Era o último verão. O nosso último verão. Depois de anos juntos, iríamos nos separar por… Não sei. Meses? Anos? Rato dizia que voltaria nos feriados para visitar sua família e ficar alguns dias, mas não seria a mesma coisa. Não teríamos os longos dias sem fazer nada, observando o vento balançar as folhas das árvores, ou o som dos grilos enquanto observávamos as estrelas, e nem o coaxar dos sapos nos dias de chuva. Tudo seria diferente. Tudo.

Conheci Rato quando ele se mudou para a nossa pequena cidade com seus pais. Obviamente, ele não era conhecido como Rato na época. Wesley dos Santos de Albuquerque ganhou o apelido de rato por seu tamanho pequeno e capacidade de passar por pequenos espaços sem dificuldades. Foi assim que nos conhecemos. Alguns garotos implicavam comigo na escola porque eu estava acima do peso e Rato me defendeu, mesmo sem me conhecer. Acertou um soco no nariz do maior deles e correu, se livrando de uma boa surra ao atravessar um buraco que ninguém mais conseguia.

Nos dias seguintes a isso, começamos a passar o tempo juntos, descobrindo quais desenhos gostávamos, filmes preferidos, músicas que nossos pais ouviam e detestávamos, os filmes que passaram na televisão… E eu adorava filmes! A ideia de como tudo era gravado e depois colocado na tela, com os atores em situações fictícias, mas que pareciam tão… Reais! Eu achava incrível! Tanto que pedi ao meu pai uma filmadora que me permitisse recordar os momentos importantes e ele me comprou! Rato costumava repetir frases que ele gravava nos filmes e isso me fez ter a grande ideia: criar minhas próprias histórias. Todas protagonizadas por Rato! Nos divertíamos tanto naquelas tardes! E agora… Tudo estava prestes a mudar.

— Terra chamando Fredo! Está aí, Fredo? Alfredo? — Rato estava agachado ao meu lado, me estendendo uma lata de refrigerante. Nós dois estávamos no meu quarto bagunçado, como minha mãe gosta de chamar. Mas eu chamava isso de “obra de arte”. Cada canto da minha bagunça era perfeitamente posicionado como deve ser! Tudo estava ali dando asas à minha imaginação e ajudando no processo criativo.

— Ah, valeu — respondi aceitando a lata. Estava sentado no chão, com minha câmera polaroid no colo. Precisei trabalhar todos os dias na oficina do meu pai no verão anterior para convencê-lo a comprar para mim… Para que eu pudesse registrar momentos com Rato. Considerei o meu maior investimento, até… Saber. — É difícil acreditar que está tão perto! Em vinte e quatro horas, você estará em um ônibus para a cidade! Consegue imaginar isso?

— Nem me fale! Minha mãe ainda está pirando com a ideia de eu morar na faculdade — Rato riu, abrindo sua lata e dando um longo gole. Sua mãe sempre tentou ser protetora, mesmo com todas as esquivas do filho. Mas… Queria que ele a ouvisse daquela vez. — São, tipo, horas de distância! Não estou indo para outro continente, não é? Já garanti que vou visitá-la nos feriados e em datas comemorativas.

— E o que você vai cursar mesmo?

— Análise e desenvolvimento de sistemas! Serei um cérebro da área do computador! Será que consigo virar um hacker justiceiro?

— Parece difícil — apoiei a cabeça na minha cama, fitando o pôster de Godzilla que ganhei dele. Sempre foi o seu filme preferido. Ele adorava histórias com monstros gigantes. — Eu… É… Vai ser estranho não ter você aqui.

— Ah, você também vai ficar sentimental agora? Não faz isso, ou eu vou acabar ficando também! — ele me deu um soco leve no braço e sorriu. Vou sentir falta disso. — Também volto no dia do seu aniversário e trago alguns DVDs novos. Provavelmente terá todo o tipo de filme por lá e te apresento os melhores! E você vai continuar com seus filmes caseiros? Posso gravar um ou outro quando visitar! Ou você também pode me visitar quando estiver entediado.

Fiquei em silêncio e concordei com a cabeça. Sentia no fundo da minha alma que não tinha mais inspiração para aquilo. Do que adiantaria se a razão para eles existirem não estaria mais ali?

— Preciso ir. Só passei para lhe dar meus DVDs mesmo — ele se levantou, espreguiçando-se. Precisei lutar contra o impulso de segurar sua mão. — Espero que guarde o meu tesouro como se fosse seu! Ou eu volto para puxar seu pé.

— Eu te acompanho até em casa — decidi, levantando-me. — Vai ser uma das últimas vezes que farei isso, então… Não me custa nada.

Lá fora, o solo ainda estava molhado da chuva do dia anterior. As poças me traziam memórias de quando pulávamos e víamos quem conseguia espalhar mais água. Eu sempre ganhava! Uma vez, escorreguei e acabei caindo. Fiquei sujo de lama da cabeça aos pés e Rato riu até sentir falta de ar. Inicialmente, mal consegui conter a raiva e a vergonha… Mas a risada dele… Me levou a perceber como toda a situação era divertida, e não um problema. Quer dizer, minha mãe achou que fosse, pois brigou comigo durante a noite inteira.

Puxei minha câmera e procurei enquadrar a poça com parte da perna de Rato.

Passamos pela árvore onde costumávamos fazer balanços, os locais onde brincávamos de esconde-esconde, a casa da senhora Silvia, onde nos abrigávamos em seu ar condicionado nos dias de muito calor e brincávamos com seu já falecido gato… Cada lugar para onde eu olhava tinha uma lembrança de nós dois. Seria difícil continuar morando ali sem pensar nele.

— E qual é o seu plano? — perguntou Rato.

— Meu plano? Não tenho nenhum — respondi com sinceridade. Não havia pensado em nada. Esperava que minhas notas fossem suficientes para entrar em uma faculdade com ele, mas não aconteceu. Devia ter me esforçado mais, como Rato fez. — Só ficarei ajudando meu pai na oficina, ou encontro algum emprego por aí. Quem sabe no mercadinho da dona Julieta. Ela está sempre precisando de ajuda.

— Não tem algo que você queira ser no futuro? Você cria histórias legais. Pode tentar fazer um vestibular ano que vem e entrar em uma faculdade de cinema!

— Meus filmes não são bons assim…

— Óbvio que são! E, mesmo se não fossem, você estará lá para aprender justamente isso! Pode melhorar, aprender novas técnicas, conhecer novas pessoas e inspirações! Cara, somos jovens! Temos o mundo a nossa frente!

— O mundo parece… Muita coisa — e eu não o queria. Minha vontade estava em ficar naquela pequena cidade, com as pessoas que eu conhecia, vivendo minha vidinha como sempre vivi! Com ele. — Você vai conquistar muita coisa por lá!

Continuamos andando e paramos no mercadinho de dona Julieta. Seria nossa última vez juntos, por isso queria fazer nossa tradição de verão. Comprei picolés de milho verde para nós dois. Ambos odiávamos aquele sabor, mas sempre acabavam os outros nas épocas mais quentes e precisávamos nos contentar com esse gosto… Peculiar. Ainda pude aproveitar o momento e tirar mais uma foto enquanto ele brigava com o pacote do picolé para abri-lo.

O ruim de morar perto da casa de Rato, é que não demorávamos muito para chegar. Chegamos na sua rua em poucos minutos, antes mesmo dos picolés acabarem.

— Será que… Podemos pegar o caminho mais longo? — perguntei.

— Ah… — Rato olhou para sua casa a poucos metros de distância e deu de ombros. — Tudo bem. Quer passar na casa abandonada? Ou no riacho?

— Não vai atrapalhar? — ele negou com a cabeça. — Os dois, então?

Fizemos o caminho de volta, desviando para a estrada de terra depois do mercadinho e deixando nossas pegadas. Precisei registrá-las com minha câmera antes da chance de alguém macular a imagem perfeita. Cada um daqueles momentos eram únicos e valiam a pena serem capturados! Incluindo as costas de Rato enquanto caminhava, olhando distraído para as árvores, usando sua camisa verde com desenho de sapos na frente. Ele adorava sapos! Em um dos aniversários dele, praticamente obriguei minha mãe a fazer uma touca de crochê de sapo que estava em uma de suas revistas. Ele a tinha até hoje.

O riacho era um dos lugares preferidos dos jovens que queriam fugir dos seus pais em dias comuns. Quando a temperatura estava mais amena ou os dias chuvosos, eles eram espantados como se um repelente de insetos fosse jogado neles. O lugar era repleto de várias rochas, e algumas maiores eram agradáveis para se sentar e conversar.

Rato se agachou em frente ao riacho, colocando seu dedo dentro da água. O gesto simples o deixou com uma grande careta pela água estar fria. Precisei registrar mais esse momento fofo e descontraído. O lugar era especial para nós dois. Nos refugiávamos por ali muitas vezes quando aprontávamos. Esperávamos por horas na esperança dos adultos esquecerem de suas raivas, mas isso os deixava ainda mais possessos! Rendia bons castigos.

— Eu poderia te derrubar na água nesse exato momento — comentei enquanto me aproximava por trás dele. Seu cabelo estava grande o suficiente para que as pontas da parte traseira enrolassem em pequenos caracóis.

— Quer ser responsável por minha pneumonia e eminente morte? — seu rosto se virou para mim, com um grande e belo sorriso. — Pois você terá que realizar meus sonhos por mim!

— E quais seriam eles? Se tornar um hacker justiceiro?

— Seria bom, não é? O mais próximo de ter superpoderes que essa vida nos permitiria! — Rato se levantou e começou a pular de pedra em pedra, lutando para manter o equilíbrio após cada salto. — Mas… Você me pegou. Meus sonhos… Esse é um dos motivos pelos quais quero sair daqui e ver mais do mundo. Quero… Encontrar meu lugar, entende? As possibilidades aqui são bastante limitadas.

— É como dizia a Bela…

— Eu quero mais que a vida no interior — cantarolou, sorrindo. Sua voz era tão bonita… Ele poderia facilmente se tornar um cantor, se quisesse. Sempre ficava radiante ao fazer isso. — Sim! Eu quero descobrir o que o mundo tem planejado para mim! E, ficando aqui, só deixarei de encontrar isso.

— Encontrar algo que você não sabe o que é… Parece difícil.

— E teria graça se fosse fácil? Precisamos lutar pelo o que acreditamos! — seu último salto o fez aterrissar na minha frente, com seus braços abertos para o alto. Parecia uma ginasta depois de fazer três piruetas. — Qual é o seu sonho? Não quer ir atrás dele? Descobrir qual é?

— Eu não sou corajoso como você — disse, me afastando. Ficar próximo a ele daquela forma era difícil. Principalmente ao lembrar que seria nosso último dia juntos. Eu poderia dizer que meu sonho era tê-lo comigo para sempre? Ele riria e me chamaria para ir com ele? Sabia não ser possível, só se conseguisse entrar na mesma faculdade no ano seguinte. — Um dia… Talvez um dia farei como você. Partirei na minha… Jornada.

Nossa próxima parada foi a piscina do casarão abandonado. Antigamente, uma família rica costumava viajar para a casa nas férias e alguém da cidade era responsável por mantê-la no restante do ano. Porém as coisas mudaram quando partiram às pressas e eles não aparecem mais. Alguns diziam que ela estava à venda, mas ninguém sabia ao certo sobre o mistério relacionado a isso.

Pulamos o muro sem muitas dificuldades, mas eu quase caí quando meus pés tocaram o chão. Era uma sorte que a câmera estivesse pendurada em meu pescoço, ou teria se espatifado no chão.

Se podia encontrar latas de cerveja espalhadas ao redor da piscina e bitucas de cigarro. Quem visitava o lugar de madrugada nunca se mostrou interessado em, ao menos, manter o mínimo de limpeza. Descartavam tudo de qualquer maneira.

Gostávamos de frequentar o lugar para ver o cenário “pós-apocalítico”. As plantas estavam retomando o lugar, crescendo através dos azulejos, e as trepadeiras se prenderam nas paredes como se suas vidas dependessem disso. E, devido as muitas chuvas de verão, o fundo da piscina tinha acumulado água e encontramos alguns girinos. Todos eram indistinguíveis, mas nós demos nomes aleatórios para cada um.

— Vou sentir falta de vocês — Rato colocou as mãos no coração, dramático. Aproveitei a oportunidade para registrar mais um momento — Principalmente você, Prometeu! Seja qual você for… Sempre foi o meu preferido.

— Seu dormitório da faculdade não aceita animais?

— Infelizmente, não. Mas seria um pouco estranho criar um sapo para ser animal de estimação!

— É exatamente algo que você faria!

— Eu sei! Mas dividirei o quarto com alguém que não conheço. Para termos o mínimo de ambiente civilizado, preciso conhecer o terreno primeiro antes de mostrar meus lados…

— Únicos?

— Eu ia dizer “excêntricos”. Combina comigo!

— Acho que “único” combina mais com você. Fala exatamente sobre o que você é!

Ficamos alguns minutos jogando conversa fora, conversando sobre como ele imaginava que seria a faculdade e o curso que faria lá. Para ser sincero, o interesse dele por computadores se mostrou algo novo para mim. De todas as coisas que já havia mostrado paixão, tecnologia nunca fora uma delas. Isso me fazia ter mais certeza de seu desejo de sair da cidade. Afinal, por que alguém estudaria algo que não está entre seus principais interesses? Ele poderia estar fugindo.

Passamos novamente no mercadinho de dona Julieta, mas dessa vez compramos picolés de sabores que de fato queríamos. Peguei um de leite condensado para mim, enquanto ele preferiu o de morango. Fomos caminhando devagar até chegarmos à porta de sua casa em poucos minutos.

— Você vai ir ao ponto de ônibus comigo amanhã?

— Claro — respondi sem hesitar. — Será como naquelas cenas de filmes, onde a pessoa corre atrás do trem acenando.

— Beleza! Vê se não perde a hora, hein! 10 horas da manhã o ônibus vai estar partindo!

— Pode deixar! — bati uma continência exagerada, derrubando o picolé no chão. Nós dois rimos da situação. — E lá se vai meu um real…

— Ninguém mandou ser lerdo desse jeito! Até amanhã!

— Até…

Fiquei alguns minutos parado, mesmo depois dele ter entrado em casa. Existia tantas coisas que eu gostaria de falar, mas não poderia. Como iria tentar impedi-lo de seguir seus objetivos o pedindo para ficar? Não seria justo. Rato precisava seguir o seu caminho e parecia feliz fazendo isso. Como seu melhor amigo, eu só poderia apoiá-lo.

Em casa, minha cabeça estava inquieta. Coloquei música alta para tentar me distrair, mas sem efeito. Muitas coisas estavam se passando por mim e me levando à loucura! Não literalmente! Sou exagerado como qualquer poeta louco do século passado. Mas… Eu precisava dizer, não é? Falar com ele uma última vez sobre tudo o que eu sentia. Afinal, era o nosso último verão.

Peguei todas os DVDs que gravei nas últimos anos e comecei a assisti-los. Era um pouco doloroso rever todos aqueles momentos. Conseguia encontrar todo o tipo de ocasião naquelas filmagens. Rato vestido com roupas exageradas, fingindo ser Napoleão enquanto cantava Waterloo do ABBA, ou ele com um chapéu de caubói fingindo estar em um duelo ao meio-dia, ou tirando seu sapato e pisando dentro do riacho para resgatar um sapo em cima de uma pedra depois de dizer que a água estava congelando, ou seu rosto concentrado enquanto assistíamos ao filme “Alien, o oitavo passageiro”. Todos os seus lados eram perfeitos!

Não poderia fazer um bom recorte com uma linha do tempo, pois os momentos nunca se encaixariam perfeitamente. Por isso fui para a escolha artística de fazer recortes do nosso último verão… Iria servir. Tinha que servir no meio daquela mistura de ansiedade e medo. Depois de sua partida, eu estaria sozinho novamente e não fazia ideia de como seria. E o medo de perdê-lo…

Passei a noite finalizando o trabalho e escrevendo “Nosso Último Verão” como título no DVD que preparei. Esse seria o meu presente para ele: meus sentimentos e agradecimentos por todos os últimos anos.

***

Acordei assustado, sentado na cadeira do meu computador. O sol lá fora entrava pelas frestas das janelas e atingia diretamente meus olhos. Levei um tempo para conseguir despertar de verdade e olhar a hora. MERDA! Faltavam dez minutos para a partida do ônibus!

Peguei o DVD e saí correndo de casa, deixando meus pais observando minha passagem como se fosse um furacão. Subi em minha bicicleta e pedalei com a maior velocidade que eu conseguia. Ignorei a dor que sentia, a vontade de fazer uma pausa e minha respiração ofegante. Não podia deixar aquilo acontecer! Pedalei como nunca havia feito antes na vida!

Avistar o ônibus ainda parado foi um alívio. Rato estava de pé ao seu lado e balançou a cabeça quando me viu se aproximar. Ele não estava com raiva. Ele nunca estava com raiva. Seu sorriso o entregava com facilidade.

— Parece que alguém dormiu mais do que a cama!

— Sim! S… Sinto muito! — tentei dizer. As palavras saíram emboladas e talvez ele não tivesse entendido. Engoli em seco e desci da bicicleta, deixando-a cair no chão sem me importar. — Merda! Eu deveria ter vindo antes!

— Está tudo bem. Não é um problema tão grande assim. Você conseguiu chegar, pelo menos — ele tocou sua mão no topo da minha cabeça. Mesmo ainda sendo mais baixo do que eu, Rato não era mais o garoto miúdo de quando havia chegado anos atrás. — Teria sido um sinal de azar não falar com o meu melhor amigo antes de partir. Só, por favor, não chore! Minha mãe fez isso por todos nós, acredite!

— Pode deixar, não irei! Eu… Estou orgulhoso de você. E feliz por você estar indo realizar os seus sonhos. Admiro muito a sua coragem!

— Garoto, tá na hora de irmos! — anunciou o motorista, fazendo meu coração se apertar.

— Pois está no meu momento de partir! — o sorriso de Rato vacilou por um instante. Eu estiquei minha mão, para nosso cumprimento habitual, mas ele me puxou e me abraçou com força. Precisei lutar contra a vontade de chorar. Não pararia mais se começasse. Retribuí o abraço, com ainda mais intensidade. — Se cuide, hein! E comece a acordar mais cedo.

Rato havia pisado no primeiro degrau do ônibus quando me dei conta do que estava esquecendo.

— Aqui! Isso é para você! — segurei seu braço para impedi-lo de subir e depois coloquei o DVD em sua mão. — Meu… Filme de despedida, para não precisarmos chorar aqui falando mais coisas.

Foi então que o pior aconteceu. Rato sorriu e seus olhos brilharam. Brilharam como sempre acontecia no meio de seus sorrisos genuínos, mostrando a pequena covinha em sua bochecha. Antes que pudesse me controlar, o impulso me fez puxá-lo para um beijo. Ultrapassei todos os limites de nossa amizade quando meus lábios tocaram o dele e não posso dizer que odiei tê-lo feito. A sensação do meu corpo por fazer algo que desejava a tanto tempo era inexplicável. Eu o amava de todas as maneiras possíveis e expressei meus sentimentos mais ocultos naquele beijo.

Quando me afastei, os olhos dele estavam arregalados e me encaravam com confusão. Não havia mais volta depois do primeiro passo ser dado. Por isso, corri para minha bicicleta e pedalei para longe o mais rápido que consegui.

Foi o nosso último verão juntos. Foi a última vez que eu vi o Rato.

Notas finais
Espero que tenham gostado desse capítulo único! (atualmente penso na possibilidade de escrever um romance. Mas só saberemos nos próximos episódios!)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!