Not so different, After all
74 Where Do We Go?
Notas iniciais
Pov Anna
Há algo de mágico na maneira como tudo acontece.
A luz fica cada vez mais dourada por debaixo da porta e de repente tudo se torna escuro novamente.
Apenas silêncio e a nossa respiração sincronizada. Já é dia, porém aqui continua escuro por conta das cortinas fechadas pelo corredor. A ordem é abrirem assim que eu sair do quarto.
Eu deveria ter mudado essa ordem.
–Você acha que o que quer que estava atrás da porta, já foi? — Kristoff se dirige a mim no exato momento em que a luz volta.
Aquela luz dourada me era familiar.
–Eu acho que sei quem... — não consigo terminar a frase, a porta abre-se rapidamente porém de modo silencioso.
Há algo parado na porta, algo escuro e enorme.
E na frente dele, há o carinha redondo mais fofo do mundo inteiro.
Um alívio toma conta de mim, apesar da coisa grande e escura ainda me observar da porta.
–Sandman? — estou maravilhada.
–E não só ele. — Fada sorri saindo de detrás da coisa, apertada e empurrando até passar pela porta do nosso quarto.
–Fada?! — levanto-me da cama, correndo e sorrindo, ela também corre e sorri enquanto seus braços vem de encontro a mim.
Rio abraçando-a.
–Que saudade, Anna! — ela diz ainda abraçada a mim.
–Oi também. — Kristoff logo senta-se na beirada da cama. — isso está bem estranho.
Dou uma risada, soltando-me de Fada, que apenas sorriu, observando-o.
–Essa é a Fada. Fada do dente. — apresento-a e ele ergue as duas sobrancelhas, surpreso. — Sim, ela existe, eu já te contei que tive de ir ao castelo dela e tudo mais, lembra? Pois é, estou tão animada! Não, pera... Se você está aqui, algo aconteceu... Ai céus!
–Calma, calma, Anna, você está falando rápido demais, de novo. — Kristoff levanta-se e abraça-me. Eu estou surtando, mesmo que abraçada pelos braços de quem realmente amo. Amor verdadeiro existe, afinal. — você não precisa se preocupar, está tudo bem.
Sandman apenas observa, ele é tão fofo, já disse isso? Eu sei que já, mas não me canso. E estou meio assustada para continuar falando da fofura dele, apesar de ser inevitável tal assunto.
–Na verdade... — Fada fala, mas sua voz sai ecoada, quem quer que esteja atrás da coisa negra, diz exatamente a mesma coisa.
–Olá. — A pessoa apresenta-se. Logo escuto um clique e passos.
De trás da coisa negra, sai um garoto. Garoto entre aspas, porque provavelmente deve ter a idade da Elsa, por ai. Quer dizer, Elsa não fica mais velha que 21 anos, mas deu para entender o que eu quis dizer.
–Er... Oi. — digo, assustada. — quem é você? Fada, o que está acontecendo?
Ela me lança apenas um olhar compreensivo e dá de ombros levemente.
–Meu nome é Hiccup, acho que nunca ouviu falar de mim. Sou um velho amigo de Jack Frost.
–Certo... — prolongo a palavra, digerindo a informação. Jack Frost tem algo a ver com isso, e se tem Jack Frost, tem Elsa e se tem os dois juntos, tem confusão.
–Eu não queria assustar você. — Fada começa.
–Na verdade eu fui o culpado por tudo. — ele admite.
Kristoff fica ao meu lado, curioso com o que há na porta.
–O que é essa coisa? — ele aponta, fazendo Hiccup virar-se em direção a coisa e sorrir.
–Bem... Esse é o Banguela, meu dragão. — o tal Banguela, ao escutar seu nome ser pronunciado, aparece das sombras mostrando todo o seu esplendor negro, tão bonito porém me matando de medo por dentro. Mas ele se mostra dócil, pelo menos com o seu dono, e lambe-o no rosto.
–Droga, Banguela, você sabe que isso não sai fácil. — ele reclama tirando a baba de dragão da face.
–Dragão? — olho-o, para me certificar. — o que céus minha irmã anda aprontando?
–Não é ela, pelo que Hiccup nos contou. É o Pitch. — Fada explica.
Engulo em seco, uma onda de raiva e medo toma conta de mim.
–Pitch?
–Parece que aterrorizar as crianças não é mais o que ele quer agora. Ele quer algo maior. Muito maior. — O jeito com que Hiccup fala isso faz-me arrepiar ainda mais. — algo poderoso.
–E o que é algo poderoso no ponto de vista dele? — Kristoff pergunta, preocupado.
–A Elsa. — Hiccup responde e todo o meu ser quer gritar, apesar de haver silêncio absoluto agora.
Não, não mesmo. Não quero reencontrá-lo.
Digamos que eu não gostei nem um pouco dele. Nem um pouco mesmo.
Ele quer minha irmã, outra vez? Mas o que é que há, hein? Esse cara não consegue sumir e ficar sumido não?
–Eu tenho que ir até minha irmã. Me levem até ela. Por favor. — peço, olhando alternadamente entre Fada, Sandman, Hiccup e até mesmo o dragão.
Há silêncio, mais uma vez, quando Hiccup abre a boca para falar algo, alguém aparece.
–Para onde? Quero viajar também! — Olaf aparece na porta, com seus bracinhos de madeira balançando no ar, seus dois dentes da frente formam seu sorriso.
Porém seu sorriso se transforma em surpresa ao ver aquela grande criatura no meio do meu quarto. Kristoff também ainda não tinha acostumado-se a ela. Não o culpo.
–Olaf! — chamo-o quando ele aproxima-se curioso do dragão.
Meus medos em relação a essa aproximação são plausíveis.
–Ele não vai fazer nada, não é amigão? — Hiccup pergunta, talvez um pouco apreensivo.
Mas nem foi preciso temer. Momentos depois Olaf estava dando "abraços quentinhos" no dragão, que estava sentado e tentava afastá-lo, mas não de uma maneira agressiva.
"-Bom garoto, bom garoto." Olaf repetia enquanto dava tapinhas durante o abraço.
Olho de volta para Fada.
–Mas, minha irmã, digo, ela está bem, certo?
Todos me olham, prendendo a respiração.
O que quer que estivesse acontecendo, não era algo bom.
–Enquanto ela estiver com Jack, Pitch não conseguirá se aproximar. Você conhece o Jack, pelo que ele me falou. — ele começa a falar de uma maneira rápida. — Na verdade você foi a única pessoa que passou pela minha cabeça quando pensei no mapa.
–Mapa?
–Eu explicarei tudo a você, quando estivermos indo em direção à Berk.
–Vocês. Kristoff e Olaf também vão. E talvez o Sven.
–Quem é Sven? — ele pergunta, franzindo o cenho.
–Minha rena. Ela vai, com certeza. — Kristoff entra no meio da conversa. — não posso deixá-la sozinha aqui.
–Não acho que seja uma boa ideia...
–Hiccup, é melhor você deixar ele levar Sven, você não faz ideia do amor dele por essa rena. — advirto, rindo no final, porque era a mais pura verdade.
–Está tudo bem, Hiccup. — Fada interfere — O portal é grande o suficiente, ninguém ficará com vozes trocadas ou... Bem... Partes do corpo, outra vez. — Fada diz e eu fico pensativa. Como assim isso pode acontecer? Eu definitivamente não gostaria de ter chifres de rena e asas de Fada em Berk.
Ou sei lá o que.
Não mesmo.
E como assim isso já aconteceu?
Enfim, eu faria qualquer coisa pela minha irmã, mas se pudesse evitar patas de dragão...
–Eu preciso ver minha irmã. — digo olhando para o chão.
–É seguro, certo? — Kristoff indaga quase que na mesma hora.
–Sim, claro. — Hiccup diz olhando para Kristoff, confiante. — Os outros guardiões nos encontrarão em Berk.
–Eu preciso ver minha irmã. — digo novamente, dessa vez um pouco mais alto, porém ainda olhando para o chão.
–Isso é um sim? Você vem com a gente? — Fada pergunta, ansiosa.
Eu respiro fundo. Teria de colocar algumas coisas em ordem antes de partir, claro, ser rainha não é assim tão fácil, entendo Elsa agora. Também teria de arrumar algumas roupas, pegar algumas coisas, manter Olaf e Sven seguros de dragões, e Ah, Céus, dragões. Eu teria muito trabalho. Também não sei o que me espera lá, como é, quem vou encontrar. Teria de encarar aqueles olhos profundamente egoístas e malévolos, de um tom dourado aterrorizador, outra vez. Medo, se eu quiser ajudar minha irmã, é com isso que terei de lidar.
Não penso em mais nada. Tudo que preciso é coragem. Coragem insana. E isso eu tenho de sobra.
Então com um sorriso amplo, levantando minha cabeça e olhando para cada um naquele quarto, até mesmo o dragão, eu profiro minhas próximas palavras, que podem tanto salvar-nos quanto matar-nos:
–E então, o que estão esperando? Vamos lá dar alguns chutes no traseiro de um certo pesadelo de criancinhas.
~•~
Fale com o autor