Nossa Segunda Chance
8 De Volta para Casa
Notas iniciais
Ah! O capítulo está grande porque eu não postei essa semana, então, espero realmente que vocês gostem!
POV Isabella Swan
– Mamãe, você ainda é namorada do Riley?
– Não, amor. Eu não sou mais a namorada dele.
Renesmee estreitou os olhos e veio até o meu ouvido, protegendo sua boca com a mão para contar-me algum segredo. Então, ela disse sussurrando.
– Então agora você vai ser a namorada do pa...
– Resolveu se esconder de mim? – Perguntou a voz de Edward.
Senti um arrepio subindo por minha espinha, tentei ignora-lo sem muito sucesso. Renesmee imediatamente pulou nos braços de Edward que estava a sua frente e o abraçou forte, ele a abraçou da mesma maneira e a colocou em suas costas, ela parecia um filhotinho de macaco com os bracinhos em volta de seu pescoço e as pernas em volta de sua cintura.
– Não estou me escondendo – Renesmee respondeu depois que parou de gargalhar.
– Oi Edward – Me arrisquei em cumprimenta-lo e percebi o lampejo de surpresa passar pelo rosto dele.
– Oi Bella.
O olhei por baixo de meus cílios e seus olhos verdes como sempre procuraram os meus, era difícil resistir àquele contato tão intenso. Sem perceber eu sorri minimamente para ele, desviando meu olhar logo em seguida.
– Vamos? – Perguntei levantando-me com a minha mochila nas costas e tomei a cesta de piquenique em uma das mãos.
Edward pegou uma sacola enorme que estava no chão – até então despercebida por mim – com uma de suas mãos livres e ajeitou Renesmee em suas costas. Sendo assim, caminhamos até uma de tantas áreas verdes do parque que ficava ao lado de um lago, especialmente para piqueniques aos fins de semana.
– Papai, nós vamos fazer piquenique.
– Sério? E será que tem lanche para mim também?
– Claro que sim, bobinho. A mamãe sempre faz cinco sanduíches quando a gente vem. Cinco menos três é igual a dois, além de sobrar tem um bolo de chocolate e limonada, doces também. Eu a ajudei a fazer na parte da manhã.
– Garotinha, você é muito responsável – Disse Edward.
– Vovó Esme sempre diz isso.
Confesso que era eu achava lindo Edward e Renesmee conversando animadamente daquela forma, dava para ver nos olhos dos dois o quanto se amavam e estavam felizes ali, juntos. Só em pensar que eu atrapalhava aquela relação me deixou triste, de fato, eu atrapalhava. Renesmee não tinha o mesmo tempo com Edward que tinha comigo. Ele ficou muito tempo afastado e agora que estava de volta – finalmente eu podia enxergar isso – confesso que era difícil para ele estar longe dela e a ver alguns dias na semana durante algumas horas. Eu não aguentaria estar em seu lugar. Ele era forte.
– Vamos parar, aqui está perfeito! – Renesmee soou animada e Edward parou.
Nós estávamos a poucos metros do lado onde alguns patos flutuavam sobre a água tranquilamente. A grama verdinha e a terra plana realmente eram perfeitas para um piquenique sentindo o Sol na pele, com a... Família reunida, para Renesmee.
Renesmee escorregou pelas costas de Edward até ele coloca-la no chão. Eu abri minha mochila, peguei a toalha quadriculada vermelha e branca e Edward se dispôs em me ajudar a estendê-la no chão. Edward sentou com Renesmee de frente para mim, e ela colocou os grandes olhos castanhos em cima da sacola que ele trouxera consigo.
– Papai, o que é isso aí dentro?
– Nessie... – Adverti-a pela curiosidade.
– Bella, está tudo bem. Eu não sou um estranho, certo? – Disse Edward – Nessie pode fazer esses tipos de pergunta para mim.
– Certo, mas depois não reclame quando ela quiser meter esse rostinho em tudo o que você carrega com você – Respondi e ele riu.
– Mamãe, isso se chama cu-ri-o-si-da-de – Soletrou para mim.
Eu e Edward rimos da expressão engraçada de Renesmee e ele tirou três pacotes de dentro da sacola. Um deles era enorme e fácil de adivinhar o que havia dentro.
– Bem, esse amigão aqui é para você.
Ela pôs as mãozinhas sobre a boca e Edward a ajudou a abrir o grande embrulho em tonalidades rosa. Dali de dentro saiu um grande urso azul em chifres, logo identifiquei como um alce de pelúcia.
– Olha que lindo ele é, mamãe! Olha só! – Renesmee disse e abraçou o urso que tinha praticamente o seu tamanho.
– É realmente lindo, amor – Disse eu admirando a cena – Agora você precisa de um nome para ele.
– Eu vou o chamar de Bubble! O que acha papai? E você mamãe?
– Um lindo nome – Respondi e Edward apenas beijou-lhe demoradamente a bochecha.
O segundo pacote que não era grande, também foi entregue à Renesmee e ela rasgou o embrulho de tonalidade laranja e preto em segundos. Ela tirou um lindo conjunto de moletom na cor preta do Mickey.
– Mãe! Olha como essa roupa é linda! – Renesmee me entregou o conjunto e abraçou Edward apaixonadamente.
– Céus, eu tenho a filha mais linda do mundo! – Exclamou ele.
– E eu o melhor pai desse mundo inteirinho! Obrigada papai, eu amei os presentes.
– De nada princesa, eu amo você.
– Eu também amo você papai, um tanto bem grande.
Pensei em agradecer Edward pelos presentes, mas seria ignorância de minha parte já que ele era pai de Renesmee. Ajudei Renesmee a guardar seus presentes dentro do embrulho novamente, mas percebi o terceiro – e menor ainda ali.
Não demorou muito para lancharmos. Eu havia trazido sanduíches naturais, bolo de chocolate, limonada e algumas guloseimas que Renesmee adorava. Nós comemos tranquilamente e eu disfarçava em analisar a ligação de Edward com Renesmee, que por sinal era muito forte. Também disfarçava em observar o próprio Edward e focava o olhar em algum outro ponto quando sentia que seus olhos iriam se direcionar a mim. Mesmo assim, pude observar seus cabelos desgrenhados da mesma tonalidade de Renesmee, seus olhos incrivelmente verdes, sua barba por fazer, seu rosto quadrado e seu sorriso todo o tempo.
~
– Olha mãe! – Renesmee disse animada indicando um ponto atrás de mim.
Olhei para trás e pude ver Kate com Annie e um filhote de Golden Retriever. Kate tinha cabelos grandes e louros que lembravam Rose, sua filha era loirinha de olhos claros e estava com o filhotinho nos braços. Elas caminharam até nós e Annie me abraçou carinhosamente deixando o cachorrinho de lado ao mesmo tempo em que Renesmee abraçava Kate.
– Oi tia Bella. Tudo bem?
– Tudo sim querida, e vocês como estão? – Perguntei.
– Estamos bem! Meu papai vem nos visitar hoje, sabia? Mamãe está bem feliz.
– Oh, e eu fico feliz por vocês também!
– Oi moço! – Annie cumprimentou Edward.
Porém, Annie não teve tempo para colocar sua educação em prática e logo correu com Renesmee atrás do filhotinho baderneiro que foi até outra família em piquenique.
– Olá Bella, tudo bem? – Kate me cumprimentou simpaticamente.
– Oi Kate, sim! E você como está?
– Ansiosa – Disse-me com um sorriso nervoso.
– Eu posso imaginar o quanto – Respondi tentando proteger com a mão a luz do Sol que batia em meu rosto.
– Não vai me apresentar o seu namorado?
– Não! – Eu disse um pouco alto demais e Kate se assustou, não pude ver a reação de Edward – Ele não é meu namorado – Terminei voltando ao meu tom original.
– Ele só... É... Ele é o pai da Nessie. – Conclui sentindo uma estranha sensação no peito.
– Ah, claro, me desculpe! – Ela disse começando a corar – Annie falou sobre isso comigo, Nessie realmente não para de falar no pai. Oi... – Kate olhou para Edward acenou para ele – Edward.
– Olá Kate.
– Já era de eu ter imaginado, os cabelos de Renesmee é a característica mais marcante dela e seu cabelo é igual ao dela! Definitivamente, ela é igual a vocês dois! Estou impressionada!
Edward gargalhou em resposta e eu quase sorri com o som de sua voz... Quase. As crianças voltaram com o cachorrinho e Renesmee logo apresentou Edward a sua amiguinha Annie que ficou feliz em conhecer o famoso Edward.
– Edward, Bella, eu vou levar Annie até o salão de sorvete e já que Nessie está aqui, ela pode ir conosco? São apenas alguns minutos.
– Por mim tudo bem! – Eu disse e olhei para Edward esperando a sua resposta, afinal, Kate havia pedido a permissão dele também.
– Claro, sem problemas – Ele disse.
– Eba! – Renesmee comemorou aos pulos – Obrigada mamãe e papai, eu já volto!
– Obrigada – Kate agradeceu a mim e Edward, logo se voltando para as meninas – Vamos Nessie, Banannie*?
Kate se afastou com as crianças e o filhotinho, e eu as acompanhei com os olhos até que sumissem da minha vista. Eu não estava preocupada, o salão de sorvetes ficava a uns cinco minutos do nosso piquenique e também dentro do parque, o lugar era fofo e além de mesinhas em volta do salão os clientes ainda tinham a opção se se sentar em panos quadriculados estrategicamente no Sol ou na sombra.
– Você é amiga de Kate? – Edward perguntou-me.
– Sim, nós nos conhecemos por Annie e Renesmee no ano passado. Ela é uma mulher legal, Annie é uma graça e às vezes Nessie vai até a casa delas para brincar com Annie, revezamos um pouco quando eu ou Kate estamos de férias para poder ficar de olho as meninas. Elas são boas amigas – Eu estava nervosa, porque não consegui parar de falar.
– Eu sei, Renesmee fala bastante de Annie. Me desculpe a curiosidade... Mas, por que Kate está ansiosa e Annie chegou falando do pai?
– É que... – Fiquei indecisa se falaria ou não, até porque a situação de Kate e Garrett era semelhante a minha e Edward, porém, Kate havia aceitado.
– Assim, – Continuei – Garrett serve ao exército, ele vem para casa passar alguns dias de seis em seis meses, às vezes mais, às vezes menos.
– Ah... – Foi tudo o que Edward disse.
Ficamos em um silêncio agradável. Eu observava os patos na água e Edward parecia preso em seus próprios pensamentos, talvez pensando na aceitação de Kate em relação ao marido e a minha rejeição. Talvez ele também chegasse à conclusão de que eu nunca fora boa o suficiente para ele, e se daria conta de que acharia alguém que o merecesse por completo, que o aceitasse por completo. Afastei o pensamento, eu não gostei de pensar nisso, pois, apesar de tudo, eu não havia apoiado o sonho dele, e eu o devia isso.
– Eu tenho uma coisa para você – Edward disse a certa altura de nosso silêncio agradável.
Olhei sua face interrogativamente e ele me estendeu o terceiro embrulho não entregue a Renesmee que estava em uma caixinha.
– Ah, você não fez isso – Eu disse olhando o embrulho branco.
– Eu fiz.
– Não deveria, guarde isso, Edward.
– Por favor, isso é seu.
Voltei meus olhos para Edward novamente e o castanho se fundiu com o verde. Eu era tão idiota que nem ao menos consegui piscar e quebrar o contato até que ele falasse novamente.
– Por favor.
Peguei o embrulho nas mãos – sentindo um leve choque quando nossas peles se encontraram – e o abri delicadamente. Dentro de uma caixinha estava uma pulseira de ouro com um coração de pingente, eu a reconheceria em qualquer lugar em qualquer tempo.
– Pelo amor de Deus, Edward, você não fez isso. Quero dizer, aonde você achou isso?
Idiotamente eu estava em êxtase. Essa era uma pulseira que minha mãe havia herdado da minha avó, mas em uma época quando ela passou dificuldades financeiras com meu pai resolveu vender a uma loja joalheira da cidade. Acontece que a pulseira era tão linda que a dona disse que ficaria com ela, não a passando para frente.
– Com a mesma mulher. Na verdade eu a recuperei quando... Os seus pais faleceram.
– E por que nunca me disse nada? – Indaguei ainda olhando-a.
– Porque... Eu planejava te dar em outra ocasião.
Perguntei-me que ocasião era essa, porém, o medo da resposta fez que eu não fizesse essa pergunta para Edward. Eu poderia recusar o presente e dizer que não precisava, mas eu não podia. Não era um presente qualquer; Edward sabia o quanto aquela pulseira significava para mim e se ele disse que estava esperando o momento certo para me dar, ele me daria. E deu.
– E como você convenceu a mulher a vender a pulseira de volta?
– Eu disse... A verdade, que os seus pais tinham falecido e eu queria que a pulseira estivesse com você. Ela entendeu, disse que era admirável de minha parte.
– Caramba... Obrigada. Isso é muito importante para mim, de alguma maneira eu me sinto muito mais perto de Renée agora. Com certeza ela ficaria feliz em saber que isso está comigo agora e quando Renesmee crescer vai estar com ela.
– Você quer coloca-la agora?
– Por favor.
Edward pegou a minha mão delicadamente e enrolou a pulseira em meu pulso até que ela tivesse a medida certa para estar presa ali. Enquanto ele fazia o processo concentrado eu só pude olhar seu rosto e pensar o porquê de mesmo agora, ele resolver me presentear com a joia.
– É tão linda – Ele disse com pesar.
– Sim – Concordei olhando-a em meu pulso, mesmo não tenho total certeza se ele se referia à pulseira – Eu não tenho palavras para te agradecer, Edward. Muito obrigada mesmo.
Ficamos em um silêncio bom e eu senti uma vontade imensa de me aconchegar perto de Edward e o deixar acariciar meus cabelos, como eu sabia que ele faria se o momento idealizado por mim acontecesse. Porém, eu afastei o pensamento rapidamente e tentei lutar com o resto da força que me sobrara contra aquele sentimento.
– Bella... Me desculpe por Alice – Quebrou o silêncio novamente.
– Eu não gostaria de falar sobre isso, Edward. E não precisa se desculpar, está tudo bem.
– É claro que eu preciso me desculpar, tudo o que aconteceu é culpa minha.
– Não é culpa sua, foi apenas um desentendimento meu e de Alice, está tudo bem agora. Eu sei que eu e ela ficaremos bem novamente. É questão de conversar, quando ela estiver pronta e quiser falar comigo eu estarei aqui. Não tenho pressa, não a culpo.
– É muito bom saber disso.
– E no trabalho, como está? – Desconversei.
– Estou me saindo melhor do que eu esperava e realmente gosto do que faço. Eu também reduzi minhas horas de trabalho já que a porcentagem que eu ganho em cima da música lançada pela banda está tendo ótimas vendas.
– Isso é bom, medicina realmente não é fácil. Quando o álbum vai ser lançado?
– Na verdade hoje é o dia de lançamento, de quatorze músicas onze são minhas.
– E você vai ter a sua porcentagem sobre cada cópia vendida, estou certa?
– Certíssima. Tenho certeza que você vai conhecer todas que estão assinadas por mim.
Eu ri abertamente e Edward também, era claro que eu conheceria. Eu conhecia simplesmente todas as músicas dele porque Edward simplesmente cantava todas as suas músicas para mim e eu era a inspiração de cerca de noventa por cento, por assim dizer.
– Pode ter certeza que eu vou adquirir a minha cópia ainda hoje – Eu disse olhando minhas mãos, ainda assim pude ver Edward sorrir torto.
– Nem acredito que eu encontro você justamente aqui!
De quem era essa voz extremamente animada e feminina praticamente gritar atrás de mim? Não demorou a dona da voz estivesse em minha frente com os olhos gravados em Edward e sorrindo exageradamente. Lembrei na hora da época em que eu estava na faculdade, onde era comum as universitárias se animarem em sua presença.
– Oi Edward! Está bem?
– Sim Suzana, e você? – Respondeu tentando ser educado, porém, como eu conhecia Edward sabia que ele não estava tão à vontade com aquela moça.
Ela tinha a pele bronzeada, cabelos castanhos curtos e olhos azuis. Dona de um corpo escultural, também.
– Muito bem, estava dando um passeio com a minha irmã e minha sobrinha e avistei você aqui. Quem é essa, sua irmã? Amiga? Prima? Prazer, eu trabalho no mesmo hospital que Edward.
– Oh, prazer – Eu disse meio perdida com a situação e adotei uma expressão séria rapidamente.
– Não vai me apresentar, Edward? – Insistiu Suzana.
– Ela é a mãe da minha filha, seu nome é Isabella – Respondeu ele com um sorriso torto.
Suzana, a flor, murchou imediatamente. Eu quis rir, mas me contentei em sorrir educadamente enquanto seu rosto murchava mais e mais.
– Ai, eu preciso ir agora! – Disse recuperando todo o sorriso perdido – Até mais, Edward.
Suzana não se despediu de mim, era evidente que ela estava caída por Edward e enciumada por ele estar num parque ao final de semana com a ex-mulher.
– Então... Na terça-feira à noite temos um evento. É um lançamento de CD solo, o nome do cantor é Liam Droke e é seu primeiro disco. Se você estiver livre pode aparecer lá, se quiser... Hm, se preferir pode pegar Renesmee e leva-la a um passeio ou ficar na casa dos seus pais com ela, você que sabe. Mas, hm, o convite está em aberto.
– Obrigada pelo convite, Bella. Eu vou ver com Nessie o que ela prefere e aí podemos decidir o que fazer, eu aviso você.
– Está bem, de qualquer forma ela vai adorar – Conclui.
Silêncio...
– Sabe o que eu lembrei esses dias? – Perguntei – Quando eu descobri que estava grávida.
– Mesmo? – Edward perguntou rindo.
– Mesmo, e eu mal posso acreditar que Nessie já está desse tamanho.
– Grande e tão perfeita – Comentou Edward.
– Sim, ela é perfeita – Concordei – Chega a ser ridículo eu lembrar que me desculpava por estar grávida sabe... Realmente ridículo, eu não me imagino sem ela.
– Eu posso entender o seu lado mais do que você imagina.
– Eu sei disso, – Disse eu sorrindo e olhando em seus olhos – Nós acertamos na fórmula.
Senti instantaneamente minhas bochechas esquentarem e eu quis que o cachorrinho de Annie cavasse um buraco no chão para eu me enfiar. Enquanto eu mergulhava no mar de constrangimento eu ouvi a risada abafada de Edward ecoar nos meus ouvidos e eu desejei correr ali o mais rápido possível.
– Ei, não precisa ficar vermelha. Todos sabem que nós acertamos – Disse ele descontraído.
Eu nada disse e Edward continuou a falar.
– Bella... – O seu tom agora parecia mais sério e eu olhei novamente em seus olhos – Você acha mesmo que o nosso fruto sairia menos perfeito do que Renesmee? Veja só, até o nome dela soa perfeito para quem sabe a origem.
Eu não disse nada, tendo certeza de que a minha voz ameaçaria falhar a qualquer momento. Edward pegou em uma de minhas mãos fortemente e a acariciou, eu não fiz menção para que ele soltasse. Estava bom daquele jeito.
– Por que você não me da uma única chance? Eu sei que você também me ama, Bella.
– Você não se arrepende de ter saído da banda? – Contra ataquei.
– Para ser sincero? Não. Eu nunca conseguiria acompanhar Renesmee se ainda estivesse na banda e agora estando aqui eu sei que isso é mais importante para mim do que qualquer outro sonho. Eu estou sendo sincero com você.
Apenas assenti e fiquei em silêncio novamente. Eu não sabia como seguir com aquela conversa adiante e se seguisse eu falaria coisas que me arrependeria mais tarde.
– Me diz alguma coisa – Pediu ele.
– Edward, nós ficamos pouco tempo juntos... Foi pouco tempo, não foi? Isso não deveria ser necessário para causar um estrago tão grande em ambos os lados – Eu disse sentindo meus olhos arderem, porém, resisti às lágrimas. As palavras saíram em um quase sussurro.
– Mas você sabe por que estragou, não sabe?
Assenti novamente. Eu sabia o porquê do tamanho desse estrago todo, mas Edward se colocou a explica-lo.
– Foi doloroso para os dois lados porque o nosso amor não é normal, ele sempre foi muito intenso desde o começo você sabe disso. Pouco tempo ou muito tempo não significaria nada, sempre iria causar o mesmo efeito, Bella.
– Eu tenho medo.
– Medo de algo perfeito?
Uma bolinha de pelos surgiu entre mim e Edward. O cachorrinho subiu nas minhas pernas e arranhou minha blusa com a linguinha de fora. Peguei-o nos braços e acariciei sua cabecinha, ele se agitou e correu desajeitadamente para Edward.
– O Baker é tão fofo, não é mamãe? – Renesmee perguntou sentando-se ao lado e Edward com Annie.
– Ele é lindo, filha – Respondi ao tentar disfarçar o nervosismo.
– Nessie está entregue, Bella!
– Obrigada Kate!
– Vamos Annie? – Chamou ela.
– Tchau, Annie! – Renesmee se despediu abraçando a amiguinha – Tchau, Barker fofo!
– Tchau tio Edward! – Despediu-se Annie com timidez.
– Tchau Annie, até mais.
– Tchau tia Bella!
– Tchau Banannie! – Abracei Annie e beijei sua bochecha, ela pegou Barker no colo e se afastou com Kate.
– Eu tomei sorvete de morango com chocolate, deveríamos tomar nós três juntos quaisquer dia desses – Comentou Renesmee.
~
Decidimos que Renesmee dormiria aquela noite na casa dos avós, então eu pedi para que eu mesma a deixasse na casa de Esme. Quando eu cheguei – já ao fim da tarde – Edward levou Renesmee para dentro e eu ficaria o esperando em meu carro, ele estranhou, mas não fez qualquer objeção ao meu comportamento.
– Tchau amor, à noite eu ligo para saber como você está! – Eu disse.
– Aham mamãe, eu vou ficar bem, o papai vai cuidar de mim.
– Eu sei meu amor. Eu te amo.
– Eu também.
Quando Edward voltou, eu destravei a porta do carro e pedi para que ele entrasse. Novamente ele estranhou, na verdade até eu estranhei o meu comportamento, mas no momento, havia decidido apenas seguir o que viesse ao meu coração.
– Eu, hm, queria dizer que o dia hoje foi muito legal. De verdade – Eu disse olhando em seus olhos.
– Eu também gostei muito de passar o dia com vocês, foi ótimo.
Esperei que Edward dissesse algo mais, porém, lembrei-me de quem havia o chamado ali para conversar. Fora eu. Abaixei o olhar para minhas mãos e falei novamente.
– E... Eu gostaria que isso se repetisse mais vezes, de verdade, me pareceu deixar Renesmee muito feliz.
– Só depende de você, Bella. Eu sempre vou querer estar com vocês.
Levantei meu rosto e encarei Edward. Ele trincou o maxilar, parecia estar indeciso sobre algo e travava uma luta interna. Seus olhos perderam a conexão com os meus e desfocaram-se em um mar de duvidas. Eu sabia que meu comportamento o estava deixando confuso, e querendo ou não, eu estava o machucando.
– Eu... – Tentei dizer, mas deixei no ar.
A mesma necessidade que eu havia sentindo naquela tarde de me aconchegar a Edward me atingiu ao cheio. Era aparente que ele estava angustiado e eu apenas queria conforta-lo, dizer que o que fosse que pairava sobre sua cabeça acabaria bem de alguma forma. A necessidade era absurda.
Sorrateiramente, escorreguei em direção a ele. Edward percebeu minha movimentação e gravou seus olhos nos meus, eu desviei meu olhar e parei imediatamente, para logo em seguida fazer a conexão novamente. E eu não parei.
Sem deixar de olhar em seus olhos minha mão trêmula subiu até a sua face e deslizou sobre a sua barba por fazer, sua pele era tão macia e quente. Edward se enrijeceu imediatamente e eu tive um sobressalto, mas não fora o suficiente para eu parar.
Seu olhar era intenso, seus olhos brilhavam em reação ao meu toque e eu não ousei piscar durante um segundo sequer até que meus lábios se chocassem com os seus. Edward me recebeu prontamente e eu entreabri a boca, fazendo-lhe um convite mudo. Meus olhos se fecharam e sua língua deslizou sob a minha, as minhas duas mãos seguravam seu rosto de encontro ao meu enquanto eu me permitia beija-lo, agora totalmente consciente de meu ato e do que eu queria.
– Podemos ir devagar?... Por favor – Pedi quando nossos lábios se separaram em busca de ar.
Eu sabia exatamente o que eu estava fazendo, era por isso que eu precisava pedir para que nós fossemos ir devagar. Sim, nós. E então eu entendi que a angustia nos olhos de Edward era a angustia de não ter uma resposta minha, e que para que tudo desse certo para ele, dependia de mim.
– Isso quer dizer... – Ele tentou falar, mas eu o interrompi.
– Isso quer dizer que eu também quero estar com você, muito – Travei a emoção na minha garganta que ameaçava manifestar-se em soluços e continuei a falar olhando para ele, eu podia sentir sua respiração descompassada em meu rosto – E que nesses anos mesmo você longe a única coisa que eu conseguia pensar era em Renesmee e em você, eu juro que tentei seguir em frente várias vezes, mas eu não consegui, eu não consigo Edward. Mas, de qualquer forma eu ainda estou com medo, está bem? A única certeza que eu tenho agora é de que eu não vou mais lutar contra os meus sentimentos, não vou mais fugir de você, eu quero muito, muito estar com você.
Edward me olhava atentamente, ao fim de minhas palavras ele afagou meu rosto sem nunca deixar de olhar em meus olhos e beijou minha testa demoradamente.
– Eu amo você demais para te magoar outra vez.
– Então, por favor, não o faça – Pedi quase cedendo ao choro.
– Eu prometo que não vou decepcionar você outra vez meu amor, eu prometo. Eu amo você com todas as minhas forças! Me desculpe, eu sei que fui um idiota. Tudo o que eu quero é estar com você e a nossa garotinha, eu tenho certeza que nós vamos ser muito felizes.
Agarrei-me as palavras de Edward e sem conseguir controlar o choro eu o abracei desesperadamente. Ele me recebeu em seus braços e beijou os meus cabelos enquanto meus braços o seguravam firmemente contra mim.
– Eu odeio ver você assim e odeio mais ainda saber que eu sou o causador disto – Disse ele.
– Vai ficar tudo bem – Eu disse mais para mim do que para Edward.
– Sim, eu prometo isto para você.
Minhas mãos migraram para a sua cabeça e se afundaram em seus cabelos. Era tão bom sentir aquela sensação que há tanto tempo eu não sentia, era como se eu estivesse voltando para casa. Sim, Edward era a minha casa, sempre foi.
– Eu preciso ir... – Avisei.
– Você precisa mesmo? Não quer entrar?
– Se eu não for agora eu posso não achar uma livraria aberta.
Edward riu com o meu comentário e eu senti meu rosto esquentar, eu havia dito que compraria o álbum da banda naquele mesmo dia. Antes de eu ir embora, Edward me beijou e eu aceitei o seu carinho, novamente me agarrando fortemente a ele. Eu não queria ir embora.
~
POV Edward Cullen
Observei o carro de Bella se afastar para que só assim eu entrasse em casa novamente. Eu estava em êxtase, mal podia acreditar que eu estava conseguindo recuperar tudo o que um dia eu deixei para trás e que muito em breve eu poderia ter a minha família de volta. Ela me beijou e não fora uma vez, foram duas vezes.
A minha vontade era entrar no meu carro e segui-la até a sua casa e passar a noite inteira com ela, velar seu sono e observar a sua face enquanto estivéssemos juntos, porém, eu prometi que iria com calma e iria cumprir com a minha palavra. Eu faria tudo certo dessa vez.
– Cadê a minha princesa? – Gritei ao entrar em casa e fechar a porta.
– Acho que você terá de procura-la – Esme avisou-me e colocou uma bandeja em cima da mesa de centro da sala; parecia-me ser chá e alguns biscoitos de chocolate.
Repentinamente Esme arqueou a sobrancelha e olhou-me quase deixando escapar um sorriso, eu estava tão radiante assim? Claro que eu estava.
– Depois conversamos mãe, tudo o que eu quero agora é ficar com Renesmee. Alguma dica?
Esme apontou discretamente atrás da cortina e eu a puxei devagar até ver uma Renesmee com a mão na boca ao tentar abafar o riso.
– Ah! Achei você! – Exclamei.
Renesmee tentou correr, porém eu fui mais rápido e a peguei pela cintura, girei seu corpinho minúsculo e a deixei de cabeça para baixo em meus braços.
– Edward, isso não são modos! Renesmee não é um garoto – Esme me repreendeu.
Minha garotinha gargalhava, mas tomei o conselho de minha mãe e endireitei Renesmee em meus braços, agora colocando ela sentada sobre meus ombros de modo que ficasse alta, confortável, e ainda assim a brincadeira teria graça.
– Melhor assim, mãe?
– Bem melhor.
– Papai, o que a mamãe queria com você lá fora?
– Garotinha, você é muito curiosa! – Eu disse rindo – Eu e a mamãe somos amigos agora, lembra?
– Claro que eu lembro! Essa é a melhor coisa em todo o mundo!
Esme riu docemente com o comentário de Renesmee, mas era possível ver a tristeza passar por trás de seus olhos castanhos. Ela serviu três xícaras de chá e eu coloquei Renesmee sentada no sofá e sentei-me ao lado dela.
– Hoje eu comprei o álbum dos garotos, Edward – Começou Esme a dizer – Eu sou obrigada a dizer que as suas músicas são as melhores, e não é só porque você é meu filho. Aliás, eu estou muito orgulhosa de você.
– Obrigado mãe – Agradeci sem graça, eu não era acostumado a lidar bem com elogios.
– Por que você saiu da banda, pai?
Sim, eu estava cansado de responder essas perguntas.
– Sinceramente?
– Aham!
– Porque eu não conseguia mais ficar longe de vocês, amor.
– Verdade? – Renesmee estreitou os olhos.
– Verdade verdadeira, – Disse eu – E sabe uma coisa que eu descobri voltando para ficar? Que eu posso sim continuar fazendo o que eu gosto, eu continuo compondo músicas para a banda.
– Papai? Eu amo muito você – Renesmee disse em um fio de voz.
Céus! Dois anos parece pouco tempo, mas para quem ama é muito. Como eu consegui ficar longe todo esse tempo? Novamente, Esme sorriu como um anjo, agora totalmente emocionada com a declaração de Renesmee em sua frente, eu beijei a testa de minha filha com ternura e disse “eu também te amo muito, minha princesa”.
– Nessie, Edward! – Alice nos cumprimentou e abraçou a nós.
– Oi tia, vai sair?
Alice vestia um vestido preto de mangas cumpridas, detalhado em tom dourado e a peça chegava até seus joelhos. Ela carregava uma bolsa preta em uma das mãos.
– Vou sim querida, eu preciso fazer uma visita a Bella.
– Faça isso, filha – Esme disse sorrindo e abraçou Alice.
~
Eu estava assistindo ao canal da Disney com Renesmee e ao mesmo tempo desenhávamos, ela dizia que queria desenhar como Bella e para isso precisava treinar, porque quando crescesse queria ser igualzinha a mãe. Esme e Carlisle se derretiam com os comentários de Renesmee e eu me senti inteiramente completo, a minha família era linda, unida e feliz. Mesmo assim, todos os meus pensamentos estava em Bella.
De repente, batidas estridentes batiam contra a porta e eu me enrijeci totalmente. Esme olhou para Carlisle assustada assim como Renesmee olhou para mim, parecia mais um bandido querendo entrar a qualquer custo.
– Mas o que é isto? – Carlisle perguntou-se levemente alterado.
– Edward! Edward! Abre logo essa porta, agora! – Rosalie soou completamente alterada ao lado de fora.
Todos soltaram um suspiro de alivio, inclusive eu, mas o que a estava deixando Rosalie estressada daquela forma? Corri até a porta e quando a abri um brutamonte entrou em casa sendo seguido por Rosalie. Ele estava com as duas mãos no pescoço e respirava fortemente, como se o ar não fosse o suficiente para o manter de pé.
– O que aconteceu, Rose? Quem é ele? – Perguntei.
Rosalie o sentou na poltrona ao lado da mesa de centro e afrouxou a gravata do homem que agora mantinha apenas uma das mãos no pescoço. Ele estava com os olhos inchados e algumas manchas vermelhas pelo rosto, sua boca também estava inchada.
– Ele está com uma crise alérgica? – Perguntei ao identificar os sintomas.
– Então é isso? O que será que ele comeu? – Perguntou preocupada.
– Por que você não o levou para um hospital?
– Por que de qualquer forma você é médico – Rebateu ela.
– Sou um médico que não tem nenhum antibiótico em casa!
– Ai meu Deus, ele vai morrer! – Rosalie exclamou com a mão na boca.
– Vai passar, está passando! Não me levem ao médico já está passando! – O rapaz avisou com dificuldade.
– Papai faz alguma coisa ou ele vai morrer! – Pediu Renesmee.
– Ele não vai morrer Renesmee! Meu Deus, ajuda, ajuda! Ele não vai morrer – Pedia Rosalie do outro lado.
– Está passando, – Continuou o homem – Sempre passa.
Depois de alguns minutos com todos encarando a cena bizarra, o homem conseguiu respirar normalmente e seus olhos pararam de lacrimejar.
– Explicações, Emmett! – Exigiu Rosalie.
– Eu sou alérgico a camarões, – Disse ele – Não estava nos meus planos comer isto até que você pedisse camarões para comermos.
– Você poderia ter me falado! Eu quase morri de susto! – Disse alterada passando uma das mãos pelos cabelos.
– Eu não queria causar má impressão, minha alergia nem é tão forte e quando eu quero comer tenho um remédio antialérgico que não deixa isso me acontecer, mas eu me esqueci de tomar e o camarão estava tão bom que eu não resisti.
– E você prefere morrer a causar má impressão? – Questionou Renesmee estreitando os olhos.
– Nessie... – Carlisle tentou disfarçar, ao contrário de mim que ri alto.
– Você quer água? Precisa de alguma coisa, querido? – Perguntou Esme preocupada.
– Eu adoraria um copo de água, por favor. A propósito, meu nome é Emmett McCarty, mas me chamem de Emmett ou Emm.
– Certo Emmett. Eu volto em um minuto – Avisou Esme.
– Fique calma Rose, ele está melhorando e vai continuar nesse estágio – Tentei acalma-la.
– Ai... – Resmungou ela com a mão na cabeça.
Realmente em um minuto Esme estava de volta, Emmett bebeu no fim dois copos de água e caiu na poltrona novamente, talvez estando um pouco desorientado.
Carlisle perguntou se ele queria jantar conosco e quem aceitou o pedido fora Rosalie, dizendo que não perderia o jantar daquela noite porque Emmett fora um idiota. Fiquei assustado com a intimidade que os dois estavam tendo já no primeiro encontro, Rosalie jogando-lhe farpas e Emmett aceitando de bom grado todas elas, ainda por cima com um sorriso no rosto que deixava covinhas infantis a mostra e um bom humor inabalável.
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– Menininha eu gostei de você. Só não entendi o seu nome que é bem engraçado por sinal – Comentou Emmett na mesa de jantar.
Renesmee estreitou os olhos na direção dele – uma mania que ela vinha adquirindo – e colocou-se a explicar depois de bebericar o seu suco.
– A minha mamãe Bella e meu papai Edward escolheram Renesmee porque é o nome das mamães deles quando unidos. A minha vovó Renée que está com o Papai do Céu e minha vovó Esme. A junção de Renée e Esme é Renesmee, meu nome. E meu segundo nome é Carlie. Carlisle, e Charlie, o meu outro vovô que está no céu com a minha vovó Renée. – Terminou a explicação com um sorriso de orgulho no rosto angelical.
– Uau, agora sim me parece ser um nome bonito. E por que o monstro do lago Ness?
– Não é monstro, é só Nessie. Esse foi só um apelido aproximado do meu nome.
– Ah sim, e a sua mãe, cadê ela?
– Ela está no apartamento com a tia Alice.
– E porque elas não estão aqui?
– Emmett cale a boca – Rosalie pediu discretamente.
– Porque elas estão no apartamento – Renesmee deu a resposta óbvia.
Novamente eu ri e Emmett nem ao menos ficou constrangido com a resposta de Renesmee. Se ela fosse maior, eu diria que a sua resposta era irônica.
O restante da conversa foi agradável e eu já tinha a certeza que Rosalie e Emmett seriam o casal mais engraçado que eu já vira na vida, eles superariam até os casais mais estranhos da faculdade. Rosalie era certinha e objetiva, e Emmett gostava de conversar e se mostrou uma verdadeira criança disfarçada de armário humano.
Tanto meus pais quanto Renesmee e eu gostamos dele, Emmett poderia se tornar um grande amigo da família assim como Rosalie.
~
Ajudei Renesmee a guardar os desenhos – os dela eram muito bons por sinal – e subimos para o meu quarto, ela dormiria comigo. Esme tinha reservado uma gaveta no meu quarto e colocara algumas roupinhas e pijamas de Renesmee, assim como escova de dente e presilhas de cabelo.
– Vamos tomar banho, mocinha?
– Você vai me dar banho? – Perguntou Renesmee.
– Não, a vovó Esme que vai, mas eu já dei muito banhos em você que por sinal adorava bater as mãos de encontro à água e me molhar todo também. Bella só sabia rir da minha cara e dizer que eu era ótimo no que fazia, mesmo eu sabendo que era péssimo.
– Nessa época vocês eram namorados? – Perguntou-me.
– Sim, nós éramos. – Confirmei.
– E por que vocês não pode ser de novo? Seria a melhor coisa de todo o mundo ter você e a mamãe morando comigo, todo mundo na mesma casa! Igual nos filmes. Melhor ainda do que vocês serem só amigos, porque aí vocês seriam amigos e namorados!
– E você já está expert assim em relacionamentos, é? – Brinquei.
– Mais ou menos, a mamãe me contou a história de amor preferida dela onde o moço e a moça se conhecia pelo olhar, sabe? Aí eles ficaram amigos antes de serem namorados.
– Por que moço e moça?
– Porque eles não têm nomes. E essa história também é a minha preferida porque no final eles tiveram um bebê e em conto de fadas não tem bebês.
Esme entrou no meu quarto e pediu para que eu separasse uma roupa de dormir para Renesmee. Por fim, ela fez todo o trabalho e eu ainda ajudei a lavar os cabelos de Renesmee, mesmo estando tão cumprido agora eu ainda me lembrava como se fazia.
Quando Renesmee estava pronta, ela se deitou na minha cama e eu deitei ao seu lado, morrendo de medo de rolar por cima dela durante a noite.
– Por que você tem uma cama de casal se você dorme sozinho? – Perguntou.
– Hm... É que quando eu e a mamãe namorávamos ela vinha muito aqui.
– Ah... – Suspirou – E como vêm os bebês? Quero dizer, da onde eu vim? Porque um casal tem que namorar primeiro né, para vir um bebê – Perguntou-me com o olhar curioso.
– Uhm... É... Eles... Namoram primeiro – Concordei com dificuldade.
Renesmee me olhou interrogativamente e eu soube que teria de ser um completo ninja para fugir do assunto em que ela tentava entrar.
– E como é? Me conta papai?
– Bem... Quando... É... Sabe? – Senti as minhas mãos soarem – Quando duas pessoas se amam... Elas... Hm... Resolvem ter um bebê. É isso.
– E como que elas fazem para ter um bebê?
– Elas só precisam se amar.
– E você ainda ama a mamãe? – Quase sussurrou.
– Sim, eu ainda amo muito a mamãe, sempre vou amar.
– E ela ama você também? – Sussurrou novamente.
– Isso você terá de perguntar para ela... Mas, quer saber de uma coisa?
Renesmee assentiu.
– Quero sim.
Eu travei. E se desse tudo errado e eu desapontasse Renesmee? Ignorei as chances negativas que eu sabia da existência e lhe desejei boa noite. Não demorou em minha filha cair no sono e eu aproveitasse um tempinho para ir falar com a minha mãe, eu sabia que desde o momento em que eu cheguei com Renesmee ela gostaria de saber o que havia acontecido – não que Renesmee não tivesse comentado o que fizemos no parque.
Esme estava na sala e somente o abajur estava ligado. Carlisle provavelmente já estava dormindo.
– Eu sabia que você viria falar comigo, filho.
Ao contrário do que muitos pensam – ou acham – eu tinha sim uma ótima relação com Carlisle, mas Esme era mãe e ela entendia tudo o que se passava comigo, principalmente quando se travava de amor e ninguém melhor do que ela para conversar.
– Renesmee já dormiu? – Perguntou.
– Sim, ela dorme muito fácil – Sorri.
Sentei-me ao lado de Esme e ela tomou uma de minhas mãos na sua.
– O que Bella tinha para falar com você, quando chegaram? – Ela foi direto ao ponto.
– Mãe, eu acho que estamos juntos de novo.
Esme arregalou os olhos e ao absorver a informações eu vi as orbes castanhas encherem-se de lágrimas. Senti-me inútil por mais uma vez me dar conta de que eu estragara tudo, mas dessa vez eu faria tudo certo nem que precisasse dar o meu sangue.
– Como assim... Acha?
– Ela pediu para irmos com calma porque ela tem medo. Mas eu prometi mãe, que farei tudo certo e que nós vamos ser muito felizes.
– Ah, filho... Eu mal consigo acreditar! Eu sempre torci tanto por vocês desde o primeiro momento que vi Bella. Ela era uma ótima moça e com o tempo eu pude a ver tornar-se uma ótima amiga, mãe, uma filha para mim. Eu realmente mal consigo acreditar.
– Nem eu mãe, nem eu... Eu tenho certeza de que ela é a mulher da minha vida, eu a amo tanto!
– Sabe, é tão gratificante saber que você está de volta e eu tinha tanto medo, tanto medo de você tornar-se um estranho na vida de Renesmee...
– Mãe, por favor, não fale uma coisa dessas.
– Eu tinha medo que vocês perdessem essa ligação linda de pai e filha que vocês têm, – Ignorou-me – E eu me sinto tão realizada ao ver vocês desta maneira agora, o jeito como minha neta é apegada a você e você a ela. Obrigada por colocar essas duas garotas maravilhosas na minha vida, filho, eu desejo toda a sorte do mundo para você e espero ansiosamente para receber a visitas de uma família inteira aqui em casa.
Eu soube o que Esme queria dizer. A família inteira que ela se referia era eu, Bella e Renesmee, aqueles típicos casais que fazem visitas com os filhos ao final de semana na casa dos pais, passam o natal juntos e todas essas coisas clássicas. Eu também estava ansioso para que esse momento chegasse.
– Alice ligou e disse que vai passar essa noite com Bella, está tudo bem, querido.
Voltei para o meu quarto e velei durante algum tempo o sono de Renesmee. Minha garotinha linda e perfeita, como ela me contou uma vez, “a mistura perfeita da mãe e do pai”. Seu rosto de anjo tinha o formato do meu, mas sua pele, suas bochechas coradas e a cor dos seus olhos – os olhos mais lindos que alguém poderia ter – eram iguais ao de Bella. A cor indefinida de seu cabelo ficava entre o cobre e ruivo como o meu, e os cabelos cumpridos e ondulados eram iguais ao de Bella. Uma vez ela havia me dito que Renesmee herdara os cachos de Charlie.
Pensei no que eu havia dito a Bella àquela tarde, nosso fruto não poderia ser menos perfeito porque o nosso amor era perfeito.
Antes de dormir observando Renesmee, eu prometi a ela que seu sonho iria se realizar. Sua família seria reconstruída. E aquela noite, eu chorei de felicidade.
Notas finais
E então pessoal? O que acharam? Ainda tem muita coisa para acontecer!
Spoiler do próximo capítulo no POV Bella.
Andei de um lado para o outro na sala, mesmo com as palavras de Rosalie e Esme eu estava receosa com o que poderia acontecer ali. Passei as mãos pelos cabelos e mordi os lábios furiosamente e desejei escutar Edward me dizer que ficaria tudo bem.
Duas batidas na porta foram o suficiente para meu coração bater acelerado de novo. Fui até a porta e a abri talvez um pouco devagar demais, meus olhos encontraram os de Alice que estavam aflitos e eu quase ouvi a voz de Edward dizer ficará tudo bem.
Lembrando, 10 reviews, novo capítulo!
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