Not Enough

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Inspirações da madrugada. I'm not even sorry u_u

Alguns dias são piores que outros. Mais duros. Mais longos. Mais cansativos. Mais exigentes. Mais cruéis.

E não resta em você um pingo de força, porque hoje foi um desses dias de cão.

Homicídio atrás de homicídio, todos se acumulando numa pilha que crescia há semanas. Alguns, em especial, chamavam mais a atenção. Brilhavam como em neon, indicavam que alguma coisa estava muito errada. Imploravam para que a conexão entre eles fosse feita.

Sequestro. Tortura física. Vestígios claros de sadismo. Estupro. Tortura psicológica. Tudo numa sequência amaldiçoada, destinada talvez a subjugar e depreciar e preencher um ego maníaco, louco, psicopata.

E todas as vítimas foram crianças.

Você encarava as fotos de todas elas, no quadro à sua frente, na tela do computador, nos arquivos que lia e relia em busca de pistas e evidências. Encarava seus sorrisos, os olhos brilhando ante a imagem da câmera, e não podia deixar de se lembrar de como as encontrara.

Qualquer resquício de vida há muito brutalmente apagado.

Você e todos os outros se desgastaram, abdicaram de cada grama de força de vontade que possuíam para achar e prender o bastardo filho da puta.

Para no final das contas o maldito advogado de defesa apelar para um teste psicológico que indicou o réu “mentalmente incapacitado” e sugeriu que “sua pena fosse cumprida numa instituição especializada”.

Você não sabe com quem ficou mais irada na hora: com o advogado por ter se usado desse recurso, com o promotor por não ter um contra-argumento que invalidasse o teste, com o juiz por ter acatado a decisão psiquiátrica ou com o maldito assassino, que passaria o resto dos seus dias trancado numa sala branca e acolchoada, preso a uma camisa de força e completamente sedado.

Você queria que ele acabasse na prisão. Se pudesse escolher pessoalmente, o colocaria na segurança máxima junto com tantos outros assassinos impiedosos que acabariam dando um jeito na “carne nova” assim que soubessem pelo que fora condenado. Qualquer um que machucasse crianças, pelas próprias leis impostas pelos detentos sobre si mesmos, já correria risco de vida assim que pusesse o pé na instituição. Um pedófilo, especialmente como esse, sofreria ao ponto de implorar pela morte – exatamente como suas vítimas provavelmente fizeram. Não sem antes virar ‘mulherzinha’ de todo e qualquer preso que estivesse por ali.

E você queria que ele sofresse. Você alimentou esperanças de que tudo isso fosse acontecer quando ele fosse pego e condenado. Nas madrugadas, quando suas pálpebras pesavam – apesar dos litros de café que você tomara – e um cochilo na escrivaninha parecia a perspectiva mais feliz do universo, você se lembrava disso e se forçava a continuar. A ficar mais um pouco, tentar mais um pouco.

Quando ouviu a notícia de que o acordo fora selado no tribunal, você teve uma vontade impulsiva de ir lá e matar o maníaco você mesma. De bater a cabeça dele na parede até que o crânio se quebrasse e ele desmaiasse de dor. De quebrar suas costelas, uma por uma, com suas próprias mãos.

E você sabe que não pode fazer isso, que não é certo, que seria quase se rebaixar ao nível daqueles que você é paga para identificar e prender. Mas nenhum desses pensamentos impediu a fúria de consumir por inteiro cada partícula do seu corpo.

Cavanaugh mandou todos vocês irem para casa e descansarem. Você sabia, porém, que no estado em que se encontrava isso seria impossível, de modo que desceu até a parcamente equipada academia do BPD, trocou as roupas de trabalho pelas que sempre guardava no armário e calçou as luvas de boxe, se dirigindo então ao saco de pancadas mais próximo.

O tempo que passou lá pode ter sido ínfimo, podem ter sido horas. Você não sabe ao certo, nem parou para calcular. Você só precisava urgentemente socar alguma coisa, gastar essa energia subversiva que se acumulara do nada. Socos, ganchos, murros, todos desferidos numa sequência automática tão rápida que só seria acompanhada por alguém que estivesse prestando muita atenção. O suor escorria, suas pernas começaram a reclamar pelo esforço excessivo e as juntas dos dedos doíam, mas você continuava. Alguma hora, todos os seus músculos queimavam e gritavam de dor, mas você os ignorou. Esse era o propósito, afinal de contas, certo? Ignorar, esquecer, se forçar a sentir qualquer outra coisa, mesmo que fosse dor.

Você se lembra de ter caído no chão, um pouco depois. Quando seus braços se tornaram muito pesados para serem levantados, e sua respiração mal saía, entrecortada, como se não houvesse oxigênio suficiente. O chão gelado contrasta fortemente com o calor que emana por cada um dos seus poros, e finalmente o cansaço parece se abater sobre você, que, teimosa, ainda passa mais um tempo estatelada no chão, antes de levantar e se arrastar para o carro, dirigindo no automático o caminho para casa.

Seu telefone vibra, perdido em algum dos bolsos das roupas jogadas no banco de trás. O sinal vermelho te obriga a parar, tempo mais do que suficiente para se virar e pegar o aparelho, mas você não o faz.

A única luz deixada acesa no apartamento brilha solitária e mórbida. Tudo está uma bagunça, desde a sala – onde ainda jazem as garrafas de cerveja e a caixa de pizza de três noites atrás – até o quarto, no qual você não pisa há tanto tempo que mal pode lembrar se arrumou os lençóis da cama ou não.

Você não pensou – não conscientemente, ao menos – em abrir o armário mais distante da entrada da cozinha e pegar a garrafa de vodka, mas você o fez. O plano era chegar em casa, entrar debaixo do chuveiro quente, e então, finalmente, cair na cama. Você teria, tecnicamente, um dia e meio para repor o sono perdido, porque foi praticamente obrigada a tirar um dia de folga e descansar. Mas, ao invés disso, você acaba jogada no sofá, sabe-deus-quanto-tempo-depois, o corpo cansado demais para levantar e seguir o planejamento de mais cedo, e ao mesmo tempo, a mente agitada demais para dormir.

Você não lembra exatamente como a garrafa de vodka acaba parando na mesa de centro, já mais da metade vazia, mas ela está lá mesmo assim. Você sabe que, de manhã – ou mais tarde – vai estar com uma ressaca dos infernos, mas sua mão parece ter vida própria e se move para pegar a garrafa, mesmo você sabendo que não a mandou fazer isso. Talvez seu corpo saiba – mais do que sua mente racional, provavelmente – do que você precisa essa noite: oblívio. Esquecimento. Pura e simplesmente apagar da memória essas últimas horas – dias, semanas?

E isso, agora, só o álcool pode proporcionar. E que se dane a ressaca de mais tarde, agora você só precisa esquecer.

O vidro é gélido nas suas mãos enquanto você leva o gargalo à boca. O cheiro destilado invade suas narinas, enquanto o gosto toma conta da sua boca pelas frações de segundo antes de o líquido descer, quente, amargo, queimando a garganta enquanto você esvazia ainda mais a garrafa.

E você está se perdendo, encarando o nada, se absorvendo e extraviando dentro da sua própria cabeça. O fluxo e refluxo de pensamentos é muito rápido, muito frequente, esmagador e opressivo, mas de algum modo, entre um gole e outro, você consegue parar de se importar. Você devia estar descansando, mas ainda está à procura de uma maneira de desligar seu cérebro, fazê-lo simplesmente parar de pensar.

O maldito poderia ser equipado com um botão ou algo do tipo.

O tempo que passou é indefinido. Você ainda se sente como no meio de uma cerração, e tudo no seu campo de vista parece se mesclar numa mistura obscura e nebulosa. A escuridão parece tomar conta do lugar, como se estivesse à espreita, apenas esperando o momento certo. Você demora para perceber que, na verdade, a lâmpada queimou, e mesmo quando o faz não esboça nenhuma reação.

Você não tem a mínima ideia de por que sente como se estivesse se afogando em sua própria inutilidade.

Você nunca pensou que realmente fosse suficiente, mas, algumas vezes, quando chegava em casa de um dia particularmente produtivo, você se permitia achar que talvez, apenas talvez, você estivesse fazendo a diferença, por menor que ela fosse. Você gostava de pensar que, do seu próprio jeito às vezes pequeno e quase insignificante se comparado ao quadro completo, estava tornando o mundo um pouquinho melhor.

É isso que te faz levantar da cama todo dia e encarar a escória de Boston. É isso que te faz tentar e se dar ao máximo para resolver cada homicídio, prender cada assassino, dar às famílias das vítimas um mínimo de paz e alento.

Você devia ter sabido que não era o suficiente. Você devia ter percebido que nunca seria o suficiente.

Porque você não é suficiente.

E, agora, consegue ver claramente o quão estúpida foi por ter pensado o contrário.

O caleidoscópio de pensamentos influenciados pela bebida continua, indefinido, porque você não sente a mínima vontade de pôr um fim nisso. Há dias assim. Há dias em que tudo parece ser exponencialmente pior, dias em que suas defesas parecem estar mais fracas. Dias em que você não consegue suportar coisas que seriam besteiras se tivessem acontecido em qualquer outro momento.

Não é sua culpa esse ser um desses dias. Não é sua culpa o álcool ter estado lá tão fácil, tão ao alcance da mão. Você, de qualquer jeito, não é forte o suficiente para aguentar todo esse peso. Você não é boa o suficiente para ter ao menos uma desculpa, para ao menos poder atenuar toda a merda de que é feita a sua vida.

Alguma hora, a garrafa cai da sua mão. Escorrega por entre os seus dedos, que já não conseguem fazer o esforço necessário para mantê-la segura, e acaba tombando no sofá, derramando o resto do líquido, emanando ainda mais o cheiro forte de álcool. Mas você não consegue achar em si energia para se importar. Sua cabeça parece seguir o exemplo, e desmorona para trás, parando quando encontra o apoio das costas do sofá. Seu pescoço está arqueado numa posição estranha, que provavelmente vai causar um torcicolo mais tarde, mas e daí? O álcool finalmente está fazendo efeito e você decide aproveitar o momento, desligando-se ainda mais do mundo e se permitindo fechar os olhos. As batidas rítmicas do seu coração vão desacelerando cada vez mais, embalando você para um estado letárgico. Sua respiração cadenciada consegue abafar os sons esporádicos de mais uma madrugada em Boston – não que você tenha certeza da hora, mas parece já ser muito tarde.

O limbo deveria ser mais calmo do que é na verdade. O sono de qualquer pessoa saudável não devia ser perturbado como o seu é, mas você já se acostumou com isso há muito. Você está naquele meio-termo, naquele minuto precioso em que a consciência vai lentamente se esvaindo, para então o sono estender suas garras e te embalar. É nesse minuto que você pensa ter escutado um barulho, seco, rápido, discreto.

E então você não ouve mais nada.

#

Você está se movendo.

Parece um sonho ou algo do gênero, porque você sabe que não tem forças para se mover. E essa percepção consciente é o que te faz perceber que, na verdade, você não está dormindo. Seu primeiro impulso, obviamente, é abrir os olhos, se afastar reflexivamente do barulho. Mas, se fosse alguém que planejasse algo ruim para com você, provavelmente já teria feito, e não teria ficado parado na sua frente. Além disso, há algo estranhamente confortante nesse barulho. Ou seria o cheiro que começou a descer sobre você? Algo doce, como baunilha e... Alguma coisa especial. Alguma coisa que te deixa confortável e segura, o suficiente para não se mexer. Até que você sente um toque na sua bochecha, que desce pelo pescoço, erguendo-o devagar. E então você está sendo inclinada, colocada numa posição horizontal no sofá, e quando você abre os olhos – o mais lentamente possível, mas ainda parece ser rápido demais -, tudo é enevoado à sua frente. Pela pálida luz da lua filtrada pela janela, você consegue distinguir o vulto à sua frente, porém.

Seus olhos se encontram em meio à escuridão. Não importa o que esteja acontecendo, seus olhares sempre dão um jeito de se cruzar. Sua cabeça já começa a mostrar os sinais claros do consumo excessivo de álcool, e você tem certeza que o gongo que você ouve só está ecoando dentro dela. Suas costas estão apoiadas no braço do sofá, sua cabeça segura pela mão na sua nuca. Você não entende o porquê dessa posição inclinada, até sentir o frio gélido nos seus lábios ressecos, que se abrem quase automaticamente. A água está na temperatura certa, e então você entende por que parecia que tinha acabado de voltar de férias no Saara. A água do copo vai sendo despejada lentamente na sua boca, te dando tempo mais do que suficiente para engolir sem engasgar.

E então o copo é afastado e você pensa em dizer algo e reclamar, mas a sensação logo é substituída por um contato ainda melhor. Você sente os dedos macios tocarem seus lábios, afastando-os, e, quando você os abre, sente os comprimidos serem depositados na sua boca. Logo os dedos se afastam e o copo volta aos seus lábios, e automaticamente você dá um gole maior e engole audivelmente. Mais alguns segundos se passam – provavelmente o tempo de colocar o copo na mesa de centro -, até que você sente um leve puxão no seu cabelo. De novo e de novo, até que o elástico que prendia o rabo-de-cavalo é solto, e você sente dedos correndo pelas mechas para desembaraçá-las. Lenta, deliberada e suavemente, quase como um cafuné.

Você está quebrada. Danificada. Você se fecha, se priva de contato, usa de sarcasmo para construir muros à sua volta, para se proteger e se isolar, porque você não pode deixar as pessoas verem quem você é de verdade. Você tem que protegê-las. Mas você a deixa entrar, mesmo assim. Ou, melhor, ela encontrou uma maneira para isso, sozinha, porque ela é realmente boa nisso. Ela destrói seus muros como se eles fossem de papel. E você rapidamente se torna viciada nela, porque ela te faz se sentir como se você valesse a pena. Porque ela se preocupa e ela não vai embora mesmo quando você diz para ela ir, e ela sabe o que é melhor para você. Você tem a exata certeza que ela te conhece melhor do que você mesma.

Ela está perto, impossivelmente perto. Você quer gritar, dizer a ela para te deixar sozinha, mas você está tão conectada a ela que você não consegue encontrar forças para isso. E quando os olhos dela pairam nos seus, você pode jurar que ela pode ver dentro de sua alma. E você fica com medo, mais do que você já teve em toda sua vida, porque se ela vir o que realmente está dentro de você, ela vai ficar assustada – não, horrorizada — e ela vai te deixar. E você vai ficar sozinha, no escuro, porque ela é sua luz. Ela é seu sol e suas estrelas e seu tudo. Seu tudo e seu nada, sua maldição e sua salvação. Você precisa dela mais que qualquer coisa, e você ficaria assustada se necessitasse tanto de outra pessoa. Mas é ela, e você confia nela com tudo o que você tem, com tudo o que você é: essas peças quebradas que costumam ser parte de um ser humano.

Ela é muito boa para alguém como você. Você sempre soube disso. E você tentou não ficar acostumada a ela, porque, algum dia, ela vai perceber que cometeu um erro. Ela vai notar que você só tem fingido ser uma boa pessoa, tentando ao máximo esconder seus demônios. Há muitos deles e eles são, sim, poderosos. Você luta e luta e luta, mas sabe que não pode vencê-los. Mas aqui, agora, quando ela está em seu lado, passando a mão por seu cabelo enquanto sussurra palavras doces em seu ouvido, você se atreve a acreditar que você é suficiente. Você se atreve a acreditar que é boa o suficiente para merecer a presença dela em sua vida.

E essa sensação é o paraíso. Ou o mais próximo dele que você pode chegar.

Sua cabeça é completamente recostada no travesseiro, e o movimento dos dedos diminui cada vez mais, até parar completamente e eles se afastarem. Você sente um cobertor ser colocado delicadamente sobre o seu corpo, chegando até a linha dos ombros, porque claro que ela sabe que você não gosta de cobrir a cabeça. Você está sonolenta, sua cabeça lateja e você ainda se sente uma merda, e não quer – de jeito nenhum – perder esse resquício de contato que te torna mais humana, que te deixa melhor.

Mas você também não se sente confortável pedindo que ela continue. Você não se sente confortável nem digna de pedir que ela – que já teve o trabalho de atravessar a cidade para checar que você não estava morta – abdique de mais tempo para ficar com você só mais um pouco.

Você sabe que não merece. Você sabe que não tem direito de pedir, e você sabe que ela nem devia estar aqui, para começo de história.

Você escuta a porta se abrir e tenta se controlar para não se virar, mas a vontade de o fazer é forte demais. E então seus olhos estão abertos e de novo presos aos dela, que parou na soleira da porta para olhar em sua direção mais uma vez antes de sair, para ter certeza de que você está bem e segura, para confirmar que os comprimidos para dor de cabeça e o copo de água estão ao alcance da mão para quando você acordar mais tarde desejando atirar em si mesma por causa da ressaca.

Você tenta fazer o pedido apenas com esse olhar. Você tenta transmitir sua vontade desse jeito, porque é o único meio que você conhece, porque você pode dizer a si mesma, quando ela sair, que ela não prestou atenção o suficiente, ou que você não tentou o suficiente para que ela notasse.

Mas é claro que ela nota.

A porta é fechada tão silenciosamente quanto foi aberta, e as passadas delicadas se aproximam cada vez mais, até que você pode sentir a proximidade sem mesmo precisar manter os olhos abertos. Ela te encara por mais alguns segundos, o você quer mesmo que eu passe a noite aqui? claramente estampado na expressão suave que ela mostra. E você apenas concorda com a cabeça, quase sem mexê-la, enquanto afasta para criar mais espaço no sofá para ela. Seria mais prático se afastar para trás, se pressionar mais contra as costas acolchoadas e esperar que ela se acomodasse na sua frente, mas você não faz isso porque tem medo que ela, se ficar muito próxima da borda, possa cair. Ela te dirige um sorriso antes de graciosamente escorregar para o lugar vazio que você criou, e você se sente um pouco menos culpada por ter pedido para ela deixar a cama king size da própria casa para passar o resto da noite com você num sofá que não é apertado, mas não é tão espaçoso assim.

E você tem certeza que, embalada pelo conforto que ela te dá, o sono não vai demorar muito a chegar. Você também sabe que essa vai ser uma das melhores noites de sono que vai ter em muito tempo. Você finalmente consegue relaxar, porque é isso o que ela sempre faz quando se aproxima. Seu dia foi realmente ruim, e você ainda não acredita que valha essa atenção que ela te dá, mas, enquanto a mão dela passeia lentamente pelo seu cabelo — tão igual mas tão diferente e tão melhor do que há minutos atrás, porque agora você consegue sentir no corpo todo o calor que irradia dela — e você é embalada pelo respirar cadenciado no seu pescoço, você quase consegue se fazer acreditar que, dentre todos os erros, deve ter havido algo certo no seu passado para você ser presenteada com isso. Com ela.

E ela é a causa do seu pequeno sorriso, frações de segundo antes de adormecer.

Notas finais
Feel free to drop me a review ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!