Nossa Primeira Série
12 Ciúmes
Notas iniciais
Takao bateu a porta do quarto de seu filho e se jogou na cama de solteiro, encolhendo-se sobre os lençóis. Como as coisas tinham terminado daquele jeito? O dia tinha começado tão agradável, com um delicioso café da manhã junto ao seu marido. Ambos se perguntavam se seu pequeno estaria se divertindo na fazenda e o que exatamente estaria fazendo naquela manhã. Era dia de folga de Midorima, então tinham combinado de sair para comprar algumas coisas para a casa e descansar durante a tarde. De noite iriam buscar Seitarou na escola e, se este não estivesse muito cansado, sairiam para jantar fora. Só que algo inesperado ocorrera durante as compras pela manhã: saindo de uma loja, Takao esbarrou em Miyaji. Foi então que tudo desmoronou. Midorima e Miyaji começaram a discutir em algum ponto da conversa e, se não tivesse agido rápido e inventado uma desculpa para ir embora, ambos partiriam pra agressão física.
Sem entender nada, chegou em casa muito magoado. Por que Midorima sempre brigava com seu antigo senpai? Miyaji nunca tinha feito nada de errado, pelo contrário, apenas o apoiara em todas suas decisões. E também deveria estar triste depois de se divorciar de uma linda inglesa, então qual era o motivo de tanta raiva? Tentou perguntar ao esverdeado, mas não obteve respostas muito boas.
–Se atreve a me perguntar isso? — gritou o médico, jogando as sacolas em cima do sofá. — Você é cego ou se faz, Kazunari?
–Eu não te entendo, Shin-chan! Toda vez que vemos o Miyaji-senpai, só falta você pular no pescoço do cara! Qual o seu problema com ele?!
–Sério mesmo que você nunca percebeu? — Midorima estava vermelho de raiva. Impossível que Takao não tivesse percebido o significado daqueles sorrisos tortos, abraços longos e toques completamente desnecessários. — Miyaji é louco por você.
–Tolices da sua cabeça! Miyaji-senpai está sofrendo por causa do divórcio e só quer companhia de alguém — Midorima estreitou os olhos e se perguntou se Takao era cego mesmo.
–Sim, ele quer a sua companhia. Na cama dele!
–Não fale assim do senpai! Você é maluco que pensa que qualquer um que chega perto de mim, quer ficar comigo. Você precisa se tratar, esse seu ciúme está virando doença.
–Doente é a maneira como aquele cafajeste continua tentando te seduzir. E você caindo como patinho na conversa de recém divorciado dele.
–Você está vendo coisa onde não tem!
–Quem está vendo as coisas erradas é você. Pode perguntar pra qualquer um que conhece Miyaji, todos vão dizer que ele sempre foi apaixonado por você. Todos eles.
–Pare com isso, Shin-chan. Você só está com ciúmes que o senpai pode passar mais tempo comigo que você, já que ele não passa o dia correndo por emergências e pode almoçar comigo sempre que eu o chamo...
–Espera ai. O quê? — O maior segurou Takao pelo braço com força, irado. — Você chama o Miyaji para vir almoçar com você quando eu não posso?
–É... Bom, você nunca tem tempo pra mim e pro Seitarou, então eu...
–Então você está colocando aquele maldito dentro da nossa casa sem me dizer nada?! — O moreno se encolheu de medo. Agora sim seu marido estava irritado. — E ainda coloca a culpa no meu trabalho?!
–Não é fácil cuidar do Seitarou sozinho quando você está sempre enfiado naquele hospital!
–Cuidar dele sozinho?! Desde quando eu sou considerado um pai ausente nesta casa, Kazunari? Alguma vez o Seitarou disse a você que sente minha falta na vida dele? Eu faltei em algum momento importante da vida de nosso filho? Eu deixei faltar amor pra ele, é isso que está dizendo?
–Eu... Eu me sinto sozinho! Eu nem sei mais se ainda me ama ou se pensa em mim como antes!
–Kazunari, eu não acredito no que você está falando. Sempre que posso, eu ligo ou venho te ver. Me esforço ao máximo para vir para casa todas as noites que não estou de plantão e você tem coragem de me dizer que se sente sozinho?
–Cale a boca, idiota! Você não entende nada! Nunca vai entender! — O moreno não aguentou mais a pressão daquelas palavras e correu escada acima.
–Kazunari! Oh, por favor, volte aqui, Kazunari! — Midorima chegou ao segundo andar a tempo de ver como a porta do quarto de Seitarou se fechava. Desde quando Takao se sentia daquela maneira? Sempre tinha se esforçado tanto por se manter próximo de seu amado e sempre conversavam sobre seu trabalho no hospital. Mimava seu esposo e seu filho, tentando sempre compensá-los pelo tempo que gastava em seu trabalho. Estava fazendo pouco? Seus esforços já não eram suficientes para fazê-lo feliz? Se aproximou da porta e bateu duas vezes, ouvindo em resposta apenas soluços do choro do menor. Pensou em insistir, mas estava irritado com a descoberta que havia alguém preenchendo o espaço que ele não conseguia ocupar.
Suspirando, desceu até a sala e se sentou na poltrona. Em todos os anos que passaram juntos, tiveram muitas discussões, como qualquer casal saudável, mas nunca tinha visto Takao chorar por causa disso. E nunca antes tinham brigado por causa de outra pessoa. Não sabia o que pensar, nem o que fazer para fazer que seu esposo enxergasse as verdadeiras intenções de Miyaji. Se isso não acontecesse logo, acabaria perdendo seu amado para seu antigo senpai e então... O que seria dele?
Seu celular tocou e ele ignorou-o por completo. Se Takao decidisse que não era feliz junto dele, o que faria? Seitarou com certeza ficaria com o moreno, nunca tiraria o pequeno de Kazunari. Se ambos fossem embora, o que restaria a ele? Uma casa grande e vazia para a qual voltar? Dias e noites divididos entre o hospital e memórias enlouquecedoras de seu passado feliz? Ou o único Midorima existente seria o médico?
O celular tocou mais duas vezes, sem receber atenção. A mente do esverdeado estava longe dali, procurando maneiras eficazes de evitar tamanha tragédia em sua vida. Kazunari era o Sol de sua vida e Seitarou, sua Lua. Se ficasse longe de seu filho, perderia completamente o rumo, e se perdesse seu esposo... A morte parecia ser um destino menos cruel que esse. O telefone da casa começou a tocar e, em algum lugar de sua mente, Midorima se lembrou que seu filho estava numa fazenda. Ainda não era hora de buscá-lo, nem era a hora do almoço ainda. Havia acontecido algo com ele? Quando finalmente as ligações o alarmaram e ele se levantou, Takao já havia descido as escadas e atendido o telefone, ao outro lado da sala.
–P-Pode deixar! Akashi-san, você tem certeza? — silêncio. O que Akashi iria querer com eles aquela hora? — Está bem! Me mantenha avisado, por favor... Obrigado.
–O que Akashi queria? — perguntou o maior e recebeu um olhar bem assustado do moreno. — Hey, calma. O que houve?
–O... O Furi... — o menor começou a tremer de medo. — Desapareceu.
–Como? — Midorima só pode abraçar Takao e tentar confortá-lo.
–Akashi-san disse que ele não apareceu no orfanato ontem para trabalhar e ninguém o viu desde ontem de manhã.
–Ele não está em casa?
–Akashi-san disse que está indo lá. Shin-chan, e se ele sofreu algum acidente? — Cara, era só o que lhe faltava. Além de brigar com Takao, agora deveria se preocupar com encontrar Furihata. Bom, pelo menos isso parecia ter colocado a briga em segundo plano na mente do menor.
–Quer ir comigo no hospital e perguntar? — o moreno assentiu e ambos logo saíram da casa em direção ao hospital. O clima entre os dois ainda estava um pouco pesado, mas eles resolveriam tudo depois de ter notícias sobre Furihata. Ou, pelo menos, era isso que Midorima pensava.
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