O Natal de 1996 definitivamente parecia mais promissor que o ano passado.

Papai esteve entre a vida e a morte protegendo a Profecia de Harry Potter, nunca senti tanto medo de perdê-lo para sempre como naquela noite. Como o Ministério negava a volta de Você-Sabe-Quem, o risco de ficarmos na Toca nos obrigou a passar um Natal apertado no Largo Grimmauld.Assim, tivemos um natal com papai numa cadeira de rodas, mamãe chorando pelos cantos com medo de nos perder e a ausência de Percy tornou o ambiente ainda mais melancólico.

Comparado a esse Natal meio testrálico, neste ano estávamos bem. Jorge e eu estávamos fazendo bastante dinheiro na Gemialidades e compramos um belo chapéu azul com cristais para a mamãe. Ela chorou, mas dessa vez foram lágrimas de felicidade. Papai ganhou uma calculadora trouxa( Hermione sugeriu esse presente excecionalmente perfeito para ele) e trouxemos feijãozinhos de todos os sabores possíveis de se comprar. Percy não viria e isso não abalou mamãe tanto quanto ano passado, mas até mesmo neste ponto esse ano foi melhor, pois Percy apareceu repentinamente acompanhado do Ministro da Magia que parecia se aproveitar da amizade da nossa família com Harry para falar com ele.

Sem mais enrola, tudo parecia melhor, exceto pela falta dela. Rony ficou vermelho e Harry tentou dar uma desculpa, mas eu sabia que até semana passada, Hermione planejava passar o Natal conosco. Na verdade, eu estava ansioso para vê-la depois de todo esse tempo apenas lendo duas cartas.

Ela me contou que seus pais estavam há duas semanas na Austrália, então definitivamente não poderia ter voltado para casa. Também sabia que com a chegada de Lupin, Gui e Fleur para passar o Natal, o quarto de Jorge e meu estaria muito mais apertado do que já costuma ser… Somando isso ao fato de ter que voltar ao trabalho amanhã pela manhã, criei a mentira perfeita, com motivação convincente para não quebrar o coração da mamãe...

***

— Como assim vai dormir na loja, Fred?!

Mamãe estava na sala ouvindo suas canções de Natal preferidas quando eu a informei que não dormiria aquela noite lá. Papai havia compreendido, mas Molly Weasley era diferente.

— Eu sei que véspera de Natal é importante, mãe. Mas eu tenho trabalho a fazer antes de abrir a loja… Além disso, já passou da meia noite, a ceia de Natal oficialmente já terminou.

—Mas querido…- Ela se aproximou e tocou meu rosto com delicadeza. Seus olhos pareciam enxergar outra pessoa à sua frente, não mais aquele garoto que aprontava com o irmão achando um jeito de explodir bolinhos ou azarar alguma tia — Você realmente está crescendo. Se… Se tem algo importante para fazer, pode ir. Mas não esqueça seu presente de Natal… Nem da sua mãe. Não quero ver vocês apenas em feriados. Apareçam para tomar chá, para tirar um cochilo. -Mamãe parecia segurar as lágrimas- Para mim você sempre será meu menino… Mesmo já tendo compromissos de adultos.

Me abaixei e dei um beijo em sua testa.

Combinei com Jorge que não estaria na loja amanhã de manhã e ele me cobriria, em seguida peguei meu presente de Natal e saí sem chamar muita atenção.

Aparatei em Hogsmead.

Combinei de encontrar uma certa bruxa com peculiares talentos metamórficos.

—Fred.

—Tonks.

— Sua carta não me pareceu muito convincente. Pode me explicar novamente porque eu deveria arriscar meu trabalho aurora para furar a complexa segurança de Hogwarts e ajudar um ex-aluno que abandonou a escola a voltar para lá??

— Será que meu charme não é suficiente para fazer você confiar em mim?

Tentei fazer uma pose com sorriso galante e obviamente minha colega de Ordem riu da minha cara.

—Bela tentativa, Weasley, mas isso não basta. O que quer fazer em Hogwarts? Pensei que estivesse satisfeito com a loja e a missão que Dumbledore deu especialmente a vocês. Você está velho demais para fazer uma pegadinha na antiga escola.

—Primeiro que nunca se é velho demais para uma boa pegadinha! — retruquei — Segundo que meus planos são menos bem humorados e mais...Empáticos. Tem alguém no colégio que preciso muito de ver, sinto que ela também precisa de mim. E ela está sozinha! Quem poderia querer passar a noite de Natal sozinha!?

Tonks tinha um sorriso triste e me olhou com ironia. Bem, ela era exatamente o tipo de pessoa que quis passar o Natal sozinha. Talvez por isso saiba que, no fundo, o que alguém alguém nessas circunstância realmente quer é estar com alguém que não a faça desejar a solidão.

—Tonks… Eu sei que tem algo entre você e o Lupin. Sei que é com ele que você queria estar agora, mas alguma coisa aconteceu e vocês estão longe um do outro, mas não precisa ser assim. Você não pode simplesmente aceitar essa circunstância, não se realmente gosta dele.

—É isso que você vai fazer, Fred? Encontrar a garota que você gosta?

—Um pouco pior, quero encontrar a garota que eu gosto para consolar ela por outro rapaz ter sido um completo idiota com ela.

— Belo jeito masoquista de passar o Natal, Fred.

—Você deve ter razão, mas eu vou tentar fazer isso de todo jeito. Seria mais fácil não tendo que azarar um colega auror seu para poder usar a passagem secreta para Hogwarts.

E Tonks riu da minha cara.

— Você seria um completo desperdício preso em Azkaban. Só por isso, e talvez porque adoro as balinhas de fogo da Gemialidades, vou te ajudar a não fazer uma besteira e te levar para o castelo.

Fomos até os fundos da Dedos de Mel e um bruxo com dreads no cabelo parecia estar de guarda.

—Tonks… Pensei que estivesse de folga hoje. Não vai aproveitar o Natal, gracinha?

—É sempre um desprazer te ver, Enoque, mas eu preciso passar. Tenho assuntos a resolver com Dumbledore. Ele vem comigo. — disse apontando para mim.

—Calma aí, conhece as regras moça. Diga-me… Qual foi a primeira cantada que lhe dei?

Ninfadora parecia nitidamente irritada e não era apenas devido a mudança da cor do seu cabelo desbotado.

—Você fez uma brincadeira estúpida sobre as cores do meu cabelo, agora deixe-me…

Ela tentou passar, mas o bruxo entrou no caminho.

—Uma resposta muito evasiva, minha cara.Como posso ter certeza que não é qualquer outra pessoa metamorfa fingindo ser você?

—Claro, Enoque, há centenas de metaformos em cada esquina de Londres!

—Só seja mais específica quanto a cantada, Tonks…

Ele a olhava com escárnio.

—Certo. Você disse que queria saber que cor meu cabelo ficaria se me fizesse gemer no meio da cena de crime que investigávamos. Foi ridículo, sexista e você seria a última pessoa que eu poderia cogitar passar por isso.

—Excelente, realmente só a Tonks que conheço que poderia me dar um fora com tamanha paixão! Podem entrar.

Ele saiu do caminho e entramos, seriam alguns bons minutos caminhando.

—Aquele cara parece um babaca. Como se tornou um auror?!

—Péssima pessoa, excelente com feitiços e rastreamentos. Obviamente alguém escroto assim não teria moral para estar na Ordem, mas como o processo seletivo para Auror não possui um medidor de estupidez… Ele se graduou no mesmo ano que eu e desde então pega no meu pé.

—Lupin poderia dar um susto nele qualquer noite de lua cheia…

Tonks parou abruptamente.

—Mas brinque com isso, Fred. Lupin é uma pessoa sensata, não usaria sua maldição de modo punitivo como faz o assassino Greyback. E não preciso que ele compre minhas batalhas, Enoque é só mais dos incômodos que chuto para baixo de uma capa e finjo que não existem. -Tonks começou a andar mais rápido e mudou de assunto- E como vai a missão? Teve algum avanço para encontrar o paradeiro de Florean Fortescue? Ouvi dizer que ele e o Olivaras são os únicos corpos de logistas do Beco Diagonal que ainda não encontraram.

Falei mais alterado que o necessário:

— Não vamos achar corpos! — parei por um segundo e respirei — pelo menos Jorge e eu esperamos que não. Da última vez, chegamos tão perto de salvar Madame Malkin! Os medibruxos atestaram que ela estava a viva há algumas horas atrás…

—Imagino como deve ser difícil para vocês… Vi coisas terríveis sendo Aurora, mas vocês estão fazendo isso sem nenhum treinamento especial!

—Somos bem autodidatas e com incrível capacidade de gambiarra mágica estratégica. Pelo menos investigar aquilo que o ministério já considerou uma fatalidade sem explicação pode dar uma chance para essas pessoas… Nem que seja para garantir um enterro adequado aos familiares.

Continuamos andando em silêncio.

Quando chegamos nos fundos da Mulher de um Olho Corcunda, Tonks informou que realmente tinha assuntos para tratar com Dumbledore e perguntou se eu conseguiria andar no castelo até a garota a ser encontrada.

— Não se preocupe, Tonks. Se tem algo em que sou muito bem treinado é em como andar em Hogwarts depois do toque de recolher.

A ruiva, agora morena, me desejou boa sorte e seguiu em direção a sala do professor Dumbledore que havia acabado de chegar de viagem.

Segui na direção oposta.

Comecei a pensar em planos de como contatar Hermione em seu quarto, talvez usando nosso pergaminho enfeitiçado para aquecer até que ela acorde e descesse para o salão da Grifinória e abrisse a porta para mim, mas percebi que não seria necessário, ela não estaria em seu quarto.

Não mesmo. Se eu conheço Hermione bem… E olha que consigo distinguir 5 sorrisos diferentes daquela encantadora Sabe-tudo… Aposto que ela está reunida com certos seres que também deviam comemorar o Natal e provavelmente estão trabalhando.

Ao invés de seguir para a Torre da Grifinória, fui para o andar abaixo do Salão Principal, mais precisamente, para a Cozinha de Hogwarts.

***

Lá estava ela, vestida com uma roupa vermelha enorme e bizarra e um gorro vermelho e branco, talvez fosse alguma tradição trouxa natalina.

Ela parecia estar dançando com Dobby ao som de uma vitrola velha e um violino rústico sendo terrivelmente tocado por um elfo. Os outros elfos ao redor batiam palmas e também, por mais incrível que pareça, estão se divertindo, dançando.

Confesso que não consegui quebrar aquela cena mágica. Esperava encontrar uma donzela triste por mais uma vez criar expectativas com meu irmão pateta e ele estragar tudo, mas não. O que vejo é uma mulher cativante e se divertindo com seus amigos de quase um metro.

Blink, o elfo pomposo e meu fornecedor de guloseimas desde que entrei em Hogwarts, se levantou e pareceu tomar coragem para substituir Dobby na dança. Aquilo parecia um tipo de tradição élfica, mas confesso que nunca imaginei que dançavam, se divertiam… ou faziam qualquer coisa diferente de atividades domésticas. Exceto que gostam de ler, como Hermione me mostrou ano passado.

Continuei observando do escuro o jeito que os elfos e elfas se curvavam e giravam as mãos para pedir uma dança. Tomei fôlego e andei até eles, agora seria a minha vez de tomar a mão da bela dama em meio aos elfos.

—Me concede a dança?

Apareci logo atrás de Hermione. Ela me olhou surpresa, mas os demais elfos pareciam assustados.

—Senhor Weasley! Perdoe por essa bagunça … Precisa de alguma coisa? Podemos voltar para a cozinha imediatamente!!

Blink parecia em pânico. Cada dia mais acredito que essa necessidade dos elfos de servir é uma lavagem cerebral do que um costume. Digo, não é possível que seja natural para ele cogitar parar sua diversão para atender os pedidos de um estranho que parece no meio da comemoração.

—Feliz Natal, Blink! O que mais quero no momento não pode ser feito por você, nem por nenhum outro elfo. Apenas a senhorita Granger pode atender meus desejos.

Ao ouvir isso, Dobby dá um leve empurrão em Hermione em minha direção. Ela acaba se apoiando em mim e me olha diretamente nos olhos.

—Fred.

— Hermione. -Dei um beijo em sua mão e fiz novamente o movimento com as mãos e a reverência — agora que já nos apresentamos formalmente, me concede essa dança?

Ela deu uma risada misturada com um "sim" e começamos a dançar. Os demais elfos também voltavam a se movimentar.

Vi que ao redor haviam mesas com comidas. Algumas pareciam com as que comíamos em Hogwarts, muitas delas feitas de leite, mas outras tinham um aspecto exótico, como um pote cheio de larvas brancas. Surpreendentemente, vi Monstro na festa, sentado ao lado de outro elfo velho e ambos comiam daquelas larvas.

Olhei para Hermione e ela parecia mais linda do que nunca, tinha aquele sorriso de orgulho quando consegue fazer algo que planejou. E com certeza, organizar uma festa com os elfos é admirável.

Winky, uma elfa meio bêbada cutucou minha perna e pediu para dançar comigo. Hermione só acenou que eu deveria seguir em frente e dancei com a elfa.

Não me entenda mal, eu sou o inventor do Paço do Hipogrifo e do duende, dança é algo que sei que faço bem, mas para uma elfa com um terço da minha altura, foi difícil acompanhar o que deveria fazer na dança, então eu apenas imitava seus paços e esperava que a curiosa dança élfica seja simétrica.

Depois de uma dança, fiquei cansado e me sentei ao lado de Hermione. Ela parecia estar levemente gozando da minha cara de morto de cansaço.

—Então… Você costuma entrar de penetra em festas de Natal ou essa é a primeira vez?

— Foi a primeira, mas juro que vou entrar de penetra em qualquer festa se isso significa ficar perto de você...

—Fred…

—Ok. Desculpe, prometi que não flertaria mais até que resolva as coisas com Rony. Mas tem que entender como é irresistível para mim falar sobre como você é maravilhosa e mexe comigo como ninguém…

— Fred…!

—Ta bom, estou fazendo denovo...Desculpe.

— Não, Fred. — Hermione colocou a mão em meu rosto me obrigando a olhar em seus olhos.- Para um galanteador como você, está perdendo tempo demais falando quando deveríamos estar aproveitando o Natal!

E me beijou. Hermione Granger realmente me beijou como há meses eu esperava. Brincando com meus lábios e fazendo eu sentir o conforto de seu rosto tocando no meu. Hermione parecia sentir uma espécie de urgência em prolongar o beijo, como se quando nos separássemos, fôssemos desaparatar de perto um do outro.

— Definitivamente eu amo o Natal!

Eu disse enquanto trocávamos selinhos.

—Só posso concordar com você, Fred Weasley.

A música alta se misturava com nossos beijos. Não que esse ambiente não me fosse uma espécie de Paraíso particular, mas eu vim para conversar com Hermione e naquelas circunstâncias não parecia possível.

Puxei Hermione pela mão e fomos para a cozinha que pela primeira vez parecia realmente silenciosa, todos os elfos realmente estavam se divertindo na comemoração de Natal sendo feita no dormitório.

Chegamos a entrada da cozinha onde havia uma porta que dava para o castelo. Ao lado, havia um quadro semelhante ao que fazemos cócegas na pêra para criar uma maçaneta. Nesse caso, o truque foi empurrar uma corda para cima e para baixo. A corda saiu do quadro e eu apenas a puxei até que a porta se abrisse revelando uma escadaria até o telhado. Era por onde corujas entravam e saíam com os ingredientes entregues na cozinha. Curiosamente, possuía uma escada improvisada, mesmo que corujas não precisassem de escadas para fazer entrega.

Subimos.

O telhado dava uma vista extraordinária do céu estrelado.

Deitamos no concreto rígido, Hermione usando meu braço como travesseiro e eu me sentindo o cara mais sortudo do mundo por ter ela ao meu lado desse jeito.

—O que veio fazer aqui, Fred? Você já tinha uma festa de Natal para participar.

—A festa não seria a mesma sem você… Eu não seria o mesmo sem você. A cada segundo sua imagem vinha a minha mente me fazendo pensar se estava bem.

— Não poderia ter apenas me perguntado pelo pergaminho?

— Não. Eu precisava olhar para você. Abraçar você... Além disso, precisava ver sua reação quando visse o presente que encontrei...

Puxei um pequeno livro que carreguei no bolso do casaco desde que saí da Toca.

—"Extraordinários: relatos sobre tradições élficas e outros elementos que compõem a vida de um elfo livre".

Hermione passou alguns segundos admirando a capa do livro velho. Seus dedos tocavam a costura e os detalhes entalhados no couro vermelho como se aquele livro fosse uma raridade… Algum tempo depois, descobri que realmente era.

— Fred, nem Hogwarts possui um assim! Como o encontrou?!

Hermione parecia empolgada como se tivesse pego seu primeiro pomo de ouro!

—Segredo de negócios. E pelo seu sorriso, valeu a pena o risco.

— Eu não sei nem como agradecer, eu… Bem, planejava te mandar seu presente amanhã de manhã. Não tenho nada comigo para poder lhe dar…

—Bem, tem algo que posso aceitar como presente que está com você neste momento.

— O que é?

Fiz uma pausa dramática e me aproximei de seu rosto a ponto de poder selar nossos lábios.

—...Um beijo.

—Um beijo?- Ela me olhou confusa.

—Exatamente. Quero o direito a um beijo seu na hora e circunstância que eu preferir. Você vai ter aceitar as condições e apenas me beijar...

—O que está planejando, Fred?

—Nada demais… Eu juro! Apenas quero ter certeza que terei um último beijo seu se algo der terrivelmente errado entre nós.

—O que vai querer para garantir que cumprirei seu pedido, um voto perpétuo?

—Não!Depois de Rony, não quero nunca mais mexer com isso…

Rimos um pouco e ela voltou a me encarar com um sorriso de " estou hipnotizada em olhar seu rosto assim de perto".

—Quero um beijo para selar o presente!

—Outro beijo?

—Se quando mais, melhor!

Desamarrei a capa que cobria seu corpo e a empurrei delicadamente contra o chão para ficar com meu corpo sobre o seu enquanto nos beijávamos. Sentir seu corpo me aquecendo naquela madrugada fria me enchia de uma vontade frenética de tocar cada centímetro, de sentir cada vez mais arrepios.

Hermione me correspondia. Eu não tenho ideia do que ocorreu esta semana que a fez mudar de ideia sobre nós dois, mas só posso ficar grato com a oportunidade de ter aqui comigo a garota mais extraordinariamente inebriante e viciante que já tive o prazer de conhecer.

Separei nosso beijo por um segundo para poder beijar seu ombro visível. Aquela roupa estranha me deu a rara oportunidade de poder mordê-la daquele lugar e sentir seu corpo tremer com aquela sensação.

Em resposta, senti sua perna se erguer para aumentar nosso contato físico. Voltei a beijar seus lábios e guiei minha mão para sua perna que se prendia a minha.

Aquele era meu limite.

Nossos rostos se afastaram o suficiente para que eu visse sua reação a tudo isso. Foi como se pudéssemos conversar apenas com nossos olhos. Ela sorriu e sussurrou um "tudo bem" seguido de " Fred, por favor"... Isso foi o suficiente para acabar com qualquer receio que eu teria naquele momento.

***

Eu não planejava que aconteceria dessa forma com Hermione no telhado de Hogwarts.

Ela era especial, então deveríamos ter um lugar especial. Mas a sensação que eu tinha é que havia uma urgência em seu rosto, talvez desejando isso tanto quanto eu.

Não pensei nos riscos e consequências, mas talvez por um milagre de Natal, fomos pegos apenas pelos primeiros raios de sol. Nossas roupas estavam amassadas e desabotoadas. A visão de seu corpo descoberto me fazia delirar, não consegui dormir nenhum segundo, apenas apreciando aquele anjo aconchegado em meus braços.

Eu desejava sequestrá-la, levar para meu quarto e jamais sairmos de lá, mesmo que nossas vidas dependessem disso. Mas infelizmente ainda me sobrava algum fiasco de sanidade, então a acordei e disse que precisávamos voltar para o mundo real.

Seu rosto ficou tão rubro quanto a roupa que usava quando percebeu o casaco aberto revelando tudo que eu já havia experimentado esta madrugada. Mesmo com a timidez, ela não parava de sorrir, o mesmo valia para mim.

Ficamos minimamente apresentáveis, nos beijamos mais uma vez e descemos para a cozinha.

Tudo parecia ter voltado a ser como era antes. O som de panelas, elfos andando por todo lado e Blink estava como sempre próximo à porta organizando em seus papéis tudo que deveria ser preparado esta manhã.

Para mim, havia algo ligeiramente diferente, como se o mundo tivesse recebido uma nova camada de cores e qualquer detalhe parecia mais belo e cintilante. Deve ser efeito colateral de quando se sente o amor por perto.

—Oh, Senhor Weasley, não sabia que ainda estavam aqui conosco. Aceita chá? Chocolate quente? Temos uma nova receita de biscoitos de chocolate com canela maravilhosa!

Hermione deu uma risada como se aquilo fosse uma piada interna dela com os elfos.

—Na verdade, Blink, seria extraordinário se pudesse me fazer um favor… Aliás, dois. Se não for roubar muito de seu tempo…

—O que desejar, Senhor Weasley!

***

E foi assim que Hermione aparatou em seu quarto e pouco depois, Blink me levou para Hogsmead.

Consegui entrar em contato com Tonks e avisar que estou bem, caso ela ainda estivesse me esperando.

O mundo parecia estar rodando em uma velocidade incomum, eu me sentia extasiado e o cheiro leve de canela que Hermione ainda impregnava meu corpo.

Aparatei nas Gemialidades e editei em tomar um banho, pois perderia toda essa sensação de ter Hermione ao meu lado. Entretanto, me olhar no espelho foi o suficiente para saber que precisava de um banho para me sintonizar novamente com a realidade.

Jorge apareceu em seguida em nosso quarto pois ouviu o estalo de minha chegada.

—Espero que tenha se divertido, maninho. A propósito, belo gorro.

Foi só aí que notei que trouxe comigo uma parte daquela exótica vestimenta de Hermione. Senti novamente seu cheiro e o guardei embaixo do travesseiro da minha cama.

Segui para o banheiro pronta para tomar um longo e agradável banho.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!