Era uma tarde quente. O parque principal da cidade estava meio vazio, alguns idosos nas suas aulas de alongamento e o sorveteiro que sempre estava no mesmo lugar de sempre, perto da fonte com a estátua de leão que jorrava água pela boca.

Megurine estava sentada em um banco branco de madeira. A sombra da árvore, da qual tinha uma das iniciais de seu nome, ajudava na leitura. Algumas brisas fracas, mas refrescantes, balançavam o seu cabelo, bagunçando a franja.

– Luka-san? – uma voz baixa e doce cortou a atenção da moça.

– Ah! Hatsune! Faz tempo que você está aí? – falou a mulher, se virando de costas. Miku estava atrás dela, se apoiando com as mãos no encosto do banco. Os cabelos estavam soltos, usava uma blusa lilás de mangas justas, um short jeans curto, sandálias rasteiras e no pescoço, o colar de ouro com pingente de coração que Luka havia lhe dado.

– Acabei de chegar!! – respondeu, dando a volta no banco e ficando de frente para a moça. – Então... Vamos?

– Claro, claro, vamos sim. Ah! Sua bolsa... Você a esqueceu da última vez que foi lá em casa. – Respondeu levantando-se. Fechou o livro que estava lendo, o colocou dentro de uma bolsa de ombro e logo a devolveu para a verdadeira dona.

“Era incrível como tudo com ela era melhor...” era esse o pensamento que rondava a cabeça de Megurine. Poucos passos foram dados até que a mão de Miku se encontrasse com a da mulher de cabelos rosa, que carinhosamente a segurou. Os dedos eram finos e delicados, as pontas eram frias, mas não desconfortáveis. Passos curtos e tranqüilos, acompanhavam o calmo vento.

– Luka-san....- Miku estava falando com a cabeça baixa, a franja cobria seu rosto.

– O que foi? – Indagou, fitando a garota.

– Eh.... Que assim... Eu não comi nada e... –Megurine pôde perceber uma tira vermelha formando-se sobre o rosto da menina.

– Hahahahahaha! Tudo bem. EU preparo algo para você.

• • •

O apartamento de Luka era simples. A sala tinha uma pequena mesa de centro com tampa de vidro, em vez de poltronas e sofá, pequenos “puffs” e almofadas pelo chão de carpete creme. Um rack com televisor em cima, junto com uma vasta coleção de CD’s e jogos dos consoles que possuía.

Hatsune tirou as sandálias e cruzou o piso de madeira até chegar ao carpete, aonde praticamente se atirou ao chão e começou a girar de um lado para o outro, abraçada com um porquinho de pelúcia que estava por ali.

– Você vai começar a espirrar! – falou num tom de brincadeira a mais velha, enquanto terminava de tirar os sapatos. Virando-se para fechar a porta.

– Nem vou!.... “Atchin!!” argh, sua! ATCHIM! Luka-san boca de praga! Culpa sua! ATCHIM!

– Eu te avisei... Vai pegar um ar na varanda. Isso vai te ajudar a melhorar. – terminou e foi para a cozinha que ficava ao lado da porta da casa, separada apenas por um balcão.

A mais nova se levantou segurando a pelúcia com uma das mãos, a outra estava, freneticamente, esfregando o rosto. Abriu a comprida porta de correr de vidro, fazendo o vento entrar e balançar as finas cortinas brancas. Seus cabelos esvoaçaram, liberando um perfume doce e delicado, que fez Luka respirar fundo e suspirar baixo. Por fim, a menina sentou-se em uma poltrona redonda bem acolchoada que ficava na varanda. A visão era bonita. A roda gigante de Tóquio e a cidade ao fundo se contrastavam bem com a calmaria do bairro em que o prédio de Luka se encontrava que era conhecido pelos templos, bosques e parques... Parque... Isso a fez lembrar-se de algo.

Era dia 05 de Janeiro de 2011...

– Como assim “VOCÊ NÃO SE IMPORTA”?! Que tipo de pessoa você é?

– Não é que “eu não me importe”! Eu só cansei de me machuar!
– E você acha que eu tô te machucando... Isso é ótimo!
– Você esquece de mim! Você já não mais me nota! É a sétima, SÉTIMA VEZ, que eu marco algo com você e ou você “fura”, ou dá uma desculpa ridícula, ou SIMPLESMENTE SOME!

– Mas eu estou aqui hoje.
– HOJE! Falou muitíssimo bem. São 5:57 da tarde! Nós marcamos uma e meia! O sol já está se pondo...

– Não acredito que você vai fazer drama por tão pouco..

– Fazem, malditos, nove meses que você está assim... E só piora.

– Mas Megur –

– E não me chame pelo primeiro nome!!

– Okay, certo... Eu vou aproveitar o pôr do Sol para te dizer algo... Luka... Você aceita –

– Não, Kamui... Não...

– Mas...

– Já não dá mais... Foram muitas segundas chances... Você vai ser sempre meu melhor amigo... Mas já está na hora de dizer adeus.

– Você tá querendo dizer, então, que nós...

E foi assim... Depois de um final catastrófico, aquela menina saiu correndo e chorando do parque, esbarrando violentamente contra outra de cabelos verde aqua, quase que, dramaticamente, quebrando seu ombro...

• • •

– Hatsune-san... Hatsun... MIKU!

– Ahn!? O QUE, ONDE?!!

– Você estava no mundo da lua, garota... – Falou Luka, colocando uma bandeja nas pernas de Miku. Um pratinho cheio de panquecas recheadas com queijos e presunto, um copo grande de suco, bolachas, geléia, enfim... Um pequeno banquete, que a mais nova se pôs a comer.

– Nossa! Faz quanto tempo que você não come?

– hnfhuunf! – tentou responder com a boca cheia.

– Engole...

– ... Um dia inteiro.

– Como assim?!

– É que... Eu meio que enjoei da comida de lá de casa...

– Okaay! Já entendi... Hoje você passa a noite aqui. – Respondeu Luka, olhando para a paisagem.

– Lu-Luka-san...

– Sim?

– Tá sem sal..

• • •

Já estava anoitecendo. Miku estava deitada no carpete da sala, vendo algum programa aleatório na TV, enquanto Luka estava sentada à bancada da cozinha, terminando de jantar. Olhou para o lado e viu os pratos que Hatsune havia usado. Comera mais que o dobro que a mais velha e em menos tempo. “Para onde, DIABOS, ia tudo aquilo?!”, logo sentiu um desânimo e ao olhar para baixo, percebeu que não havia trocado de roupa. Decidiu, então, deixar para lavar a louça no dia seguinte. Não ia arriscar sujar um dos seus conjuntos favoritos. A blusa branca de alças finas, uma saia rodada preta que ia até os joelhos e um bolero feito de tecido fino, que tinha um lindo caimento.

– Hatsune, eu vou para o quarto e tomarei um banho. Depois você vai.

– Mas eu to com preguiça...!

– Ca-la-da! Você vai e fim. – finalizou levantando-se e colocando os pratos na pia. – Pode procurar uma roupa minha que te caia bem no armário, tá?

– Tá, tá... E toalha?

– Tem uma reserva no banheiro. – falou indo para o quarto, que era uma suíte aconchegante. Não demorou a pegar a toalha e atravessar o pequeno closet que antecedia o banheiro.

O celular de Miku começou a tocar. Procurava, quase que desesperadamente, entre as almofadas, até lembrar que estava em seu bolso.

– Alô?

– Miku? Você não atende a porta por quê? – Uma voz de um rapaz do outro lado.

– Não to em casa. Vou passar a noite na casa da Luka.

– Então, posso encontrar vocês.

– Olha, vai ser complicado, Não vem pra cá, apenas! Depois te explico.

– Mas, Mi – desligara o celular. Se levantou e foi até a varanda. Já estava escuro. Só as luzes da cidade ao fundo e os postes iluminavam a rua. Luka morava no oitavo andar de um apartamento “dois por andar”, silencioso e acolhedor. O vizinho do lado saía sempre à noite. Era pianista de bar, tocava Jazz e Blues. Megurine brincava ao falar que se ele não fosse tão velhinho, ela ficaria com ele. Isso tirava Miku do sério.

Desde o dia do parque, ela e Luka se esbarravam sempre. Sorveteria, estacionamento e até na mesma sessão de cinema. Conversavam sempre e ficaram sabendo, por acaso do destino, que trabalhavam na mesma gravadora...

• • •

Era 12 de fevereiro de 2011...

– Então, é isso, senhorita Hatsune. Bem vinda à seu novo posto de trabalho. Você começa amanhã mesmo!

– Ah, obrigada! Mas... Eu ainda estou na escola. Isso não vai atrapalhar em nada?

– Não, não! Nossa grade de horário é bem flexível...

A conversa corria muito bem. O promotor de Miku passava confiança para a garota. A sala ficava próxima a uma de gravação (tirada inteligente do homem para fiscalizar o trabalho dos seus contratados). Foi aí que uma melodia, mesmo que baixa, tirou a atenção da garota. Era uma mistura de rock com uma Techno. O arranjo do teclado era bem colocado, o baixo tinha um ganho incrível e a voz, bem, a voz agradava ao ponto de prender os sentidos. Ela passava do grave para o agudo com facilidade e leveza. Parecia desenhar um arco-íris, mais colorido do que a própria letra da música.

– Senhorita Hatsune, algum problema? – perguntou o senhor de terno.

– Quem está cantando? – rebateu. Pareceu acordar de um transe profundo.

– É uma veterana. Está conosco há... Dois anos, se a memória não me falha, se chama Megurine Luka.

– Megurine Luka... – repetiu o nome para ter certeza que não ia se esquecer. A conversa continuou por mais alguns minutos. O silêncio havia voltado para a sala. Miku se levantou e virou-se para a porta, mas antes que a sua mão pudesse encostar no trinco, ela se abriu, quase atingindo o seu rosto.

– Licença! AI MEU DEUS! Eu te machuquei? – Luka paralizou ao ver a menina baixinha vestida com os trajes de verão da sua escola.

– Ah, senhorita Megurine! Foi bem oportuna sua entrada. Queria lhe apresentar à Hatsune Miku. Ela vai começar a trabalhar conosco a partir de amanhã e... Vocês se conhecem? – percebeu o jeito que elas se olhavam e parou de falar.

– Mais ou menos... – respondeu Luka com um sorriso gentil. – Eu estou indo almoçar. Quer vir junto?
– Mas é claro! – retrucou o homem se levantando da sua cadeira.

– Senhorita Hatsune... – acrescentou a mulher. A moça de uniforme corou imediatamente. Balançou a cabeça positivamente e saiu da sala. A de cabelos rosados ainda estava parada à porta. – Deixa para um outro dia, Senhor Mizune.

– Oh... Claro, claro... – Sentou-se e viu as meninas irem embora pela janela do escritório.

• • •

– Ei, princesa da lua! Já tá na hora... – Megurine chamou a atenção da menor.

– Já estou indo... Já to indo... – respondeu Miku indo em direção ao banheiro. A mais velha estendeu a toalha no parapeito da varanda e voltou para o quarto. Tinha ficado um dia inteiro acordada. Levantou às cinco da manhã para entregar as novas canções para a gravadora, às sete entrou no estúdio para iniciar as gravações e só saiu meio dia para almoçar e encontrar Hatsune. Jogou-se na cama de colchão, travesseiros e lençóis macios. Era uma cama de casal (apesar de morar sozinha, gostava de espaço). Procurou com uma das mãos o controle da central de ar-condicionado e do sistema de som.

O frio era agradável e o Jazz lento acalmava. Respirou fundo, se espreguiçou e soltou o ar, abrindo um sorriso. Sabia que a menina ia demorar no banho e aproveitou para tirar um cochilo... ...

– Luka-san... Luka-san?

– Hm?

– Luka-san!

– Oi!! – acordou, olhando para o teto.

– Tudo ficou muito grande em mim... Menos isso...

– O que? – sentou-se na cama, olhando para a garota. Corou imediatamente. Miku estava com os cabelos soltos, molhados. Segurando a toalha com uma das mãos. Vestindo uma blusa social branca, de Luka. Os botões de cima estavam abertos até o meio dos seios, as coxas à mostra. A blusa estava à dois palmos acima dos joelhos, as mangas cobriam um pouco as mãos, enfim. Estava fora de qualquer comum da Miku que Luka conhecia.

–Você... Você ainda está com o cabelo molhado! Vem cá, se deixar, você vai resfriar. – a mais nova subiu na cama e se sentou de costas para Luka, que pegou a toalha e se pôs a enxugar os cabelos. De início, com um pouco de rapidez... Mas logo, foi se transformando em um cafuné gostoso e carinhoso.

– Luka-san... Você não tem raiva de mim, né? – a voz da menina estava baixa.

– Que tipo de pergunta é essa, garota? Claro que não... – se esticou até um criado mudo que ficava ao lado da cama e pegou uma escova.

– É que faz, praticamente, um ano que a gente se conhece e ... Eu tenho medo de você estar guardando algum rancor de mim, sei lá. – explicou a mais nova, inclinando a cabeça para trás, sentindo a escova percorrer os cabelos.

–... Só não gosto quando você não come... E quando fica colocando empecilho para ir tomar banho, e quando é chata só para me irritar... Mas por que isso agora? – Miku se virara para Luka, segurou as mas da mesma (que estavam tremendo).

– É que eu não queria que você sentisse algo de ruim sobre mim quando isso acontecesse.

– Acontecesse o que, Hatsune? – aquela situação estava deixando Luka sem jeito e confusa. A menina de cabelos aqua estava se aproximando cada vez mais de seu rosto. – Mi-Miku... Do que você está falando...?!

As testas haviam se encostado, as respirações estavam sendo sentidas por ambas. Os braços de Luka estavam largados, porém, as mãos agarravam os lençóis da cama e a escova, com uma força monstruosa. Estava em transe, ofegante, confusa, tonta.

– Luka-san... Me desculpe... – sussurrou Miku, colocando as mãos na cintura da mulher.

– Desculpe p-pelo o que?... HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAAHHAHAHAHAHAHAHA!!!!! –a menina estava fazendo cócegas na mulher, forçando-a deitar-se. – PÁRA! PÁRA!

– Jamais! Agora você vai sofrer!! – respondeu, continuando as cócegas. A mais velha esperneava, tentando se livrar. Os travesseiros estavam sendo usados como escudos, inúteis. Hatsune sentara na cintura de Luka, com as pernas paralelas ao corpo da mesma, cessando as cócegas. Megurine respirava rápido. Franja bagunçada sobre o rosto, braços pesavam, apenas uma mão conseguiu ser levada até a testa.

– Eu... Odeio você... – falou entre respirações.

– Já recuperou o fôlego, senhorita Megurine? – perguntou a garota olhando para a moça.

– É... Acho que sim... – fechou os olhos e respirou fundo, soltou-o com calma e...

Um gosto doce pôde ser sentido... A mulher abriu um pouco os olhos e pôde ter certeza. Miku a beijara... Em vez de ficar nervosa, aquilo a acalmou. Respirou fundo, mais uma vez, pelo nariz, soltou o ar com calma e retribuiu o beijo. A mão de Luka segurou o rosto da mais nova carinhosamente, afastando-o um pouco, deixando os lábios sobrepostos. Ela estava corada, seus lábios rosados e as batidas do seu coração começando a ficar nervosas.

– Shh... Calma. Tá tudo bem... – falou a mulher, baixinho e em um tom sereno.

– D-desculpa! Eu não queria –

– Eu já disse que tá tudo bem e... Se não queria... Então por que o fez?

– Eu queria... Mas... Não quero que você fique com raiva de mim e – a menina teve as palavras interrompidas por outro beijo, porém, não mais tímido. Era caloroso e envolvente. A mão de Megurine, que estava no rosto, deslizou para a nuca de Miku, fazendo carinho com as unhas. Hatsune deitou o corpo devagar sobre o da mulher. O beijo retribuído ia se intensificando, ficando mais quente, vagarosamente.

Era meio frio, mas não incomodava. Talvez fosse o banho quente e agora, o ar-condicionado. O corpo da menina mais nova era leve, tinha um peso que até confortava. A blusa social parecia nem existir, dava para sentir todas as curvas de Miku. Da nuca, a mão de Luka deslizou até o ombro e de lá, as duas desceram pelas laterais do corpo, até pararem na cintura. Miku se arrepiou com o carinho e, como “retribuição”, mordeu o lábio inferior da mulher, sem força, fazendo-a soltar uma respiração pesada. As mãos na cintura pesaram um pouco. Os dedos de Megurine massageavam, delicadamente, subindo para a lombar, voltando para a cintura. As mãos de Miku seguraram o travesseiro no qual a mulher de cabelos rosados repousava a cabeça. Desviou a mordida do lábio, até o queixo, descendo até encontrar o pescoço. Aonde beijou demoradamente. Uma das pernas de Luka foi levantando, deixando o pé rente à cama e, ao mesmo tempo, empurrando Hatsune um pouco mais para cima, com a ajuda da coxa. Aproveitou para mover as mãos, um pouco pesadas, até as coxas da mais nova. Ao perceber aquilo, Miku deixou escapar um sorriso meio sem jeito.

Com as mãos, conseguiu se erguer, sentando um pouco abaixo da cintura da mulher. Não tinha reparado até então, no que Luka estava vestindo. Era uma camisola de seda preta, fina, detalhada nas alças, decote cavado em “V”, deixando o colo, ombros e pescoço bem à mostra, assim como a curva superior dos seios. Olhando um pouco para trás, viu que as pernas da mulher estavam descobertas. Deduziu que a roupa só ia até os joelhos.

– Está tudo bem, Hatsune?

– Sim... Se eu soubesse o quanto você era bonita... Eu nunca teria deixado o Gakupo encostar em você. – respondeu a menina. Megurine riu sem jeito.

– Bobagem... – retrucou, sentando-se. Deixando Hatsune em suas pernas. – Há quanto tempo você esconde isso de mim, Hatsune?

– Faz... Não sei. Foi algo que simplesmente aconteceu e eu, meio burra que sou, “sufoquei” por medo que você ficasse com ódio de mim.... Até porque, você tinha acabado faz pouco tempo com o Gakupo...

– Entendo... Posso te contar uma coisa?

– Claro!

– Eu comecei a sentir a mesma coisa por você quase que do mesmo jeito. – Miku paralisou. O rosto ficou vermelho, quente e com uma estranha expressão de surpresa. – Eu não te falei nada por medo da sua reação e resposta, você podia achar que eu estaria brincando.

– Sua... Como... SUA COMPLETA IDIOTA! VOCÊ FAZ TUDO ERRADO! E-era pra ter me falado mais cedo! Você me fez esperar e – um dedo foi colocado sobre os lábios da garota. Luka fazia carinho neles com a ponta do indicador.

– Eu estou com você agora.... Não estou? Isso que importa. – finalizou puxando a amada pela nuca, beijando-a. Em resposta, a mesma colocou as mãos na nuca de Luka, segurando, de leve, seus cabelos.

O beijo era retribuído com fervor. Mais uma vez, os dedos de Megurine desciam da nuca até a coxa de Miku. A outra mão acompanhava e de lá, ambas foram subindo pelas lateriais do corpo, por dentro da blusa social branca. Aquilo arrepiou o corpo da garota, que por reflexo, talvez, arranhou a nuca da mulher. Um gemido pôde ser ouvido, mesmo que baixo. A mais velha apertava a cintura de Hatsune, suas mãos iam subindo cada vez mais... Pesadas... Quentes... Até que as pontas dos dedões triscaram nos seios. O beijo parou. Miku deu um pulinho de susto.

– D-desculpe! – Gagejou Megurine.

– Não é isso, boba. – Miku abaixou as mãos da moça, deixando-as repousadas sobre a cintura. Afastou o corpo um pouco, até o rosto de Luka ficar nítido e, um por um, foi abrindo os botões restantes da blusa. Os olhos azuis da mulher iam acompanhando, atentamente, os dedos da garota. Então, o último botão finalmente aberto. Miku levou as mãos até a gola e abaixou o que ainda a cobria, mostrando os ombros... Colo.... Costas.. Seios... Inclinou a cabeça para trás e um pouco para o lado, alongando o pescoço e livrando-o de mechas longas e ainda úmidas dos cabelos.

Luka respirava rápido. Aquela cena era tentadora. “Que, diabos, de sensação era essa?!” ela tinha tudo o que Miku tinha, mas... Por quê?! Por que a pele dela parecia falar, implorar, “venha... Venha Luka... Me prove, me morda e me lamba... Pois sou sua... Completamente sua...”. Para a surpresa da mulher, não era coisa da sua cabeça... Miku estava olhando para ela com o canto dos olhos. Aquele olhar hipnotizante de cor esverdeada. Os lábios meio abertos, úmidos e rosados... Aquele jeito estava sucumbindo Megurine, que tirou o resto da blusa de Hatsune, deixando seus braços livres. O perfume que ela usava era suave e agradável. Luka aproximou o rosto do pescoço da menina, sentindo aquela fragrância que tanto combinava com ela. As mãos a puxaram para mais perto. Teve o corpo envolvido por um abraço carinhoso e quente. Os lábios da mais velha beijaram o pescoço de Hatsune, que arranhava os lençóis da cama. O beijo foi ficando intenso, leves mordidas iam sendo dadas. Pescoço, ombros e até perto da orelha, indo e vindo com calma.

As mãos de Miku começaram a se mover. Tocavam as coxas de Megurine, que estavam quentes. A camisola ia sendo levantada, revelando a pele meio pálida da mais velha. Aquilo forçou Luka a parar de beijar o pescoço de Hatsune e, sem oferecer resistência, deixou que sua roupa fosse retirada. Grandes e volumosas mechas rosa caíram sobre os seios, os cobrindo. Os corpos estavam quentes, parecia que o ar-condicionado já não existia. Houve um momento de simples trocas de olhares. Miku empurrou Luka pelos ombros a fazendo deitar. Deslizou as mãos até os pulsos, prendendo a mulher na cama. Com as coxas, a menina de cabelos aqua apertava o corpo da mulher, que soltava gemidos baixinhos. Avançou sobre o corpo dela, chegando perto do pescoço, o mordendo com força. A mulher gemeu meio alto, virando o rosto para o lado, ao mesmo tempo em que levantou o corpo da cama, por breves segundos, por impulso, voltando a deitá-lo. Hatsune riu brevemente. A respiração de Luka estava acelerada, assim como as batidas de seu coração. Aos poucos, os corpos foram se encostando novamente. A mais nova voltara a morder o pescoço de Megurine. Soltou os seus pulsos e foi deslizando as mãos pelos braços. Uma mordida forte fora dada em seu pescoço, fazendo com que ela arranhasse as costas de Miku até a lombar. A menina parecia não “se importar”, apesar das suas respirações pesadas. As mordidas iam descendo até o colo.

– Tá tudo bem, Luka-san?

– ... Não.

– Por quê?

– Isso tá errado.

– E como seria o certo? – Luka apenas sorriu. As mãos foram para a cintura de Miku, segurando-a com firmeza.

– Eu sou grande, você é pequena. Eu sou mais forte, você mais fraca... Eu to certa... – Megurine empurrou a menina para o lado, a deitando na cama. – E você errada!

– Então... Você ainda não me respondeu.

– O certo aqui, é VOCÊ gemer. – retrucou a mais velha mordendo a garota no pescoço, fazendo-a soltar um gemido alto, cravando as unhas nas costas de Luka.

Os corpos, mais uma vez, se encostaram. Ambos quentes e com as respirações rápidas, porém, compassadas, quase sendo uma. A mordida havia parado. Megurine agora estava lambendo o pescoço, de pele perfumada, de Miku. Entre beijos e lambidas, os lábios da mulher iam descendo. Percorrendo todo o pescoço... Passando pelo colo... Parecia seguir o rítimo da música que estava tocando. Oh! Espere... Que musica?! Os sentidos de Hatsune não mais estavam ligando para o Jazz que estava reverberando pelo quarto. Os movimentos de Megurine eram certeiros, precisos, certamente seguiam algo.

Os beijos continuaram até chegar ao meio dos seios, cobertos com finos fios esverdeados dos cabelos de Miku. Luka conseguia sentir o forte pulsar do coração da garota apenas com os lábios. Ameaçou erguer o corpo, mas as mãos da pequena, que agora estavam em seus ombros, pararam-na.

– Não... Não mandei você parar... – sussurrou a menina.

– Mas....

– “Mas” nada... – estava corada. Afastou a mecha que cobria o seio com uma das mãos. Luka estremeceu. Continuou beijando o corpo de Miku, passando a língua até então, chegar a seu seio, beijando-o com quase o mesmo fervor que beijava seus lábios. A menina gemia. Seu corpo se contorcia na cama, as pernas estavam inquietas, as mãos apertavam os ombros de Megurine, cravando as unhas. Da cintura, deslizando pesadamente, uma das mãos de Luka foi até a coxa de Miku a arranhando.

– Lu-Luka-san... Você passou demais. – falou Miku entre rápidas respirações. A mais velha levantou o rosto devagar, até encarar a menina. Foi de encontro, com os seus lábios, aos dela, deixando-os sobrepostos.

– Para onde tenho que ir? – sussurrou para a garota.

– Mais... Mais para cima... – respondeu. A mão de Luka voltou para a cintura da menina. – Não tão em cima, idiota.

– Nossa... Não seja tão bruta... – rebateu, descendo a mão.

– Mais... – Luka obedeceu ao comando. Desceu a mão até que a palma ficou por cima da calcinha. Miku mordeu o próprio lábio inferior e se encolheu. Megurine sorriu, colocou os dedos por dentro, segurando a calcinha pela lateral.

– Miku... Você

– Eu quero. E sim, tenho certeza. Nunca me apaixonei por alguém como agora... E eu quero me entregar pela primeira vez para alguém que eu realmente ame... Ou seja, você... Megurine Luka.

O corpo da mulher pesou. Havia uma verdade profunda nos olhos da mais nova, uma verdade pura e cheia de certezas. Luka se apoiou com as mãos na cama, paralelas ao rosto de Miku. Uma de suas coxas fora colocada entre as pernas da menina, fazendo uma pressão ao ser puxada para cima. Hatsune puxou o ar com força, fechou os olhos e suspirou alto.

– Tem coisas das quais não se pode parar... E eu não sei se vou conseguir, Hatsune.

– Eu não quero parar... Não com você... Você não me quer? É isso?....

–...Haha... Boa piada... Faz um bom tempo, que você é a única que eu desejo... Primeira e espero que única. – Megurine levantou o corpo, ficando apoiada pelos joelhos. Se afastou um pouco de Miku. Suas mãos percorriam as laterais do corpo da menina até chegar nass laterais da calcinha. Os dedos as seguraram com leveza e logo, estavam a retirando, devagar e maliciosamente. Hatsune colocou as mãos sobre a boca, impedindo que seus suspiros fossem ouvidos. A de cabelos rosa arranhava as pernas da garota enquanto retirava a única peça de roupa que a cobria, fazendo-a apertar os olhos e respirar ainda mais ofegante. Megurine levantara os pés da garota delicadamente, livrando-a.

– Miku... Tire as mãos da boca... – falou subindo o corpo e o deixando por cima do da menina, sem encostar. Miku tirou as mãos de cima da boca, deixando a respiração fluir. Delicadamente os dedos de Megurine tocaram o lábio inferior da garota. Estavam úmidos e macios, tentadores, pedindo para serem beijados. Sem muito esforço, a mais nova mordera a ponta do dedo de Luka... Segurou entre dentes, na ausência de força, por alguns breves segundos, com aquele sorriso, quase que diabólico moldado em rosa. A mais velha sorriu de volta. Moveu a mão até conseguir livrar o dedo dos dentes. Entretanto, a língua de Hatsune fora mais rápida, conseguindo lambe-lo antes que deixasse sua boca por completo.

Os olhares estavam profundos, os rostos cada vez mais próximos, levando a um beijo calmo e envolvente. A mão, da qual acariciava seus lábios, agora percorriam vagarosamente o corpo de Hatsune pelas laterais, apertando sua cintura, arranhando sua coxa, passando pela parte interna até a virilha, parando por ali. Durante o beijo, desta vez sem pausas, a mais nova respirava pesado pelo nariz. Seus braços envolviam o pescoço da mulher de cabelos rosa, seu corpo se contorcia de maneira que parecia seguir cada toque que lhe era dado. “Eu não quero parar... Não com você”. Essas palavras percorriam a cabeça de Luka. Nunca imaginou que ouviria algo que ELA queria falar primeiro. Os dedos de Miku estavam entrelaçados em fios de um magenta claro. Os lábios estavam esquentando, o beijo não cessava. Era mais que certo o que elas queriam... Nunca haviam se entregado à alguém dessa maneira.

Após puxar o ar com força pelo nariz, prendê-lo por algum tempo, Megurine levou a mão que repousava sobre a virilha de Miku, até o meio, a tocando. A mais nova se livrou do beijo por um momento, soltou um gemido alto e cravou as unhas no pescoço da mulher, puxando seu corpo para mais perto. Aquele som excitara Luka, de tal maneira, que a deixou com a boca cheia de água. Devagar e suavemente, a mão e os dedos iam massageando a menina, que respirava compassado com os toques. Os gemidos eram calmos e controlados, mas sempre deixavam clara a sensação de prazer que transbordava dela. As unhas aliviaram. Megurine se viu livre para morder o pescoço da amada e o fez. Uma mordida cheia, sem dor, lotada de malicia, acompanhada de lambidas pesadas. A mão ia acelerando devagar, sem perder o rítimo que fazia com que a mais nova “perdesse o fôlego”.

– Luka-san...

– Sim...? – perguntou, parando por completo para prestar atenção.

– ... Primeiro, não pare do nada... — Luka riu um pouco e obedeceu. – Segundo... Eu quero que você me faça sua...

Hatsune levou uma das mãos até a de Luka, segurando-a de leve. Não a impedindo de fazer qualquer movimento, entretanto, os dedos da mais velha eram tocados.

– Não acha que estamos um pouco rá-

– Shhhh... Eu sinto meu corpo ferver por dentro, implorando por você... Esperei demais... Me calei demais. Eu quero ter um motivo para respirar... Eu... Quero te sentir suar, quero te sentir e quero que você me sinta... – O rosto da garota estava vermelho, os olhos verdes olhavam profundamente para Luka. Estava em êxtase, enfeitiçada por tudo aquilo, mas ao mesmo tempo lúcida. A mais velha mordeu o lábio inferior da menina, dando-lhe um beijo profundo em seguida. A mão de Hatsune deixara a de Luka, que com cuidado, separara dois dedos de sua mão, ainda a massageando. O beijo parou por um momento. Miku respirava rápido, os pés estavam apoiados, rentes à cama, ao seu lado, com o corpo meio deitado sobre o seu, Megurine, se apoiando com o braço acima de sua cabeça, deixando os lábios pousados sobre os dela. Estava incrivelmente excitada e molhada. Colocara as mãos nas costas da mulher, pressionando um pouco. Sem mais avisos, Luka puxou o ar com força, fechou os próprios olhos e colocou, com um pouco de força, os dedos que havia separado, dentro de Miku...

A mais nova soltou um gemido alto e gostoso de se ouvir. Suas unhas arranhavam as costas de Megurine, que respondeu com outro gemido, empurrando os dedos para mais fundo.

– Hatsune... S-se eu estiver machucando você-

– N-não... I-isso... Foi muito bom... Não me trate com formalidades... – ia falando enquanto a arranhava-a – Por quanto tempo mais você vai continuar “ na linha”, Luka?

Era um tom de desdém completamente safado.

– Você não sabe com quem está mexendo, garota... – respondeu, lambendo os próprios lábios.

– Então me apresente! Seria uma honra conhecer tal, Ahn!! – Luka mordera o pescoço da garota. Seus dedos se moviam no interior de Miku, para cima e para baixo, assim como a palma de sua mão, que a esfregava.

“Que gostoso... Não pare! Não se atreva a parar!”, era o que passava pela cabeça da menina. Não importava o que Luka fizesse com ela... Ela só não queria que ela parasse. Aquela sensação era boa... A fazia ferver por dentro e se molhar cada vez mais. Do pescoço, as mordidas foram até um dos seios, que fora lambido... Beijado e chupado com força. Fazendo os gemidos aumentarem. Megurine sentira os cabelos da nuca serem puxados. Ambas estavam culminando em prazer. A mão da mais velha ia acelerando, seus dedos iam mais fundo, sua língua e lábios brincavam com o seio da garota. Podia sentir o suor começar a escorrer pela coxa.

Miku estava arrepiada por completo. Seus olhos, vez por outra, fitavam o teto, sem foco. Entre gemidos o nome de Luka era falado. Seu corpo se erguia da cama por reflexo, os pés se esfregavam pesadamente nos lençóis os puxando e bagunçando.

– M-mais rápido... Mais rápido, Luka... Mais rápido e forte. – falava a menina, inclinando a cabeça para trás. Como uma escrava, completamente submissa às ordens de seu mestre, Megurine atendera. O braço que estava apoiando seu corpo na cama deslizara até ficar embaixo da nuca de Miku. Seus joelhos, agora tocavam a cama, aumentando seu equilíbrio, sua mão acelerava, a força aumentava, estava fundo, quente, apertado. O corpo de Hatsune estava febril e suado, seus seios roçavam nos de Luka por causa dos movimentos que seu corpo fazia. A mão livre da mais velha apertava o ombro da menina, que segurava seu corpo pelas costas, as arranhando fortemente. O rosto de Megurine estava apoiado no colo de Hatsune. Nunca imaginou que os gemidos de uma garota a excitariam ao ponto de fazê-la se molhar, deixando suas coxas meladas. De repente, Miku apertou o corpo de Luka e fechou as pernas, impedindo os movimentos.

– Luka... Eu... Não sei por quanto tempo mais eu vou... Conseguir agüentar... – falava quase que sussurrando, próximo ao ouvido da mulher.

– E quem disse que eu quero que você se agüente? – não podia se ver, mas sabia-se que ela sorrira. Seu corpo descolara do da amada. Um rápido beijo fora dado, os dedos iam sendo retirados devagar, a mão agora segurava uma de suas coxas, a esquerda, a abaixando. Os lábios beijavam o colo, iam pelos seios... Barriga... Perto da virilha, até que seu rosto ficasse entre as pernas de Miku. As mãos de Luka agora seguravam as coxas de Hatsune. Uma estava deitada, a outra, ainda levantada, sustentada pelo pé. Era afastada, fazendo com que a abertura das pernas da menina ficasse maior.

– Viu... Mocinha...

– Hmmm... Por que está me olhando assim?

– Eu quero ouvir você gemer alto... Quero que me excite cada vez mais com seus gemidos.

– Hahaha... E eu pensando que você era... “Diferente” – sabia-se que o sentido que Miku queria dar aquilo era de ironia. Tocara o rosto da mulher com as pontas dos dedos. – Pode vir...

Sem hesitar, Luka lambera a menina. O gemido foi alto, a mais nova arranhara a própria barriga. A mais velha cravara as unhas nas coxas que segurava. Sua língua brincava com o clitóris de Miku. Dava para perceber o quão excitada estava. As lambidas eram fortes, assim como os gemidos. Da barriga, agora as unhas quase rasgavam os lençóis, as mãos de Luka massageavam as coxas da menina, pesadamente. Era intenso e ritmado... Não havia pausa entre movimentos, os pensamentos já não existiam. O corpo de Hatsune se desencontrava da cama, descolando as costas. Os dedos da mão direita de Megurine escorregavam pela coxa, até a virilha, passara agora a fazer o trabalho da língua. Penetraram em Miku com força, a fazendo gemer em seqüência. Megurine ergueu o corpo sem parar o movimento da mão. Direcionou a boca agora para o pescoço da menina, lambendo-o, beijando e mordendo. Os braços da mais nova envolveram, mais uma vez, o corpo da mulher. As unhas estavam amoladas, um arranhão forte foi dado nas costas. Pôde-se ouvir um gemido rouco. Ia subindo pelas costas até chegar na nuca, puxando os cabelos e arranhando sua pele.

Era intenso e forte. O suor escorria dentre os seios de Luka e pelo pescoço de Miku, da qual o corpo acompanhava os movimentos da mão da mais velha. O prazer de ambas aumentava cada vez mais. Foi então que os gemidos de Hatsune ficaram mais altos. Seu corpo se arrepiou, as pernas enrijeceram, o rosto virou para o de Megurine, que foi puxada para um beijo profundo e ardente. Tudo estava em frenesi quando se sentiu algo quente vindo rapidamente de Miku, molhando completamente a mão da mais velha. As costas se descolaram da cama, apoiadas pelos pés. Os dedos foram retirados com cuidado, deixando um rastro pela coxa direita... As pernas se fecharam, porém, não impediam aquilo que escorria da garota. Os lábios se afastaram. Miku ofegava.

– O que..... O que eu...

– Shhh.... – Luka encostou os lábios, sorrindo. – Não fale... Você está tremendo. Tente respirar com mais calma.

A menina abraçou a mulher e se encolheu.

– Está assustada?

– A... Aham...

– Mas foi ruim?

– Ã... A-na... – respondeu, relaxando o corpo na cama. Luka deitou ao seu lado, com um dos braços por debaixo da sua nuca. Miku a abraçou. Estava tremendo. Seu corpo suado encontrava abrigo na pele de Megurine, que esticando um dos braços, conseguiu alcançar o cobertor. Com um movimento rápido, jogou o pesado e aconchegante edredom sobre o corpo de ambas. Aos poucos, o corpo da garota se acalmou. O ar frio do quarto agora parecia fazer efeito, era um choque térmico no corpo quente.

Com uma das mãos, Megurine fazia cafuné em Miku, que a fitava com um “olhar pidão”.

– ... Hmmmm... O que você quer com esses olhinhos verdes? – indagou em tom de brincadeira.

– Hm! – inclinou o rosto para cima. A mais velha sorriu e a beijou. Um beijo calmo e terno... Molhado e macio. O cafuné, agora, virara um carinho delicado na nuca, percorrendo suas costas, indo e vindo com as unhas, deixando a menina arrepiada.

–....Hm?... – o beijo havia parado vagarosamente. Luka abrira os olhos. Hatsune havia “apagado”. A exaustão, doce do momento, tomou conta do seu frágil corpo. Controlando os risos, a mulher aconchegou a pequena em seus braços, fechou os olhos e deixou o embalo do sono a levar, com um sorriso bobo nos lábios.

Estava amando aquela “pirralha”... E agora, apaixonando-se, dia após dia... Cada vez mais.

• • •

Raios de sol entravam pela janela de vidro grosso do quarto de Luka, atingindo o rosto de Miku, a acorando. Os olhos se abriram, fitando o céu de poucas nuvens. Estava deitada de bruços, com as mãos próximas ao rosto. O limpou com as mãos e se apoiou com os cotovelos na cama, olhando para os lados. Megurine não estava mais lá, mas seu perfume doce ainda estava impregnado nos lençóis e até em sua pele. Seu corpo ainda estava despido. Os panos eram macios e aconchegantes. Virou-se e se sentou, segurando os cobertores contra os seios, os cobrindo. Os pés tocaram o chão ainda frio. No criado mudo, ao lado da cama, tinha um bilhete de Luka.

“Não pude esperar. Tive que sair para entregar as músicas. Fiz um almoço para você, esquente no microondas por três minutos (MAS SÓ TRÊS MINUTOS!!).

Ah! Você fica linda dormindo... Quase perdi a hora só te olhando...

P.S.: Eu te amo... Hoje tenho a plena certeza disso... Eu te amo como nunca amei ninguém.”

Sentiu o rosto esquentar. Jogou o corpo para trás deitando-se, com um sorriso bobo nos lábios. Abraçara o lençol sentindo o cheiro da amada. “Boba, chata... besta... A O ALMOÇO!”. Levantou-se rapidamente, procurando as roupas. Vestindo-se. Arrumou o cabelo com a escova, foi ao banheiro e lembrou que dentro da bolsa que tinha sido lhe devolvida havia uma escova de dente.

Enfim, arrumada, assim como a casa. No relógio da parede da sala, marcavam 10:40, ainda faltava duas horas para Luka chegar. Os pratos de ontem estavam limpos e guardados. Na bancada o almoço de Miku, coberto em um obento. Seguiu as instruções de Luka e logo se pôs a comer. Bolinhos de arroz, empanado de carne com molho, legumes ao vapor, batatinhas cozidas com orégano e requeijão. A comida de Luka era sempre bem feita e gostosa. Hatsune não gostava de admitir, só para irritar a mulher.

Enquanto comia, percebeu na bancada, uma trufa de chocolate embalada com um papel vermelho. Pensou em não comer... Podia ser de Megurine. Mas suas vontades foram maiores e aquele doce parecia mais apetitoso que o almoço. Cruzou os hachis em cima da caixinha, agradeceu em silêncio e puxou a trufa. Não era grande, mas dava para comer em uma mordida só. E foi isso que Hatsune fez. Mastigando prazerosamente o chocolate, mordeu algo que quase lhe trincou os dentes.

– ARGH! LOUCA! Que tipo de pessoa compra algo desse... – Retirou o que incomodava da boca, com os dedos. Em seu indicador um anel dourado com um pequeno brilhante. O rosto veio a esquentar e corar. Por curiosidade, o colocou em seu dedo anelar. Coube perfeitamente, o que fez sua vergonha aumentar. Abaixou a mão, tocando na embalagem... Nela... Mais um bilhete... “Quer ser minha menina?”

–... Sim.... Só sua... Para sempre...

Notas finais
Particularmente eu não sou acostumada a escrever romances... E achei essa, uma história bem audaciosa para estrear por aqui (HAHA!! Eu tento...). Sou tipo de escritora antiga... Faço tudo à mão no caderninho com meu lápis B6 e depois digito (Sim! Dá um trabalhão!) enfim! Sem mais delongas...

Essa história faz parte de uma coletânea de pequenas histórias que estou desenvolvendo! Espero ter gás para continuar... Entretanto, essa foi a única que, creio que se for alongada, perde a graça... No mais. Acho o casal lindo (Oh, deuses! Talvez o mais bonito que eu pude ver em questão de vocaloid haters gonna hate-ornot) é isso.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!