Nossa Primeira Vez
1 Hello, Seattle!
Notas iniciais
—Ultima chamada para o voo 384.
Pela ultima vez estou nesse aeroporto, à única coisa que quero agora é chegar a Seattle. Entro no avião, sento-me no meu lugar. O avião está vazio, o que é ótimo.
— Srta. Castillo, aceita um suco? – Pergunta a aeromoça.
— Sim, obrigada.
Em poucos minutos meu suco chega. Li, reli, ouvi musica, escrevi, olhei pela janela. Nada da hora passar. Levanto e vou beber agua. Pego um copo, e sirvo.
— Olá. – Diz um rapaz. Pulo pelo susto.
— Você me assustou. – Digo alterada. Até demais. – Olá.
Viro-me para olhar seu rosto. Meu Deus. Que menino lindo. Olhos verdes, sorriso perfeito, alto, musculoso, mas não muito. O garoto perfeito. Sorrio de forma sedutora.
— Me desculpe. – Ele ri, mostrando suas covinhas medianas em sua bochecha. – Eu só queria conversar.
— Hm. Tá bem.
O resto da viagem passou tranquilo. Chegamos e eu fui direto pegar minha mala. O motorista de papai já me esperava em frente ao aeroporto.
— Olá, Srta. Castillo. – Steel diz sorrindo.
— Olá Steel, como vai?
— Bem, obrigado. – Ele coloca a mala no porta-malas. – Temos que esperar o Sr. Vargas e seu filho.
Steel e eu esperamos cerca de quinze minutos até que os Vargas chegam.
— Olha só quem está aqui. – O menino dos olhos verdes fala. – Que ironia do destino não? Somos vizinhos.
Apenas reviro os olhos e entro no carro. Esse garoto me deixa estranha. Quero beija-lo até sua boca ficar em carne viva. Droga de garoto. Odeio garotos.
Seguimos em direção a minha nova casa. Fico olhando pela janela a bela cidade a minha frente. Hello, Seattle. Passamos pelo centro da cidade, que há essa hora está cheio ao extremo. Chegamos a um enorme condomínio, cheios de arvores, ao redor da rua, como uma passarela. Coloco a cabeça para fora do carro. É lindo. O carro vai diminuindo a velocidade ate parar por completo. A casa é da cor branca, com detalhes pretos, um gramado muito bem cuidado, e dois carros. Uma BMW Z5, segunda geração, e um o novo XJ Supersport. São lindos. Papai aparece à porta.
— Filha. – Ele vem correndo me dar um abraço. – Como você esta?
— Bem, papai. – O abraço de volta.
— Olá Toby. – Papai cumprimenta seu amigo com um abraço. Como minha filha se comportou no avião?
— Claro que sim. – Respondo irritada. – Não preciso de guarda costa Germán, anos se passaram e você ainda não aprendeu.
Entro em casa batendo os pés. Quem ele acha que sou? Um bebê que não sabe se cuida sozinha? Que raiva. Respiro fundo tentando manter a calma. Depois que mamãe foi assassinada há cinco meses, papai não me deixa fazer nada sozinha. Isso me da nos nervos. Mamãe. Sinto tanta falta dela. De seu carinho, da sua voz doce, seus olhos castanhos. Meus olhos se enchem de lagrimas. Por que tem que ser assim, pai? Deus porque o senhor não levou a mim ao invés dela? Odeio não tê-la por perto. Seco as lagrimas com a costa da mão.
Sento-me no sofá branco, com almofadas pretas. Mamãe amava branco e preto. Olho para o enorme quadro de mamãe e eu. Tiramos essa foto no dia do meu aniversario, mas também no dia de sua morte. Uma mulher de cabelos longos e loiros se aproxima.
— Olá garotinha. – Ela diz com um sorriso falso. Vaca.
— Tenho nome. – Digo com uma pequena arrogância.
— Eu sei, seu pai me disse. – Ela me olha com um olhar cínico. – Seu pai já deve ter lhe dito a novidade, não é?
— Que novidade?
— Vilu. Filha. – Papai entra na sala interrompendo nossa pequena conversa. – Vi que conheceu a Marjorie.
— Sim, ela estava me dizendo que vocês tem uma novidade. – O olho com desconfiança. Papai arregala os olhos.
— É... Cla... – Papai estava gaguejando. Ele está me escondendo algo.
— Fale amor.
Fale amor. Essas duas palavras pairam no ar. Não é possível, papai não faria isso. Só faz cinco meses que mamãe morreu.
— Violetta, primeiramente fique calma, esta bem? – Concordo. – Conheci a Marjorie há dois anos, quando vim a Seattle. Eu e sua mãe não estávamos bem com nosso relacionamento. Eu tive uma filha com a Marjorie, e decidimos que vamos nos casar.
Eu não conseguia pensar. Filha? Casar? Como ele pode fazer isso com a mamãe, ela o amava. Senti o ódio nascer. Levantei em um pulo, com lagrimas nos olhos. Apenas sai correndo, trompando em tudo que havia na frente. Que droga de marido e pai ele era? Deixa a família em casa para fuder outra mulher? Ele é um idiota. Só não é mais o meu pai. Quando me dou conta estou à beira de uma cachoeira, encolhida. Só agora percebo o quanto isso me afetou.
— Você esta bem? – Uma voz masculina pergunta.
— Não te interessa. – Levanto de cabeça baixa e saio andando. Senti o menino me puxar segurando em meus braços. Arrisco olhar em seus olhos. Olhos verdes como o mar. Mesmo não sabendo o porquê, uma paz me invadiu.
— Me solta. – Digo rude. – Anda, me solte.
— Não. – Ele sorri. – Vamos voltar para sua casa.
— Não, você não manda em mim, volto se quiser.
— Então vamos para outro lugar, não podemos ficar aqui. – Ele estende as mãos, com receio a seguro. Eu andei tanto assim em tão poucos minutos? Chegamos ao portão do condomínio em silencio. Saímos e uma Mercedes GLT nos esperava na frente. Ele abriu a porta do passageiro, eu entrei. Após entrar e sentar no banco do motorista, ele se aproxima prendendo meu cinto. – Você vai precisar.
— Obrigada.
— De nada. – Ele pica e sorri.
Seguimos em silencio para um lugar que ele diz ser uma casa de um amigo, apenas ao som de Ed Sheeran – Photograp. Ao chegarmos, dava para ouvir o som do lado de fora da casa. A casa tinha apenas dois andares, branca, com detalhes azul bebê. A porta ao meu lado se abre e vejo lindos olhos verdes se aproximando, desprendeu meu cinto me olhando.
— Prazer, León. – Diz sorrindo com perfeitos dentes brancos e boca rosada.
— Prazer, Violetta.
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