Nosebleed
1 Único
Notas iniciais
A luz que entrava pela janela ardia os olhos claros, cobrando cada minuto a mais de sono. Jason despertou devagar, incomodado com a claridade, espreguiçando-se e jogando para fora da cama os cobertores, os braços, as roupas.
Roupas?
Forçando-se a abrir os olhos, alcançou uma das peças no chão. Uma camisa social preta, amassada e — ah — com o cheiro dele. Largou a roupa antes que tentasse sentir o perfume da gola.
Virando-se na cama, teve que morder os lábios para que o nome lhe escapasse da boca.
Nico era um espécime raro de observar assim, casualmente, tranquilo em seu habitat natural e sem aquela preocupante veia saltando em sua testa; e por isso Jason não emitiu som algum, não moveu um só músculo e fez um esforço tremendo em não suspirar. Só queria que aquela cena durasse.
Inclinado sobre uma gaveta da cômoda, as costas dele adquiriam o tom leitoso da luz que se misturava às cortinas, as pernas finas porém torneadas tremulavam de frio e os arrepios desciam em cascata, eriçando os pelos das omoplatas á base da coluna. Desgrenhados de sono, os cabelos lisos estavam cheios de nós e caiam sobre o rosto do moreno, compridos até quase tocarem os ombros.
Nico não tinha uma cintura fina ou coxas grossas, longe disso; seu corpo era magro e de poucas curvas, anguloso, os ossos marcados sob a pele como tatuagens discretas, a linha das clavículas, os ossos salientes do quadril e a corrente linear que era sua coluna.
Mas Jason admirava cada ponta, beijava cada cicatriz. Ah e adorava quando ele usava somente aquela box preta.
Logo achou o que procurava, e Jason lembraria de escondê-lo melhor na próxima vez. Nico vestiu o grande moletom roxo, com as letras “SPQR” em dourado sobre o peito, que caiu sem empecilhos sobre o seu corpo e quase — quase — cobriu a boxer, deixando alguns centímetros do tecido preto contornando suas coxas. Virou-se, e Jason nunca vira nada mais fofo que aquele rosto pálido, as mãos escondidas sob as mangas, as pernas compridas escapando debaixo do seu moletom.
Nico pressionou os lábios, escondendo o rosto e murmurando baixinho, a voz inerte se não fossem as sílabas trêmulas.
— Você por acaso acabou brigando enquanto dormia?
— Por que? Me atacou enquanto eu dormia, Di Angelo?
Nico rangeu os dentes, encabulado.
— Não, porque seu nariz está sangrando, Grace.
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