vantagem.
Eu precisava fazer alguma coisa.
Desesperado, notei que havia algo em cima de minha coxa. Um pedaço de metal um tanto afiado, uma lasca da cadeira de ferro que Barry cortou com a faca. Não era muito, mas o bastante. Dei um impulso com a perna, e a lasca caiu em minha mão direita. Comecei a cortar a corda que estava amarrada em meu pulso. Barry avançou em Anne e cortou levemente sua coxa. A raiva estava queimando, tanto que nem senti a dor quando apertei tanto a lasca em minha mão enquanto cortava que começou a ferir minha mão. Barry começou a abrir a blusa de Anne. Apertei mais forte, sangue escorria entre meus dedos. Ele começou a beijou e abriu por completo sua blusa. Estava quase lá, a corda estava cedendo...
- Me diga garoto, você acha que eu sou idiota? – Barry começou a rir, e veio em minha direção – Largue isso.
Larguei a lasca. Faltava tão pouco... Droga.
- Só por ser insolente, vou fazer essa garotinha sofrer o triplo do que eu pretendia. E depois vou te torturar até pedir para que eu te mate – ameaçou num tom pomposo.
Ele avançou com tudo em Anne. O ódio tomou conta e eu usei toda minha força e parti a corda já cortada. Corri em direção a Barry e o soquei com tudo no rosto, e o mesmo caiu no chão.
- Anne, vou tirar você dessa, eu prome...
- DYLAN CUIDADO!
Me desviei a tempo. A faca passou a centímetros do meu rosto. Barry veio em minha direção e começou a me atacar. Fiquei apavorado. Corri para fugir, mas não percebi o corpo de porco no chão em minha frente, e tropecei. Por instinto coloquei os braços em frente ao rosto. Barry começou a balançar a faca de um lado para o outro abrindo cortes profundos em meus braços. Eu estava tremendo de medo, mas quando imaginei a Anne... eu tinha que tirá-la dali. Avancei em Barry e o soquei diversas vezes, no estômago. Ele vacilou, e eu usei o momento para tirar a faca da mão dele e derrubá-lo no chão. Comecei a socar seu rosto diversas vezes, e mais e mais vezes, quando Anne gritou:
- Dylan! Chega...
Levantei e fui até ela. Ouvi as sirenes da polícia chegando. A soltei, e saímos do caminhão frigorífico. O capitão veio até mim, e antes de perguntar, respondi:
- Barry esta la dentro, está inconsciente.
Sentei e respirei fundo, estava tremendo. Os cortes estavam doendo demais. Mas um momento de felicidade: Anne sentou ao meu lado e ficou debaixo do meu braço, a cabeça apoiado em meu ombro.
- Obrigada, você, salvou minha vida.
Eu a olhei, e ficamos ali, pensando em tudo que acabamos de passar.
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