Not Just A Girl.
20 Count Me In.
Davina acordou com um susto. Estava deitada em sua cama, e mesmo não sabendo como chegou ali, sabia que aquela fora a primeira vez que isso aconteceu de uma forma comum e totalmente compreensível: A exaustão a nocauteou de surpresa.
O sol timidamente erguia-se no céu, e seus raios fracos do começo da manhã tocavam o rosto de Davina como se pedissem permissão para, aos poucos, envolve-la num abraço quente e confortável. Checou o relógio e faltava pouco para as seis, mal havia começado o dia, mas ela já se sentia esgotada.
A conversa com Freya, o telefonema de Rebekah e a possível escapada com Kol foram meramente frutos da imaginação de Davina, e por conta deles, um vazio monstruoso, poderoso e rápido como uma sombra, se alastrou no interior da menina. Mas ainda assim, ela o viu. Eles se esbarraram no café e ela não podia negar isso. Ela tinha sentimentos fortes, e ninguém poderia tirar isso dela.
Como um sonífero poderoso, ou um discurso desinteressante e mal falado, os pensamentos incessantes de Davina foram cansando sua mente, e seus olhos que lutavam para acompanhar o nascer do sol se fecharam lenta e gradativamente, absorvendo-a para o único mundo onde as coisas não estavam dando completamente errado.
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Era perto da hora do almoço quando Davina finalmente saiu do quarto. Desceu as escadas quase correndo e rumou para a cozinha, para ajudar Freya com a quase impossível tarefa de preparar uma boa refeição.
— Isso vai dar trabalho. – Freya comentou séria.
— Eu sei. Mas passei minha vida toda treinando para esse momento. — Davina respondeu com firmeza.
— Uma vez que começa você não pode desistir. –
— Estamos juntas nessa, wildcat. – Freya riu e entregou a Davina uma grande e perigosamente afiada faca.
— Cada pedacinho tem que estar perfeito! – Ela exclamou próxima a Davina.
— Sabe, a sua pressão é o que me faz acordar todas as manhãs tão esperançosa. – Davina ironizou, voltando sua atenção para o grande pedaço de carne que esperava por seus cortes. – Por um momento eu me pergunto se essa vaca teve uma vida feliz. –
De repente, o pacífico momento na cozinha é interrompido pela campainha.
— Me contaram que ela andou passando por momentos difíceis, vai por mim, assim foi melhor para ela. – Freya concluiu e Davina riu, limpando a mão em um pano de prato que pendia debaixo da bancada onde ela estava apoiada.
— Deixa comigo. – Ela prendeu o pano de volta em seu suporte e caminhou até a porta.
Ao abri-la, no entanto, Davina desejou que a campainha nunca tivesse tocado.
— Eu sinto muitíssimo em lhe informar que nós não temos comida o suficiente, então você vai ter que procurar em outra casa. – Davina disse com o semblante claramente irritado, e empurrou a porta para fecha-la, mas a mesma foi travada com uma rapidez sobre-humana.
Klaus.
— Eu adoraria retomar nossa... Troca de gentilezas, mas devo pedir para que deixemos para outro momento. – Klaus e Elijah Mikaelson esperavam do outro lado da porta, com suas posturas estáticas e seus semblantes perfeitos. Entretanto, Davina pode notar uma leve ansiedade em ambos. – Vou direto ao assunto para tornar essa agradável visita o mais curta possível: Precisamos da sua ajuda. –
Davina não pode deixar de arregalar os olhos. Ela definitivamente não tinha intensão nenhuma em ajudar Klaus. Poderia ser uma proposta com fins totalmente caridosos, e alegada ser para boas causas, mas ainda assim Davina não ajudaria. Infelizmente, sua curiosidade tomou controle momentaneamente e Davina se afastou para permitir a entrada dos dois em sua casa.
Klaus não demorou, e com passadas largas e pesadas rumou para a sala de Davina, acenando para Freya no caminho. Mesmo extremamente confusa, ela não soltou um pio. Parecia que apenas por estar no ambiente, Klaus tinha a capacidade de tirar a fala de qualquer um. Elijah permaneceu do lado de fora, com as mesmas feições de sempre. Parecia até uma mascara, sempre paciente, sempre calmo.
— Você está esperando um convite forma- Davina se interrompeu abruptamente, rindo por dentro. – Claro. Foi mal. Por favor, entre. – O canto dos lábios de Elijah se curvou sutilmente e ele adentrou a casa. “Aquele deve ser o maior sorriso que Elijah consegue dar!” Davina pensou.
Já acomodados no sofá, os Mikaelson se entreolhavam, sem dar nenhum resquício do assunto a ser tratado. Davina estava em pé, encostada em um móvel que encarava o sofá, controlando-se para não começar a andar de um lado para o outro.
— Considerando que somos nós que viemos atrás de ajuda, acredito que você não tem motivos para tanta aflição. Por que não se senta Davina? – Elijah perguntou, cordialmente.
Davina sentiu um impulso quase incontrolável. Era como se a voz de Elijah fosse um instrumento de lavagem cerebral, mas ainda assim Davina permaneceu em pé. Lançou um olhar incisivo a Klaus, como se exigisse que ele falasse logo seja lá o que tinha para falar para que pudesse sair da casa, o que ocasionaria no retorno da paz que ali estava antes. Entendendo o recado, Klaus começou.
— Pois bem, já que estamos todos confortáveis, vou direto ao ponto. Como você já deve ter sido informada existe uma série de ocasiões incomuns ocorrendo ultimamente, e meus irmãos e eu procuramos por um fim em tais eventos. – O conteúdo das palavras de Klaus foi o necessário para Davina por toda sua implicância de lado e realmente prestar atenção. – Mas para que possamos pelo menos começar a agir, eu preciso de um objeto específico, que convenientemente, foi roubado de mim há bastante tempo. –
— E você quer que eu o recupere? – Davina questionou incrédula. O que antes parecia uma missão importante agora parecia um favor.
— Nós precisamos que você o recupere. – Elijah se intrometeu, agitando-se. – Vê, Davina, mesmo com um numero incontável de inimigos de todos os tipos, meu irmão e eu possuímos aliados muito poderosos. Entretanto, o objeto de nosso desejo é ridiculamente seletivo e exige uma forma de poder especial –
—Para pega-lo? – Davina interrompeu inquieta.
— Para localiza-lo. – Ele concluiu, soltando o ar lentamente.
— Não que pega-lo seja tão mais simples. – Klaus acrescentou. – Mas considerando que ele descansa nas mãos sujas de pessoas do seu tipo a situação se amoleça. –
— Ótima tática para conseguir ajuda Klaus. De verdade, você vai longe. – Davina estava pronta para começar a discutir, mas Elijah interviu.
— Davina nós não temos muito tempo, — Com um movimento ligeiro, Elijah estava de pé e segurava as mãos de Davina, em suplica. – e você é a única que pode nos ajudar. –
Davina não precisou pensar muito. Na verdade, não queria pensar, pois se pensasse, teria dito não. Após encarar Elijah reflexiva, ela decidiu que não tinha nada melhor para fazer, e aquilo poderia mantê-la distraída inclusive.
— Ok. Eu ajudo. – Klaus balançou a cabeça de forma positiva e Elijah relaxou os ombros pela primeira vez desde que tinha chegado.
Klaus se levantou e parou em frente à Davina, apoiando um de seus braços no ombro de Elijah.
— O que vai acontecer é o seguinte: as 14:00 em ponto você deve estar na casa do Marcel. Lá você fará o feitiço localizador que, se você realmente for boa como dizem ser, não vai demorar muito, e assim que tivermos o local exato do objeto-
— Espera. – Davina o cortou. – Você planeja me contar o que é o objeto ou é só eu, quando chegar ao destino, pegar tudo que ver pela frente e você escolhe o que vai querer depois? –
Klaus inspirou impaciente, mas conseguiu manter a calma.
— Se trata de um cálice de cristal negro, cuja superfície parece que foi trançada com os fios do cristal. –
— Então você pretende dar um jantar grandioso e quer sua melhor prataria? Justo. – Davina provocou, e viu que, pelo menos por uma fração de segundo, Klaus quase se descontrolou. Um ponto para ela.
— Há uma poção, uma poção que nos ajudará a acabar com o autor desse massacre de vampiros, bruxas, lobisomens e quaisquer outra figura envolvida. Sua eficácia é imutável, e terá, no culpado, o efeito de um veneno tortuoso e letal. Mas ela pode ser feita apenas nesse cálice em especial, e é por isso que precisamos dele. – Elijah explicou calmamente. Davina apenas fez que sim com a cabeça.
— Depois de localizado, você será escoltada até o cálice por Marcel e três outros vampiros. – Klaus continuou. – Não vou negar, é uma viagem de risco, mas que fique bem claro que no primeiro sinal de que as coisas não sairão bem mandarei meus vampiros voltarem imediatamente. Sua conta em risco. –
Davina bufou com desdém. Claro que a pouca assistência oferecida seria incerta.
— Não nos leve a mal, Davina, mas nossa quantidade fica menor e menor a cada dia. Existem outras ameaças além dessa, pequenas, mas reais. Não podemos arriscar muito. – Elijah tinha certo tom de afeição na voz, que definitivamente não passou despercebido por Davina.
— Não podemos arriscar nada, na verdade, então esteja convicta de que espero êxito e nada, além disso. –
Por pouco Davina não mudou de ideia, mas sabia que aquilo também afetaria em Marcel, Josh e muitos outros inocentes, então apenas revirou os olhos.
Com tudo combinado e selado, Klaus e Elijah deixaram a casa de Davina, que logo foi abordada por uma Freya transbordando curiosidade.
De inicio, ela não foi nada a favor de Davina ir, mas viu que não importava o que dissesse, Davina ia de qualquer jeito.
Agora, tudo que Freya poderia e ia fazer era esperar. Esperar que desse certo. Esperar que Davina voltasse bem. Esperar que Davina voltasse viva.
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