Nostalgia

1 Capítulo I


Notas iniciais
Bom pessoal, espero que gostem!

— Graças a Deus as aulas acabaram, poderei em fim ficar só.

Pensava Gustavo, enquanto estava no pátio de seu colégio. Gustavo era um menino moreno, não era muito alto para sua idade, media 1,67, tinha apenas 14 anos, tinha cabelos encaracolados e pretos como a noite. Seus olhos cor de mel traziam a tristeza de uma vida difícil. Era alguém deprimido, preferia ficar só, invés de ficar com seus amigos. Gostava de atividades individuais, não gostava de manter relações com seus amigos. Ele sempre foi muito só, mas mantinha um currículo escolar muito bom. Guga, como era chamado por seus poucos amigos, estudava arduamente, como não gostava de sair, seu passatempo favorito era escrever, ele adorava escrever poemas e textos pequenos. Sua caligrafia era impecável e todos os professores sempre o elogiavam por seus dotes.

O Ano estava acabando e Guga ficava cada vez mais animado, pois sabia que nas férias, poderia ficar em paz, em sua pequena casa nas montanhas, com sua tia. Faltavam duas semanas para a formatura. Guga está cursando o nono ano do ensino fundamental, passara com notas excelentes. Nas duas semanas que faltavam para acabar o ano seriam entrega de provas e algumas comemorações pelo final do ano letivo.

Guga não se encaixava em muitos esportes, mais era muito bom em atletismo. Corria muito bem, sempre se superava em suas voltas pelo extenso campo de futebol de seu colégio. Ele nunca foi contra as regras de seu colégio, o que criava certa antipatia por seus colegas, mas ele não se importava com isso, só queria seu espaço. Só queria estar sozinho. Sempre se vestia de acordo com o uniforme padrão, a roupa não era de grande luxo, era somente uma camisa de botão, cor madeira, que ele sempre deixava tempo demais na máquina de lavar, e acaba por ser tornar meio fina e sem cor; uma calça de um tecido desconfortável de cor madeira também, essa Guga sempre tinha cuidado, pois era mais cara que a camisa e sua condição financeira não era mais a mesma, desde que passou a estar sob os cuidados de sua tia. O sapato era preto social, com uma meia preta que Guga sempre confundia com sua meia azul marinho. Guga tinha zelo por seu uniforme, pois morava sozinho dentro do colégio na cidade de Vila Morena, tendo que trabalhar, quando não recebe o dinheiro enviado pelos esforços do pai. Sua tia ajudava-lhe algumas vezes, mas mesmo assim, o dinheiro não era lá grande coisa, por isso, optava por ter poucos gastos e sempre sabia no que gastar da forma mais aproveitável possível.

Vila Morena é um lugar calmo para se viver, é bem movimentada e tem uma enorme extensão, além do próprio colégio no padrão militar.

— Vamos, Guga, temos que nos aprontar para a Educação Física!

Era o grito de Mariana, carinhosamente apelidada de Mari por Guga. Mariana era uma garota muito meiga, passava alguns quilos de seu peso normal, mas nada que chamasse muita atenção. Sempre ficava emburrada quando alguém tocava nesse assunto, mas nunca chegou a ponto de se estressar. Mari era uma aluna correta e sempre foi aluna destaque em suas turmas, estudava muito e sempre tirava notas mais que excepcionais. Não era boa em nenhum esporte, portanto sofria de exclusão nessa área, mas era uma menina muito forte e decidida, sempre pensava que no final tudo iria dar certo. Mariana era uma das amigas em quem Guga mais confiava, qualquer problema ele contava com ela, ela sempre sabia o que falar e como alegrar o pobre rapaz. Mari era morena, mais baixa que Guga, ela media 1,60. Por mais que passasse alguns quilos do seu peso, ainda era uma garota muito bonita, era sempre elogiada por seu busto e nunca deixava a desejar sobre seu corpo. Ela não gosta de comentar sobre sua aparência física com ninguém, porque diz “Não sou feita só de corpo, de cérebro também”, por isso nunca se deixou levar por idiotas que tentam ganha-la no colégio.

O uniforme de Mariana era sempre impecável, sua blusa era uma pouco mais justa que a de Guga, por se tratar de um modelo feminino. As meninas não usavam calças, mas sim saias, que não eram tão ruins, pois eram de um decote que não se podia ignorar, algumas até abusavam e compravam saias menores, mas a monitora sempre pegava as infratoras e as levava à diretoria. Mari nunca foi de usar roupas muito abusivas, mas sempre usava uma saia um tanto que apertada, algo que provocava Guga.

— Já vou Mari. Hoje vamos ter que dar voltas no colégio ou poderemos ir direto para a sala de musculação? — Gustavo e Mariana faziam atletismo no horário da Educação Física, e nem sempre o professor os liberava para a sala de musculação.

— Do jeito que o professor é, aposto que vai nos mandar correr em volta do colégio primeiro. — Disse Mari em tom de brincadeira.

O uniforme de educação física não era algo muito elegante, só simples calça e blusa, num padrão esportivo. O dia estava nublado, era como qualquer outro, a aula passou rapidamente e logo Guga e Mari foram liberados para poder seguir para a próxima aula do dia. Era uma sexta feira, a próxima aula seria a aula de Matemática, o professor Francisco cobrava muito de seus alunos, mas sempre arranjava tempo de um pouco de diversão em suas aulas. Guga não dava muito valor às aulas, achava que poderia estudar tudo sozinho, por isso, só as assistia em cargo de saber qual matéria teria que estudar. Sempre que podia, ficava ouvindo musicas em seu hePhone. Ele estava distraído quando subitamente escutou uma voz em tom grave e tirou os fones de ouvido.

— Gustavo, o que pensa que esta fazendo durante a minha aula? Sabe muito bem que eletrônicos não são permitidos dentro do colégio. Infelizmente terei que pedir que me entregue o hePhone e vá direto para a sala da Companhia.

O menino nada pode fazer se não lhe entregar o eletrônico e se retirar da sala, por ser a última aula do dia, arrumou seu material também. Gustavo andou pelos corredores de seu colégio, pensando em como queria que sua vida fosse. Ele nunca imaginou momentos de felicidade ou mesmo momentos de descontração com colegas, às vezes ele sentia falta do tempo em que era feliz, mas isso foi a muitos anos atrás.

Gustavo tinha um andar meio largado, como se estivesse cansado, nunca se importou muito com o andar “politicamente correto”. Carregava a mochila sempre apoiada em apenas um braço e sempre que podia, (des)arrumava a boina vermelha, colocando-a um pouco na vertical. Chegando à sala de companhia, pode observar que seu amigo Rafael já estava sentado esperando sua vez para falar com o coordenador.

— O que você aprontou dessa vez, Rafael? — Disse Gustavo com um tom de voz cansada.

— Você me conhece, só estava brincando com os professores, não foi nada de mais, só algumas tachinhas na cadeiras. — Sei... sei...

Rafael era um típico garoto problema, do trio em que Guga costumava andava, ele era o que menos se esforçava nas aulas. Suas notas eram baixam, sempre por volta da média, porém, seu rendimento físico era muito bom. Ele tinha um cabelo preto liso mais ou menos curto, passa um pouco do padrão. Era um garoto com uma pele levemente bronzeada, tinha 1.72 metros e era consideravelmente forte para a idade, pois adorava malhar. Ele não corria tanto quanto Guga, mas nunca decepcionava em suas competições.

— Mas e você Guga? É raro ver você por aqui, normalmente só vem para receber algum elogio. — Disse o rapaz em tom de zombação.

— Sei que minha reputação está péssima, mas também não precisa ficar jogando na minha cara. Vim pra cá porque o professor de matemática me pegou usando meu hePhone na aula dele. — Rafael se manteve encarando-o surpreso por ter quebrado alguma regra. — Tá olhando o que? Me esquece.

Guga era uma pessoa muito fria, mesmo com seus únicos amigos.

— Calma vei, também não é pra tanto, relaxa um pouco — Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Rafael escutou chamarem seu nome — Vou indo, mas acho que você deveria sair dessa fossa, sou seu amigo, me preocupo com você, acho que deveria arranjar alguém.

Rafael podia ser um encrenqueiro de primeira, mais ainda se importava com seu amigo, a história dos dois é ligeiramente complicada e inusitada. Guga se colocou a refletir sobre como tudo acontecera.