Nossos Meses
1 Prólogo
Notas iniciais
Hermione teve sorte. Ela era uma daquelas poucas pessoas que começavam uma graduação e não se cabia em palavras para expressar o quanto amava o que fazia. Mas também pudera. Há quase dez anos deixara muitas coisas para trás, algumas das quais não imaginava ter novamente.
Se ela quisesse, como naquela tarde de quarta-feira, bastava fechar os olhos por alguns instantes que à sua mente vinha claramente aquela lembrança de anos atrás.
Seus pais, Elisa e Gael Granger, ele e sua irmã gêmea a acompanharam ao aeroporto. Eles já estavam separados há alguns dias e mesmo assim ele fez questão de acompanha-la. Não é à toa que o término tinha sido amigável.
Eles chegaram um tanto quanto em cima da hora. Em voos internacionais é recomendado que o passageiro esteja no aeroporto de 3 a 4 horas antes do voo, para evitar filas ou perca do embarque. Entretanto, eles chegaram faltando um pouco mais de 1 hora. Com duas malas de vinte e três quilos cada e uma mochila como bagagem de mão, Hermione sentia até que estava se mudando para sempre.
Primeiro ela abraçou o pai, logo em seguida a mãe, que durante uma semana fez questão de dizer que viajaria com a filha para se assegurar de que a garota estaria bem, mas no fim achou que a menina devia trilhar os próprios caminhos, depois veio a ruiva que em vários momentos específicos foi sua companheira. E por último, ele...
Hermione pulou em seus braços agarrando-se em seu pescoço, como fazia quando ficavam vários dias sem se verem, jogando a mochila em suas costas no chão. O abraço se quebra, mas ele toma o rosto dela entre suas mãos e a beija, misturando ambas as lágrimas, que a muito já rolavam por seus rostos, tornando o beijo salgado e mais molhado.
Hermione se afasta limpando o rosto inutilmente enquanto ele recolhe sua mochila do chão e entrega a ela. Elisa Granger anuncia que é hora da filha ir, lhe dando um último abraço. A garota sente a garganta doer, mas vai em direção às escadas rolantes que levam ao salão de embarque. No topo das escadas, lutando contra suas próprias forças ela se obriga a olhar para trás e dá um último aceno.
Seu coração lhe dizia que aquela era a última vez que veria Ronald Weasley.
Por isso ela se assustou mais que o normal quando, naquela mesma tarde de quarta-feira, escutou uma voz bastante familiar lhe perguntar se a cadeira vazia em sua mesa estava ocupada.

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