Not so different, After all
64 Mists Of Feelings
Notas iniciais
Pov. Astrid
Algum tempo atrás
Senti as pontas dos meus dedos virarem aço, pesados como a minha cabeça naquele momento.
Logo depois o peso passa, e levanto minha cabeça, olhando ao meu redor.
Estou ajoelhada no chão de pedras da caverna.
Novamente.
Deve ser o último poder que ele disse que me daria, já que terminei meu treino com os dragões.
Qual poder seria esse?
–Boa tarde. — escuto sua voz irônica ecoando por todas as paredes da caverna, mas não o vejo, como quase sempre.
–Que poder é esse?
–Exatamente o que precisamos para juntarmos todos em Berk, e completarmos nosso plano.
–Mas... — minha cabeça gira um pouco e fico tonta, apoio minhas mãos na bancada de uma das mesas de pedra.
–Como ativá-lo? Fácil. — ele sorri e se aproxima, segurando meu queixo com força e me estudando, para soltá-lo depois. — Pense em algo que você odeie, e enquanto estiver pensando, faço um movimento com a mão, assim — ordena, mostrando o movimento, era a mão aberta de frente pro rosto na horizontal, não a palma, e então o observo rodar a mão para a esquerda e tocar com dois dedos na testa no final do pensamento.
Concentro minhas forças e penso em como eu vim parar aqui sem memória.
Eu odeio não saber de nada, e eu odeio o Pitch mandando em mim.
Ao meu redor uma neblina se forma, grande, em massa, começa aos poucos e depois torna-se praticamente impossível ver alguma coisa.
E então ela cessa.
Vejo Pitch protegido com uma aura perto de sua cabeça, mais um de seus poderes, que ele conseguiu compartilhando uma tal de energia vital, que ele diz estar no contrato.
Não faço a mínima ideia do que seja, mas deve ser importante para ele, apesar de me deixar fraca as vezes, mas isso logo é concertado quando ele transmite energia vital dele para mim, mas sua energia é negra, e disso eu sei bem.
–O que foi isso? — pergunto incrédula.
Ele retira a aura com um sinal na mão, um fechamento da mão passando no rosto em direção ao coração.
–Esse é seu novo poder de estimação, o mais forte. — ele dedilha os dedos em uma outra mesa, me encarando. — e parece que você já sabe usar o da raiva.
–Como assim? Já estou cansada de você falando em códigos, diga logo como funciona! — falo alto e ele Poe uma mão na frente do rosto, fechando os olhos e lançando um feitiço para que eu pare de falar naquele momento.
Paro, e depois me acalmo.
Abrindo minha mão e fechando-a em direção ao meu coração, quebrando seu feitiço.
–Me escute e você entenderá — diz ele. — se você pensar em algo que te dê raiva e fizer esse sinal, uma neblina de raiva inundará aonde você quiser que inunde, fazendo todos de qualquer lugar que você queira, ficarem com tanta raiva que destruirão uns aos outros se você quiser. O mesmo serve para os outros sentimentos, se é que você possui mais algum, já que só serve para sentimentos vividos. Você só viveu a raiva, a franqueza, a vingança, a loucura e o medo.
–Então, se eu quiser lançar algo como bondade, eu não conseguiria? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.
–Claro que não, só se você viver a bondade, você quer viver a bondade? — ele penetra seus olhos nos meus, me inundando com um dourado maluco, que machuca, numa pergunta completamente retórica.
–Não, senhor.
–Muito bem. — me encara e aproxima-se, fazendo-me dar um passo para trás. — o plano é o seguinte, você lançará a neblina da loucura nas pessoas certas, e do medo em outras pessoas, elas só serão atingidas se entrarem dentro da neblina, não as deixe entrar na neblina, não as do medo, faça com que eles saiam correndo direto para o único lugar aonde todos os caminhos darão, graças a minha neblina, que engana, e só mostrará os caminhos que dão em Berk. Você entendeu?
–Sim, senhor. Mas... Só usarei para isso?
–Claro que não, garota tola! — ele altera a voz e depois volta ao seu normal. — na hora que você tiver de usar alguma outra, você saberá.
–Então eu devo começar logo.
–Sim, quanto antes fizermos elas virarem para o nosso lado, melhor, tente treinar um pouco de persuasão na sua neblina. Você deve viver isso muito comigo.
–Sim, senhor.
–Agora vá — lançou-me um de seus sorrisos, que me dão arrepios constantes toda vez, e uma vontade imensa de sair correndo, talvez essa seja minha vivência no medo. — leve-os direto para onde eu os quero. Mas antes, saiba que você terá que conquistar a amizade deles, darei a você metade da sua memória, não posso dar-lhe toda, não tenho a energia vital necessária ainda, mas com sua ajuda, logo, logo terei.
Abro um enorme sorriso, ele toca minha testa com dois dedos e então tudo é escuridão.
Mas eu já estou acostumada à isso.
~•~
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