Nosso último Jingle Bell
1 Único
Notas iniciais
Aqui vai o primeiro presentinho para a minha amiga secreta do ISN, a nossa querida autora, Ly Anne Black.
Espero que goste! ;)
Casa dos Potter, Dezembro de 1980
Tudo era caos. E Lily Potter quase arrancou os cabelos ao olhar para a sua limpa e organizada casa agora mergulhada na completa balbúrdia.
Os quartos no andar superior estavam ainda com as camas por fazer e o seu querido marido, ao invés de ajudar, preferia causar ainda mais transtorno ao acompanhar o pequeno Harry numa aventura até ao sótão, em busca de pequenas renas que havia conjurado para arrancar altas risadas do bebê que desde manhã estava fazendo manha e só queria o colo da mãe.
Enquanto isso, a mesma estava desde cedo tentando deixar tudo bonito e iluminado para quando os convidados chegassem, de modo a desfrutar de um grandioso jantar que preparava com tanto esmero.
O sol já se punha no horizonte quando a campainha soou e ao crepitar da madeira na lareira juntaram-se as vozes animadas e deveras sonoras dos convidados em questão. A pequena familia recebeu com alegria um Remus, sempre calmo e parecendo bastante confortável no seu suéter marrom; um Sirius, sempre extravagante dentro daquele apertado casado vermelho e, por fim, Peter, bem protegido do frio dentro de bastantes camadas de roupa.
Assim que viu o padrinho Harry soltou um grito alto, mexendo os braços e as pernas com força no colo do pai que logo tratou de satisfazer a sua vontade.
— Isso mesmo, Harry, está na hora de se divertir com o padrinho antes da chata da sua mãe estragar os nossos planos. — Brincou ao pegar no afilhado, mimando-o como só ele sabia fazer e segredando artimanhas no ouvido da criança. Não é como se Harry de fato entendesse o que lhe estava a ser dito. Mesmo assim, se divertia olhando para as caretas que o mais velho fazia para o agradar. — Lily! Preparou o que pedi?
Remus revirou os olhos e foi até a cozinha, sentindo a dor da amiga pois o brilho nos olhos de Sirius era sinônimo de problema e disso ela bem sabia.
— Sim, mas quero deixar bem claro que não concordo nada com essa ideia!
— Mas eu pensei que no mundo trouxa ele fosse bastante aclamado. — James debochou da esposa pela situação e soltou uma risada ao ver as bochechas dela tomarem a mesma tonalidade de fogo do cabelo longo.
— Sim, mas isso é porque não passa de uma fantasia! — Pausou a sua sentença e suspirou, resignada. — Como é que eu iria saber que ele não só é real como também é um tremendo de um arruaceiro!
— Ah, Lils, não era você que queria ser a anfitriã? Além do mais, acho que aqui o nosso Harry vai se divertir bastante essa noite. — Sirius passou o pequeno de novo para os braços do pai antes de desaparecer pela porta da cozinha em busca de um certo prato de biscoitos para o dito convidado de honra.
Peter estava quieto, demasiado distraído por conta de toda a comida que a ruiva havia colocado à sua disposição. Tinha o olhar fixo numa torta de chocolate e nada mais importava a partir daí.
Lily e James engataram numa pequena disputa acerca do tão aguardado convidado de honra e Harry olhava para ambos os pais com curiosidade até um bico choroso começar a surgir devido à fome. Era sinal que já estava na hora de sentarem à mesa para jantar.
A Sra. Potter deixou ambos na sala e entrou de rompante na cozinha com o intuito de pegar as bebidas quando se deparou com um Remus e um Sirius claramente desconcertados, com os corpos bamboleantes pela velocidade com que se separaram contra a sua vontade. Remus nada disse, somente retornou à sala de cabeça baixa, deixando um Sirius corado no meio da cozinha.
Lily cruzou os braços por cima de cima da camisola verde e olhou para o amigo com uma sombra de um sorriso sabedor brincando nos lábios rosa. Aqueles dois nunca iriam conseguir esconder nada dela.
— Nem uma palavra. — Foi tudo o que ele proferiu antes de pegar no prato cheio de biscoitos decorados para sair logo de seguida.
Momentos depois já Harry fazia bagunça com a comida, atrapalhando a refeição de ambos os pais que, mesmo assim, não deixavam de aproveitar um pouco de tudo junto com os amigos. O peru havia sido completamente dizimado e a sobremesa mal havia tido tempo de encher a vista na mesa longa antes de sumir também. O café estava sendo servido por James quando um barulho alto soou pela casa, proveniente da entrada.
Todos se levantaram de supetão e Lily quase sacou a varinha da bota se não fosse pela mão de Remus impedindo-a, sabendo que o convidado especial de James e Sirius havia chegado e que representava de tudo menos perigo. Isso é, teoricamente falando, claro.
Então, os dois marotos que arquitetaram todo o plano, quase correram na direção apontada e não muito depois surgiram na sala acompanhados de um homem baixo — a cabeça grande mal chegava à cintura de James —, vestido de vermelho com botas de couro de dragão. A sua cabeça era desprovida de qualquer fio de cabelo enquanto que a barba branca era imensa e chegava à cintura abobadada. Era uma visão… um tanto exótica.
— Pensei que eles tivessem chamado o Papai Noel e não um gnomo de jardim. — O comentário rendeu a Remus uma olhada feia do senhor que, sem dizer uma palavra, ergueu o dedo do meio, de certo fazendo jus à sua fama, que corria todo o mundo bruxo naquele fim de ano.
— Espera… você é o Papai Noel!? — Lily estava chocada e bastante desapontada. De longe já podia deduzir que a fantasia que os seus pais contavam era mais acolhedora do que a figura que se sentou no seu sofá.
O café estava esquecido e todos ocupavam assentos em frente da lareira que nunca apagava. Sirius tinha Harry nos braços e ambos sorriam. Um com animação e o outro por achar engraçada a figura que agora remexia na barba, à procura de algo.
— O que acha? — Respondeu de má vontade o senhor, puxando de entre os fios um pequeno embrulho que atirou em Lily, que quase o derrubou no chão. Mais duas caixas, de diferentes tamanhos, foram puxadas e levitadas até James e Sirius. Após isso, ergueu um dedo inchado na direção de Remus e Peter. — Meninos maus não recebem presente.
James desatou a rir, chegando à conclusão que o seu amigo aluado havia ficado sem presente devido aquele infeliz comentário e Peter… bem, era Peter.
— Olha só que legal, Harry! Esse aqui é o Papai Noel, o verdadeiro, não aquele senhor simpático de mentirinha. E eu aposto que ele tem um presente maneiro pra você! — Os olhos do menino estavam presos na figura que retirava um embrulho ainda maior da barba emaranhada. Os braços de Harry tatearam o papel de embrulho e todos encaravam a cena com curiosidade e, no caso de Lily, medo.
James ajudou o filho a desembrulhar aquela caixa e os óculos redondos quase caíram da cara ao ver o conteúdo que saltou para fora. Harry gritou todo contente quando viu aquele pequeno bichinho saltar da mesinha de centro até ao chão, de modo a se aliviar no tapete, deixando Lily ainda mais horrorizada.
Harry não tirava os olhos do pequeno furão que desatou a correr pela casa, assustando Peter que logo saltou para cima de uma cadeira em meio à própria gritaria.
— Ho ho ho, feliz natal e boa sorte para limpar tudo depois. Eu ajudava, mas ainda tenho muitas casas para visitar. — Sem piedade, Papai Noel saiu do sofá e andou com calma até ao corredor, pegando no prato de biscoitos em que havia tropeçado e saindo porta afora onde a sua vassoura Rudolph 2512 estava estacionada.
E então, contradizendo tudo o que achou ser possível, Lily observou a sua casa se tornar ainda mais desarrumada e barulhenta. Peter ainda gritava em cima da cadeira enquanto que Remus tentava o fazer sair dali. James olhava com demasiado interesse para um feitiço em garrafa que Lily sabia ser Glisseo, um encantamento que transformava escadas em rampas. E, por fim, Sirius usava uma coleira cheia de sininhos e uma medalha de identificação gravada com “almofadinhas”, enquanto que segurava Harry para ambos irem atrás do pequeno furão que já havia marcado o seu território em mais alguns pontos.
Quando a pequena ferinha fora, até que enfim, contida numa casinha provisória e todos os convidados haviam ido para as suas respectivas casas, Lily atirou-se para a cama, demasiado exausta para seguir o exemplo do marido que tomava um longo banho depois de ter feito Harry dormir.
Foi então que se lembrou do seu próprio presente. Com receito, esticou a mão e desfez o laço amarelo, contando até três para abrir a caixa. No interior estava um gorro de Papai Noel onde um par de galhadas crescia. No centro foram gravadas as palavras “menina marota”. Não evitou e deixou uma risada escapar.
Com isso nem se apercebeu de que James já estava no quarto.
— Ele pode até ser um velho ranzinza e meio arruaceiro, mas temos de confessar que ele acertou nos presentes.
A próxima coisa que viu foi um travesseiro voando bem em frente da sua cara. Então Lily Potter declarou em voz firme:
— Para o ano fazemos de maneira trouxa e isso não é negociável. Entendeu, James Potter?
— Sim, senhora.
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