Notas iniciais
Música do capítulo: A Sua Maneira - Capital Inicial

- Caramba, meu braço! — Júlio desperta com a sensação de ter perdido parte do membro devido a dormência causada pelo peso da cabeça de Joice, que ainda se encontrava adormecida.


Com parte do corpo levemente inclinado, ele observa encantado o corpo nu e as curvas prazerosas que suas mãos conhecem muito bem. A playlist da banda Capital Inicial ainda tocava em modo repetição onde a faixa da vez era a música: "A sua maneira". Júlio encara o computador por um curto espaço de tempo concordando que a letra faz jus ao momento. Enquanto retira com cuidado o braço que servia de travesseiro para o cansaço da moça, o rapaz sussurra apaixonado em seus ouvidos:


- Te amo, sua maluca. O movimento realizado por mais delicado que fosse, não foi suficiente para evitar que ela despertasse vagarosamente. — Me desculpe, não foi minha intenção te acordar.


- Que horas são? — Indagou Joice com certa rouquidão em sua voz.


- São quinze para meia noite. Acho que alguém vai apanhar quando chegar em casa.


- Casa? — Joice emburra o rosto com uma menina levada, puxando para si o lençol que estava caído sobre o tapete: — Estou com fome e um cadinho de frio.


O vento fresco que invade o quarto balança as cortinas. A garoa fina ameniza a temperatura elevada em mais um dia quente na capital mineira. Somente as luzes dos condomínios e alguns poucos carros que estacionam iluminavam os pátios e áreas comuns de convivência: Morar no décimo primeiro andar, tem suas vantagens, uma vez que a altura proporciona um silêncio aconchegante, sem deixar de mencionar a vista de uma paisagem totalmente privilegiada:


- Vou preparar algo para comermos.


- Pega, por favor, o celular na minha bolsa. — Solicita Joice se enroscando por completo no lençol.


As luzes externas transpassam pelas janelas clareando levemente os ambientes. O volume da televisão vindo do quarto de seus pais, indicava mais uma noite normal no recinto dos Vieiras.


Júlio aproveita a pouca iluminação que havia na cozinha para organizar sobre o tampo da mesa de apoio o pacote de pão de forma, queijos e a sanduicheira. No entanto, o barulho produzido pelas presilhas das cortinas batendo no basculante da área de serviço, faz com que ele verifique o local.


O vaso com as flores que decorava o mármore da janela estava prestes a cair devido ao vento que se soprava um pouco mais forte. Imediatamente Júlio retira o vaso, colocando-o em local seguro próximo a máquina de lavar para que pudesse então fechar a janela.


Algumas gotas de chuva molham seu rosto, por mais rápido que tentasse baixar o vidro. Assim que trava os trincos laterais, sem que pudesse acreditar, seu olhos congelaram ao notar um movimento na sacada do apartamento do condomínio vizinho. As gotas da chuva escorrem pelo vidro dificultando um pouco sua visão que presencia um corpo encostado na mureta de vidro, como quem observa o horizonte. Os pelos do seu corpo se arrepiam, estremecendo após um leve calafrio subir por toda sua coluna:


- Perdeu algo na janela, rapaz?


Júlio saltita para trás, levando seu pai às gargalhadas:


-Calma, meu jovem! — Por acaso estava observando alguma moça nua em um dos apartamentos sozinhos?


- N não! — Eu apenas fechei a janela devido a chuva.


- Você tá pálido, está tudo bem?


Jairo caminha em direção a janela olhando fixamente para o lado de fora, como que procurasse pelo real motivo do susto que filho havia levado:


- Acho que tem alguém no apartamento frente ao nosso.


- Eu nunca vi uma luz acesa nos cômodos que ficam em nossa direção.


- Sim, minha mãe falou a mesma coisa. — Júlio corre as mãos pelo rosto.. — Eu estava olhando alguém na sacada quando o senhor acendeu a luz.


Jairo abre novamente o basculante embasado pela chuva, olhando para todas janelas do apartamento vizinho por alguns segundos:


- Pode ser que tenham alugado a pouco tempo. — Me fale, qual o motivo desse interesse pelo apartamento?


- Sei lá, eu senti um arrepio estranho, desde que vi alguém caminhando lá dentro.


- Sai pra lá! — Jairo brinca com o filho antes de retornar para o quarto. — Bem, já que você verificou as janelas, irei me deitar.


Júlio segue seu pai até a cozinha, onde começa a preparar os sanduíches. Os passos do pai se distanciam, seus pensamentos ficam fixados na imagem que acabara de presenciar. Após o preparo dos lanches, o rapaz arruma os pratos e copos com suco em uma bandeja de cama, rumando ao seu quarto.


Joice o ajuda a arrumar a bandeja no tapete para que não corressem o risco de sujar a cama. Passados alguns minutos, Júlio se recorda que havia se esquecido de pegar o celular da namorada bem como ela havia solicitado.


A bolsa acomodada no sofá, ele retira o aparelho de um dos bolsos. O simples movimento de balançar o dispositivo ativa a iluminação sua tela, exibindo algumas notificações de chamadas telefônicas dos pais de Joice, mensagens do whatsapp e alertas promocionais dos aplicativos de compras:


- Ativei sem querer a tela do aparelho e apareceu várias chamadas do seus pais e uma mensagem de uma tal de Luciana. — Melhor deixar uma mensagem para eles.


Joice retira apressada o aparelho da mão de Júlio, colocando-o ao seu lado:


- Vou terminar o lanche, antes que o queijo esfrie, depois eu envio uma mensagem de áudio para minha mãe, avisando que estou com.você.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.